Relatório desenvolvido após imersão da entidade no SXSW 2026 analisa impactos da inteligência artificial nas relações de trabalho e na gestão de pessoas
A adoção acelerada
de inteligência artificial está levando o RH ao centro das decisões
estratégicas das empresas. A conclusão é do relatório HR Futures
Intelligence, desenvolvido pela ABRH Brasil a partir da imersão da
entidade no SXSW 2026, maior evento de inovação e tecnologia do mundo.
A IA deixou de
ser apenas uma promessa tecnológica para se tornar uma força capaz de
redesenhar o trabalho, a liderança e a dinâmica das empresas. Segundo o
relatório, até 2030, as companhias poderão operar com uma composição formada
por 40% de profissionais em tempo integral, 40% em modelos flexíveis e 20% de
atuação automatizada por IA.
“Hoje, 95% das
organizações ainda não reportam retorno claro sobre iniciativas de IA
generativa. A nossa tese é que os 5% que conseguem gerar valor não tratam IA
como projeto exclusivo de tecnologia: têm o líder de RH correalizando a
implementação, integrando o melhor da inteligência humana com o melhor da
inteligência artificial. Esse fato vai potencializar o valor e a essencialidade
do RH para tornar as organizações ainda mais competitivas e sustentáveis,”
afirma Vitor Igdal, Presidente da ABRH Bahia e Idealizador do HR Futures
Intelligence.
A partir dessa
transformação, o estudo identifica sete grandes “pressões do futuro” que já
impactam as organizações. Entre elas estão o redesenho acelerado das funções
profissionais, a perda de atenção qualificada, o aumento da necessidade de
vínculo entre equipes e a exigência de uma nova postura das lideranças. “O
desafio não é competir com a tecnologia, e sim construir organizações capazes
de usar inovação sem perder discernimento, confiança e humanidade”, afirma
Leyla Nascimento, presidente da ABRH Brasil.
Outro ponto
destacado é a preocupação com a perda de profundidade cognitiva. O estudo
menciona pesquisas apresentadas no SXSW indicando que desenvolvedores juniores
que utilizavam IA tiveram queda de 17% ou mais na compreensão das tarefas
executadas. Isso deve provocar uma revisão ampla de funções corporativas,
especialmente em áreas administrativas, atendimento, backoffice e operações
analíticas. “Quanto mais a tecnologia avança, mais estratégicas se tornam
capacidades como julgamento, criatividade, comunicação, liderança e senso de
contexto”, diz.
O relatório
também chama atenção para um movimento paradoxal: quanto maior a presença
digital, maior a necessidade de pertencimento e relações reais dentro das
empresas. Dados apresentados no estudo mostram que 49% da Geração Z afirmam já
ter desenvolvido algum tipo de relação significativa com IA, enquanto cresce
simultaneamente a busca por conexões humanas e senso de comunidade.
Nesse contexto,
habilidades consideradas “comportamentais” ganham valor estratégico. “O RH
deixa de atuar apenas como área de suporte e passa a participar da arquitetura
das transformações. Isso significa ajudar empresas a redesenhar trabalho, fortalecer
culturas saudáveis. O futuro do trabalho será cada vez mais tecnológico, mas
também mais humano”, diz a presidente da ABRH Brasil.
Nenhum comentário:
Postar um comentário