Tratamos de uma notícia que não é das melhores, mas vai fazer muitos pensarem o que há por trás da decisão de fechar temporariamente um dos mais importantes aeroportos do país, o de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo. Além de receber milhões de passageiros, o local também movimenta bilhões de reais em cargas.
Para se ter dimensão da importância do aeroporto,
no ano de 2019, mais de 43 milhões de pessoas passaram pelo local, sendo mais
da metade dos passageiros de voos nacionais. No mesmo ano, mais de 292 mil
aeronaves pousaram em Cumbica, sendo que 76 mil foram voos internacionais.
Quando falo em bilhões movimentados, não se trata apenas do valor financeiro,
mas especialmente no sentido de logística empresarial.
Existe uma série de eventos que podem ocorrer ao
fechar um aeroporto, entre eles, é necessário pensar nos milhares de funcionários,
entre pilotos, comissários, mecânicos e os responsáveis pela manutenção do
local, todas as pessoas envolvidas em atendimento e até mesmo os trabalhadores
de lojas e restaurantes, além dos seguranças, Polícia Federal e Civil, etc.
Esse é um negócio que gera empregos diretos e indiretos, existe uma cadeia
produtiva inteira dependente do serviço prestado por esse campo e que serão
prejudicados com o fechamento.
Desde o ano passado eu venho falando sobre a
possibilidade de ter mais negócios quebrados do que mortos pela pandemia e, de
fato, isso vem ocorrendo. As pessoas estão muito preocupadas em saber quem foi
o culpado: governo federal, governo estadual ou prefeitos, mas isso não
importa. O que realmente importa é que o país ainda não tomou as providências
corretas para evitar esses problemas e achar um culpado também não os
resolverá.
A solução é a conscientização coletiva; é
fundamental que as pessoas entendam que este não é o momento de ir à festas,
passar o feriado na praia ou aglomerando em diversos locais. Nos Estados Unidos
quase todos os estados já estão abertos e, no Texas, alguns estabelecimentos
até mesmo pedem para que as pessoas tirem a máscara por questões de segurança.
Estamos usando os equipamentos de proteção por excesso de cautela, visto que a
maioria das pessoas já tomou as duas doses da vacina e fizeram testes para
garantir a imunidade.
Com tudo isso, voltam as questões relacionadas à
culpa, que pode ser da empresa aérea, que não fiscalizou os passageiros que
poderiam transmitir o vírus; da Anvisa, ou do próprio passageiro que não teve
consciência ao viajar; afinal, o ideal é que cada pessoa realize o teste antes
de entrar no avião para evitar contaminar outras pessoas. Além disso, vale
ressaltar que tanto os governos federal e estadual, quanto a prefeitura de
Guarulhos têm culpa nesse quesito.
O preço a ser pago é fechar o maior aeroporto do
país por 15 dias, causando um enorme prejuízo. Durante esse período, também é
possível que o preço de diversos produtos passe a aumentar nos meses seguintes
devido à escassez.
A consequência dessa decisão inviabiliza
especialmente a vida de empresários, que acabam pagando a conta, além dos
cidadãos de classe média (alta ou baixa), que não possuem isenção de impostos
que serão cobrados após o fechamento de Cumbica. Certamente, a vida da
população brasileira seria muito melhor se não houvesse tanta vaidade política
e disputas por poder no país.
Daniel
Toledo - advogado da Toledo e Advogados Associados especializado em direito
Internacional, consultor de negócios internacionais, palestrante e sócio da
LeeToledo PLLC. Para mais informações, acesse: http://www.toledoeassociados.com.br.
Toledo também possui um canal no YouTube com quase 110 mil seguidores https://www.youtube.com/danieltoledoeassociados
com dicas para quem deseja morar, trabalhar ou empreender internacionalmente.
Ele também é membro efetivo da Comissão de Relações Internacionais da OAB São
Paulo e Membro da Comissão de Direito Internacional da OAB Santos.
Toledo e Advogados Associados
http://www.toledoeassociados.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário