No Mês das
Crianças, a obstrução do canal lacrimal chama atenção para sintomas que podem
aparecer desde as primeiras semanas de vida. O acompanhamento oftalmológico
orienta os cuidados e identifica quando a persistência do quadro exige
intervenção.
Nos primeiros meses de vida, é comum
observar o recém-nascido com acúmulo contínuo de lágrimas em um ou em ambos os
olhos. Esse cenário costuma vir acompanhado por uma secreção clara ou levemente
amarelada, o que costuma acender o alerta na rotina da família.
Embora a suspeita inicial de quem cuida
quase sempre recaia sobre uma infecção ocular, em uma parcela significativa dos
casos a explicação é outra. Trata-se da obstrução congênita do canal lacrimal,
condição bastante frequente na infância que inspira atenção, mas apresenta
resolução simples quando identificada cedo.
A alteração acontece porque a via
responsável por escoar as lágrimas em direção ao nariz permanece selada por uma
fina membrana ao nascimento. Sem essa drenagem natural, o fluido não encontra
saída, acumulando-se na superfície ocular e gerando o lacrimejamento constante.
"Muitas famílias chegam ao
consultório aflitas, acreditando tratar-se de conjuntivite de repetição e
recorrendo a colírios por conta própria. Na verdade, a lágrima parada facilita
o acúmulo de secreção sem que haja uma infecção ativa, o que exige uma conduta
totalmente diferente", esclarece Mariana Rezende, oftalmologista
especialista em plástica ocular.
A identificação precisa do quadro evita
o uso desnecessário de medicamentos e direciona para o manejo adequado. Nos
primeiros meses, o cuidado fundamenta-se na massagem de drenagem realizada no
canto interno do olho, entre a pálpebra e o nariz.
Essa manobra de compressão estimula a
ruptura espontânea da membrana e resolve a grande maioria dos casos antes de a
criança completar um ano. A orientação médica é indispensável para ensinar o
movimento exato e monitorar a evolução clínica.
O alerta deve ser ligado quando os
sintomas ultrapassam os 12 meses ou quando aparecem sinais de complicação.
Inchaço no canto pálpebral, vermelhidão intensa, febre ou incômodo exagerado
com a luz demandam reavaliação imediata.
Nessas situações específicas, o especialista avalia a necessidade de procedimentos simples para desobstruir a via e evitar infecções secundárias. "O acompanhamento preventivo traz tranquilidade aos pais e garante que o desenvolvimento da visão ocorra sem intercorrências", conclui a médica.
Fonte: Dra. Mariana Rezende — Oftalmologista | Especialista em Plástica Ocular.
Instagram: @dramariana.rezende
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