Gestação em idade madura precisa ser bem planejada
O desafio de ter filhos fora da
idade reprodutiva, como por volta dos 40 anos, pode trazer algumas implicações
psicológicas, principalmente quando o caso envolve a necessidade de utilizar
óvulos doados. “As mulheres que não se planejam quanto à maternidade nessa
faixa etária se deparam com um dilema. Por um lado, existe o desejo de ser mãe,
mas por outro, o fato do filho não ter a mesma constituição genética, pode ser
motivo de grande sofrimento”, diz a Dra. Helena Loureiro Montagnini, psicóloga
do Grupo Huntington Medicina Reprodutiva, especialista em atender casos como
esses.
A psicóloga ainda lembra que essas pacientes demonstram grande preocupação
quanto às características da doadora uma vez que a semelhança física com os
pais é um traço bastante valorizado culturalmente, como sinal de um
pertencimento a um núcleo familiar. Outras preocupações frequentes referem-se à
importância e necessidade dos pais contarem ou não aos filhos sobre sua
história, quando estes forem crescidos, e até mesmo se ele será amado da mesma
maneira que seria , se fosse um filho biológico. “É comum verificarmos mulheres
que se decidem pela doação de óvulos impulsivamente em um primeiro momento e no
meio do tratamento começam a manifestar grande preocupação sobre a questão. Deve-se
enfatizar o acompanhamento psicológico desde o começo quando o procedimento
virar uma possibilidade a ser realizada”, alerta.
O que fazer?
Dra. Helena deixa claro que, apesar do sofrimento, o casal pode se preparar
psicologicamente lidando com essas questões, de forma a levar a experiência com
o que realmente é preciso: uma noção de família, que se sobreponha a
continuidade do parentesco genético quebrado pela necessidade da ovodoação.
Nesse processo é necessário renunciar ao desejo e possibilidade de ter um filho
biológico e elaborar essa perda.
Para que a ovodoação não seja necessária, é importante considerar, se possível,
a maternidade mais cedo. Muitas mulheres superestimam a capacidade reprodutiva
sem evidências médicas de que ainda possuem óvulos viáveis para a concepção.
“Algumas mulheres que têm que recorrer à ovodoação se sentem culpadas por terem
priorizado aspectos profissionais sem dar a devida atenção ao que a falta de
conhecimento das funções reprodutivas em idade tardia poderiam lhes trazer”,
observa.
Quando decidem pela reprodução assistida, descobrem que a única solução é
utilizar células de terceiros, o que evidencia a recomendação de muitos
especialistas para que as mulheres em casos como esse congelem seus óvulos.
Assim, quando chegar o momento, poderão utilizá-los e não terão que recorrer à
doação.
O congelamento, recomendado para antes do 35 anos, preserva o óvulo jovem
considerado de boa qualidade. “Quando bem planejada e acompanhada, a gravidez
tardia tem aspectos positivos. A maturidade também traz maior segurança e
paciência ao encarar as novas responsabilidades que virão com a criança”,
explica a especilista. Segundo ela, uma gravidez nesse período da vida, também
pode proporcionar mais conforto, consciência e qualidade de vida para a família
inteira, já que a mulher nesse estágio teria maior disposição e tempo para se
dedicar ao projeto da maternidade.
Grupo Huntington
www.huntington.com.br
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