Quando o auto-sabotador, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2024, https://dicionario.priberam.org/auto-sabotador/. bate à porta: uma crônica da comparação profissional
Numa manhã não muito distante, enquanto o sol ainda brigava com as
nuvens por um espaço no céu, um vilão sorrateiro e quase invisível decidiu
fazer uma visita inesperada. Não, não estou falando de um super-herói
mal-ajambrado de capa e máscara, mas de um antagonista muito mais familiar para
todos nós: o auto-sabotador.
Ele não bate à porta, não pede licença; apenas se instala
confortavelmente no sofá da nossa mente, preparado para uma longa temporada de
críticas e comparações. A vítima da vez? Um profissional comum, tal como você e
eu, que comete o equívoco crônico de medir seu valor pelas conquistas alheias.
O auto-sabotador é astuto. Ele sabe que nada é mais
paralisante do que o bom e velho hábito de comparar nossas falhas às vitórias
estrondosas de outros profissionais. "Olhe para Fulano", sussurra
ele, apontando para o LinkedIn recheado de sucessos de um conhecido. "Você
já viu alguém tão competente? Certamente não está olhando no espelho!"
Ah, o espelho. Aquele que deveria refletir nossas próprias
conquistas, mas que, sob a influência do auto-sabotador, apenas ecoa as
dúvidas e inseguranças. Nesse reflexo distorcido, cada sucesso alheio parece um
lembrete cruel de nossas próprias limitações, cada postagem sobre um novo cargo
ou projeto parece uma afronta pessoal.
Mas há algo que o auto-sabotador prefere
ignorar: a singularidade da jornada de cada um. Ele detesta lembranças de que
comparações são, na melhor das hipóteses, inúteis, e, na pior, destrutivas. Ele
ignora o fato de que, enquanto Fulano brilha em seu caminho, existem milhares
de trilhas diferentes a serem exploradas, cada uma com suas próprias belezas e
desafios.
E é aqui que o auto-sabotador revela sua
verdadeira fraqueza: ele teme a ação. O comodismo é o seu playground, o lugar
onde ele exerce seu domínio supremo. "Por que tentar, se você já sabe que
vai falhar?" ele zomba, confortavelmente instalado na cadeira do medo e da
inação.
Contudo, em um belo dia, o profissional comum decide que já basta.
Cansado das comparações sem sentido e das críticas internas, ele se levanta.
Com um gesto simples, mas poderoso, desliga o computador, afasta as sombras do auto-sabotador
e decide tomar as rédeas de sua própria história.
Com cada passo em direção ao desconhecido, com cada falha
transformada em aprendizado, o auto-sabotador perde um pouco
mais de seu poder. Afinal, ele descobre, meio perplexo, que sua maior fraqueza
nunca foi comparar-se aos outros, mas permitir que essas comparações o
definissem.
No fim das contas, a jornada contra o auto-sabotador
é diária e pessoal. Envolve reconhecer suas táticas, sim, mas, acima de tudo,
compreender que o único comparativo válido é aquele que fazemos com nós mesmos,
no passado. E a única competição que realmente vale a pena é a que travamos
para ser uma versão melhor do que fomos ontem.
Então, da próxima vez que o auto-sabotador bater à sua
porta, ofereça-lhe uma xícara de chá, agradeça pelas lições e gentilmente
mostre-lhe a saída. Afinal, você tem uma jornada única a seguir, e ela
certamente não inclui espaço para passageiros indesejados.
Fica a dica!
Francisco Carlos - CEO Mundo RH - Top 100 People 2023
Nenhum comentário:
Postar um comentário