Atividades
acessíveis e lúdicas ajudam crianças a desenvolver habilidades motoras,
cognitivas e emocionais desde os primeiros meses
O desenvolvimento neuropsicomotor é uma das bases
da infância. Mais do que acompanhar os primeiros passos ou palavras, trata-se
da maturação do sistema nervoso central, processo essencial que abrange não
apenas os movimentos corporais, mas também a linguagem, socialização e
aprendizagem.
Para a neuropedagoga Mara Duarte, diretora pedagógica da Rhema
Neuroeducação, estimular esse processo desde cedo, inclusive no
ambiente doméstico, é uma medida eficaz e acessível para garantir um
crescimento mais saudável. “O desenvolvimento neuropsicomotor pode e deve ser
estimulado em casa, com atividades simples, que respeitem o ritmo e o universo
lúdico da criança”, afirma.
A observação atenta às fases do desenvolvimento
infantil é um dos primeiros passos para uma intervenção bem-sucedida. Segundo
Mara, cada marco como rolar, sentar, engatinhar, andar ou falar indica a
progressão natural do amadurecimento cerebral e motor. “Essas etapas precisam
ser reconhecidas e valorizadas. Quando há atrasos, intervenções precoces podem
fazer toda a diferença na evolução da criança”, explica. Essa consciência
permite que pais e responsáveis contribuam de forma ativa e personalizada com
os estímulos necessários, muitas vezes sem depender de recursos sofisticados.
O ambiente familiar, por sua natureza afetiva e
constante, é um terreno fértil para esse tipo de desenvolvimento. “É nesse
contexto que a criança se sente segura para explorar, errar, repetir e
aprender”, afirma a especialista. Ao criar uma rotina com propostas motoras e
cognitivas adaptadas à idade, os adultos ajudam a ampliar o repertório da criança
de forma natural e prazerosa. Além disso, essas atividades fortalecem o vínculo
entre pais e filhos, promovendo também ganhos emocionais.
Outro ponto destacado por Mara é o papel do brincar
como forma legítima de aprendizado. “A criança aprende quando brinca, porque o
lúdico ativa o cérebro de forma global, promovendo conexões que integram o
corpo, a mente e as emoções”, diz.
O brincar estimulado, com objetivos claros e
alinhado às etapas do desenvolvimento, contribui para o avanço de habilidades
fundamentais como equilíbrio, atenção, controle postural e linguagem. De acordo
com a neuropedagoga, o importante é que os adultos conduzam essas experiências
com intencionalidade e escuta ativa, respeitando os sinais de cada fase.
Na avaliação da especialista, muitas famílias
deixam de estimular as crianças por acreditarem que não têm preparo técnico ou
materiais apropriados. No entanto, segundo ela, o mais importante não está nos
recursos, mas na qualidade da interação. “Pais não precisam ser especialistas,
mas sim participantes ativos no processo. A repetição de ações simples,
realizadas com afeto e atenção, pode gerar transformações significativas no
desenvolvimento da criança”, orienta Mara.
Além disso, o estímulo em casa não substitui o
acompanhamento profissional quando necessário, mas o complementa de maneira
essencial. Para Mara Duarte, a aliança entre escola, família e especialistas
forma um tripé decisivo para o crescimento integral das crianças. “A casa é o
primeiro espaço de aprendizagem. Quando ela se torna um ambiente acolhedor e
estimulante, o desenvolvimento se fortalece de forma contínua”, conclui.
A seguir, a especialista elenca sete práticas que
podem ser realizadas com facilidade por pais e responsáveis, e que têm impacto
direto nas habilidades motoras e cognitivas dos pequenos:
1. Estimular o equilíbrio com brincadeiras no chão
Uma fita adesiva colada no chão pode se transformar
em um percurso desafiador. Peça para a criança caminhar sobre a linha, tentando
manter o equilíbrio. “Esse tipo de brincadeira ativa a coordenação motora e o
controle postural, além de exigir concentração”, explica Mara.
2. Montar circuitos de obstáculos com objetos da
casa
Almofadas, cadeiras e caixas podem se tornar um
circuito de desafios. A criança pode pular, rastejar ou contornar os
obstáculos. “A ideia é trabalhar a coordenação motora grossa, noção espacial e
domínio corporal, tudo por meio do brincar”, detalha a neuropedagoga.
3. Brincar com bolas de diferentes tamanhos
Jogar, rolar ou quicar bolas ajuda a desenvolver
tanto a coordenação motora fina quanto a grossa. “Além disso, a criança treina
a agilidade e a percepção espacial, habilidades importantes para várias outras
aprendizagens”, observa Mara.
4. Usar músicas para estimular movimentos e fala
Músicas com gestos e coreografias simples são
ferramentas poderosas. Elas ajudam a sincronizar movimentos e linguagem,
ampliando o repertório motor e verbal. “As canções infantis estimulam o cérebro
de forma integral, pois combinam ritmo, linguagem e movimento”, afirma.
5. Oferecer livros com texturas e elementos
interativos
Desde os primeiros meses, livros com abas, sons e
diferentes materiais despertam os sentidos. “Esse contato favorece a
coordenação motora fina e ativa conexões neurais importantes para a leitura futura”,
diz a especialista.
6. Estimular o uso da pinça com objetos pequenos
Atividades como encaixar peças, usar pinças de
brinquedo ou transferir objetos com os dedos ajudam no controle dos pequenos
músculos das mãos. “São movimentos fundamentais para a escrita e outras tarefas
escolares”, explica Mara Duarte.
7. Criar jogos de imitação e sequência
Pedir que a criança imite gestos, expressões ou repita uma sequência de movimentos ativa diversas áreas do cérebro. “É uma forma de trabalhar memória, atenção e motricidade de forma integrada”, finaliza Mara.
Mara Duarte da Costa -neuropedagoga, psicopedagoga, diretora pedagógica da Rhema Neuroeducação. Além disso, atua como mentora, empresária, diretora geral da Fatec e diretora pedagógica e executiva do Rhema Neuroeducação. As instituições já formaram mais de 80 mil alunos de pós-graduação, capacitação on-line e graduação em todo o Brasil. Para mais informações, acesse instagram.com/maraduartedacosta.
Rhema Neuroeducação
https://rhemaneuroeducacao.com.br/
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