Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 40% da população mundial sofre de distúrbios envolvendo dores de cabeça frequentes, sendo a enxaqueca a mais comum. No Brasil, estima-se que 31,4 milhões de pessoas convivam com essa condição, que, embora habitual, é extremamente debilitante.
Além dos fatores genéticos e ambientais, a alimentação desempenha
um papel significativo no agravamento das crises. Certos alimentos podem atuar
como gatilhos, estimulando o surgimento ou intensificação das crises de
enxaqueca.
Alimentos processados
De acordo com Otávio Turolo, neurocirurgião do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES), certos alimentos, principalmente os processados, podem ser o gatilho deflagrador da crise, devido às substâncias encontradas neles. Exemplos disso são a tiramina, presente em queijos amarelos, e os nitratos, comuns em alimentos como salsichas, salames e enlatados. “Essas substâncias podem aumentar a frequência e a intensidade das crises, por alterarem a atividade cerebral e os vasos sanguíneos”, explica.
Além disso, o consumo excessivo de sódio, presente em diversos
alimentos processados, pode agravar consideravelmente as crises de enxaqueca.
“Por isso, é fundamental reduzir a ingestão de alimentos industrializados e
priorizar opções frescas e naturais sempre que possível”, orienta o médico.
Chocolate e café
Outro alimento frequentemente associado às crises de enxaqueca é o chocolate. Porém, o neurocirurgião destaca que a relação não é simples. “O chocolate pode conter tiramina, e está relacionada ao gatilho de crise, mas isso varia de pessoa para pessoa”, explica. Portanto, se você sofre de enxaqueca, é importante observar como seu corpo reage ao consumo de chocolate e, caso seja um gatilho, evitá-lo.
A cafeína, presente em cafés e algumas bebidas energéticas, também
tem um efeito contraditório. Em doses moderadas, pode ajudar a aliviar a dor da
enxaqueca devido ao seu potencial analgésico. No entanto, o abuso de cafeína
pode ter o efeito oposto.
Alimentação consciente
Embora não exista uma dieta específica para prevenir as crises de
enxaqueca, o médico recomenda identificar os alimentos que desencadeiam as
crises e evitá-los. Uma dieta balanceada, com baixo teor de gordura, é o ideal.
Além disso, manter uma boa hidratação é fundamental. "Manter-se hidratado
é um fator protetor para crise", enfatiza o especialista.
As refeições regulares também são importantes, pois o jejum
prolongado pode ser um fator desencadeante das crises. Comer de maneira
equilibrada e evitar longos períodos sem alimentação pode ajudar a reduzir as
chances de uma crise.
Medidas preventivas
Turolo também destaca que, além da alimentação, fatores como o
controle do estresse, a prática de atividades físicas regulares, a manutenção
de um sono regular e a diminuição da exposição à luminosidade intensa,
principalmente em telas, são essenciais no tratamento e prevenção das crises de
enxaqueca.
Por fim, o médico lembra que não existem exames que identifiquem
exatamente quais alimentos são gatilhos para cada paciente. O método mais
eficaz é manter um diário de crises, anotando os alimentos consumidos e os
sintomas que surgem, ajudando a identificar padrões. Além disso, alguns
suplementos, como magnésio e riboflavina, têm mostrado eficácia no controle da
enxaqueca, mas sempre sob orientação médica, especialmente em casos de crises
refratárias, que são aquelas que não respondem adequadamente ao tratamento
convencional.
Hospital Evangélico de Sorocaba
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