Com o fechamento dos portos mais importantes do mundo e a guerra que acontece na Ucrânia, o Brasil é afetado com a falta de insumos
O
mundo tem passado por várias crises e se engana quem pensa que elas não afetam
o Brasil. A cadeia logística, que já vinha sofrendo com os constantes aumentos
no valor de fretes, também corre o risco de enfrentar a falta de produtos.
O fechamento dos portos chineses em função do lockdown é um dos fatores mais
preocupantes para o setor. A situação é mais grave para os exportadores, por
conta do congestionamento que se forma em volta dos maiores portos do mundo,
causando grande impacto nos gargalos logísticos.
Para Rafael Dantas, diretor comercial da Asia Shipping, a crise atual envolve a
falta de importados como fator principal. “Não acredito que voltaremos ao
patamar de fretes de 2021. Hoje o cenário é outro, o consumo caiu e o Brasil
não está mais em lockdown. A demanda voltou a uma normalidade, mas certamente
teremos escassez de produtos”, afirma.
Embora nos últimos meses o valor dos fretes tenha se estagnado e, em alguns
casos diminuído, o setor espera por um aumento nos próximos meses com a chegada
da alta temporada. Isso evidenciará os gargalos logísticos e a demanda
reprimida a ser escoada após o encerramento do lockdown chinês.
“Neste momento, ainda é difícil prever uma normalização na situação da China, já que envolve decisões a serem tomadas pelo governo sobre o surto de Covid no país. A política de tolerância zero na China pode gerar grandes problemas para o Brasil, especialmente com o congestionamento nos portos, falta de vazão de mercadorias e investimentos extras dos armadores, uma vez que carga parada significa altos prejuízos”, ressalta Dantas.
Nearshoring
Embora o País tenha registrado em 2021 um superávit de US$ 61 bilhões, de
acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior, com recorde nas
exportações, que checaram a US$ 280 bilhões, a participação no comércio global
está aquém do potencial do Comex brasileiro, mas com grandes chances de superar
as dificuldades.
Segundo Larry Fink, CEO da BlackRock, fundo que administra mais US$ 10 trilhões
globalmente, o Brasil e a América Latina podem se beneficiar do que chama de
“nova ordem mundial”. Se Brasil, México e Colômbia se concentrarem e se abrirem
para novos negócios, haverá mais empresas próximas ao nearshoring
ou onshoring,
modelo bastante utilizado na terceirização de serviços de tecnologia. A
principal vantagem seria contar com fábricas regionalizadas para atender uma
demanda local, evitando rupturas na cadeia logística, como ocorreu com a China
durante a pandemia e, mais recentemente, com a política de tolerância zero em
relação aos casos de Covid, que levou ao fechamento de alguns portos e cidades.
Outro
ponto positivo do nearshoring é descentralizar a dependência de um único
país, especialmente em cenários de incerteza. “Porém é um processo que deve
ocorrer gradualmente, pois os ‘desbravadores’ terão que solucionar problemas
políticos e de infraestrutura regionais, além de promover investimentos
consideráveis em tecnologia e formação de mão de obra especializada para
desenvolver uma nova cultura de comércio exterior. Os desafios são grandes, mas
as oportunidades de figurar entre os protagonistas da nova ordem mundial são
maiores e plausíveis na visão de entidades internacionais, pelo menos no médio
e longo prazo”, complementa Rafael Dantas.


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