Médico explica os
principais sinais da transição e por que o acompanhamento deve considerar
também a saúde cardiovascular, metabólica e o bem-estar da mulher
Cerca de 37 milhões de brasileiras estarão na faixa
dos 40 aos 65 anos em 2026, segundo projeção do IBGE citada pelo Ministério da
Saúde. A pasta estima que mais de um terço da vida das mulheres transcorra após
o início da transição para a menopausa. O dado coloca o cuidado dessa fase em
outra perspectiva: há sintomas que precisam de alívio agora e aspectos da saúde
que merecem acompanhamento por muitos anos.
Lucas Rezende, médico com atuação em nutrologia e medicina preventiva, está à frente
da ARC Health Place, clínica de São Paulo
dedicada à saúde metabólica e ao acompanhamento integrado. “A menopausa é
natural, mas isso não significa que sintomas capazes de prejudicar a vida da
mulher devam ser ignorados. Também é uma oportunidade para identificar fatores
de risco e cuidar da saúde nos anos seguintes”, afirma.
Em setembro de 2026, o Ministério da Saúde
apresentou na Organização das Nações Unidas iniciativas para integrar a atenção
à menopausa aos serviços básicos do SUS. A proposta inclui orientação,
acompanhamento e acesso a tratamentos quando indicados.
Na prática, incluir essa etapa nas estratégias de
prevenção significa ouvir as queixas, conhecer o histórico da paciente e
acompanhar indicadores de saúde conforme suas necessidades, sem tratar toda
mulher como se estivesse doente.
Os sinais podem começar anos
antes
A menopausa é confirmada após 12 meses consecutivos
sem menstruação, mas a transição pode começar anos antes. Mudanças no ciclo,
ondas de calor, suores noturnos, memória ruim, queda de cabelo, cansaço e
fadiga persistentes, aumento do peso, queda da libido, irritabilidade,
oscilações de humor e dificuldade para dormir estão entre as manifestações
possíveis. Algumas mulheres têm poucos sintomas, mas para outras, o desconforto
interfere no descanso e nas atividades diárias.
O Ministério da Saúde orienta que a avaliação
considere a idade, o histórico clínico e as queixas da paciente. Depois dos 40
anos, exames hormonais não são necessários de forma rotineira para identificar
a transição, embora possam ser indicados em situações específicas. “A consulta
começa com uma pergunta simples: o que mudou para essa mulher? Um exame isolado
não mostra como ela está dormindo nem o impacto dos sintomas na sua rotina”,
explica o médico.
Sono e memória também entram
na consulta
O sono costuma ser uma das primeiras áreas afetadas
quando ondas de calor e suores noturnos se tornam frequentes. Algumas mulheres
também relatam esquecimentos ou dificuldade para se concentrar. Em 2026, a
Organização Mundial da Saúde dedicou um debate às dúvidas sobre cognição e
saúde mental nessa etapa. Essas queixas merecem atenção, mas não permitem
concluir, por si só, que haja uma doença neurológica.
Para entender o relato, é preciso observar quando a
dificuldade começou, se houve piora e quanto ela interfere nas atividades. O
descanso, outras condições de saúde e o uso de medicamentos também podem entrar
na avaliação. “Atribuir todo esquecimento aos hormônios pode deixar uma causa
sem investigação. Desconsiderar a queixa porque ela surgiu nessa fase também
não ajuda a paciente”, ressalta o profissional.
Prevenção vai além do controle
dos sintomas
A transição pode vir acompanhada de mudanças na
distribuição da gordura corporal e no perfil de colesterol. Segundo publicação
do Ministério das Mulheres de agosto de 2026, a avaliação cardiovascular deve
considerar pressão arterial, glicemia e histórico pessoal e familiar. O peso
não conta toda a história: mulheres com peso considerado adequado também podem
apresentar colesterol elevado.
É nesse ponto que a menopausa deixa de ser assunto
apenas da consulta motivada por ondas de calor. Alimentação, atividade física,
cuidado com o sono e acompanhamento clínico passam a compor uma estratégia
contínua. Exames e tratamentos devem responder aos riscos e às queixas de cada
mulher, sem uma lista automática de procedimentos para todas as pacientes.
Quando os sintomas afetam a qualidade de vida, há tratamentos
que podem ser discutidos conforme o histórico e as preferências da paciente. A
terapia hormonal, por exemplo, pode ser indicada para determinadas queixas após
uma avaliação clínica e exames laboratoriais complementares, melhorando
significativamente a qualidade de vida da mulher e podendo contribuir na
diminuição da incidência de algumas doenças quando bem indicada. Tratar o
desconforto e reduzir riscos futuros são objetivos diferentes, que precisam ser
considerados no mesmo acompanhamento.
Esse acompanhamento precisa fazer sentido para a
situação de cada mulher, conclui Rezende. “O objetivo é tratar o que a incomoda
agora e identificar riscos que possam ser cuidados ao longo dos anos. Garantir
qualidade de vida à mulher nessa importante fase de transição metabólica e
hormonal define muito sobre a saúde, produtividade e envelhecimento saudável”,
afirma o médico.
Lucas Rezende - médico (CRMSP 181835), com atuação em nutrologia, medicina preventiva, saúde metabólica e emagrecimento. Desenvolveu sua prática clínica voltada à identificação precoce de fatores de risco para doenças crônicas, defendendo uma medicina que prioriza a prevenção, o diagnóstico antecipado e a promoção da saúde antes do surgimento dos sintomas. Sua atuação integra medicina baseada em evidências, avaliação clínica aprofundada, exames laboratoriais e mudanças no estilo de vida para construir estratégias individualizadas de cuidado. Ao longo da carreira, consolidou seu trabalho em temas como envelhecimento saudável, saúde metabólica, obesidade, composição corporal, saúde hormonal e medicina do estilo de vida, defendendo uma mudança de paradigma no cuidado com a saúde, com foco em preservar a qualidade de vida e ampliar a longevidade da população.
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Fontes de Pesquisa:
Ministério da Saúde, Nota Técnica Conjunta nº 72/2026: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/notas-tecnicas/2026/nota-tecnica-conjunta-no-72-2026-dgci-desf-depros/@@download/file
Ministério da Saúde, apresentação de iniciativas sobre menopausa na ONU em 2026: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias-ms/2026/setembro/ministerio-da-saude-leva-a-onu-experiencias-do-sus-sobre-menopausa-e-doencas-raras
Organização Mundial da Saúde, debate de 2026 sobre menopausa e cognição: https://www.who.int/news-room/events/detail/2026/07/30/default-calendar/menopause-on-the-brain--your-questions-about-mental-health-and-cognition-answered
Ministério das Mulheres, publicação de 2026 sobre colesterol e saúde da mulher: https://www.gov.br/mulheres/pt-br/central-de-conteudos/noticias/2026/agosto-defeso-eleitoral/colesterol-e-saude-da-mulher-entenda-os-riscos-e-saiba-como-se-proteger-em-todas-as-fases-da-vida
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