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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Alívio imediato, risco duradouro: os mitos que cercam o uso de colírios

 Foto: Imagem de stefamerpik no Freepik
Soluções aparentes podem ocultar doenças sérias; especialista alerta para erros cotidianos que colocam a visão em perigo


À primeira vista, um frasco pequeno pode parecer uma solução rápida para aliviar incômodos. Muitas pessoas, ao notar o olho vermelho, ardência ou coceira, recorrem imediatamente ao que está no armário do banheiro ou ao que foi indicado por alguém próximo. A sensação de alívio imediato costuma reforçar a ideia de que “não há problema”. Mas, quando se trata da saúde ocular, a aparência de simplicidade esconde armadilhas capazes de comprometer de forma séria a visão. 

Para a Dra. Elba Ferrão, oftalmologista do IOBH – Instituto de Olhos de Belo Horizonte, a automedicação com colírios é um hábito perigoso e ainda muito comum. “O maior risco de usar colírios sem prescrição é a ausência do diagnóstico correto. Cada doença exige um tratamento específico e, quando o produto não é adequado, pode haver piora do quadro e efeitos adversos”, explica. 

Entre as substâncias que merecem atenção redobrada, os corticoides se destacam. Embora possam trazer alívio rápido, são também os mais danosos quando usados sem acompanhamento médico. “O corticoide pode elevar a pressão intraocular e esmagar o nervo óptico, provocando perda de campo visual. Sem medir a pressão do olho, como faria o oftalmologista, essa alteração passa despercebida e evolui silenciosamente”, afirma a especialista. Além desse impacto, o uso prolongado favorece o desenvolvimento precoce de catarata, tanto em colírios quanto por via oral. 

Outro ponto crítico é que determinados sinais não devem ser “camuflados” pelo uso inadequado de medicamentos. A hiperemia — o famoso olho vermelho — é um indicativo importante e auxilia no diagnóstico. “A intensidade da vermelhidão orienta a conduta médica conforme a evolução da alteração. Quando a pessoa tenta resolver sozinha, mascara informações essenciais para um tratamento seguro”, reforça a médica. 

Antibióticos oculares também aparecem entre os produtos usados de forma precipitada. A Dra. Elba explica que seu uso sem necessidade compromete a flora natural da conjuntiva e do filme lacrimal, que são fundamentais para a defesa do olho. “Aplicar antibiótico sem haver secreção purulenta não só é desnecessário como contribui para resistência bacteriana. Na próxima infecção, a mesma cepa pode não responder à medicação”, alerta. 

A especialista aponta ainda mitos enraizados no imaginário popular. Um dos mais frequentes é acreditar que o colírio que sobrou de outra pessoa serve para qualquer situação semelhante. “Cada paciente precisa de avaliação individual. O que funciona para alguém pode ser totalmente inadequado para uma segunda pessoa”, observa. Outro equívoco recorrente é associar todo olho vermelho à conjuntivite contagiosa, quando muitos quadros, como a conjuntivite alérgica, não oferecem risco de transmissão. 

Em alguns cenários, a procura imediata pelo oftalmologista é indispensável. “Dor ocular, queda súbita da visão e secreção purulenta são emergências. Nesses casos, obter o diagnóstico rápido é crucial para evitar danos permanentes”, destaca a médica. O uso incorreto de colírios pode inclusive agravar doenças preexistentes: “Um exemplo clássico é aplicar corticoide sem saber que o paciente tem glaucoma. A pressão aumenta e o quadro se complica”. 

Por fim, cuidados básicos com armazenamento e validade também fazem diferença. Compartilhar frascos é totalmente contraindicado. “A ponta do frasco pode tocar a conjuntiva, facilitando a contaminação. Além disso, é essencial respeitar o prazo após a abertura: muitos produtos duram até 30 dias; outros, sem conservantes, têm validade menor; já medicamentos como a latanoprosta exigem refrigeração antes do uso e se mantêm estáveis por até 60 dias fora da geladeira”, orienta. A recomendação final é simples: “Verifique sempre as instruções na embalagem”. 

Com sintomas aparentemente banais e soluções que parecem inofensivas, a saúde ocular acaba sendo colocada em risco por falta de orientação. “Diante de qualquer alteração, a consulta com um especialista continua sendo o caminho mais seguro para preservar a visão”, finaliza a Dra. Elba Ferrão, oftalmologista do IOBH – Instituto de Olhos de Belo Horizonte.

 

Hospital Alemão Oswaldo Cruz orienta sobre cuidados com a saúde em períodos de fortes chuvas e enchentes

Especialista reforça atenção para leptospirose, dengue, chikungunya e hepatite A, doenças que tendem a aumentar durante alagamentos e acúmulo de água

 

Com a intensificação das chuvas e o aumento da possibilidade de alagamentos e enchentes em várias cidades brasileiras, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz alerta a população sobre os riscos de doenças infecciosas que encontram nesse ambiente condições ideais para se espalhar. De acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), quadros como leptospirose, dengue, chikungunya e hepatite A tendem a aumentar durante e após grandes volumes de chuva1. 

“Além dos transtornos urbanos, as enchentes criam um ambiente favorável para a transmissão de diversas doenças. Muitas delas podem ser prevenidas com cuidados simples, como evitar o contato com água contaminada, eliminar possíveis criadouros de mosquitos, garantir o consumo de água potável e manter uma boa higiene dos alimentos e do ambiente. São atitudes básicas, mas que fazem grande diferença na redução dos riscos.” - explica o Dr. Filipe Piastrelli, infectologista e gerente médico do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

 

Leptospirose: atenção à água contaminada 

A leptospirose é uma infecção febril aguda transmitida a partir da exposição direta ou indireta à urina de animais (principalmente ratos) infectados pela bactéria Leptospira2. A infecção acontece quando essa bactéria consegue passar pela pele, especialmente se ela estiver com ferimentos ou machucados2. 

A doença apresenta elevada incidência em áreas com infraestrutura sanitária precária e alta infestação de roedores. Em casos graves, a letalidade pode chegar a 40%¹. No Brasil, até 18 de setembro de 2025, foram confirmados 2.103 casos e 164 óbitos pela leptospirose³. 

Sinais de alerta: febre, falta de apetite, dor muscular intensa (especialmente nas panturrilhas), dor de cabeça, náuseas e vômitos. 

Cuidados recomendados: evitar entrar em água de enchente; usar botas de borracha e luvas se o contato for inevitável; lavar bem a pele após a exposição; buscar atendimento médico se surgirem sintomas nos dias seguintes. 

“É importante lembrar que a lama das enchentes também pode ser fonte de contaminação e adere facilmente a móveis, paredes e pisos”, reforça o Dr. Piastrelli. “A recomendação é remover toda a lama utilizando equipamentos de proteção e, em seguida, realizar a desinfecção com água sanitária. Para isso, deve-se diluir duas xícaras de chá (400 ml) de água sanitária em 20 litros de água”, orienta o especialista.

 

Dengue e Chikungunya: mosquitos ganham terreno com água parada 

As arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti aumentam significativamente no verão. Após as chuvas, pequenos recipientes, calhas e ralos acumulam água e se transformam rapidamente em criadouros do mosquito. O calor também acelera o ciclo de desenvolvimento do vetor, encurtando o tempo entre os ovos e o mosquito adulto. 

De acordo com o Painel de Monitoramento de Casos de Arboviroses do Ministério da Saúde, até 22 de novembro de 2025 o Brasil registrou 1.637.122 casos prováveis de dengue, com 1.732 óbitos confirmados4. No mesmo período, foram notificados 128.078 casos de chikungunya e 116 mortes associadas à doença4. 

Para o infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, os números refletem um cenário que exige atenção contínua: “Estamos diante de um dos maiores registros de casos confirmados dos últimos anos. A combinação de chuvas intensas, altas temperaturas e ambientes com água parada cria condições muito favoráveis para o mosquito. Por isso, eliminar criadouros e buscar atendimento médico aos primeiros sinais é fundamental. O Aedes é um vetor oportunista e se aproveita de qualquer descuido.”, reforça. 

Além das medidas de prevenção, o especialista destaca o avanço recente no campo da imunização. No último dia 26 de novembro, a Anvisa aprovou a vacina nacional do Instituto Butantan, primeiro imunizante em dose única contra a dengue no mundo, indicada para pessoas de 12 a 59 anos. A expectativa é de que ela seja incorporada ao Plano Nacional de Imunizações (PNI), ainda em 2026, ampliando a proteção da população. 

“A aprovação da vacina de dose única representa um marco importante no enfrentamento da dengue no país. Trata-se de uma ferramenta adicional que, combinada ao controle do mosquito e ações individuais para eliminação de criadouros pode reduzir significativamente a carga da doença nos próximos anos.”.

 

Sinais de alerta: febre alta, dor no corpo, dor atrás dos olhos e manchas (dengue); dor articular intensa e prolongada (chikungunya).


Cuidados recomendados: eliminar água parada; manter áreas externas limpas; usar repelentes; instalar telas nas janelas; observar sinais de alarme e procurar atendimento médico.

 

Hepatite A: risco elevado quando a água potável é comprometida 

A hepatite A é uma infecção causada pelo vírus A (HAV), também conhecida como “hepatite infecciosa”. Na maioria dos casos, apresenta evolução benigna, mas o curso sintomático e a letalidade tendem a aumentar com a idade⁵.

Durante enchentes, é comum que a água destinada ao consumo seja contaminada e sua incidência cresce em cenários em que a potabilidade da água fica comprometida.

 

Sinais de alerta: febre, cansaço intenso, enjoos, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados (icterícia).


Cuidados recomendados: na ausência de água potável, consumir apenas água tratada ou fervida; higienizar corretamente frutas e verduras; descartar alimentos que tiveram contato com água de enchente; reforçar a higiene das mãos e utensílios; verificar situação vacinal, especialmente de crianças, idosos e pessoas com doença hepática crônica, imunossuprimidos e indivíduos com condições clínicas que aumentem o risco de complicações.

 

Limpeza após enchentes: como se proteger 

A limpeza de casas e comércios após alagamentos exige atenção redobrada, pois o contato com água contaminada pode representar riscos importantes à saúde. O ideal é realizar a higienização sempre com botas de borracha, luvas e máscara, reduzindo a exposição direta a resíduos e micro-organismos presentes no ambiente. A desinfecção deve ser feita com água sanitária, respeitando as diluições recomendadas, e todos os alimentos, medicamentos e objetos que tiveram contato com enchentes devem ser descartados. Utensílios e superfícies que possam ser reaproveitados precisam ser lavados cuidadosamente antes de serem utilizados novamente.

 

Quando procurar atendimento médico? 

De acordo com o Dr. Filipe Piastrelli, coordenador da Infectologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, é fundamental que a população busque assistência médica diante de sinais como febre persistente, vômitos intensos, manchas na pele ou sangramentos, dor abdominal forte, sinais de desidratação ou ainda pele e olhos amarelados. Esses sintomas podem indicar infecções relacionadas à exposição a enchentes e não devem ser ignorados. 

