• Você conhece a doença?
Decorrente de mutações
no gene FGFR3, a Acondroplasia é a principal causa de displasia óssea que leva
à baixa estatura desproporcional. Como implica em alterações no desenvolvimento
da cartilagem das placas de crescimento, o quadro resulta em baixa estatura (em
média, os homens têm 1,31 m de altura enquanto as mulheres possuem 1,24 m),
encurtamento de pernas e braços, cabeça e testa proeminentes e uma desproporção
corpórea de limitações físicas visíveis já no nascimento1.
• E os sintomas?
Nos indivíduos com
acondroplasia, os sintomas típicos são2:
- Baixa estatura;
- Pernas e braços
curtos, especialmente se comparados com o tamanho normal do tronco;
- Cabeça grande
(macrocefalia), com testa proeminente e achatamento na parte de cima do nariz;
- Dedos curtos e
grossos;
- Mãos pequenas;
- Pés planos, pequenos
e largos;
- Arqueamento das
pernas;
- Mobilidade
comprometida na articulação do cotovelo;
- Cifose e lordose
(problemas de curvatura na coluna vertebral) acentuadas;
- Deslocamento da
mandíbula para a frente;
- Desalinhamento dos
dentes;
- Demora para começar
a caminhar, o que pode ocorrer entre os 18 e os 24 meses de idade.
Os homens adultos
chegam a uma altura máxima de 1,45 metro e as mulheres não alcançam 1,40 metro,
em média. Pessoas com algum tipo de nanismo podem ter uma ligeira redução na
esperança média de vida, em comparação com a população geral, potencialmente
devido a doenças cardiovasculares. Esses sinais podem aparecer em níveis e
graus diferentes nas pessoas que têm o transtorno2.
• É genético?
Em alguns casos, a
criança herda a acondroplasia de um dos pais com o transtorno, mas a maioria
dos casos - cerca de 80% - é causada por uma nova mutação na família. Isso
significa que os pais são de estatura média e não têm o gene anormal.3
No entanto, a pessoa
com acondroplasia tem uma probabilidade de 50% de passar o gene para uma criança,
resultando na condição. Se ambos os pais têm acondroplasia, há risco de 50% de
ter um filho com acondroplasia; chance de 25% de que a criança não herde o gene
e tenha estatura média; e risco de 25% de que a criança herde um gene anormal
de cada um dos pais, o que pode levar a graves problemas esqueléticos, que,
muitas vezes, resultam em morte precoce3.
Pais que são mais
velhos do que 45 anos têm risco maior de ter filhos com determinadas doenças
genéticas, incluindo acondroplasia3.
• Prevenção e controle:
- O acompanhamento dos
indivíduos com diferentes formas de nanismo deve ser multidisciplinar,
envolvendo pediatras, endocrinologistas, ortopedistas, fisioterapeutas,
psicólogos, dentistas, etc.;2
- Nem sempre o
hormônio do crescimento é solução para acelerar o ritmo do crescimento da
criança;2
- O aconselhamento
genético é um recurso indicado para os casais que pretendem ter filhos e têm
história de acondroplasia na família. No entanto, o fato de existirem mutações
genéticas espontâneas torna muito difícil falar em prevenção absoluta do
transtorno2.
O nanismo pode afetar
mulheres e homens indistintamente que, salvo raríssimas exceções, mantêm a
capacidade intelectual preservada e podem levar vida normal e de boa
qualidade2.
Em muitas situações,
porém, as pessoas com nanismo são obrigadas a lidar com o preconceito e a
discriminação social e a contornar as dificuldades de acesso em ambientes
preparados para receber pessoas mais altas. Por isso, muitas vezes, precisam de
ajuda para realizar tarefas simples, como utilizar o caixa eletrônico ou o
transporte público, por exemplo.2
Pessoas com nanismo
desproporcional, típico da acondroplasia, eram chamadas de anões, palavra
carregada de conotação depreciativa, que prejudica sobremaneira sua autoimagem e
sua socialização.2
• Acondroplasia e a
Covid -19:
As pessoas com
nanismo, em muitos tipos, apresentam várias comorbidades. E, em relação ao
aparelho respiratório, podem apresentar rinite, laringite, bronquite asmática e
constrição torácica, por isso, estão no grupo de risco para a Covid-195.
• Existe tratamento?
A empresa BioMarin
anunciou que submeteu o processo de registro de seu novo medicamento para
tratamento de nanismo (acondroplasia) para a aprovação da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (ANVISA). No ano passado, a empresa havia anunciado a
submissão de registro do medicamento junto à Agência Europeia de Medicamentos -
European Medicines Agency (EMA) e à Agência Americana - Food and Drug
Administration (FDA), respectivamente.
O medicamento consiste
em um análogo do peptídeo natriurético tipo C (CNP) para administração
subcutânea em crianças com acondroplasia, a forma mais comum de baixa estatura
desproporcional em humanos.
As submissões são
baseadas nos resultados de um estudo clínico de Fase 3 randomizado, duplo-cego
e controlado por placebo, que avaliou a eficácia e a segurança do medicamento,
anunciadas em dezembro de 2019, e apoiada pela segurança e eficácia de longo
prazo de estudos de extensão da Fase 2 e Fase 3, ainda em andamento, e extensos
dados de história natural.
"Nosso objetivo é
fornecer uma opção de tratamento que atenda à causa subjacente da doença e, ao
longo do tempo, demonstrar uma redução de complicações que podem resultar da
acondroplasia. Respeitamos a profundidade e a amplitude de pontos de vista da
comunidade sobre as opções de tratamento e procuramos ser cientificamente
rigorosos ao fornecer um conjunto de dados robustos para os órgãos regulatórios
avaliarem a segurança e a eficácia do medicamento", pontua o médico
Eduardo Franco, Diretor Médico Senior da BioMarin para a América Latina.
O medicamento foi
geralmente bem tolerado nas doses testadas. Os Eventos Adversos (EAs) mais
comumente relacionados ao tratamento foram reações no local de injeção (ISRs) e
hipotensão - popularmente conhecida como pressão baixa - assintomática. Todas
as ISRs foram leves e transitórias. Todos os eventos de hipotensão foram leves
e solucionados sem intervenção médica, sendo a maioria assintomática4.
BioMarin
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