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sábado, 5 de julho de 2025

Dicas de livros para as férias: Muito além do digital, a leitura ainda é indispensável na formação das crianças


Com a chegada das férias escolares, educadores reforçam o apelo por uma pausa no consumo excessivo de telas entre crianças e adolescentes em casa. A leitura segue como aliada poderosa no desenvolvimento do pensamento crítico e reflexivo, da linguagem e do vocabulário, da imaginação e da criatividade, da concentração e da atenção, além da empatia e do desenvolvimento socioemocional. Para Luciana Gomes, diretora institucional do Ensino Fundamental I do Colégio Visconde de Porto Seguro, criar rotinas de leitura desde cedo é fundamental para o desenvolvimento integral da criança, além de contribuir na preparação das crianças para os desafios acadêmicos e sociais futuros.

Em uma era dominada por conteúdos audiovisuais sob demanda, como vídeos curtos, jogos interativos e plataformas digitais, como os pais podem contribuir para tornar os livros mais atraentes e significativos para as crianças?

A chave, segundo a diretora, está na mediação familiar, transformando a leitura em uma experiência emocionalmente positiva. Ler com a criança, com entonação, expressividade e carinho, fortalece o vínculo familiar e associa a leitura a um momento prazeroso. Luciana destaca que as crianças também aprendem pelo exemplo. Quando veem os pais lendo, seja um livro, jornal ou revista, entendem que a leitura é um hábito natural e valorizado no ambiente familiar.

Uma visita à uma biblioteca ou livraria propicia que a criança escolha títulos que dialoguem com os interesses do universo infantil, de acordo com a faixa etária — de adaptações literárias a obras contemporâneas que abordam emoções e sentimentos, amizade e convivência, diversidade cultural e inclusão, coragem, superação e autoconfiança, natureza e cuidado com o meio ambiente, imaginação, fantasia e criatividade, descobertas, ciência e curiosidades, entre outros temas. Vale usar a imaginação: encontros de leitura em família, troca de livros entre amigos, noite da leitura, dramatização de histórias ou até mesmo criação de um livro ou um diário de leitura.

Independentemente do formato, seja em páginas impressas, seja em e-readers, o mais importante é proporcionar à criança uma experiência literária prazerosa, significativa e constante. Em meio ao apelo incessante das tecnologias e do entretenimento imediato, cultivar o hábito da leitura é um gesto de resistência e cuidado. Ao ler, a criança desenvolve não apenas habilidades cognitivas, mas também a sensibilidade, a reflexão e a capacidade de se colocar no lugar do outro — atributos essenciais para a formação de leitores críticos, conscientes e preparados para os desafios do mundo contemporâneo. 

E, claro, não poderiam faltar algumas sugestões de livros, de acordo com cada faixa etária, de autores clássicos e contemporâneos para enriquecer ainda mais a experiência e o prazer da leitura:

 

6 anos:

  • Kuján e os meninos sabidos, de Ailton Krenak e Rita Carelli: aborda a conexão entre a natureza e os seres humanos.
  • Árvores geniais, de Philip Bunting: uma obra que fala sobre a importância das plantas em nosso dia a dia e a cooperação entre as árvores.
  • A escolinha do mar, de Ruth Rocha: uma narrativa sobre amizade e a importância de aceitar as diferenças.
  • Chapeuzinho Vermelho e o boto-cor-de-rosa, de Cristina Agostinho: um livro de aventura e diversidade cultural, a partir da clássica história Chapeuzinho Vermelho, em uma versão bem brasileira.


7 anos:

  • Madeline Finn e Bonnie, de Lisa Papp: uma temática contemporânea sobre vida familiar e social.
  • Socorro em: uma vida nada fácil, de Silvana Rando: narra as aventuras de uma jovem e os desafios da vida adulta, de forma nada convencional.
  • Lamparina, de Rafael Cabral: uma história sobre amizade, saudade e momentos difíceis, como o luto.


8 anos:

  • Bia na Árvore, de Ricardo Dreguer: uma obra sobre diversidade cultural, história e cultura afro-brasileira e africana.
  • O mágico de OZ, de L. Frank Baum: um clássico da literatura sobre família, amigos e importância das características socioemocionais.
  • Kabá Darebu de Daniel Munduruku: um livro sobre diversidade cultural e indígena.


9 anos:

  • A casa na árvore com 13 andares, de Andy Griffiths: dinossauros voadores, bananas gigantes e até uma sereia – um livro de fantasia, aventura e humor.
  • Meu avô alemão, Martin Wille: diversidade cultural e tradições dos povos que chegaram ao Brasil.
  • O black power de Akin, de Kiusam de Oliveira: um livro sobre diversidade, legado histórico e identidade racial.


10 anos:

  • Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll: um clássico da literatura que inspira muitas aventuras e reflexões.
  • Diário de Pilar na Amazônia – Urgente, de Pequena Zahar: um livro de aventuras sobre a importância da preservação do planeta.
  • O Jardim Secreto, de Flávia Lins e Silva, é uma obra sobre o poder transformador da magia, da natureza e da amizade.
  • Vila Ventura, de Rosana Rios: mistério e suspense sobre a natureza humana e suas escolhas pessoais


De 6 a 10 anos:

  • Natureza fora da caixinha, de Juliana Gatti Pereira Rodrigues e Beth P. Rodrigues: um livro sobre bem-estar e contato com a natureza.

 

Colégio Visconde de Porto Seguro

 

Férias escolares: um período para nutrir corpo, mente e conexões emocionais

Em vez de agendas lotadas e excesso de telas, especialistas sugerem uma reconexão com o presente, a natureza e os laços afetivos durante o recesso escolar

 

O período de férias escolares é uma oportunidade preciosa para uma pausa real nas rotinas formais do dia a dia, para aproveitar uma desconexão de todo ruído e demandas externas. Mais do que um simples intervalo, as férias podem ser um tempo fértil para as crianças e estudantes cultivarem a reconexão com as pessoas, com a natureza e com própria essência que vem sendo construída e aflorada — longe das telas e da pressão por produtividade ou por adquirir novos conhecimentos. 

