Exposição Pancetti: o
mar quando quebra na praia...
De 22/03/2024 (sexta-feira) a
30/06/2024 (domingo)
- Farol
Santander São Paulo exibe, em exposição inédita, a trajetória do artista
José Pancetti, importante pintor brasileiro do segundo modernismo (1930 a
1945);
- A mostra
apresenta 42 obras emblemáticas, nunca antes reunidas, provenientes de
coleções particulares e instituições do Rio de Janeiro e São Paulo;
- Nascido em
Campinas (SP) em 1902, o marinheiro Pancetti se destacou como um pintor
singular e profundamente pessoal. Sua natureza solitária e a formação
quase autodidata deram origem a uma obra original, sem par na arte
brasileira;
- Dividida nos
núcleos Retratos, Naturezas-mortas, Paisagens, Bahia e Marinhas, a
exposição apresenta também uma instalação imersiva reunindo músicas de
Dorival Caymmi, imagens e sons do mar.
O Farol Santander São Paulo, centro de cultura, lazer,
turismo e gastronomia, inaugura no dia 22 de março (sexta-feira), a exposição
inédita Pancetti: o mar quando quebra na praia… que destaca a
trajetória de José Pancetti, renomado pintor do segundo modernismo
brasileiro (1930-1945) famoso por suas obras inspiradas no mar. Com curadoria
de Denise Mattar, a mostra apresenta 42 trabalhos
realizados entre 1936 e 1956, incluindo paisagens, retratos, naturezas-mortas e
marinhas. Além das pinturas, haverá uma cronologia ilustrada e uma instalação
imersiva reunindo músicas de Dorival Caymmi, imagens e sons do mar.
A exposição, apresentada pelo Ministério da Cultura,
Esfera, Emdia e Santander Brasil, ocupará toda a galeria do 19º
andar e ficará em exibição até 30 de junho (domingo).
“A seleção
permite ao espectador apreciar as diversas facetas de Pancetti através de um
conjunto de obras que nunca estiveram reunidas, sendo algumas delas até então,
inacessíveis ao público. É uma oportunidade rara e única que o Farol Santander
tem orgulho de proporcionar a seus visitantes”; comenta Maitê Leite,
Vice-presidente Executiva Institucional do Santander Brasil.
Dentre esses trabalhos, alguns vem de colecionadores particulares,
como Orandi Momesso, Ricard Akagawa e Nilma Pancetti, e outros das seguintes instituições:
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Museu Nacional de Belas Artes e
Instituto Casa Roberto Marinho, do Rio de Janeiro e Acervo Banco Itaú, Museu de
Arte Moderna de São Paulo e Museu de Arte Brasileira da Faap, em São Paulo.
As marinhas são a faceta mais conhecida do artista, na exposição
estão presentes exemplos de seus primeiros trabalhos incluindo barcos e
construções, registros austeros de diferentes pontos do litoral brasileiro, o
intenso cromatismo e a composição diagonal do período baiano, e também obras
sintéticas, nas quais a economia da composição beira o abstrato.
O encontro entre o mar e a areia é um tema constante na sua obra,
um romance que ele retratou ao longo de sua vida com profunda emoção. Essa
conexão também encantava seu amigo Dorival Caymmi, que cantava com sua voz
profunda: "o mar, quando quebra na praia, é bonito, é bonito...".
“Pancetti sempre
foi um pintor original e intensamente pessoal. Seu temperamento solitário e a
formação quase autodidata permitiram o surgimento de uma obra particular plena
de lirismo, melancolia e poesia - uma obra que emociona. Sem estar preocupado
com uma brasilidade teórica, Pancetti retratou amorosamente a nossa gente, a
nossa luz e o nosso mar”; relata Denise Mattar, curadora.
Obras em destaque
Auto-vida, 1945,
óleo sobre tela, 65 x 54 cm, coleção Gilberto Chateaubriand MAM Rio.
Autorretrato emblemático de Pancetti, no qual ele mescla
realidade, imaginação e ironia. Na obra, intitulada pelo artista de Auto-vida,
ele aparece garbosamente uniformizado, segurando um livro intitulado Ismos,
apresentando-se assim como marinheiro e pintor. O artista circulava entre dois
mundos bem diversos, o cotidiano da Marinha, que o lembrava de sua origem
humilde e o sofisticado mundo das artes plásticas no qual era incensado.
Retrato de
Francisco, 1945, óleo sobre tela, 46,5 x 38,5 cm, coleção MAM São Paulo -
Doação Carlo Tamagni, 1967.
Retrata Francisco, um menino negro, tendo
ao fundo a paisagem de um morro em São João del-Rei, cidade na qual Pancetti
passou uma temporada em 1945. A figura ocupa quase a totalidade da tela, e fica
clara a ternura e a delicadeza com que o artista pinta a criança simples, com
olhar doce e ingênuo.
