Médico do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), alerta para sinais iniciais e destaca papel da imunização na redução de casos graves
No
Dia Mundial de Combate à meningite, celebrado no próximo dia 24, o alerta se
reforça para uma doença que ainda representa um importante desafio de saúde
pública no Brasil. Com a chegada do outono e do inverno, período marcado pelo
aumento da circulação de vírus e bactérias e pela maior permanência em
ambientes fechados, o risco de transmissão cresce, especialmente entre crianças
pequenas, grupo mais vulnerável às formas graves da infecção. Dados do
Ministério da Saúde indicam que a incidência média varia entre 2 e 4 casos por
100 mil habitantes, com maior impacto na população infantil. As meningites
bacterianas seguem como as mais graves, com taxa de letalidade que pode chegar
a 30% e alto risco de sequelas.
Segundo
o infectologista do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), Leonardo Ruffing, a
meningite é uma inflamação das meninges (membranas que envolvem e protegem o
cérebro) e pode ter diferentes causas, sendo as infecciosas as mais frequentes.
“Vírus, bactérias, fungos e até a tuberculose podem desencadear a doença. Ela é
considerada endêmica, porque esses microrganismos fazem parte do nosso ambiente
e até do próprio organismo. Em situações como baixa imunidade ou cobertura
vacinal inadequada, o risco aumenta”, explica Ruffing.
Os
sintomas iniciais podem se confundir com os de uma gripe comum, como febre, dor
de cabeça, coriza e mal-estar. O sinal de alerta, no entanto, está na evolução
do quadro. “Quando há piora ou persistência dos sintomas, é fundamental buscar
avaliação médica. Dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, vômitos e alterações
visuais são indicativos de gravidade. A meningite pode evoluir rapidamente, e o
diagnóstico precoce é decisivo”, destaca o especialista.
A
transmissão ocorre, principalmente, por via respiratória, por meio de gotículas
liberadas ao falar, tossir ou espirrar, além do contato próximo com pessoas
infectadas. Essas partículas também podem permanecer em superfícies e objetos,
facilitando a disseminação. Medidas simples, como higienização das mãos,
limpeza de ambientes e adoção da etiqueta respiratória, ajudam a conter o
avanço da doença.
A
vacinação segue como a principal estratégia de prevenção. Imunizantes contra
meningococo, pneumococo e Haemophilus influenzae tipo b protegem contra
as formas bacterianas mais graves. Outras vacinas, como tríplice viral,
varicela, influenza e BCG também contribuem para reduzir o risco de meningites
associadas a diferentes agentes. “A vacina é a ferramenta mais eficaz para
evitar casos graves e mortes. Manter o calendário vacinal atualizado é
essencial, sobretudo para crianças, idosos e pessoas com imunidade
comprometida”, reforça o especialista do Vera Cruz Hospital.
O
tratamento varia conforme a causa da infecção e pode incluir antibióticos,
antivirais ou antifúngicos, além de medidas de suporte, como hidratação e controle
de sintomas. Em quadros mais graves, pode ser necessário atendimento intensivo.
“Sem diagnóstico e tratamento rápidos, a meningite pode deixar sequelas
neurológicas, auditivas e cognitivas, além de representar risco de morte”,
alerta.
Diante
da sazonalidade, a recomendação é redobrar os cuidados neste período do ano.
“Além da vacinação, é importante reconhecer sinais suspeitos, evitar contato
próximo com pessoas doentes e reforçar hábitos de higiene. Em situações
específicas, podem ser adotadas medidas como bloqueio vacinal e uso preventivo
de antibióticos”, conclui o médico.
Vera
Cruz Hospital

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