“É o momento ideal para cultivar o ócio criativo, aquele que inspira ideias, estimula a curiosidade e restaura as energias”, destaca Lais Carvalho, coordenadora de desenvolvimento profissional na Beacon School, escola bilíngue em São Paulo. Em vez de preencher os dias com compromissos, horários rígidos e obrigações, a proposta pedagógica da escola é incentivar que os alunos explorem temas pelos quais sentem curiosidade, por meio de atividades prazerosas como visitas a museus, leituras, filmes, viagens e conversas significativas com familiares e amigos.

 

“Mais importante do que planejar o futuro, é se reconectar com o presente. Estar ao ar livre, experimentar novas atividades, praticar esportes, jogos e leituras que alimentem a mente e o coração são formas simples, mas poderosas, de crescimento pessoal”, orienta Lais. Esses momentos de lazer consciente contribuem para o desenvolvimento de atributos do Perfil do Aluno IB (International Baccalaureate), como empatia, equilíbrio, curiosidade, pensamento crítico e reflexão.

 

Algumas sugestões da coordenadora da escola Beacon para crianças e jovens aproveitarem as férias escolares com significado e tranquilidade:

 

·Desconectar-se conscientemente dos dispositivos eletrônicos por períodos do dia, reconectando-se com o entorno;

 

·Praticar atividades ao ar livre: caminhadas, brincadeiras, esportes, jardinagem ou simplesmente observar a natureza;

 

·Exercitar as Abordagens à Aprendizagem (ATLs) de forma espontânea: planejar uma viagem em família desenvolve organização; jogos estratégicos estimulam o pensamento crítico; manter um diário incentiva a autorreflexão;

 

·Ler por prazer, escolhendo livros que despertem emoções, interesses pessoais, questionamentos e novas perspectivas de mundo;

 

·Criar e manter conexões familiares e comunitárias com jogos de tabuleiro, conversas e atividades em grupo;

 

·Incorporar atributos do Perfil do Aluno IB no cotidiano: ajudar em casa, organizar o próprio tempo, compartilhar ideias e sentimentos com empatia.

 

Ao valorizar esses momentos, os alunos voltam às aulas mais motivados, equilibrados e com mais presença na retomada da jornada de aprendizagem. Mas, claro, eles podem escolher apenas aproveitar longos períodos de ócio criativo, e isso também é saudável.

 

 

Beacon School


Saudades

 

Agora... Até coloquei Laufey para tocar. A voz dela é calma, melancólica, meio bossa nova, sabe? Dá um clima legal! Na verdade, ainda não sei bem como começar, pai. Escrever pra você é como jogar conversa para o Universo, mesmo que no meio da sala. Lembro do sofá, agora vazio, sinto as palavras fugirem feito passarinho... É quase como se você ainda fosse responder com aquelas tiradas cheias de sabedoria e provocação. Sabe aquelas ranhetices nossas? É que hoje acordei com a cabeça fervilhando de ideias. Sabe como é, né? Um “toró de cachola”, como dizem. 

Deve ser esse Mundial de Clubes. Sabia que eu não estou perdendo jogo nenhum? Tenho certeza que você sabia! Aposto que está vendo tudo daí, com aquele seu jeito concentrado, largado. Assisti a Juve contra Manchester. Que jogão, hein? Se você estivesse aqui, acho que nem perdia Mamelodi contra Urawa Reds. Mas, cá entre nós, o Mundial começou cheio de uns times “mais ou menos”. Dá até saudade de quando a Portuguesa dava sufoco nos grandes! E as estrelas, pai? Tem time bom, claro! A partir de agora, melhora! 

Sabe, hoje, cada lance que assisto, lembro de você. Não só de você torcendo, mas daquelas nossas provocações durante o jogo. Lembra, uma vez, era italiano contra inglês? Não sei se era Champions ou outro campeonato, mas, faltando 15 minutos, o inglês ganhava de 3 a 0. Eu, todo convencido, soltei aquele clássico de belezura: “Pai, dá pra desligar a TV e tomar café! Não dá pra virar isso em 15 minutos!”. E você devolveu: “Pra quem sabe jogar, 15 minutos é uma eternidade!”. Não deu outra! 3 gols. Pênaltis. Vitória italiana. No fim era aquele sorriso de profecia, meio “eu te disse”, meio “eu sabia que você ia gostar disso”. 

Ah, pai... já que estamos aqui nessa prosa, deixa eu te confessar uma coisa. Desde pequeno, você sabe, minha "cara oficial" sempre foi a de são-paulino. Todo mundo dizia: “André puxou ao Xixa, esse é tricolor!”. Mas meu coração, no fundo — e você sabia disso — sempre bateu pelo Palmeiras. Nem sei ao certo como aconteceu, mas era meu jeito de te homenagear. Eu achava que ser são-paulino era minha forma de mostrar carinho por você, sabe? Aquelas camisetas que você comprava, os agasalhos... eu usava tudo com o maior orgulho! E ainda hoje, pai, poucas coisas têm tanto valor pra mim quanto suas camisas. 

Depois que o câncer fez de você uma estrela, aquelas peças se tornaram minhas relíquias. Só que eu não sou do tipo que guarda as coisas como tesouro intocável. Não! Comigo é diferente. Eu acho que no uso é que está o verdadeiro valor da homenagem! Vou na academia com elas, faço feira, caminho por aí. E todo mundo acha que eu sou são-paulino. O feirante grita: “Bom dia, são-paulino!” Eu sorrio e não explicou nada. Você entende, né? 

E, olha só, agora o Kokoroko começou a tocar na minha playlist. Música boa, cheia de alma. Do seu tipo! Acho que você ia gostar. Parece coisa de sábado à tarde, dia de jogo na TV e a casa cheia daquelas conversas ácidas que só a gente sabia ter. 

