A angústia difusa que acomete o sujeito
contemporâneo é multifatorial e pode estar ligada a uma falta de sentido para a
vida. Isso causa um vazio indefinido, sensação de desânimo, cansaço
inexplicável, perda de apetite ou voracidade por certos alimentos, diminuição
ou exacerbação da libido. Resistente a tratamentos medicamentosos, a peregrinação
passa por consultórios médicos e prossegue nas diferentes modalidades de
terapias e psicoterapias, em tentativas de alívio muitas vezes infrutíferas.
Profissionais de saúde oferecem tratamentos por vezes regidos por protocolos
mais ou menos rígidos e, pior, sempre o mesmo para uma infinidade de sujeitos,
desconsiderando peculiaridades, como a forma de adoecimento de cada um.
Para apimentar a questão, fica a pergunta: como não
adoecer numa sociedade ela mesma doente? É preciso considerar a subjetividade do
sujeito em sua expressão única. Do contrário, como lidar com sintomatologia tão
diversa, refratária a classificações e protocolos? É preciso considerar a
multidimensionalidade da nossa manifestação. O que nos iguala, o que nos faz
tão peculiares? O tema exige um olhar mais cuidadoso, dada a delicadeza que
envolve a saúde mental.
Qualquer que seja a escolha do cliente, é
fundamental a confiança no profissional e na ética dele esperada. Afinal,
cuidar não é só tratar sintomas, mas também olhar compassivamente violências
como o racismo, o machismo, os estigmas da desigualdade, a falta de meios
dignos de subsistência e demais condições que ferem o humano na sua inteireza.
Mas como a abordagem transpessoal contribui com as
demais modalidades de tratamento da angústia existencial, por exemplo? Que
vantagens agrega, que limitações enfrenta? A terapia transpessoal busca
integrar aspectos espirituais e transcendentais da experiência humana com os
métodos tradicionais da psicologia. Portanto, considera o ser humano em sua
totalidade, incluindo dimensões físicas, emocionais, mentais e espirituais.
Suas bases teóricas assentam-se em diversas tradições espirituais e
filosóficas, como o budismo, hinduísmo, sufismo e a psicologia junguiana. Ela
também incorpora conceitos da psicologia humanista e existencial, além de
teorias de desenvolvimento espiritual e estados alterados de consciência.
Dentre as várias abordagens da terapia
transpessoal, destacam-se: meditação e mindfulness; respiração holotrópica;
visualização guiada; trabalho com sonhos; e dinâmica energética do psiquismo.
Independentemente da escolha da terapia, seus pontos positivos são a integração
holística, o desenvolvimento espiritual e a flexibilidade das técnicas. Mas
também há limitações relacionadas à resistência de pessoas com uma visão
tradicional da ciência e a necessidade de pesquisas mais amplas no âmbito
acadêmico.
A liberdade de escolha da abordagem, metodologia e
técnicas terapêuticas é um direito inalienável do cliente, que precisa ser
acolhido pelo terapeuta com, mais que cortesia e atenção, uma atitude amorosa,
fornecendo todas as informações úteis para uma decisão a mais acertada possível
e que atenda caso a caso. Essa atitude poderá gerar confiança mútua e minimizar
episódios de transferência e contratransferência, tão comuns especialmente nas
sessões iniciais.
Uma vez iniciada a terapia, convém que, de tempos em tempos, uma ou mais sessões sejam destinadas à autoavaliação e à avaliação do processo em curso, pois isso possibilitará manutenção ou suspensão de procedimentos que, ainda que eficazes em muitos casos, não se adequam àquela individualidade do cliente ou às restrições do próprio terapeuta, que poderá encaminhar o cliente a algum colega ou a outro tipo de terapia mais indicado. Esse reajuste de rumos, se for o caso, preservará clientes e terapeuta de eventuais situações por vezes incontornáveis, pois a natureza do humano é imprevisível, por mais que o autoconhecimento venha de muitas décadas de treinamento e estudo.
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