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| Enterro (1959) | Candido Portinari Foto: Cortesia Coleção Jones Bergamin |
Mostra será inaugurada, gratuitamente, em 29 de maio no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. O acervo reúne 130 peças produzidas entre as décadas de 1930 e 1980 por mais de 40 artistas, dentre eles Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Cildo Meireles, Hélio Oiticica, Randolpho Lamounier, Solano Trindade, e muitos outros
A
partir dos anos 1930, mais precisamente após a Segunda Guerra Mundial
(1939-1945), países econômica e socialmente vulneráveis passaram a ser
denominados “subdesenvolvidos”. No Brasil, artistas reagiram ao conceito,
comentando, se posicionando e até combatendo o termo. Parte do que eles
produziram nessa época estará presente na mostra Arte
Subdesenvolvida, de 29 de maio a 05 de agosto, no Centro
Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB SP). A entrada será gratuita mediante
retirada do ingresso na bilheteria ou pelo site ccbb.com.br/sp.
O conceito
de subdesenvolvimento durou cinco décadas até ser substituído por outras
expressões, entre elas países emergentes ou em desenvolvimento.
“Por isso o recorte da exposição é de 1930 ao início dos anos 1980, quando
houve a transição de nomenclatura, no debate público sobre o tema, como se
fosse algo natural passar do estado do subdesenvolvimento para a condição de
desenvolvido,” reflete o curador Moacir dos Anjos. “Em algum momento, perdeu-se
a consciência de que ainda vivemos numa condição subdesenvolvida”, complementa.
A exposição, com patrocínio do Banco do Brasil e BB Asset Management, por meio
da Lei Federal de Incentivo à Cultura, apresenta pinturas, livros, discos,
cartazes de cinema e teatro, áudios, vídeos, além de um enorme conjunto de
documentos. São peças de coleções particulares, dentre elas dois trabalhos de
Candido Portinari. Há também obras de Paulo Bruscky e Daniel Santiago
gentilmente cedidas pelo Museu de Arte do Rio - MAR.
ALGUNS DESTAQUES
Obras de
grande importância para a cultura nacional estão presentes em Arte
Subdesenvolvida. Duas instalações, em especial, prometem atrair
os visitantes. Uma delas é a obra Sonhos de Refrigerador, do artista
Randolpho Lamounier. O trabalho (site specific) apresenta um grande
volume de objetos que materializam sonhos de consumo de pessoas ouvidas na
Praça da Sé, em São Paulo.
“A
materialização dos sonhos terá diversas formas de representação, que incluirão
desde desenhos feitos pelas próprias pessoas entrevistadas, objetos da cultura
vernacular e elementos da linguagem publicitária”, conta o artista. “Posso
enumerar até o momento: neons de LED, letreiros digitais, monitores de vídeo,
pelúcias, infláveis, banners e faixas manuscritas”, completa.
A instalação
vai ocupar todo o vão central do CCBB São Paulo e, como explica o curador, “faz
uma reflexão, a partir de hoje, sobre questões colocadas pelos artistas de
outras décadas.”
Outra obra
de destaque na mostra é Monumento à Fome, produzida pela vencedora
da Bienal de Veneza, a ítalo-brasileira Anna Maria Maiolino.
Ao todo mais
de 40 artistas e outras personalidades brasileiras terão obras expostas na
mostra, entre eles: Abdias Nascimento, Abelardo da Hora, Anna Bella Geiger,
Anna Maria Maiolino, Artur Barrio, Candido Portinari, Carlos Lyra, Carlos
Vergara, Carolina Maria de Jesus, Cildo Meireles, Daniel Santiago, Dyonélio
Machado, Eduardo Coutinho, Ferreira Gullar, Graciliano Ramos, Henfil, João
Cabral de Melo Neto, Jorge Amado, José Corbiniano Lins, Josué de Castro,
Letícia Parente, Lula Cardoso Ayres, Paulo Bruscky, Rachel de Queiroz, Rachel
Trindade, Solano Trindade, Regina Vater, Rogério Duarte, Rubens Gerchman,
Unhandeijara Lisboa, Wellington Virgolino e Wilton Souza.
O SUBDESENVOLVIMENTO EM DÉCADAS
Arte Subdesenvolvida ocupará quatro pisos
do CCBB SP, incluindo o subsolo, e será dividida por décadas. O primeiro eixo, Tem gente
com fome, apresenta as discussões iniciais em torno do conceito de
subdesenvolvimento. “São de 1930 e 1940 os artistas e escritores que começam a
colocar essa questão em pauta”, afirma o curador.
No segundo
eixo, Trabalho e Luta, haverá uma série de obras de artistas do
Recife, Porto Alegre, entre outras regiões do Brasil onde começaram a
proliferar as greves, as lutas por direitos e melhores condições de trabalho.
Já o
terceiro bloco se divide em dois. Em Mundo e Movimento “a política, a
cultura, a arte se misturam de forma radical”, explica Moacir. Nessa seção há
documentos do Movimento Cultura Popular (MCP), do Recife, e do Centro Popular
de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE), no Rio de Janeiro.
Já na parte Estética
da Fome, também do eixo 3, a pobreza é tema central nas
produções artísticas, em filmes de Glauber Rocha, obras de Hélio Oiticica e
peças de teatro do grupo Opinião. “Nessa época houve muita inventividade que
acabou sendo tolhida depois da década de 1960”, completa.
No subsolo
ficará o último eixo da mostra, O Brasil é meu abismo, com obras do
período da ditadura militar e artistas que refletiram suas angústias e
incertezas com relação ao futuro. “São trabalhos mais sombrios e que descrevem
os paradoxos que existiam no Brasil daquele momento, como no texto O Brasil
é meu abismo, de Jomard Muniz de Britto”, conta o
curador.
Durante a
mostra serão desenvolvidas atividades especiais como visitas mediadas,
lançamento do catálogo e mesa redonda com convidados para discutir o conceito
de países subdesenvolvidos.
Ao realizar
esse projeto, o Centro Cultural Banco do Brasil oferece ao público a
oportunidade de conhecer o trabalho de artistas renomados e entender um período
importante da história do Brasil através da arte, reafirmando seu compromisso
de ampliar a conexão dos brasileiros com a cultura.
A exposição Arte
Subdesenvolvida é produzida pela Tuîa Arte Produção e
permanecerá aberta ao público até 05 de agosto, com entrada gratuita. Depois, a
mostra circulará as demais unidades do CCBB, em Belo Horizonte (28 de agosto a
18 de novembro de 2024), Brasília (9 de dezembro de 2024 a 2 de fevereiro de
2025) e Rio de Janeiro (19 de fevereiro a 12 de maio de 2025).
Serviço
Exposição Arte Subdesenvolvida
Data: 29 de maio a 05 de agosto de 2024
Local: Centro Cultural Banco do Brasil São
Paulo
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
Histórico – SP
Funcionamento: aberto todos os
dias, das 9h às 20h, exceto às terças-feiras.
Ingressos gratuitos:
disponíveis em bb.com.br/cultura e na bilheteria física do CCBB SP.
Informações: (11) 4297-0600
Estacionamento: O CCBB possui
estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6
horas - necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é
gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h às
21h.
Transporte público: O CCBB fica a 5
minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e
desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista.
Táxi ou Aplicativo: Desembarque na Praça
do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m).
Van: Ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República. Das 12h às 21h.
bb.com.br/cultura
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E-mail: ccbbsp@bb.com.br

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