Eu fico pensando, pai. Você aí, eu aqui, dividindo o mesmo tempo, mas em planos diferentes. Se ao menos existisse uma pausa no espaço, como aqueles 15 minutos que duram uma eternidade, pra gente sentar e assistir... Quem sabe, né? Esse “quem sabe” é que mantém a gente andando. Como você dizia: “Aprende ou aprende!”. É isso. É hora de “arregaçar a manga e jogar o basquete!”. A gente segue, com fé e um sorriso no rosto. Com saudades, mas sempre acreditando! 

Agora a Laufey tá de volta com outra música. Pensei que ia te escrever pra botar pra fora as saudades, mas não... te escrevi hoje pra conversar na memória, e me firmar no caminho. 

Obrigado por esses 15 minutos, pai! 

Que a estrela que você virou nunca deixe de brilhar aqui dentro.

 

André Naves -Defensor Público Federal formado em Direito pela USP, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social; mestre em Economia Política pela PUC/SP. Cientista político pela Hillsdale College e doutor em Economia pela Princeton University. Comendador cultural, escritor e professor (Instagram: @andrenaves.def).


Diálogos entre ciência e espiritualidade


Nos bancos de escolas e universidades deste século XXI, ainda permanece de forma disfarçada a necessidade da divisão proposta por Descartes há mais de 300 anos de que o que é matéria é assunto da ciência e o que não é matéria é tema da religião. Essa máxima continua movendo cientistas, professores e profissionais em sua grande maioria.

Não há dúvidas sobre o valor da ciência clássica, que define os parâmetros da construção de um prédio, os medicamentos que trazem comprovação estatística em laboratório, que atesta a terra como redonda etc. Porém, isso não invalida os conhecimentos que vão além dos cinco sentidos. Dizer, a partir da ótica clássica, que só existe o que pode ser mensurado é uma afirmação limitada e parcial.

Eu sempre gostei da interface da matéria com a não matéria e tratei disso em vários momentos da minha vida acadêmica. Claro que paguei preço alto por isso, o que relato nos livros que escrevi a partir de 2006. Aos poucos, eu fui percebendo que a divisão conveniente de Descartes no século XVII não precisa perdurar, a não ser por uma conveniência de agradar os pares e os órgãos de fomento.

O cientista clássico pode ser cético ou ateu, é seu direito. Mas não é seu direito impor essa visão limitada aos seus colegas, alunos ou sociedade. Seria muito mais honesto dizer que essa é a “sua visão”, uma das possibilidades dentre outras.

Eu já estive em vários caminhos da espiritualidade, dentro de igrejas e em outros grupos. Também já passei por grandes crises na vida que transformaram meu jeito de ser, pensar e viver. Hoje eu vejo esses caminhos convencionais como possibilidades enrijecidas de buscar o sagrado. Quanto mais fechado, segregado ou fundamentalista esse caminho, mais longe de alcançar a meta de realização do ser humano.

Se há outros conjuntos de conhecimento além dos acadêmicos que servem ao crescimento e evolução do ser humano, por que fechar as portas para eles? Só por que, na ótica mecanicista, eles não podem existir? E se esse cientista clássico descobrir que pode trocar de óculos?

Experimentalmente se verifica que é em situações de crise intensa que há boas possibilidades de o cientista clássico alargar a sua visão de uma forma não convencional, que não cabe nos grupamentos tradicionais das igrejas e nos caminhos da espiritualidade.

A ciência clássica é ótima e necessária, mas há vida fora dela.

  

Ivan Amaral Guerrini - físico, escritor e professor titular aposentado da Universidade Estadual Paulista, do Campus de Botucatu. É autor do livro "Um físico no mundo da astrologia"


Transtorno afetivo sazonal: como enfrentar o desânimo e manter o equilíbrio emocional durante o inverno

Especialista explica os impactos do clima no humor, quais os sinais de alerta e como hábitos simples podem ajudar a preservar a saúde mental na estação


Com a chegada dos dias frios, muitas pessoas percebem mudanças no humor, na disposição e até na alimentação. Embora o inverno desperte o desejo de se recolher, aproveitar cobertas e bebidas quentes, ele também pode afetar o equilíbrio emocional de forma significativa e desencadear o chamado Transtorno Afetivo Sazonal (TAS). Cansaço excessivo, desmotivação e tristeza sem causa aparente são sintomas que não devem ser ignorados, especialmente quando começam a interferir na rotina.
 

Segundo a professora Talita Rocha, do curso de Psicologia da Una Uberlândia, a redução da luz solar típica dessa estação altera o funcionamento do organismo. “Durante o inverno, a menor exposição à luz natural afeta a produção de melatonina e serotonina, hormônios que regulam o sono e o humor. Isso pode gerar sensação de desânimo, sonolência constante e até ansiedade”, explica. 

Rocha destaca ainda que o frio costuma reduzir o convívio social e a prática de atividades físicas, fatores importantes para o bem-estar mental. Com isso, aumenta o risco de desenvolvimento do Transtorno Afetivo Sazonal (TAS), uma forma de depressão que se manifesta especialmente no outono e no inverno. Mesmo em regiões com invernos mais amenos, como em boa parte do Brasil, a mudança na rotina e a menor exposição à luz natural podem ser suficientes para desencadear o quadro. 

Entre os sintomas mais comuns do TAS estão apatia, tristeza persistente, alterações no sono e no apetite, irritabilidade e dificuldade de concentração. “É importante observar quando esses sinais deixam de ser passageiros e passam a comprometer o dia a dia, os relacionamentos ou o desempenho no trabalho e nos estudos. Nesses casos, é fundamental procurar apoio profissional”, alerta a psicóloga. 

Para lidar melhor com o frio e preservar a saúde mental, Rocha sugere estratégias práticas: manter uma rotina de sono e alimentação equilibrada, praticar exercícios físicos, buscar contato com a luz solar - especialmente pela manhã - e reservar momentos para o lazer. Mesmo que a vontade seja ficar em casa, atividades ao ar livre — como passeios em parques e praças — continuam sendo essenciais para o equilíbrio emocional. 

A alimentação também exerce papel importante. “É comum que, no inverno, a gente recorra mais aos alimentos calóricos e açucarados por conforto emocional, mas isso pode provocar variações de humor e até cansaço. O ideal é investir em alimentos ricos em triptofano, como banana, ovos, peixes e castanhas, que favorecem a produção de serotonina e ajudam no bem-estar”, orienta. 

Além da psicoterapia, práticas complementares também podem contribuir, como meditação, yoga, atividades artísticas e técnicas de respiração. Segundo a professora, o mais importante é não minimizar os sinais que o corpo e a mente dão. “Tristeza é uma emoção humana, mas quando se torna constante, intensa e interfere na vida cotidiana, merece cuidado. Procurar ajuda é um ato de coragem e autocuidado”, conclui.

 

Centro Universitário Una


Férias escolares: menos telas, mais brincadeiras

Especialista da Fapi alerta para os efeitos do uso excessivo de celulares no desenvolvimento infantil

 

Com a chegada das férias escolares e das baixas temperaturas, que limitam as atividades ao ar livre, o desafio de manter as crianças engajadas em brincadeiras construtivas torna-se ainda mais urgente diante dos efeitos do uso excessivo de telas como celulares e tablets. 

Marta Mondini, Coordenadora de Pedagogia do Centro Universitário Fapi, alerta para os efeitos negativos da exposição prolongada a dispositivos digitais no desenvolvimento cognitivo, físico e emocional dos pequenos, e reforça a importância de atividades lúdicas alternativas. 

“O uso excessivo de telas pode limitar a exploração prática de objetos, brinquedos e jogos, reduzir as interações sociais, levando ao isolamento, além do risco de exposição das crianças a conteúdos inapropriados”, explica Marta. “Além disso, há sinais físicos como irritação nos olhos, dores cervicais por má postura, dores de cabeça e baixa qualidade do sono”, complementa.

 

Brincadeiras criativas 

Mesmo com o frio, é possível oferecer uma gama de atividades lúdicas e divertidas dentro de casa, muitas delas com poucos recursos. A chave é a criatividade e o uso de materiais que já se tem à disposição. "É totalmente possível fazer isso gastando pouco, utilizando materiais recicláveis, papel sulfite, lápis de cor, e até mesmo massinha de modelar caseira feita com farinha de trigo e corantes", afirma Marta Mondini. 

Para inspirar as famílias, a docente separou algumas sugestões de brincadeiras que podem ser adaptadas para diferentes faixas etárias:

 

Para os menores (até 6 anos): 

  • Oficinas de massinha de modelar: Estimula a coordenação motora fina e a criatividade.
  • Construção de brinquedos com materiais recicláveis: Caixas de papelão viram carros, foguetes ou casinhas.
  • Oficina de desenhos, recortes e colagem: Desenvolve a expressão artística e a coordenação.
  • Casinha: Brincadeira de faz de conta que estimula a imaginação e a interação.
  • Estátua: Divertida e ajuda no controle corporal. 

 

Para os maiores (a partir de 6 anos): 

  • Caça ao tesouro: Estimula o raciocínio lógico e a resolução de problemas.
  • Jogos de tabuleiro ou de cartas: Promovem a interação e o pensamento estratégico.
  • Batata quente, Stop, Forca, Telefone sem fio, Dança das cadeiras, Jogo da mímica, Seu mestre mandou: Clássicos que garantem risadas e interação social.
  • Construção de brinquedos mais elaborados: Com materiais recicláveis, podem criar labirintos, jogos de arremesso, etc.
  • Brincadeiras de acampamento dentro de casa: Com lençóis e almofadas, criam um ambiente mágico.

 

Equilíbrio sem culpa: o papel dos pais 

Para os pais, o desafio é equilibrar o uso das telas sem gerar culpa ou frustração. A chave está na comunicação e na definição de limites claros. “É necessário estabelecer limites para o uso das telas no cotidiano da criança, explicando os motivos e mostrando como isso beneficia sua saúde física e mental ao favorecer o equilíbrio com o tempo de brincadeira”, ressalta Marta Mondini. 

A Sociedade Brasileira de Pediatria oferece diretrizes claras para o tempo de tela recomendado por faixa etária: 

  • Até 2 anos: Não usar nenhuma tela.
  • 2 a 6 anos: Até uma hora diária de utilização das telas.
  • 6 a 11 anos: Até 2 horas de utilização diária de telas.
  • 12 a 18 anos: Até 3 horas de utilização diária de telas. 

Ao oferecer alternativas lúdicas e incentivar a exploração do mundo real, as famílias contribuem significativamente para o desenvolvimento integral das crianças, garantindo férias mais saudáveis, criativas e memoráveis.



Centro Universitário Fapi
fapipinhais.edu.br/


Masculino e feminino são opostos?


Quanto mais nos debruçamos sobre as construções do masculino e do feminino em suas muitas camadas, mais percebemos o quanto elas se atravessam. É impossível falar de um sem tocar o outro, como se cada parte carregasse uma partícula do seu oposto. Isso me fez pensar na imagem do Yin e Yang: a metade branca com um ponto preto, a metade preta com um ponto branco. São forças que se complementam, mas que também se tensionam.

Essa tensão não é um problema, ao contrário, ela é constitutiva. O que chamamos de masculino e feminino está longe de ser apenas uma questão de corpos. É simbólico, é cultural, é histórico. Ao longo dos séculos, fomos empilhando significados, colando qualidades e criando hierarquias. Força, razão, luz, potência foram associados ao que chamamos de masculino. E, à sombra disso, colocamos o feminino como o oposto: doçura, acolhimento, silêncio, receptividade. Como se estivéssemos sempre tentando organizar a complexidade do real e, para isso, classificar o mundo em pares excludentes e “complementares”: forte e fraco, público e privado, racional e emocional.

Mas essa lógica binária não dá conta da realidade. Somos atravessados por múltiplas experiências que não cabem em rótulos. A cultura ao mesmo tempo cria metáforas e busca reduzir essa complexidade. Cria mitos, religiosidades, histórias que reforçam certas posições: o pai como figura de autoridade; a mãe como a cuidadora abnegada. A imagem da "virgem-mãe", por exemplo, tão presente em tantas tradições, é um ideal impossível, uma fantasia cultural que conforta, mas que também aprisiona. Se alguém se torna mãe ou pai é prova inequívoca que houve uma experiência sexual. Não é curioso que a cultura tenha que negar justamente a sexualidade dos pais e sobretudo da mãe?

Ao refletir sobre essas camadas — da biologia à psique, do mito às estruturas sociais —, entendemos que não dá mais para falar de homens e mulheres como polos fixos. As fronteiras estão em movimento. Estamos sendo chamados a repensar nossas identidades, nossos papéis, nossos desejos e as violências simbólicas que tudo isso carrega. Os feminismos e as discussões sobre novas masculinidades nos provocam a romper com os moldes fixos que herdamos e a imaginar outras formas de existir: mais livres, mais plurais, mais humanas.

Nesse percurso, o que antes parecia contrário, revela-se como diferentes características do humano. E o que parecia certeza, vira pergunta. Talvez esse seja o nosso maior desafio cultural hoje: reconhecer as diferenças sem hierarquizá-las. E entender que, no fundo, todos carregamos um pouco do outro em nós. Foi assim que nasceram os livros “Coisa de Menina?” e “Coisa de Menino?”, de uma conversa que trançou a biologia, a psicologia, o inconsciente, as poções e as fantasias que a gente projeta ao longo do tempo sobre essa multiplicidade de seres com seus corpos diferentes. 

A sociedade precisa estar disposta a revisar seus próprios símbolos. E essa revisão não acontece só nos discursos, mas nas vivências: quando enxergamos meninos sensíveis como legítimos; quando percebemos a força que existe nas mulheres que cuidam; quando reconhecemos que nenhuma identidade é menos digna de direito, de expressão, de espaço público. O tempo atual nos convida a trocar a oposição pela composição, e entender que construir um mundo mais justo passa, também, por desfazer os sentidos prontos que nos ensinaram a carregar. 

 

Maria Homem - psicanalista e coautora dos livros “Coisa de Menina? Uma conversa sobre gênero, sexualidade, maternidade e feminismo” e “Coisa de Menino? Uma conversa sobre masculinidade, sexualidade, misoginia e paternidade”, escritos em parceria com o psicanalista Contardo Calligaris.

 

Entenda por que o inverno pode mexer com o nosso humor

Especialista em comportamento humano, Gisele Hedler, comenta sobre a depressão sazonal e como hábitos simples podem ajudar a manter a saúde mental equilibrada durante os meses frios

 

É comum que, durante o inverno, muitas pessoas se sintam mais introspectivas e retraídas. A redução da luz solar, as temperaturas mais baixas, o ritmo desacelerado e o maior tempo em ambientes fechados são fatores que impactam diretamente a rotina e o bem-estar da população. No entanto, quando esses efeitos se tornam persistentes e afetam significativamente a qualidade de vida, pode haver um diagnóstico específico: o Transtorno Afetivo Sazonal (TAS), também conhecido como Depressão Sazonal. 

Esse transtorno influencia diretamente os níveis de Serotonina, neurotransmissor ligado ao humor, e de Melatonina, que regula o sono. Como consequência, podem surgir sintomas como tristeza constante, falta de energia, fadiga excessiva, distúrbios do sono, ganho de peso e isolamento social. Além disso, também podemos considerar aspectos nutricionais, nos dias mais frios, a tendência é aumentar o consumo de mais alimentos calóricos e menos vegetais frescos, reduzindo a oferta de nutrientes, como: triptofano, magnésio, zinco, vitamina D, vitaminas B6, B9 e B12, importantes para evitarmos um quadro depressivo. 

A especialista em comportamento humano, Gisele Hedler, destaca que muitas pessoas percebem uma piora nos sintomas de depressão em determinadas épocas do ano, como o outono e o inverno, sem saber que isso pode indicar um quadro clínico específico. "A saúde mental e o entendimento do comportamento humano são essenciais para reconhecer os sinais que o corpo dá e facilitar o diagnóstico precoce da doença, antes que ela se agrave", explica. 

Gisele ressalta que a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma das abordagens mais eficazes no tratamento da depressão. Essa técnica envolve o reconhecimento de pensamentos automáticos negativos e a reestruturação cognitiva — processo que ensina o paciente a interpretar as situações de forma mais realista e equilibrada. A especialista também destaca que a carência nutricional cria um terreno fértil para a Depressão Sazonal, por isso, é preciso se atentar à alimentação. “A deficiência de ferro, por exemplo, comum especialmente em mulheres, altera a formação de neurotransmissores, afetando diretamente o sistema emocional. Já o intestino merece cuidado redobrado, já que cerca de 90% da Serotonina é produzida nele, ou seja, a pessoa com desequilíbrio na flora intestinal ou alimentação pobre em fibras e vegetais, pode comprometer sua saúde emocional. 

O Transtorno é mais frequente em pessoas que vivem em regiões com dias mais longos e invernos duradouros, jovens adultos, entre 18 e 30 anos também são mais afetados. Mesmo pessoas sem quadro clínico de depressão, podem apresentar uma versão mais branda da chamada “tristeza de inverno”, que pode durar alguns dias, afetando sua energia e produtividade.

Segundo Gisele Hedler, é comum associarmos o frio a um período de menor produtividade e maior letargia, o que acaba reforçando um gatilho mental prejudicial. “Estamos mal acostumados com a ideia de que no inverno não conseguimos fazer nada. Embora seja natural descansar mais e ajustar alguns hábitos, é importante manter uma rotina ativa e buscar prazer nas pequenas recompensas que essa estação pode oferecer”, orienta. 

Ela reforça que, mesmo diante de um diagnóstico de Transtorno Afetivo Sazonal, além do uso adequado de medicamentos e acompanhamento médico, é possível melhorar o quadro com atitudes simples: “Passar mais tempo ao ar livre, ler, socializar, praticar meditação ou técnicas de relaxamento são excelentes estratégias de enfrentamento, finaliza.   



Gisele Hedler - empresária, especialista em comportamento humano e saúde emocional, psicanalista e CEO da Faculdade de Saúde Avançada (FSA), uma das maiores instituições de formação em saúde integrativa da América Latina, voltada à capacitação de profissionais da saúde, com mais de 40 mil alunos.
Siga:@giselehedler



Crianças e a dificuldade de lidar com mudanças

Psicóloga explica como tranquilidade dos pais, mesmo nos momentos de transição, pode contribuir para que filhos passem bem e se adaptem à nova rotina, ambiente ou situação
 

O mês de julho, marcado pelas férias escolares, é só um exemplo de tantos momentos de transição e mudança na vida de nossos filhos, com alteração de rotina, de obrigações e atividades. Das mais triviais às mais complexas, a vida é repleta desses períodos de transição, com muitas crianças tendo dificuldades para lidar com elas. 

“Da rotina escolar às férias, da chegada de mais um irmãozinho, da mudança de classe, etapa escolar ou de casa...muitas são as mudanças pela qual nossas crianças passam. Isso, sem deixar de citar o crescimento delas. Porque crescer é mudar, fisicamente, mentalmente, espiritualmente. E diante de cada uma dessas situações, é comum, nós pais, nos perguntarmos ‘como meu filho vai se virar?’, trazendo aos responsáveis por vezes certa dose de angústia”, afirma a psicóloga e hipnoterapeuta Yafit Laniado, criadora da Relacionamentoria, consultoria especializada no relacionamento entre pais e filhos. 

Yafit destaca que, apesar de algumas crianças lidarem bem com mudanças, assim como acontece com os adultos, há quem se incomode até com pequenas mudanças em suas rotinas. “A questão que se coloca é como ajudar nossos filhos a superarem as incertezas, as inseguranças e as dificuldades diante das mudanças inevitáveis da vida? Vale lembrar que essas crianças já nascem com uma espécie de ‘decodificador de sentimentos’, capaz de ler e replicar o que os pais sentem ou como eles externam o que sentem”. 

“Aqui, vale uma metáfora com uma paisagem que muda e se transforma constantemente. Por vezes, temos a sorte de estar de frente para o mar e conseguir admirar aquela imensidão de água, que no horizonte parece encostar no céu. E quanto mais azul o céu, mais azul fica a água. E se o céu fecha de repente e se formam nuvens cinzas e negras, pesadas de chuva, o mar escurece, fica agitado e nervoso. Pois bem, imagine por um momento que os filhos são o mar e os pais o céu que paira sobre eles. O mar não pode evitar o reflexo do céu sobre suas águas, assim como os filhos não podem evitar a influência que seus pais têm sobre eles”, explica Yafit. 

A psicóloga ressalta como as crianças percebem o mundo através dos olhos dos pais.

“Elas nos observam e analisam nossas reações e nossas atitudes se transformam num padrão a ser seguido ou, em alguns casos, a ser evitado. Se eu transmito para meus filhos que as mudanças são incômodas, trabalhosas e desafiadoras, esse será o padrão que eles seguirão. Por outro lado, quanto mais tranquila for a minha visão desses momentos de transição e mais confiança eu depositar na capacidade deles, mais preparados meus filhos estarão para lidar com as mudanças naturais da vida”, orienta Yafit, que conclui: “Como pais precisamos estar atentos a esse modelo que somos. Se somos o céu para o mar de nossos filhos, temos que tratar com naturalidade as mudanças. São parte permanente da nossa vida e fundamentais para o nosso desenvolvimento e formação como ser humano.”


Algoritmos influenciam no comportamento de crianças e desafiam pais a educar com tecnologia

 

Estudo da ESET mostra como plataformas digitais moldam o comportamento infantil e traz orientações para que adultos ensinem o uso consciente e responsável de redes sociais e aplicativos 

 

Os algoritmos que definem o que aparece nas telas de TikTok, YouTube e Instagram, por exemplo, têm influenciado diretamente o comportamento de crianças e adolescentes. A avaliação é da empresa de cibersegurança ESET, responsável pela iniciativa Digipais, que orienta famílias sobre o uso seguro da tecnologia. Segundo a companhia, esses sistemas, que personalizam vídeos, anúncios e sugestões de conteúdo com base no histórico de uso, podem tanto estimular o aprendizado quanto reforçar vícios digitais, padrões de consumo e até visões radicais. 

Algoritmos são conjuntos de regras usados para processar dados e tomar decisões. No universo digital, isso significa decidir quais vídeos, produtos ou anúncios cada pessoa verá primeiro. Plataformas como TikTok, YouTube e Instagram, por exemplo, usam essa ferramenta para reter atenção do usuário, sugerindo conteúdo baseado em preferências e histórico de navegação. 

“Tratam-se de mecanismos muito eficientes na maior parte do tempo, que entregam conteúdos quase personalizados com os interesses das pessoas que utilizam as redes sociais. Mas é importante lembrar que, assim como em outras áreas da vida, os benefícios costumam vir acompanhados de riscos”, alerta Daniel Barbosa, pesquisador de segurança da ESET no Brasil.

 

O impacto dos algoritmos nas crianças 

A personalização oferecida pelos algoritmos pode ser positiva. Uma criança interessada em astronomia, por exemplo, tende a receber mais vídeos educativos sobre o tema. Porém, esse mesmo filtro pode limitar a diversidade de ideias e até reforçar visões extremistas, como discursos misóginos ou preconceituosos, ao restringir o conteúdo acessado. 

Além disso, o consumo contínuo e automatizado favorece a distração e afeta a capacidade de concentração, especialmente em plataformas que exploram vídeos curtos e de rápida absorção. “É fundamental promover o equilíbrio entre o tempo online e atividades offline, como leitura e brincadeiras criativas”, recomenda a ESET. 

A exposição a anúncios e sugestões de compras também merece atenção. Crianças podem ser levadas a consumir de forma impulsiva ou acreditar que precisam adquirir certos produtos para se sentirem incluídas. A ESET sugere que os pais usem esses momentos como oportunidades para desenvolver a educação financeira e o senso crítico nos filhos. 

Por outro lado, os algoritmos também podem ser aliados no processo de descoberta de novos interesses, desde que usados com orientação. Pais e responsáveis devem incentivar buscas ativas por conteúdos enriquecedores e ensinar os pequenos a avaliar a confiabilidade das informações que consomem.
 

O que os adultos podem fazer? 

A primeira recomendação é desmistificar os algoritmos: mostrar às crianças como funcionam esses sistemas, explicando que eles usam preferências anteriores para recomendar vídeos, produtos e perfis. Essa compreensão fortalece o pensamento crítico e evita que aceitem passivamente tudo o que veem. 

Outra estratégia importante é ensinar a influenciar os próprios algoritmos, usando ferramentas como “ver menos disso” ou seguindo perfis diversos. Isso ajuda a construir um ambiente digital mais plural e saudável. 

Estabelecer limites de tempo de uso, incentivar pausas e promover atividades fora da tela são atitudes importantes para reduzir o impacto nocivo do consumo contínuo. Ferramentas como o ESET HOME Security podem auxiliar nesse processo, com recursos de controle parental e filtragem de conteúdo. 

Por fim, manter o diálogo aberto é essencial. Conversar com as crianças sobre o que elas veem online, por que certos conteúdos são recomendados e incentivá-las a refletir sobre as escolhas são práticas que fazem a diferença. 

“Educação, conversa e limites bem estabelecidos transformam os algoritmos de potenciais ameaças em ferramentas valiosas. O objetivo não é excluir a tecnologia da vida das crianças, mas guiá-las para um uso consciente e seguro ao longo do tempo”, reforça Barbosa. 

A iniciativa Digipais, impulsionada pela ESET por meio do projeto SakerKidsOnline, oferece materiais gratuitos para ajudar pais, mães e professores no diálogo e na supervisão do uso da tecnologia pelas crianças. Saiba mais: Link

 

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Férias escolares: criar conteúdo para TikTok e YouTube é visto como uma brincadeira por 64% das crianças e adolescentes

 

Durante as férias, procura pelas telas aumenta, desafiando os pais a buscarem alternativas mais educativas ao mesmo tempo que mantêm a rotina de trabalho 

 

A chegada das férias escolares traz um desafio para os pais: conciliar a rotina do trabalho com as crianças em casa. Uma alternativa utilizada por muitos pais para entreter os pequenos neste período é o uso de telas.

Sheila Rodrigues Bueno, de 45 anos, empresária e mãe de dois filhos, as férias escolares mudam todo o itinerário da família, pois as crianças – Lívia Bueno, de 7 anos, e Murilo Bueno, de 11 anos – estudam em período integral e passam as férias em casa. 

“Aqui nós acabamos dividindo os dias e as responsabilidades. Um dia eu fico com a Lívia e meu marido com o Murilo, e no outro trocamos. Sempre que começam as férias, precisamos adaptar toda a nossa rotina para estar com eles, e, por causa disso, sinto que o tempo de uso de telas deles aumenta quase 90%”, comenta a mãe. 

E não é só na casa da Sheila que a tela se torna uma opção de distração das crianças. Uma pesquisa global realizada pela marca de brinquedos Matel revelou que 64% das crianças e adolescentes já consideram a produção de conteúdo para internet como uma fonte de diversão.
 

Por mais divertido que seja, o uso de telas, a longo prazo, faz com que algumas habilidades importantes deixem de ser estimuladas, de acordo com a mesma pesquisa. Afinal, o ato de brincar – ainda mais quando associado à socialização – auxilia na formação de autoconsciência e resiliência (necessárias para se adaptar a desafios dinâmicos), além de contribuir para o desenvolvimento de traços de caráter como liderança, empatia e gentileza.
 

Atualmente, 74% dos jovens e adultos de 18 a 34 anos, que cresceram em meio ao avanço tecnológico, com a inclusão de celulares e computadores na rotina, afirmam que é mais difícil se conectar com outras pessoas do que antigamente, segundo a mesma pesquisa.
 

Sheila observa essa mudança de comportamento nos filhos e tenta amenizar os impactos limitando o tempo de exposição às telas. “Eu acabo precisando tirar eles de casa para distraí-los e evitar o uso dos celulares. Levo à academia ou até mesmo à quadra do condomínio, pois lá eles conseguem brincar com outras crianças de idade parecida. O Murilo, por exemplo, é mais tímido, gosta muito de ficar em casa, mas pelo menos quando vai à quadra ele joga bola e já pratica uma atividade física, que considero fundamental”, conclui Sheila.
 

Mercado
 

Para auxiliar os pais a manterem as crianças ocupadas enquanto trabalham, o mercado de brinquedos e papelarias investe em novas opções de brinquedos educativos, jogos, itens de artesanato, entre outros.
 

Nivaldo Madureira, gerente de negócios da Papelaria e Livraria Pedagógica, em Sorocaba, conta que a criatividade e a atenção às tendências são importantes para apresentar novas alternativas às crianças. “Os livros de colorir e as canetinhas são um exemplo de tendência, mas, além deles, também buscamos diversas opções de jogos e livros.” 

Durante o período do recesso escolar, comenta Madureira, é bastante comum encontrar pais e mães na loja à procura de atividades para entreter os filhos enquanto trabalham ou até mesmo para brincar juntos, quando conseguem conciliar as férias ou têm uma jornada flexível. 

“Massinha de modelar, lápis de cor, livros de colorir e tinta para pintar estão entre as opções mais procuradas, mas depende muito do perfil e da idade da criança. Os pais estão sempre em busca de alternativas para que os filhos não fiquem somente no digital”. 

Segundo ele, a sessão de livros também é bastante procurada pelos pais. “Livros de história, interativos, pedagógicos, pintura ou para melhoria da coordenação motora são sempre uma boa opção”, conclui.  


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Entre o nascer e o morrer: o sentido da existência humana

 

Steve Jobs, já com diagnóstico de um tumor no pâncreas, não via a morte como um fim trágico, mas como um mecanismo essencial para que inovações floresçam. Num dos trechos mais marcantes de seu discurso de formatura em Stanford (2005), afirmou: “A morte é provavelmente a melhor invenção da vida. Ela remove o velho para dar lugar ao novo. É um agente de mudança.” A morte, na visão de Jobs, é uma força ativa que impulsiona transformações tanto para o avanço da humanidade quanto para abrir espaço a novas gerações. 

A natureza é cíclica: folhas caem para dar lugar a novas, plantas morrem e fertilizam o solo, e assim também é com a tecnologia, com as ideias e com a própria humanidade. Sem o ciclo da substituição — de pessoas, cargos, produtos e práticas — o progresso se estagna. Aceitar serenamente nossa mortalidade não é morbidez: é realismo, é humildade, é libertação do ego. 

Temos consciência de nossa finitude. Dizer que o ser humano é o único animal que sabe que vai morrer é coerente com a filosofia dos antigos gregos. Para Sócrates, quase todos temem a morte como se ela fosse o maior dos males. Ele, porém, dizia que a felicidade é um bem da alma, alcançável apenas por meio da conduta virtuosa e justa, e que sofrer uma injustiça era preferível a cometê-la. Recusando-se a fugir da prisão, mesmo tendo essa oportunidade, enfrentou serenamente a condenação: em 399 a.C., tomou o cálice de cicuta e partiu em paz. 

Só os humanos possuem a clarividência da finitude, que nos acompanha diariamente — às vezes como assombro e angústia, outras vezes como resignação ou sublimação. A morte não é antítese da vida: o oposto da morte é o nascimento. E é nesse intervalo que a vida acontece. No livro de Salmos, o sábio Salomão relata a preferência por um funeral em vez de uma festa, pois seria no primeiro que se pode contemplar o verdadeiro sentido da vida. 

Permita-me uma breve digressão filosófica: a vida é bela, sim, mas quem dela espera apenas alegrias pede a ela o que não pode oferecer. A existência exige resiliência e capacidade de adaptação — um princípio darwinista diante de uma realidade que se impõe com força. 

A vontade humana não é soberana. São as circunstâncias que, em grande parte, nos moldam e direcionam. Assim, a vida é guiada apenas parcialmente pelo livre-arbítrio, pelas escolhas e pelos desejos que cultivamos. Em boa medida, somos movidos por forças transcendentes, pelos desígnios do Criador, pelo acaso e, inevitavelmente, pelas pessoas que nos rodeiam. Esse entrelaçamento de fatores forma o que chamamos de circunstâncias, e é nelas que nos encontramos.
 

Como bem expressou Ortega y Gasset: "Eu sou eu e minhas circunstâncias."
 

Nesse intervalo entre o nascer e o morrer, sempre há vida (e vida em abundância) quando há propósito, espiritualidade e positividade. Isso se concretiza quando nos mantemos úteis, solidários, mentalmente ativos e, sobretudo, saudáveis. Como bem expressou Arthur Schopenhauer: “Saúde não é tudo, mas sem ela pouco podemos.” Para ele, o sofrimento físico era um dos maiores entraves à felicidade — e, portanto, à plenitude da própria existência. 

Carrego com carinho uma lembrança marcante da adolescência: todas as semanas, minha família se reunia para rezar o terço, num ritual conduzido com profunda devoção por minha avó italiana. Ao final das preces, ela sempre dizia com ternura: “E agora, vamos rezar uma Ave-Maria por uma boa morte.” 

Numa noite de fevereiro, já com 80 anos, ela nos despertou com gemidos vindos do quarto. Cada suspiro soava como um silencioso presságio de adeus. Meus pais correram para chamar os demais filhos dela, que moravam perto. Enquanto isso, a pedido de meus pais, permaneci ao lado dela, segurando uma vela entre suas mãos. E assim, serenamente, sem dor, após um dia comum de trabalho, ela partiu com suavidade, agraciada, como sempre desejou, por uma boa morte. Deixou saudades, muitas saudades, e não alívio. Deixou, acima de tudo, um legado que ressoa por gerações. Tantas décadas já bem vividas, em tom de gracejo, costumo dizer aos amigos: é hora de salvar a alma, pois o corpo já está perdido. 

"Tu és pó e ao pó retornarás." Essa frase do Gênesis ecoa como um lembrete sereno da efemeridade da vida. Diante da morte, não há títulos, fortunas ou diplomas que nos distingam — ela nos iguala a todos, nivelando ricos e pobres, letrados e simples, fortes e frágeis. É uma sentença universal que convida à introspecção: o que estamos deixando para trás em nossa travessia? Quais marcas inscrevemos nas vidas que tocamos? De afeto ou de feridas? De luz ou de escuridão? 

Reconhecer a finitude não deve nos levar ao desalento, mas despertar um senso de propósito. Viver não é apenas atravessar os dias: é deixar pegadas que acolham, inspirem e edifiquem. 



Jacir J. Ventur -, ex-presidente do Sinepe/PR, diretor de escolas e foi professor da UFPR, PUCPR, Universidade Positivo e da Educação Básica. Foi presidente do Sinepe/PR. Atual membro do CEE/PR.


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