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quinta-feira, 28 de maio de 2026

“Decisões são mais importantes que incisões”

Cirurgião oncológico defende que reconhecer os próprios limites e encaminhar corretamente o paciente é a decisão mais importante e mais difícil do médico 

 

Na cirurgia oncológica do peritônio, há uma verdade que poucos falam abertamente: o que define o prognóstico do paciente muitas vezes não é a habilidade técnica do cirurgião, mas sim sua capacidade de reconhecer os próprios limites e tomar a decisão certa no momento certo. 

"Decisões são mais importantes que incisões. Muitas vezes, o que define o prognóstico do paciente não é a habilidade técnica de abrir e operar, mas sim a capacidade do cirurgião de reconhecer seus limites, entender a doença e tomar a decisão correta no momento certo", afirma o Dr. Arnaldo Urbano Ruiz, cirurgião geral e oncológico e coordenador do Centro de Doenças Peritoneais da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo. 

Segundo o especialista, quando um cirurgião sem treinamento específico em doenças peritoneais se depara com uma carcinomatose peritoneal, a conduta mais segura para o paciente frequentemente não é tentar resolver o caso naquele momento. "O correto, na maioria das vezes, é realizar uma biópsia adequada, documentar a extensão da doença, evitar manipulações desnecessárias e encaminhar o paciente rapidamente para um centro especializado", explica. 

A carcinomatose peritoneal exige um conjunto altamente específico de competências: entendimento profundo da biologia tumoral, conhecimento das indicações de citorredução e HIPEC, além de experiência e domínio técnico para procedimentos desta complexidade. Caso contrário, as consequências podem ser irreversíveis. 

"Uma abordagem inadequada pode transformar um paciente potencialmente tratável em um paciente sem possibilidade curativa", alerta o Dr. Arnaldo. 

Os dados são contundentes: quanto mais intervenções cirúrgicas inadequadas, manipulações peritoneais e ressecções incompletas o paciente sofreu anteriormente, pior tende a ser seu prognóstico oncológico. 

Cirurgias indevidas promovem aderências extensas, distorcem os planos anatômicos, disseminam células tumorais e dificultam futuras citorreduções completas. 

"Muitas vezes, o que inviabiliza uma citorredução potencialmente curativa não é a doença inicial, mas sim a intervenção inadequada realizada anteriormente", reforça o especialista. 

Para o Dr. Arnaldo, a mensagem é clara e exige uma mudança de cultura dentro da medicina. 

"O melhor cirurgião nem sempre é o que faz a maior cirurgia. Muitas vezes, é aquele que reconhece precocemente uma doença complexa, evita danos irreversíveis e encaminha o paciente para um time experiente antes que a oportunidade terapêutica seja perdida", explica. 

 


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