02/04 - Dia Mundial de Conscientização do Autismo: crianças autistas ganham mais qualidade de vida com tratamento à base de canabidiol e novos fármacos ganham credibilidade entre os especialistas.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) afeta cerca de 600 mil
famílias no Brasil, segundo um levantamento da Universidade de Passo Fundo
(UPF) em parceria com a APAE. Para muitas delas, lidar com crises severas,
dificuldades de comunicação e os efeitos colaterais dos medicamentos
tradicionais é um desafio diário. Diante desse cenário, tratamentos à base de
canabidiol (CBD) vêm ganhando espaço como uma alternativa segura e eficaz.
Empresas como a True Wellness, especializada em terapias com cannabis medicinal, têm facilitado o acesso ao CBD, proporcionando novas perspectivas para famílias em busca de qualidade de vida. "Atualmente, estima-se que menos de 10% das crianças no Brasil tenham acesso ao tratamento com CBD. Aos poucos estamos avançando nesse processo, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Nosso objetivo na True Wellness é ampliar esse acesso e, nos próximos anos, impactar um número cada vez maior de famílias, oferecendo uma alternativa segura e eficaz para crianças e adolescentes com TEA," aponta Bruno Nakano (foto), sócio da True Wellness.
A eficácia do canabidiol já é respaldada por pesquisas, como um
estudo realizado no Hospital Universitário de Brasília (HUB), que apontou
melhorias em 70% das crianças tratadas, incluindo maior interação social,
redução da agressividade e melhora no sono.
Como o CBD atua no organismo da
criança?
O Dr. Rodolfo Fischer Morelli (CRM-SC 34.921), psiquiatra especializado no uso medicinal da cannabis, explica que o CBD interage com o sistema endocanabinoide, responsável por regular funções como humor, sono e resposta imune. “O CBD não se liga diretamente aos receptores, mas modula a liberação de neurotransmissores e impede a degradação da anandamida, uma molécula essencial para o bem-estar”, detalha.
Isso pode resultar em benefícios como redução da ansiedade, melhora na comunicação e maior controle motor. No entanto, o médico alerta que o tratamento deve ser feito sob rigorosa supervisão médica. “Doses erradas podem ser ineficazes ou causar efeitos adversos, e o CBD pode interagir com outros medicamentos.”
Embora seja considerado seguro, o CBD tem algumas
contraindicações. Segundo o Dr. Morelli, crianças com doenças hepáticas graves
devem evitar o uso ou fazer acompanhamento médico periódico. Além disso,
produtos não regulamentados podem conter impurezas e prejudicar a eficácia do
tratamento.
Entre os principais cuidados, ele
destaca:
Supervisão médica contínua:
Ajustes de dose devem ser feitos apenas por um profissional.
Produtos certificados:
Apenas CBD de fontes confiáveis deve ser utilizado.
Uso simultâneo com outros fármacos: Não misturar com outros remédios sem avaliação médica.
O tempo de resposta ao tratamento varia, mas, segundo o
psiquiatra, muitos pacientes começam a apresentar avanços nos primeiros 2 meses
de tratamento. “Melhoras no sono, na interação social e na redução da
irritabilidade são sinais iniciais comuns”, pontua o Dr. Morelli. Se não houver
resposta dentro desse período, um médico deve reavaliar o tratamento.
Impacto na Vida
das Famílias
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Isaac com mãe Thaís e o pai |
Ele ficava agitado e não dormia. Foi um período muito difícil", conta a mãe, Thaís Pedroso José, de 30 anos. Após dois meses de tratamento a base de CBD e com o suporte da True Wellness — que atua na autorização de importação junto à Anvisa e facilita o acesso ao tratamento —, a mudança foi notável. "Ele está mais calmo, conseguimos manter conversas e sair de casa sem crises. O apetite dele também melhorou muito", relata.
Regulamentação e Perspectivas
Apesar dos avanços, o acesso ao CBD no Brasil ainda enfrenta entraves burocráticos. Embora a Anvisa tenha autorizado sua comercialização, em 2015, as restrições ainda limitam sua disseminação. Especialistas defendem políticas públicas que facilitem o acesso, ampliando as opções terapêuticas para crianças com TEA.
“A ciência tem mostrado que o CBD pode ser um divisor de águas no
tratamento do autismo, com menos efeitos colaterais que os medicamentos
tradicionais. O desafio agora é ampliar a disponibilidade para quem mais
precisa”, conclui o Dr. Morelli.
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