O Chão, 1941,
óleo sobre tela, 61,5 cm x 81 cm, coleção Museu Nacional de Belas Artes, Rio de
Janeiro.
Com a obra O Chão, Pancetti recebeu o
cobiçado Prêmio de Viagem ao Exterior do Salão Nacional de Belas Artes de 1941,
ano no qual, pela primeira vez, houve a chamada Divisão Moderna. Foi o
reconhecimento público de um artista autodidata que, por pouco tempo,
frequentou o Núcleo Bernardelli, no Rio de Janeiro.
Praça Clóvis
Bevilacqua, 1949, óleo sobre tela, 35,7 x 44 x 5 cm, coleção Orandi Momesso,
São Paulo.
Praça Clóvis
Bevilacqua foi pintada em 1949, das janelas do Palacete Santa Helena, local
onde dividiam o ateliê os artistas, Volpi, Rebolo, Mário Zanini, Manoel
Martins, entre outros. A tela coloca em primeiro plano, com certa singeleza, a
igreja da praça, mas deixa ver ao fundo as inúmeras e tristes chaminés
fumegantes das fábricas paulistanas daquela época.
Floresta, Campos
de Jordão, SP, 1944, óleo sobre tela, 39 x 46,5 cm, Acervo Museu de Arte
Brasileira – MAB FAAP, São Paulo.
Pancetti esteve algumas vezes em Campos do Jordão.
Um dos motivos era sua saúde, pois na época a região era considerada adequada
para tratamento de doenças nos pulmões. O artista pintou muitas vistas da
cidade, mas são especialmente frequentes seus registros das florestas, nas
quais fazia longas caminhadas.
Pescadores,
1956, óleo sobre tela, 26 x 40,2 cm, coleção Nilma Pancetti, Rio de Janeiro.
Essa obra incomum na produção de Pancetti, retrata a pesca do
xaréu, corriqueira nas praias de Salvador nos anos 1950. A atividade exigia dos
Pescadores,
força e ritmo, criando quase uma coreografia, apreciada pelos artistas, e muito
retratada nos desenhos de Carybé, nos livros de Jorge Amado e nas fotos de
Pierre Verger.
Série Bahia,
1951, óleo sobre tela, 46,2 x 55,1 cm, Instituto Casa Roberto Marinho, Rio de
Janeiro.
Pancetti frequentemente capturava a linha violácea que emerge
entre o céu e o mar ao pôr do sol. No entanto, nesta obra em particular, ele
adota uma abordagem mais marcante. A variedade de tons, que vão do rosa ao
roxo, parece ser uma expressão da exuberância da Bahia,
refletida nesta obra vibrante.
Lagoa do Abaeté,
1952, óleo sobre tela, 38 x 54,5 cm, coleção Marcos Ribeiro Simon, São Paulo.
A descoberta da Lagoa do Abaeté, com suas águas
escuras, a areia branca e a festa colorida dos panos das lavadeiras, foi outro
momento de encanto intenso para o artista. Nas palavras de Aloysio de Paula:
“Sua luz se enriquece e adquire poder e intensidade como nunca ele a exibira.
Tudo canta no Abaeté. Seus verdes são mais verdes, seus vermelhos mais
vermelhos”.
Paisagem de
Itapuã, 1953, óleo sobre tela, 38 x 55 cm, coleção Gilberto Chateaubriand MAM
Rio.
Um fato significativo sobre a obra de Pancetti é que um trabalho
do artista foi o quadro inicial de três das mais importantes coleções de arte
do Brasil: Coleção Gilberto Chateaubriand (Paisagem de Itapuã, 1953),
Coleção Sergio Fadel (Praia em Cabo Frio, 1947) e Coleção Roberto Marinho (O
Boneco, 1939). A coincidência não parece ser um acaso, pois o temperamento
solitário e simples do artista permitiu o surgimento de uma obra que tem o dom
de comover.
Coqueiros de
Itapuã, 1956, óleo sobre tela, 45,4 x 64,4 cm, coleção Santander Brasil.
Utilizando faixas de cor, que se alongam de um lado a outro da
tela, Pancetti pinta a areia com seus diferentes tons, a espuma, o mar, a linha
do horizonte, o pálido do encontro de céu e mar, as nuvens levemente rosadas e
finalmente o azul do ar. A planaridade da composição é cortada pela
verticalidade dos Coqueiros, registrando apenas o
leve balanço das suas folhas. Realizada em 1956, é uma obra da última fase da
pintura de Pancetti, momento no qual o artista alcança uma plenitude criativa.
