Especialista explica como pulmão, circulação e organismo respondem à interrupção do tabagismo
No Dia Mundial Sem Tabaco, especialistas reforçam uma mensagem
importante: nunca é tarde para abandonar o cigarro. Embora muita gente acredite
que, depois de décadas fumando, parar já não faz diferença, a medicina afirma
justamente o contrário: o corpo humano começa a se recuperar logo após o último
cigarro, e os benefícios aparecem muito antes do que a maioria imagina.
Segundo a oncologista Christiane Pires, médica do Instituto de
Oncologia de Sorocaba (IOS), interromper o tabagismo em qualquer fase da vida
ainda traz impactos reais para a saúde, desde melhora da respiração até redução
progressiva do risco de câncer. “No consultório, vemos isso na prática. Parar
de fumar não muda apenas estatísticas. Muda qualidade de vida”, afirma a
médica.
Pulmão começa a reagir nas primeiras semanas
A especialista explica que, em poucas semanas sem cigarro, muitos
pacientes já relatam menos cansaço, redução da tosse e melhora do fôlego. Isso
acontece porque o pulmão inicia rapidamente um processo de recuperação. “Os
cílios pulmonares, que funcionam como um sistema natural de limpeza das vias
aéreas e ficam prejudicados pelo cigarro, começam a voltar ao funcionamento
normal. Isso melhora a proteção do pulmão e reduz infecções respiratórias”,
explica Christiane.
Embora algumas lesões provocadas pelo tabagismo possam ser
permanentes, especialmente em fumantes de longa data, a interrupção do cigarro
barra a progressão dos danos e reduz significativamente o risco de novas
doenças.
Entre os principais benefícios apontados pela oncologista estão:
- Melhora da circulação sanguínea;
- Recuperação gradual da capacidade respiratória;
- Redução do risco de infarto e AVC;
- Diminuição progressiva do risco de câncer.
Risco de câncer começa a diminuir
No caso do câncer de pulmão, os efeitos positivos também aparecem ao longo do tempo. Segundo a médica, após 10 a 15 anos sem fumar, o risco pode cair pela metade em relação a quem continua fumando. “O benefício começa no primeiro dia sem cigarro. Quanto antes a pessoa parar, maior será essa redução de risco no futuro”, destaca.
A médica também faz um alerta importante: o cigarro está associado a diversos tipos de câncer além do pulmão, incluindo boca, garganta, esôfago, pâncreas e bexiga. “Às vezes o paciente associa o cigarro apenas ao câncer de pulmão, mas o impacto do tabagismo no organismo é muito maior”, afirma.
Apesar dos avanços tecnológicos e das campanhas de conscientização, o tabagismo ainda representa um dos principais fatores de risco evitáveis para doenças graves. Para Dra. Christiane, a principal mensagem do Dia Mundial Sem Tabaco é clara: nunca é tarde para parar. “Mesmo quando já existem sequelas, abandonar o cigarro continua sendo uma das decisões mais importantes para a saúde. Porque melhora a qualidade de vida, reduz riscos e impede que o dano continue avançando”, finaliza.
Instituto de
Oncologia de Sorocaba
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