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| Em manchas e pintas pelo corpo pessoas devem observar sua evolução, contornos irregulares, tamanho e outros fatores Divulgação |
Doença
corresponde a 27% de todos os tumores malignos no país e Dezembro Laranja
alerta sobre o problema com a chegada do verão
Os números de câncer de pele no Brasil são
preocupantes. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a doença
corresponde a 27% de todos os tumores malignos no país, sendo os carcinomas
basocelular e espinocelular (não melanoma) responsáveis por 177 mil novos casos
da doença por ano. Já o câncer de pele melanoma tem 8,4 mil casos novos
anualmente. Segundo a instituição, os números de incidência do câncer de pele
são maiores do que os cânceres de próstata, mama, cólon e reto, pulmão e
estômago.
Para alertar a população para esta doença, há sete anos a Sociedade Brasileira de Dermatologia criou o Dezembro Laranja, principalmente em razão da chegada do verão neste mês o assunto merece ainda mais atenção. “Caso o tumor seja detectado precocemente, apresenta altos percentuais de cura. Daí a importância da campanha para conscientização e prevenção da doença”, ressalta a dermatologista Julyanna do Valle Lima (CRM 16116), que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia. “Algumas lesões de câncer de pele podem ser silenciosas e não manifestar sintomas como dor e coceira”.
A médica destaca que é preciso prestar atenção em pintas que crescem, manchas que aumentam, sinais que se modificam ou feridas que não cicatrizam, são questões que podem revelar o câncer de pele. “Este autoexame (observação de si mesmo) frequente facilita o diagnóstico e tratamento precoces. Ao notar algum dos sintomas, procure um médico especialista em dermatologia”, aconselha Julyanna, que dá uma dica. “Existe uma regra adotada internacionalmente, o ‘ABCDE’, que aponta sinais sugestivos de tumor de pele do tipo melanoma”. Veja a seguir:
- Assimetria: uma metade do sinal (mancha,
pinta) é diferente da outra;
- Bordas irregulares: contorno mal
definido;
- Cor variável: presença de várias cores em
uma mesma lesão (preta, castanha, branca, avermelhada ou azul);
- Diâmetro: maior que 6 milímetros;
- Evolução: mudanças observadas em suas
características (tamanho, forma ou cor). Muitas vezes alterações como
estas na pele não são causadas por câncer, mas é importante que elas sejam
investigadas por um dermatologista.
Cuidados
Assim como em outros tipos de câncer, o histórico familiar da pessoa
precisa ser analisado. “A hereditariedade desempenha um papel central no
desenvolvimento do melanoma. Por isso, familiares de pacientes diagnosticados
com a doença devem se submeter a exames preventivos regularmente. O risco
aumenta quando há casos registrados em parentes de primeiro grau”, salienta
Julyanna do Valle, alertando que pessoas de pele clara, com sardas, cabelos
claros ou ruivos, de olhos claros, com muitas pintas ou com incapacidade para
se bronzear também precisam ter atenção especial.
Para a dermatologista, evitar a exposição excessiva
ao sol e se proteger dos efeitos da radiação UV são as melhores estratégias
para prevenir o melanoma e outros tipos de câncer de pele. “Como a incidência
dos raios ultravioletas está cada vez mais agressiva em todo o planeta, as
pessoas de todos os fototipos (tipos de pele) devem estar atentas e se
protegerem quando expostas ao sol”, recomenda a médica, que listou as
principais medidas de proteção a serem tomadas.
- Usar chapéus, camisetas, óculos escuros e
protetores solares;
- Cobrir as áreas expostas com roupas
apropriadas, como uma camisa de manga comprida, calças e chapéu de abas
largas;
- Evitar a exposição solar e permanecer na
sombra entre 10h e 16h;
- Na praia ou na piscina, usar barracas feitas
de algodão ou lona, que absorvem 50% da radiação ultravioleta. As barracas
de nylon formam uma barreira pouco confiável: 95% dos raios UV ultrapassam
o material;
- Usar filtros solares diariamente e não
somente em horários de lazer ou de diversão. Utilizar um produto que
proteja contra radiação UVA e UVB e tenha um fator de proteção solar (FPS)
30, no mínimo. Reaplicar o filtro solar a cada duas horas ou menos, nas
atividades de lazer ao ar livre. Ao utilizar o produto no dia a dia,
aplicar uma boa quantidade pela manhã e reaplicar antes de sair para o
almoço;
- Observar regularmente a própria pele, à
procura de pintas ou manchas suspeitas;
- Manter bebês e crianças protegidos do sol.
Filtros solares podem ser usados a partir dos seis meses;
- Consultar um dermatologista uma vez ao ano,
no mínimo, para um exame completo.
Tratamento
A cirurgia para retirada do tumor é o tratamento mais indicado nos
casos de câncer de pele, mas dependendo do nível da doença, ela pode ser
acompanhada de radioterapia e a quimioterapia. Além disso, existe também a
terapia fotodinâmica, que consiste no uso de um creme fotossensível e depois
uma aplicação de uma fonte de luz. “Felizmente, há diversas opções terapêuticas
para o tratamento do câncer da pele não-melanoma. A modalidade escolhida varia
conforme o tipo e a extensão da doença, mas, normalmente, a maior parte dos
carcinomas basocelulares ou espinocelulares pode ser tratada com procedimentos
simples, como a cirurgia excisional, terapia fotodinâmica, curetagem e
eletrodissecção. Já no caso do melanoma, o tratamento varia conforme a
extensão, agressividade e localização do tumor, bem como a idade e o estado
geral de saúde do paciente”, explica a dermatologista Julyanna do Valle.

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