“É fundamental não subestimar sintomas após períodos de enchentes. Mesmo manifestações leves podem evoluir rapidamente, especialmente no caso de doenças como leptospirose, dengue ou hepatite A. Quanto mais cedo a avaliação médica, maiores as chances de evitar complicações”, destaca o especialista. 



Hospital Alemão Oswaldo Cruz
Acesse o nosso site para saber mais: Link


Estação Franco da Rocha da TIC Trens terá ação de vacinação e testagem rápida

Iniciativa promove acesso facilitado a serviços de saúde, com ações de prevenção, diagnóstico e imunização em parceria com a Prefeitura de Franco da Rocha 


A estação Franco da Rocha da TIC Trens receberá duas iniciativas de saúde pública nos dias 11 e 19 de dezembro, realizadas em parceria com a Prefeitura de Franco da Rocha. As ações reforçam o compromisso conjunto em oferecer cuidados essenciais à população que utiliza diariamente a Linha 7-Rubi. 

Nesta quinta-feira (11), das 17h às 21h, a estação sediará uma campanha de vacinação, com aplicação de imunizantes disponibilizados pela rede pública de saúde, entre eles febre amarela, sarampo, caxumba, rubéola e influenza.

Na semana seguinte, em 19 de dezembro, também das 17h às 21h, será promovida uma ação de testagem rápida, com a oferta de exames para HIV, sífilis, hepatite B e hepatite C, ampliando o acesso ao diagnóstico precoce e contribuindo para a prevenção dessas infecções. 

“As estações da Linha 7-Rubi recebem um número elevado de passageiros todos os dias, o que abre espaço para ações que aproximem a população de serviços essenciais. É uma maneira de incorporar o cuidado com a saúde à rotina de quem usa o trem metropolitano”, afirma Diana Mari Siqueira, gerente de Experiência do Cliente da TIC Trens. “O nosso objetivo é que as estações da Linha 7-Rubi funcionem como espaços de serviço público ampliado, colaborando com campanhas de prevenção, diagnóstico rápido e imunização”, conclui. 

A TIC Trens assumiu a operação e manutenção da Linha 7-Rubi em 26 de novembro e vem estruturando uma agenda contínua de ações sociais, culturais e de bem-estar ao longo do trecho. A programação será ampliada nos próximos meses. 

A agenda completa de atividades da concessionária pode ser consultada no aplicativo da TIC Trens, disponível para download nas lojas virtuais Google Play e Apple Store, na seção “Agenda de Eventos”.
 

SERVIÇO: 

Vacinação na estação Franco da Rocha
Data: 11 de dezembro
Horário: 17h às 21h
Imunizantes: vacinas do calendário básico adulto, incluindo difteria e tétano, hepatite B, febre amarela, sarampo, caxumba, rubéola, influenza, Covid-19 (conforme orientações vigentes) e meningocócica ACWY para grupos recomendados
 

Testagem rápida na estação Franco da Rocha
Data: 19 de dezembro
Horário: 17h às 21h
Exames: HIV, sífilis, hepatite B e hepatite C


Pacientes que sofrem com dor crônica passam a contar com a primeira tecnologia de estimulação medular disponível no país

  • Doença já é uma das principais causas de incapacidade no mundo; impacto financeiro no País supera R$ 3 bilhões em quatro anos1
     
  • Inceptiv™, da Medtronic, é o primeiro sistema do Brasil capaz de medir a resposta neural do paciente em tempo real e ajustar automaticamente o estímulo elétrico, proporcionando melhor qualidade de vida ao paciente 

 

A dor crônica, definida como dor persistente por três meses ou mais, é hoje uma das principais causas de incapacidade no mundo, impactando a qualidade de vida, o sono, a saúde mental e a produtividade de milhões de pessoas2. No Brasil, onde o cenário segue a tendência global, com custos diretos e indiretos que pressionam o sistema, estima-se que mais de R$ 3 bilhões foram absorvidos nos últimos quatro anos por planos de saúde1.

Entre os diferentes tipos, a dor neuropática se destaca por sua gravidade e complexidade. Estima-se que de 6,9% a 10% da população mundial possa sofrer com essa condição, originada por lesões ou doenças que afetam o sistema nervoso, como sequelas de cirurgias, diabetes, neuralgia pós-herpética, esclerose múltipla, HIV, acidentes vasculares cerebrais e traumas na medula2. 

Quando tratamentos como fisioterapia, medicações, bloqueios ou radiofrequência não trazem alívio suficiente, a estimulação da medula espinhal (SCS) surge como uma alternativa minimamente invasiva e eficaz. Contudo, tecnologias tradicionais enfrentam um desafio conhecido: a intensidade do estímulo pode variar conforme postura e movimento, causando desconfortos e exigindo ajustes manuais.


 

Primeira tecnologia de estimulação medular com circuito fechado disponível no Brasil 

Para transformar esse cenário, a Medtronic lança no Brasil o Inceptiv™, primeiro e único sistema implantável de estimulação da medula espinhal capaz de adaptar a terapia em tempo real às respostas neurais do paciente. 

Pela primeira vez no país, uma tecnologia mede continuamente os potenciais de ação compostos evocados (ECAPs), que são sinais que indicam a resposta do corpo ao estímulo, e ajusta automaticamente a intensidade, garantindo alívio constante independentemente de movimentação ou mudanças de posição. 

