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quinta-feira, 28 de maio de 2026

O que ‘Diabo Veste Prada 2’ ensina sobre reputação de executivos

 Entre entrevistas estratégicas e mudanças de narrativa, o filme aproxima o universo da moda das discussões atuais sobre liderança

 

Miranda Priestly passou vinte anos sendo lembrada como a chefe que jogava o casaco sobre a mesa sem olhar para quem pegaria, transformava silêncio em pressão e fazia assistentes correrem atrás de exigências impossíveis. Em 2006, esse comportamento era quase admirado, o preço de trabalhar com os melhores. Em “O Diabo Veste Prada 2”, porém, esse modelo começa a perder força. A Runway, revista de moda comandada por Miranda, perde espaço para Instagram e TikTok, o mercado editorial impresso encolhe e a executiva mais temida do cinema percebe que autoridade, sozinha, já não garante relevância.

 

É Andy Sachs, agora jornalista, quem reaparece para ajudar a reorganizar a imagem da antiga chefe. Ao longo do filme, ela assume quase um papel de PR, ao reconstruir a narrativa pública em torno de Miranda e da própria Runway.

 

“Hoje, reputação não está ligada apenas ao resultado que uma liderança entrega, mas à forma como ela se comunica e é percebida pelas pessoas”, afirma Marina Mosol, especialista em reputação da Agência NoAr. “Existe uma expectativa maior por coerência, transparência e conexão humana”.

 

A crise de imagem começa quando a narrativa escapa do controle

 

A primeira movimentação de Andy não é uma entrevista cuidadosamente controlada nem uma tentativa imediata de defender Miranda. Ela publica uma reportagem sobre a crise da Runway mostrando justamente aquilo que a executiva sempre evitou expor: dúvidas, desgaste e dificuldade para manter a revista relevante em um mercado que mudou completamente.

 

Em vez de apostar apenas em controle de danos, estratégia usada para conter crises de imagem, Andy escolhe reposicionar a percepção pública sobre Miranda.

 

“Executivos que tentam sustentar uma imagem excessivamente distante acabam criando barreiras com o público”, diz Marina. “Hoje existe uma valorização maior de lideranças que conseguem demonstrar humanidade sem perder credibilidade.”

 

Como uma entrevista estratégica devolve relevância à marca

 

Depois de estabilizar a percepção em torno de Miranda, Andy consegue uma entrevista exclusiva com Sasha Barnes, uma das mulheres mais influentes da indústria da moda, afastada dos holofotes há anos.

 

A movimentação devolve relevância para a Runway e mostra como relacionamento e credibilidade continuam tendo peso na construção de imagem. No universo de PR, esse movimento é conhecido como gestão de narrativa, em que cria contextos capazes de mudar a forma como marcas e lideranças são percebidas.

 

“O networking continua tendo um peso enorme na reputação de executivos e marcas, mas hoje ele está muito mais ligado à confiança construída ao longo do tempo do que a relações puramente circunstanciais”, afirma a especialista.

 

A imagem de um executivo também passa pela equipe ao redor

 

À medida que a crise vai sendo contornada, o filme também expõe um padrão antigo dentro da revista: Miranda sempre concentrou os holofotes nela mesma, enquanto profissionais importantes da equipe permaneciam nos bastidores, como Nigel, responsável por boa parte da identidade criativa da Runway.

 

Em um momento decisivo, Andy sugere que Miranda dê mais espaço para que ele apareça publicamente. O gesto muda a forma como aquela liderança passa a ser percebida dentro e fora da empresa.

 

Uma cultura que já não funciona da mesma forma

 

O filme também mostra que não basta ajustar discurso e estratégia de comunicação se a cultura interna continua presa à mesma lógica. A dinâmica de pressão e obediência que definia a Runway em 2006 já não encontra o mesmo espaço vinte anos depois.

 

Cultura organizacional, saúde mental e retenção de talentos hoje fazem parte da forma como empresas e executivos são percebidos publicamente. Em um ambiente corporativo mais exposto, a reputação também passa pelos bastidores.

 

Para Marina, “O Diabo Veste Prada 2” usa o universo da moda para discutir algo maior do que tendências ou comportamento. A continuação mostra uma liderança tentando preservar relevância em um momento em que imagem pública, reputação e relações internas ganharam outro peso. Em 2026, Miranda precisa pendurar seu próprio casaco, conclui. 

 

Agência NoAr


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