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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Menopausa: sintomas, prevenção e cuidados que merecem atenção

 Médico explica os principais sinais da transição e por que o acompanhamento deve considerar também a saúde cardiovascular, metabólica e o bem-estar da mulher 

 

Cerca de 37 milhões de brasileiras estarão na faixa dos 40 aos 65 anos em 2026, segundo projeção do IBGE citada pelo Ministério da Saúde. A pasta estima que mais de um terço da vida das mulheres transcorra após o início da transição para a menopausa. O dado coloca o cuidado dessa fase em outra perspectiva: há sintomas que precisam de alívio agora e aspectos da saúde que merecem acompanhamento por muitos anos. 

Lucas Rezende, médico com atuação em nutrologia e medicina preventiva, está à frente da ARC Health Place, clínica de São Paulo dedicada à saúde metabólica e ao acompanhamento integrado. “A menopausa é natural, mas isso não significa que sintomas capazes de prejudicar a vida da mulher devam ser ignorados. Também é uma oportunidade para identificar fatores de risco e cuidar da saúde nos anos seguintes”, afirma.

Em setembro de 2026, o Ministério da Saúde apresentou na Organização das Nações Unidas iniciativas para integrar a atenção à menopausa aos serviços básicos do SUS. A proposta inclui orientação, acompanhamento e acesso a tratamentos quando indicados. 

Na prática, incluir essa etapa nas estratégias de prevenção significa ouvir as queixas, conhecer o histórico da paciente e acompanhar indicadores de saúde conforme suas necessidades, sem tratar toda mulher como se estivesse doente. 


Os sinais podem começar anos antes

A menopausa é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruação, mas a transição pode começar anos antes. Mudanças no ciclo, ondas de calor, suores noturnos, memória ruim, queda de cabelo, cansaço e fadiga persistentes, aumento do peso, queda da libido, irritabilidade, oscilações de humor e dificuldade para dormir estão entre as manifestações possíveis. Algumas mulheres têm poucos sintomas, mas para outras, o desconforto interfere no descanso e nas atividades diárias.

O Ministério da Saúde orienta que a avaliação considere a idade, o histórico clínico e as queixas da paciente. Depois dos 40 anos, exames hormonais não são necessários de forma rotineira para identificar a transição, embora possam ser indicados em situações específicas. “A consulta começa com uma pergunta simples: o que mudou para essa mulher? Um exame isolado não mostra como ela está dormindo nem o impacto dos sintomas na sua rotina”, explica o médico.


Sono e memória também entram na consulta

O sono costuma ser uma das primeiras áreas afetadas quando ondas de calor e suores noturnos se tornam frequentes. Algumas mulheres também relatam esquecimentos ou dificuldade para se concentrar. Em 2026, a Organização Mundial da Saúde dedicou um debate às dúvidas sobre cognição e saúde mental nessa etapa. Essas queixas merecem atenção, mas não permitem concluir, por si só, que haja uma doença neurológica. 

Para entender o relato, é preciso observar quando a dificuldade começou, se houve piora e quanto ela interfere nas atividades. O descanso, outras condições de saúde e o uso de medicamentos também podem entrar na avaliação. “Atribuir todo esquecimento aos hormônios pode deixar uma causa sem investigação. Desconsiderar a queixa porque ela surgiu nessa fase também não ajuda a paciente”, ressalta o profissional.


Prevenção vai além do controle dos sintomas

A transição pode vir acompanhada de mudanças na distribuição da gordura corporal e no perfil de colesterol. Segundo publicação do Ministério das Mulheres de agosto de 2026, a avaliação cardiovascular deve considerar pressão arterial, glicemia e histórico pessoal e familiar. O peso não conta toda a história: mulheres com peso considerado adequado também podem apresentar colesterol elevado. 

É nesse ponto que a menopausa deixa de ser assunto apenas da consulta motivada por ondas de calor. Alimentação, atividade física, cuidado com o sono e acompanhamento clínico passam a compor uma estratégia contínua. Exames e tratamentos devem responder aos riscos e às queixas de cada mulher, sem uma lista automática de procedimentos para todas as pacientes.

Quando os sintomas afetam a qualidade de vida, há tratamentos que podem ser discutidos conforme o histórico e as preferências da paciente. A terapia hormonal, por exemplo, pode ser indicada para determinadas queixas após uma avaliação clínica e exames laboratoriais complementares, melhorando significativamente a qualidade de vida da mulher e podendo contribuir na diminuição da incidência de algumas doenças quando bem indicada. Tratar o desconforto e reduzir riscos futuros são objetivos diferentes, que precisam ser considerados no mesmo acompanhamento.

Esse acompanhamento precisa fazer sentido para a situação de cada mulher, conclui Rezende. “O objetivo é tratar o que a incomoda agora e identificar riscos que possam ser cuidados ao longo dos anos. Garantir qualidade de vida à mulher nessa importante fase de transição metabólica e hormonal define muito sobre a saúde, produtividade e envelhecimento saudável”, afirma o médico.

 

 



Lucas Rezende - médico (CRMSP 181835), com atuação em nutrologia, medicina preventiva, saúde metabólica e emagrecimento. Desenvolveu sua prática clínica voltada à identificação precoce de fatores de risco para doenças crônicas, defendendo uma medicina que prioriza a prevenção, o diagnóstico antecipado e a promoção da saúde antes do surgimento dos sintomas. Sua atuação integra medicina baseada em evidências, avaliação clínica aprofundada, exames laboratoriais e mudanças no estilo de vida para construir estratégias individualizadas de cuidado. Ao longo da carreira, consolidou seu trabalho em temas como envelhecimento saudável, saúde metabólica, obesidade, composição corporal, saúde hormonal e medicina do estilo de vida, defendendo uma mudança de paradigma no cuidado com a saúde, com foco em preservar a qualidade de vida e ampliar a longevidade da população.
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ARC Health Place
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Fontes de Pesquisa:

Ministério da Saúde, Nota Técnica Conjunta nº 72/2026: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/notas-tecnicas/2026/nota-tecnica-conjunta-no-72-2026-dgci-desf-depros/@@download/file

Ministério da Saúde, apresentação de iniciativas sobre menopausa na ONU em 2026: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias-ms/2026/setembro/ministerio-da-saude-leva-a-onu-experiencias-do-sus-sobre-menopausa-e-doencas-raras

Organização Mundial da Saúde, debate de 2026 sobre menopausa e cognição: https://www.who.int/news-room/events/detail/2026/07/30/default-calendar/menopause-on-the-brain--your-questions-about-mental-health-and-cognition-answered

Ministério das Mulheres, publicação de 2026 sobre colesterol e saúde da mulher: https://www.gov.br/mulheres/pt-br/central-de-conteudos/noticias/2026/agosto-defeso-eleitoral/colesterol-e-saude-da-mulher-entenda-os-riscos-e-saiba-como-se-proteger-em-todas-as-fases-da-vida


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