Segundo o Dr. Marinho, o grande diferencial é que o paciente não precisa ficar regulando o aparelho. “O sistema se adapta sozinho. Isso reduz desconfortos, evita choques indesejáveis e mantém o alívio de forma constante ao longo do dia.”



Recursos que ampliam o conforto e a experiência do paciente

O Inceptiv™ reúne inovações projetadas para melhorar a jornada terapêutica:

  • Terapia DTM: forma de onda exclusiva com evidências robustas para dor crônica axial;
  • Design compacto: o dispositivo tem volume reduzido para maior conforto do paciente;
  • Modo sem parestesia: alívio sem sensação de formigamento;
  • Recarga rápida: carga completa em cerca de uma hora;
  • Longevidade ampliada: performance consistente por até 15 anos;
  • Compatibilidade total com ressonância magnética de corpo inteiro: crucial para pacientes que precisam monitorar outras condições de saúde.

Para quem convive com dor crônica severa e refratária, o impacto da tecnologia pode ser decisivo. “O objetivo é devolver autonomia, movimento e qualidade de vida ao paciente. A dor crônica não precisa ser um destino, existem soluções modernas, seguras e altamente eficazes”, destaca o Dr. Marinho.


Referência: 

1. Henriques A, Ogata AJN, Gondo C, Kobayashi R, Oliveira RA, Stefani S, Silva MA, Bilevicius E. Pacientes com dor crônica no sistema de saúde suplementar brasileiro: um estudo de banco de dados com a perspectiva dos especialistas. Disponível em: Link
2. Posso IP, Palmeira CA, Vieira EB. Epidemiologia da dor neuropática. Disponível em: Link

 

Culpa, vergonha e depressão estão entre os termos mais associados à obesidade nas redes sociais, revela pesquisa

       “Body positivity” perde espaço para “body shaming”, ampliando o uso de termos pejorativos como “nojo” e “preguiça” associados à obesidade


       Trends expõem comportamentos alimentares desordenados, potencializando transtornos nos usuários das redes


       A análise individualizada do consumo digital de pessoas com sobrepeso e obesidade é cada vez mais relevante para o melhor manejo da doença

 

 

Uma análise de postagens nas redes sociais, conduzida pela consultoria Ilumeo a pedido da farmacêutica Merck, revelou que a imagem de pessoas com obesidade no ambiente digital está amplamente associada a emoções negativas, como depressão (20%), ansiedade (16%), vergonha e culpa (10%).1 A análise monitorou conversas no Instagram e Twitter, além de dados do TikTok, para identificar como o consumo de conteúdo dos brasileiros nas redes sociais pode interferir no comportamento alimentar.

Realizado ao longo de três meses em 2024, o estudo revelou que 54% das referências a pessoas com sobrepeso ou obesidade tiveram conotações negativas, enquanto 27% foram neutras e 19% positivas. Dos dados negativos, 46% tratam de autoestima ou autoimagem negativa, mostrando que as pessoas não se sentem mais confortáveis com seu próprio corpo. Esses dados indicam a retomada do 'body shaming', com críticas à aparência de indivíduos com sobrepeso ou obesidade, e a perda de relevância do movimento de body positivity, ou aceitação corporal.1

“Estamos vivenciando o retorno de tendências dos anos 2000, época em que a magreza extrema era amplamente valorizada. Observamos um aumento significativo de conteúdos sobre perda de peso, com celebridades, influenciadores e até pacientes compartilhando suas jornadas de emagrecimento a qualquer custo, muitas vezes desordenadas, sem acompanhamento médico e pouco saudáveis. Essas postagens retratam frequentemente o corpo gordo como um “passado”, no clássico “antes e depois”, comenta Otávio Freire, professor da Universidade de São Paulo (USP), sócio e fundador da ILUMEO.

O levantamento também identificou emoções negativas e opiniões depreciativas sobre pessoas com obesidade, com os termos mais associados a palavra 'gordo' sendo nojo (44%) preguiça (36%) e falta de vontade (6%). Essas ideias reforçam a visão equivocada de que a obesidade é apenas uma questão de estilo de vida, e que bastaria uma decisão ou ação individual para “solucionar a questão”.1

 

“Emagreceu mesmo, ou foi só remédio?” 

“Embora a obesidade seja classificada como uma doença crônica pela Organização Mundial da Saúde2, ela ainda é mal compreendida pela população. Por ser complexa e multifatorial, está associada a questões genéticas, biológicas, ambientais e sociais3,4,5. Por isso, é fundamental entender a individualidade e características comportamentais de cada paciente para que possamos propor o melhor manejo, que assegure resultados saudáveis e duradouros.” explica o endocrinologista Cristiano Barcellos (CRM-SP 94400 RQE 98007), Diretor do Departamento de Endocrinologia do Exercício e do Esporte (SBEM). “Ninguém se autodiagnostica com diabetes, câncer ou hipertensão e trata sozinho – ou tem vergonha de tratar, mas, com a obesidade, infelizmente, esses comportamentos ainda são muito acentuados”, explica Dr. Barcellos. 

A análise mostrou que há enorme preconceito com as pessoas que estão em

tratamento, como se estivessem “roubando” no processo de emagrecimento. Assim, cerca de 56% das menções a remédios contra a obesidade e seus usuários são negativas.1

Tendências que impactam os comportamentos alimentares 

A trend "What I Eat in a Day” (o que como em um dia) é um dos principais nichos nas redes sociais, com mais de 1,2 milhões de posts no Instagram e 1,8 milhões no TikTok.1 Ela inclui variações como “o que como após um término” e “edição de junk food”. Outras tendências, como “Mukbang” e o áudio viral “magras, magras, magras”, compartilham comportamentos alimentares e dicas de emagrecimento.

“Embora esses conteúdos sejam apresentados como entretenimento, eles são bastante preocupantes. A maioria mostra pessoas se alimentando de maneira inadequada, escolhendo alimentos altamente palatáveis e de baixo valor nutricional, além de métodos de emagrecimento não comprovados que podem ser prejudiciais à saúde. Além disso, vários estudos vêm demonstrando que o fato de assistir a esses vídeos se associa ao surgimento de transtornos alimentares”, comenta Dr. Barcellos.

Estudos mostram que relações parassociais com influenciadores de alimentos aumentam o risco de comportamentos alimentares desordenados, vício em comida e “grazing” (consumo repetitivo em pequenas quantidades).6 A exposição online a alimentos pouco nutritivos também eleva sensações de fome e tristeza, reduzindo o desejo por opções saudáveis.7

Otávio explica que as relações unilaterais estabelecidas por usuários de redes sociais com figuras públicas podem levar à idealização estética, distorcendo a percepção da realidade e influenciando a repetição de comportamentos. “A exposição digital cria uma falsa sensação de proximidade com celebridades e influenciadores, fomentando interações parassociais que podem culminar em idealizações estéticas, desvio da realidade e comportamentos repetitivos, caso não haja moderação e reflexão”, comenta o fundador da Ilumeo.

  

Novas abordagens no acompanhamento médico 

A Dra. Maria Augusta Bernardini, Diretora Médica da Merck para Brasil e América Latina explica que as tendências e conteúdos digitais influenciam no comportamento e também nas escolhas alimentares. “Com essa influência massiva e em tempo integral, é crucial que, como profissionais de saúde, comecemos a avaliar o consumo digital dos pacientes com sobrepeso e obesidade e seus impactos psicológicos ao atendê-los no consultório, para que as recomendações sejam individualizadas e realmente eficazes”, conclui. 

“Vimos muitos adultos e principalmente jovens buscando informações nas redes sociais que acabam substituindo a orientação médica, mas o tratamento adequado da obesidade exige uma abordagem multidisciplinar e de longo prazo. O uso de medicamentos para emagrecimento deve ser avaliado por especialistas e realizado sob supervisão médica”, conclui Bernardini.

 


Merck
www.merck.com.br
Facebook (@grupomerckbrasil), Instagram (@merckbrasil) e LinkedIn (Merck Healthcare).



Referências

1. Social Listening Ilumeo realizado nos meses de junho, julho e agosto de 2024.

2. Obesity and Overweight. World Health Organization, 2016. Acesso em 25, janeiro, 2025. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/obesity-and-overweight;

3. Blüher M et al. Nat Rev Endocrinol. 2019;15(5):288-298

4. Müller TD et al. Nat Rev Drug Discov. 2022;21(3):201-223

5. Heymsfield SB, Wadden TA. N Engl J Med. 2017;376:254-266

6. Shabahang, Reza, et al. "Downloading appetite? Investigating the role of parasocial relationship with favorite social media food influencer in followers’ disordered eating behaviors." Eating and Weight Disorders-Studies on Anorexia, Bulimia and Obesity 29.1 (2024): 28.

7. Zeeni, Nadine, et al. "Exposure to Instagram junk food content negatively impacts mood and cravings in young adults: A randomized controlled trial." Appetite 195 (2024): 107209.


Doação de medula óssea: mitos, verdades e informações que salvam vidas

Semana de Mobilização Nacional acontece de 14 a 21 de dezembro

 

Entre os dias 14 e 21 de dezembro, o Brasil celebra a Semana de Mobilização Nacional para Doação de Medula Óssea, um período dedicado a informar, conscientizar e incentivar novos voluntários a se cadastrarem como possíveis doadores. A data chama a atenção para um gesto que pode representar a única chance de cura para milhares de pessoas acometidas por doenças oncológicas graves, como linfoma, leucemia e mieloma, e por enfermidades benignas, como anemia falciforme, entre outras.

Mesmo assim, ainda existem muitos mitos e receios que afastam potenciais doadores. Para esclarecer as principais dúvidas, a hematologista Camila Gonzaga, médica do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS), responde às perguntas mais frequentes sobre o assunto.


1. Só é possível doar medula óssea para alguém da família?
 

Mito. Embora a compatibilidade entre familiares seja maior, doadores não aparentados também podem ser compatíveis por meio do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME). “A compatibilidade é verificada por meio de um exame de tipagem HLA, e a doação pode ser feita por um voluntário cadastrado em bancos de dados nacionais e internacionais”, explica a médica.


2. Qual é a idade ideal para se cadastrar?
 

A faixa etária ideal é entre 18 e 35 anos, pois as células-tronco de pessoas mais jovens tendem a ter melhor qualidade para o transplante. Segundo Dra. Camila, o limite varia conforme o tipo de doador: 

- Aparentado (familiar): Não há limite absoluto; pessoas de 60 ou até 70 anos podem ser consideradas se estiverem saudáveis.

- Não-aparentado (voluntário de registro): O limite prático é 60 anos para permanecer no REDOME.


3. A doação é dolorosa?

Muito menos do que as pessoas imaginam. Hoje existem dois métodos: 

- Punção direta da medula óssea: procedimento de cerca de 90 minutos, sob anestesia geral. Pode haver leve dor local nos dias seguintes, controlada com analgésicos.

- Aférese de sangue periférico (o método mais comum): semelhante a uma doação de sangue. O doador usa por alguns dias uma medicação que estimula a liberação de células-tronco. No dia da coleta, o sangue passa por uma máquina que separa essas células. 

“No caso da punção direta, nos dias seguintes, é comum sentir uma dor localizada leve, similar a um desconforto de uma queda ou de um esforço físico intenso, que é perfeitamente controlada com analgésicos comuns e desaparece em poucos dias. Já a medicação utilizada na aférese pode causar sintomas leves e temporários, como dores ósseas e musculares semelhantes aos de uma gripe. O procedimento em si é indolor, exceto pela picada da agulha”, afirma a hematologista. Ela ainda salienta que a escolha do método da coleta de medula óssea é baseada em características do doador e da doença do paciente que receberá a doação, sendo sempre compartilhada a decisão com o doador.

 

4. O doador precisa ficar internado ou afastado do trabalho? 

Depende do método:

- Punção direta: internação de 24 horas e afastamento por até uma semana para quem realiza atividades físicas intensas.

- Aférese: procedimento ambulatorial, dura de 3 a 4 horas, com retorno às atividades no dia seguinte.


5. A doação enfraquece o organismo do doador?

Não. A medula óssea tem alta capacidade de regeneração. “Em poucas semanas, a medula do doador está totalmente recuperada”, reforça a médica. Na punção direta, apenas uma pequena fração é coletada. Já na aférese, a medula nem chega a ser tocada, pois as células são retiradas do sangue.


6. Qual é a probabilidade real de ser chamado para doar depois do cadastro?
 

A probabilidade é baixa, de 1 em 100 mil a 1 em 400 mil, porque a compatibilidade HLA é extremamente específica. Por esse motivo, é raro uma pessoa ser doadora mais de uma vez. “Mas é justamente por isso que cada cadastro importa. Quanto mais pessoas no REDOME, maiores as chances de um paciente encontrar seu doador compatível”, finaliza a hematologista.

 

Passo a passo até a doação

  • Cadastro e coleta: O primeiro passo é o doador procurar um Banco de Sangue para preencher uma ficha. Neste momento também é feita a doação de uma amostra de sangue.
  • Análise: O sangue coletado passa por um exame de histocompatibilidade e já é feito o cadastro no REDOME (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea).
  • Procura por compatibilidade: O sistema procura algum paciente que possa ter a medula compatível.
  • Coleta: Com a compatibilidade assegurada, é feita a coleta.
  • Transplante: O paciente com compatibilidade recebe o material por via intravenosa.



Instituto de Oncologia de Sorocaba - IOS

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Dezembro Laranja 2025: no dia 13 de dezembro, Mutirão Nacional de Atendimento, oferece consultas gratuitas para prevenção do câncer de pele

 


No próximo sábado, 13 de dezembro, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) realiza o Dia do Atendimento Gratuito, uma das principais ações do Dezembro Laranja, campanha do câncer de pele. O mutirão, que acontece das 9h às 15h, contará com a participação de 2.000 dermatologistas voluntários em mais de 100 postos espalhados por todo o país. O atendimento será feito exclusivamente para avaliar lesões suspeitas de câncer de pele.

A ação visa identificar precocemente lesões suspeitas de câncer de pele e orientar a população sobre prevenção e cuidados essenciais. Para conferir os postos de atendimento, acesse: Link

“Lembro à população que o check-up das pintas com o dermatologista deve ser feito anualmente, e essa é uma excelente oportunidade para colocar esse cuidado em dia, diz Dr. Carlos Barcaui, presidente da SBD.

Desde 1999, a iniciativa já proporcionou mais de 600 mil consultas e possibilitou a identificação de mais de 75 mil casos de cânceres de pele, reforçando o compromisso da SBD com a prevenção e o diagnóstico precoce da doença.

Em 2024, 62,51% dos atendidos declararam se expor ao sol sem proteção, e apenas 31,63% afirmaram usar protetor solar regularmente. Outros dados também chamam a atenção: o carcinoma basocelular (CBC) foi detectado em 14,84% dos pacientes; pré-neoplasias representaram 11,51% dos casos; carcinoma epidermoide (CEC), 4,68%; melanoma maligno (MM), 2,31%; e outros tumores malignos, 1,21%. Outras dermatoses foram diagnosticadas em 41,22% dos atendimentos, enquanto 24,23% dos pacientes não apresentaram alterações.

“Os hábitos de exposição solar seguem sendo motivo de preocupação e reforçam a necessidade da adoção de medidas de fotoproteção adequadas, incluindo a aplicação de filtro solar diariamente nas áreas expostas, somada à utilização de proteção física (sombra, roupas e chapéus) nas exposições mais prolongadas, além do acompanhamento médico através de exame dermatológico completo anualmente” ressalta Dra. Bianca Costa Soares de Sá, coordenadora do Departamento de Oncologia Cutânea da SBD e responsável pela campanha deste ano.

Observe. Cuide. Previna. Sua pele fala, só o dermatologista entende.

A campanha de 2025 chama a atenção para a importância do autocuidado, do cuidado com o outro, e da realização do check-up anual com o dermatologista, medidas essenciais para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de pele.

Embora os cuidados devam acontecer de dezembro a dezembro, é durante a estação mais quente do ano que a SBD reforça os riscos da exposição solar e as medidas preventivas. Estimativa 2023 de Incidência de Câncer no Brasil, do INCA, revela que são esperados aproximadamente 220,49 mil novos casos de câncer de pele por ano no triênio 2023-2025.


Como participar

Qualquer pessoa poderá fazer uma avaliação da saúde da pele, especialmente quem possui fatores de risco para o câncer de pele, como histórico familiar, muitas pintas, sardas ou que tenha sofrido queimaduras solares severas.

Basta comparecer em um dos postos de atendimento, disponíveis em todas as regiões do país, levando documento de identidade.


Dezembro Laranja - Desde sua criação, a campanha Dezembro Laranja da SBD tem educado milhões de brasileiros sobre os riscos do câncer de pele. Em 2025, a ação continua a conscientizar o público sobre os hábitos preventivos e o diagnóstico precoce, abordando o tema de forma ainda mais personalizada, incentivando o autocuidado através da observação das próprias pintas e manchas no corpo, o cuidado com o outro, a vigilância constante e o check up anual com o Médico Dermatologista.



Serviço:

Data: 13 de dezembro

Horário: das 9h às 15h

Locais: Consulte a lista de postos de atendimento no site da SBD Link


5 dicas para aproveitar fim de ano sem dor e prevenir desconfortos

O final do ano é sinônimo de celebração e descanso, mas a alteração na rotina – viagens longas, má postura em praias, excesso de sol e mudanças na alimentação – frequentemente desencadeia um aumento nas queixas de dores de cabeça, dores musculares, lombares e desconfortos articulares. Para evitar que esses problemas ofusquem as festividades e as férias, o Dr. Lúcio Gusmão, médico especialista em dor e CEO da Rede Cade, rede de clínicas especializadas no tratamento de dor, lista orientações essenciais. 

Segundo o médico, fatores como desidratação, que contribui para dores de cabeça, e a prática de movimentos pouco habituais, que causam dores musculares e articulares, são comuns no período. Além disso, as viagens e o novo ambiente de sono podem levar a dores persistentes nas costas, pescoço e ombros. 

“É fundamental que as pessoas ouçam os sinais do corpo e entendam que as férias não significam ‘férias’ do autocuidado. O gerenciamento de dores, especialmente as crônicas, exige atenção redobrada em períodos de quebra de rotina,” afirma Dr. Gusmão. 

Para ajudar na prevenção e no bem-estar geral, Dr. Lúcio Gusmão, reuniu cinco orientações práticas para garantir férias mais leves e com segurança.
 

1. Priorize a hidratação e a ventilação: Evitar a desidratação é crucial para prevenir dores de cabeça e mal-estar súbito causados pelo calor. Mantenha a ingestão de água constante e busque ambientes frescos.
 

2. Mantenha o corpo em movimento (para viajantes): Em viagens longas, movimentos simples de alongamento e caminhadas curtas a cada poucas horas são essenciais para manter a circulação ativa e aliviar a tensão muscular causada pela má postura.
 

3. Gerencie a dor crônica: Para pacientes com dores crônicas, lombalgias ou dores articulares, é indispensável manter a rotina de medicação nos horários habituais e evitar qualquer esforço físico repentino ou exagerado.
 

4. Controle os exageros: O equilíbrio é chave também para a saúde mental e corporal. Controlar a alimentação, moderar a ingestão de álcool e garantir um sono de qualidade são medidas que impactam diretamente na prevenção de inflamações e desconfortos.
 

5. Não abandone a atividade física: Em vez de parar, substitua os exercícios de alta intensidade por formas de movimento mais leves e prazerosas, como caminhadas ou pedaladas. A rotina de exercícios leves ajuda a evitar a rigidez e o desconforto muscular.
 

O especialista em dor finaliza com um alerta importante sobre como diferenciar a dor leve e passageira daquela que exige atenção imediata. 

“Se a dor for uma rigidez pós-esforço e leve sensibilidade, repouso e movimentos suaves no local, sem uso excessivo de analgésicos, costumam resolver em 24h a 48h. No entanto, se a sensação for de estalo, queimadura ou ‘rasgo’, acompanhada de inchaço, perda de força ou dormência, a avaliação profissional deve ser imediata,” conclui Dr. Lúcio Gusmão.

 

Dr. Lúcio Gusmão - Sócio fundador do Centro Avançado da Dor e Especialidade (Rede CADE) e médico ortopedista especialista em dor crônica e em Medicina Regenerativa. O Dr. Lúcio foi o presidente do primeiro congresso do comitê de dor da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e atualmente faz parte da diretoria.



Mais precisão e recuperação rápida: cirurgia robótica se expande no Brasil

Divulgação
Cirurgião e pacientes comentam sobre técnica minimamente invasiva que agora também chega ao Sistema Único de Saúde (SUS) 

 

A cirurgia robótica vive um dos períodos de maior expansão no país. A tecnologia, antes restrita a poucos centros, tornou-se mais acessível e vem transformando a assistência em especialidades como urologia, ginecologia, cirurgia geral e tórax.

No Brasil, o avanço tem ritmo acelerado. Entre 2018 e 2022, foram realizadas 88 mil cirurgias robóticas, número 417% superior ao registrado entre 2009 e 2018 (17 mil procedimentos), segundo dados divulgados pela Associação Médica Brasileira (AMB). A expansão está ligada ao aumento da concorrência entre fornecedores: o país passou de 51 para 111 robôs cirúrgicos, reduzindo em 30% a 50% o custo dos procedimentos e ampliando a presença em diferentes regiões.

A primeira cirurgia robótica no país foi realizada há 16 anos, e desde 2022 o Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamenta a prática, estabelecendo critérios para capacitação profissional e exigência de centros habilitados para alta complexidade.


Especialista aponta benefícios claros para o paciente

Para o urologista e uro-oncologista Dr. Luís César Zaccaro, delegado da Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional São Paulo e referência nacional na técnica, os benefícios são evidentes.

“A cirurgia robótica traz mais precisão, menos sangramento, menos dor pós-operatória e uma recuperação significativamente mais rápida”, afirma. “Ao preservar melhor nervos e estruturas vitais, ela impacta diretamente a reabilitação sexual e a recuperação da continência urinária, que são dois fatores muito importantes no tratamento do câncer de próstata”, completa.

O especialista destaca que a tecnologia combina visão tridimensional ampliada, instrumentos articulados e movimentos milimétricos. “Nosso objetivo é entregar ao paciente a mesma segurança oncológica da cirurgia tradicional, mas com menor trauma cirúrgico e mais qualidade no pós-operatório”, diz.


Pacientes relatam experiências positivas

Para muitos homens que enfrentam o diagnóstico de câncer de próstata, a possibilidade de uma cirurgia menos invasiva e com recuperação mais rápida tem sido determinante na escolha do método.

O gestor administrativo Ronilso Augusto da Silva, de 52 anos, morador em Jardinópolis (SP), diz que a comparação entre as técnicas o levou a optar pela plataforma robótica. “Percebi que a robótica oferecia uma recuperação muito mais tranquila, com menor risco de incontinência e impotência. Isso me deixou seguro para seguir com o procedimento”, relata. “O pós-operatório foi muito mais leve do que outras cirurgias convencionais que eu já tinha feito em outras partes do corpo. Com 14 dias eu já estava trabalhando”, comenta.

Já o analista de sistemas Humberto Rosado Ribeiro, de 62 anos, de Ribeirão Preto (SP), destaca o caráter minimamente invasivo da técnica. “Quando entendi as diferenças, vi que a cirurgia robótica trazia um processo muito menos agressivo. Fiz a cirurgia no sábado e tive alta no domingo, o que me surpreendeu pela rapidez”, conta. Ele acrescenta que, passando por um período de fisioterapia pélvica, o resultado funcional teve progresso constante. “Conheci pacientes que fizeram cirurgia convencional e ainda lidavam com incontinência depois de mais de um ano. No meu caso, a evolução foi muito mais rápida”, completa.


Cirurgia robótica avança também no SUS

Em movimento recente que reforça a consolidação da tecnologia na saúde pública, o Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) a prostatectomia radical assistida por robô para o tratamento de pacientes com câncer de próstata clinicamente avançado.

A prostatectomia radical é o procedimento de retirada completa da próstata e das vesículas seminais, podendo incluir linfonodos pélvicos. Trata-se de um tratamento com intenção curativa, especialmente eficaz nos estágios iniciais da doença. “A incorporação da versão robótica desse procedimento ao SUS representa um avanço importante, permitindo que pacientes da rede pública tenham acesso a uma técnica menos invasiva, potencialmente associada a menos dor, menor sangramento e recuperação funcional mais rápida”, destaca o médico Luís César Zaccaro.

  

Dr. Luís César Zaccaro - urologista, uro-oncologista e cirurgião robótico em Ribeirão Preto (SP). Mestre em Oncologia pelo Hospital de Amor de Barretos, é chefe do Ambulatório de Uro-oncologia da Santa Casa de Ribeirão Preto, delegado da Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional São Paulo, diretor do GEURP – Grupo de Estudos em Uro-Oncologia de Ribeirão Preto e referência nacional em cirurgia robótica, atuando também como proctor e palestrante em congressos no Brasil e no exterior.


O peso invisível da dor crônica no Brasil

Condição afeta milhões de brasileiros, aumenta gastos em saúde e demanda tratamento adequado

 

Com a proximidade das festas de fim de ano, muitas pessoas intensificam compromissos sociais, viagens e mudanças na rotina, fatores que podem agravar quadros de dor persistente. No Brasil, estima-se que cerca de 40% da população conviva com dor crônica, condição que impacta o trabalho, o humor, o sono e a rotina diária. Em um período marcado por maior desgaste físico e emocional, reconhecer e cuidar desse problema torna-se ainda mais importante.

A dor crônica é definida como aquela que permanece por mais de três meses, mesmo após o tempo previsto de recuperação de um tecido ou lesão. Diferente da dor aguda, que funciona como um mecanismo de alerta do organismo, ela se transforma em uma condição própria, podendo ser contínua ou intermitente. Está frequentemente ligada a problemas musculoesqueléticos, artrite, lesões antigas, alterações da coluna e, em muitos casos, não tem uma causa única identificável. Seu impacto vai além do físico, afetando também a vida emocional, social e produtiva das pessoas.

Para a médica Simone Kushida, é preciso tratar o tema com seriedade. “A dor crônica precisa ser encarada como uma doença, não como um sintoma isolado. Sem tratamento adequado, ela gera um ciclo que compromete a função física, o estado emocional e aumenta de forma relevante a busca por serviços de saúde”, afirma. “É um problema silencioso, mas com enorme impacto na vida do paciente.”

Embora seja comum, a dor crônica não deve ser negligenciada. A médica reforça que buscar avaliação médica é fundamental para identificar a causa e interromper o ciclo de dor. “O acompanhamento adequado permite definir tratamentos individualizados e evita que o quadro se agrave ao longo do tempo”, conclui.

 

Cellera Farma



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