Pesquisar no Blog

domingo, 12 de maio de 2024

Maternidade tardia pode trazer dilema do óvulo doado

 Gestação em idade madura precisa ser bem planejada


O desafio de ter filhos fora da idade reprodutiva, como por volta dos 40 anos, pode trazer algumas implicações psicológicas, principalmente quando o caso envolve a necessidade de utilizar óvulos doados. “As mulheres que não se planejam quanto à maternidade nessa faixa etária se deparam com um dilema. Por um lado, existe o desejo de ser mãe, mas por outro, o fato do filho não ter a mesma constituição genética, pode ser motivo de grande sofrimento”, diz a Dra. Helena Loureiro Montagnini, psicóloga do Grupo Huntington Medicina Reprodutiva, especialista em atender casos como esses.  

A psicóloga ainda lembra que essas pacientes demonstram grande preocupação quanto às características da doadora uma vez que a semelhança física com os pais é um traço bastante valorizado culturalmente, como sinal de um pertencimento a um núcleo familiar. Outras preocupações frequentes referem-se à importância e necessidade dos pais  contarem ou não aos filhos sobre sua história, quando estes forem crescidos, e até mesmo se ele será amado da mesma maneira que seria , se fosse um filho biológico. “É comum verificarmos mulheres que se decidem pela doação de óvulos impulsivamente em um primeiro momento e no meio do tratamento começam a manifestar grande preocupação sobre a questão. Deve-se enfatizar o acompanhamento psicológico desde o começo quando o procedimento virar uma possibilidade a ser realizada”, alerta.

O que fazer?

Dra. Helena deixa claro que, apesar do sofrimento, o casal pode se preparar psicologicamente lidando com essas questões, de forma a levar a experiência com o que realmente é preciso: uma noção de família, que se sobreponha a continuidade do parentesco genético quebrado pela necessidade da ovodoação. Nesse processo é necessário renunciar ao desejo e possibilidade de ter um filho biológico e elaborar essa perda.

Para que a ovodoação não seja necessária, é importante considerar, se possível, a maternidade mais cedo. Muitas mulheres superestimam a capacidade reprodutiva sem evidências médicas de que ainda possuem óvulos viáveis para a concepção. “Algumas mulheres que têm que recorrer à ovodoação se sentem culpadas por terem priorizado aspectos profissionais sem dar a devida atenção ao que a falta de conhecimento das funções reprodutivas em idade tardia poderiam lhes trazer”, observa.

Quando decidem pela reprodução assistida, descobrem que a única solução é utilizar células de terceiros, o que evidencia a recomendação de muitos especialistas para que as mulheres em casos como esse congelem seus óvulos. Assim, quando chegar o momento, poderão utilizá-los e não terão que recorrer à doação.

O congelamento, recomendado para antes do 35 anos, preserva o óvulo jovem considerado de boa qualidade. “Quando bem planejada e acompanhada, a gravidez tardia tem aspectos positivos. A maturidade também traz maior segurança e paciência ao encarar as novas responsabilidades que virão com a criança”, explica a especilista. Segundo ela, uma gravidez nesse período da vida, também pode proporcionar mais conforto, consciência e qualidade de vida para a família inteira, já que a mulher nesse estágio teria maior disposição e tempo para se dedicar ao projeto da maternidade.



Grupo Huntington
www.huntington.com.br


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados