Em 2021 temos que ter a clara noção de que o aumento da desigualdade social e da violência, gerados pela pandemia, a polarização da sociedade, o alto desemprego e o crescente desalento de nossa juventude não podem ser enfrentados sem a retomada do crescimento sustentado, essencial inclusive para o equilíbrio das contas públicas.
Felizmente,
de acordo com os números do nosso setor, chegamos ao final de 2020 com
expectativas bastante otimistas, uma vez que em outubro, o resultado da
pesquisa dos indicadores conjunturais da indústria de máquinas e equipamentos
novamente registrou alta importante na receita líquida mensal.
A receita
líquida do setor somou R$ 14,6 bilhões, o que registra um crescimento de 16% em
relação ao mesmo mês do ano passado. Podemos considerar que esta foi a alta
mais significativa em 2020. Com o quarto avanço consecutivo da receita, o setor
passou a acumular resultado positivo na somatória do ano.
Entre janeiro
e outubro, a receita líquida avançou 0,7%. Este quadro estável do faturamento
de máquinas conta com o bom desempenho do mercado interno e da queda menos
acentuada das exportações. Em outubro, a receita doméstica cresceu 16,9% na
comparação com o mesmo período do ano anterior. Na somatória entre janeiro e
outubro, as vendas internas avançaram 5,1%.
Podemos
então deixar aqui nesse final de ano uma expectativa positiva em relação ao ano
que virá. Se contarmos ainda que o governo tome medidas urgentes no sentido de
se organizar de forma a permitir o crescimento sustentado da economia de modo
que a reversão da desindustrialização garanta emprego e renda para o cidadão,
teremos um 2021 promissor. Para isso são necessárias ações que garantam a
isonomia competitiva do setor produtivo, proporcionando ampliação de sua
participação no mercado doméstico e internacional.
Para tanto,
em 2021 devemos continuar articulando com o governo e lutando pela criação de
uma política industrial condizente com a indústria brasileira de bens de
capital mecânicos, que é o setor responsável pela difusão tecnológica em toda a
cadeia produtiva, e
que tem
papel preponderante no aumento da produtividade nos setores agrícolas, de serviço
e industrial. Continuaremos insistindo nas reformas, tributária, administrativa
e política. Especialmente a tributária, já que precisamos com urgência de uma
reforma que garanta ao sistema tributário nacional a simplificação, justiça e
transparência desejada por todos os contribuintes. Os benefícios desta ação são
muitos, mas destacamos a expressiva melhora do ambiente de negócios do país em
razão da redução dos custos relacionados à administração dos tributos e dos
litígios, aumento da segurança jurídica, ampliação da taxa de investimento por
conta da redução do custo que ocorrerá nas máquinas e equipamentos ao eliminar
a cumulatividade do sistema e garantir o crédito imediato. Todos fatores que
permitirão aumento da produtividade, ganho de competitividade da produção
nacional, expansão dos investimentos, redução do índice de desemprego e em
aumento da renda do país.
Somos um
setor expressivo dentro do contexto político e econômico do País. Nossos
produtos estão presentes em praticamente todos os setores da economia e,
portanto, tem um efeito multiplicador muito importante para o Brasil. Apesar de
todos os percalços, em 2020 a ABIMAQ NÃO PAROU. Esteve presente e atuante em
todas frentes possíveis. E não vamos parar no próximo ano.
E que venha
2021.
João Carlos
Marchesan - administrador de empresas, empresário e presidente do Conselho de
Administração da ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas.
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