A história de uma mãe que morre nos contos de fadas
é um tema comum que pode ser observado no decorrer do tempo. Tal característica
ocorre por um motivo: a mãe “boa demais”, como denominada pela psicóloga
junguiana, Clarissa Estés, precisa definhar e estar cada vez mais distante, até
que a jovem se descubra só para, então, criar a capacidade de cuidar de si no
formato que ela própria desenvolverá. Isso é ideal para que a mulher adquira
uma vida autêntica e respeitosa consigo, com suas vontades e sonhos. 
Pixabay
Vale ressaltar que a essência do amor materno
recebido na infância será importante nesta nova fase, pois atuará como um
combustível durante a transição psíquica que deixará a jovem sozinha num mundo
pouco maternal. A partir daí, a mulher encara seus medos, descobre do que
gosta, desvenda-se. Passa a ser dona de seu caminho, e não mais vítima das
escolhas dos outros. Agora ela se conhece e se aprova. Uma pessoa assim tem o
leme da própria vida nas mãos.
Neste cenário, a mãe “boa demais” seria aquela
parte da mulher que a protege e a defende, mas que também a impede de entrar na
vida, de errar, de cair e de se levantar. Nos contos de fadas, quando a figura
da madrasta entra em cena, a jovem é colocada em perigo e, na maioria dos
casos, é obrigada a adentrar a floresta, que, na teoria junguiana, representa o
inconsciente pessoal. É aí que a jornada se inicia.
O conceito ganha ainda mais sentido quando se
analisa o conto de fadas “Cinderela”. As maldades da madrasta permitem que
Cinderela entre em contato com suas dores e assuma o papel de mulher.
Entretanto, para as filhas, a madrasta foi uma mãe “boa demais”, tanto que a narrativa
enfatiza a imaturidade, a falta de personalidade e a total dependência da
aprovação materna das irmãs.
Esses contos de fadas podem até ser narrativas
fantásticas, mas proporcionam uma reflexão profunda para as mulheres: a de que,
ao abrir mão de se proteger e ao se permitir viver, a psique feminina alcança
outro nível. Numa situação de independência da opinião alheia, a mulher segura
e fiel a si pode viver como desejar. E, esta, não raro, é a melhor forma para
ela.
Nenhum comentário:
Postar um comentário