ONGs, com o apoio da Colabore com o
Futuro, produzem texto direcionador para discussão do tema por parlamentares
O
câncer de mama é o tumor maligno que mais acomete as brasileiras e a principal
causa de morte por câncer nas mulheres no país. Para o ano de 2021, foram
estimados pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer) 66.280 casos novos da
doença. O Brasil apresenta altas taxas de câncer de mama avançado, estimadas em
aproximadamente 40%, decorrentes das falhas existentes no processo de detecção
precoce da doença, como ausência de programas efetivos de rastreamento
organizado e ações efetivas de prevenção primária e secundária. Este fato
confere menor chance de cura e gastos muito maiores para o sistema.
Segundo
a Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (Iarc), o câncer de mama
ultrapassou o tumor de pulmão pela primeira vez em 2020, sendo a neoplasia
maligna de maior incidência em 159 dos 185 países monitorados, inclusive no
Brasil.
A
previsão é de uma piora destes números, já que a pandemia de COVID-19 tem
potencial de agravar de forma importante esse cenário. Dados disponíveis
demonstram que houve redução de 63,6% na realização de mamografias até junho de
2020, atingindo, no auge da primeira onda da doença, redução de 82% em maio e
75% em junho de 2020. Além disso, nesse período, houve redução de 49,1% no
início do tratamento de novos pacientes com câncer de mama no SUS.
Para
reverter este quadro, a Colabore com o Futuro e entidades parceiras divulgam um
documento para chamar à ação todos os envolvidos com saúde pública e
assistência oncológica. O objetivo é estimular a criação e implantação de
estratégias efetivas para enfrentar as consequências da pandemia no atual
cenário do câncer de mama, com a participação do Ministério da Saúde, Estados,
Municípios e sociedade civil.
“A
iniciativa foi lançada pois acreditamos que a sociedade civil organizada
desempenha um papel essencial para educar, impactar e inspirar os formuladores
de políticas para mudar o cenário do câncer de mama no Brasil”, afirma a
advogada e cofundadora da Colabore com o Futuro, Andrea Bento. “Pretendemos
estimular a atuação de Parlamentares na Causa, com a realização de Audiências
Públicas ao longo do ano, e não apenas durante o Outubro Rosa”, completa.
O
documento também projeta minimizar ao máximo o impacto da COVID-19 no câncer de
mama, com a promoção de ações efetivas que não só permitam não piorar os
indicadores de saúde no pós-pandemia, mas que consigam melhorar toda a linha de
cuidado e jornada da paciente no SUS.
Segundo
o Ministério da Saúde, a neoplasia de mama foi responsável pela maior taxa de
mortalidade por câncer em mulheres entre o período de 2000 a 2018. São 48
óbitos de mulheres por dia, sendo que 45% destas entre mulheres de 30 a 69
anos. O câncer de mama é a primeira causa de morte por câncer na população
feminina em todas as regiões do Brasil, exceto na região Norte, onde o câncer
do colo do útero ainda ocupa o primeiro lugar.
Dados
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostram a alta da taxa de participação
das mulheres no mercado de trabalho, que deve crescer mais do que a masculina
até 2030. Assim, o tratamento do câncer de mama e os aspectos diretamente
relacionados em mulheres ativas economicamente podem trazer implicações
negativas na carreira e renda familiar. Para além disso, também podem guardar relação
com aspectos da sexualidade, maternidade e autoimagem.As
terapias disponíveis para essas pacientes têm avançado nos últimos anos, mas
ainda há efeitos colaterais que podem comprometer a qualidade de vida. Por
isso, o acesso aos melhores tratamentos precisa estar garantido, para tentar
minimizar o impacto da doença e as dificuldades de rastreamento, diagnóstico e
tratamento impostos pela pandemia.
“Precisamos garantir a gestão da informação na educação
populacional, para encorajar os pacientes a continuarem procurando os serviços
de saúde e não abandonem seus tratamentos durante a pandemia”, destaca Andrea.
“É fundamental estabelecer uma clara priorização dos casos, definidos por meio
de protocolos de estratificação de risco da doença atuais e bem definidos e
garantir essa priorização na Regulação da Assistência Oncológica dos estados”,
acrescenta a advogada Andrea Bento.
O documento defende, ainda, o acesso às melhores terapias para
todas as pacientes, pois, existe uma
desigualdade no tratamento do câncer de mama, não apenas entre os sistemas
públicos e privados. Dentro do próprio SUS, pacientes com tipos de câncer de
diferentes (perfis de pacientes diferentes) enfrentam desigualdade em seus
tratamentos.
Para
grande parte da população com a doença, existe uma nova classe terapêutica que
prolonga a vida com mais qualidade, transformando o futuro do tratamento do
câncer de mama no Brasil e a vida de milhares de mulheres.
Sobre a Colabore Com o Futuro
A Colabore com o Futuro é o primeiro negócio social de advocacy
da América Latina e convoca a sociedade a participar das decisões de saúde
junto ao governo, criando de maneira transparente e sustentável políticas
públicas mais democráticas, justas e efetivas. A organização é a força que une
a população, o mercado e os representantes da administração pública em torno de
um sistema que garanta o acesso à saúde para todos.
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