A exposição é
constituída pelos seguintes núcleos:
Retratos
Os retratos são únicos, e, de forma diversa de alguns de seus
contemporâneos, que aceitavam encomendas para retratar membros da sociedade, o
artista sempre optou por retratar pessoas comuns, com as quais se identificava,
fazendo algumas exceções para amigos escritores ou músicos.
Paisagens
Pancetti, conhecido por retratar o que estava próximo a ele,
começou pintando barcos, arsenais e galpões da Marinha. Sua transição para
paisagens urbanas revela um sentimento de desconforto, com figuras humanas
pequenas e oprimidas entre edifícios e ruas vazias. Seu contato com a
natureza, durante viagens pelo Brasil traz uma sensação diferente, capturando a
luz, água, céu e vegetação de cada local. Suas obras apresentam cores sutis,
formas reduzidas e cortes marcantes, demonstrando uma modernidade distinta de
seus contemporâneos.
Naturezas-Mortas
As naturezas-mortas têm características próprias desde o início de
sua produção, mas, com o tempo, o artista ousa mais e mais, criando verdadeiras
obras-primas em um tema que se adapta perfeitamente à sua produção estática.
Suas composições híbridas mesclam frutas, flores, quadros e figuras em
enquadramentos incomuns, oferecendo uma perspectiva única e uma superposição de
elementos. Nessa aparente simplicidade, Pancetti estabelece uma sofisticada
metalinguagem, onde a pintura discute sobre a própria pintura.
Bahia
A mudança para a Bahia, na década de 1950, modificou a
personalidade e a obra de Pancetti, a alegria tornou o artista mais doce, e ele
explodiu em cores quentes e fortes. As marinhas tornaram-se intensas e plenas
de luz, e seu amor pela cidade perpetuou a linda Salvador da época. Pancetti
chegou num momento especial, pois, na recém fundada Universidade da Bahia
ministravam aulas intelectuais da mais absoluta vanguarda como: Koellreutter,
Lina Bo Bardi, Yanka Rudzka e Martim Gonçalves. Em consonância com essa
efervescência, artistas plásticos como Mario Cravo Jr., Genaro de Carvalho,
Carybé, Rubem Valentim e Agnaldo dos Santos construíam uma marcante visualidade
da Bahia. Assim, o artista circulou entre o mundo sagrado de Mestre Didi, as
sensuais narrativas de Jorge Amado e o som de Dorival Caymmi, celebrando ao
violão a beleza e o poder de Iemanjá, senhora das águas e rainha do mar.
Marinhas
Pancetti pintou por toda a sua vida, aumentando significativamente
sua produção a partir de 1946, quando foi reformado da Marinha. A partir de
então, o mar, que já era fundamental na sua produção, torna-se cada vez mais
importante. O percurso estético do artista é marcado por uma progressiva
geometrização, e pela importância que a cor vai ganhando sobre a forma, até tornar-se
protagonista quase absoluta das composições. À beira d’água ele pinta ocres,
rosas e violetas do pôr-do-sol. O encontro entre o mar e a areia torna-se mais
e mais constante, e, nesse processo, Pancetti reduz ao mínimo a forma,
tornando-se quase abstrato.
Sobre Denise
Mattar
Foi diretora do Museu da Casa Brasileira, Museu de Arte Moderna de
São Paulo e Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Como curadora independente
realizou mostras retrospectivas de Di Cavalcanti, Flávio de Carvalho (Prêmio
APCA), Ismael Nery (Prêmios APCA e ABCA), Pancetti, Anita Malfatti, Samson
Flexor (Prêmio APCA), Yutaka Toyota (Prêmio APCA), entre outras. E mostras
temáticas como: Traço, Humor e Cia, O Olhar Modernista de JK, O Preço da
Sedução, O’ Brasil, Homo Ludens, Nippon, Brasília - Síntese das Artes, Tékhne e
Memórias Reveladas, (Prêmio ABCA).
Exposição: Pancetti:
o mar quando quebra na praia...
Curadoria: Denise
Mattar
Patrocínio:
Ministério da Cultura, Esfera, Emdia e Santander Brasil
Serviço Pancetti: o mar quando quebra na praia...
Endereço: Rua João
Brícola, 24 – Centro (estação São Bento – linha 1, azul do metrô)
Quando: 22/03/24
a 30/06/24.
Funcionamento:
terça-feira a domingo
Horários: 09h às
20h
Ingressos: R$ 40,00
(R$ 20,00, meia-entrada)
Cliente
Santander: 10% de desconto comprando com o cartão Santander (em até 8
ingressos).
Cliente
Santander Select: 10% de desconto comprando com o cartão Santander Select (em
até 8 ingressos), e prioridade na fila de entrada para o Farol.
Site Farol Santander:
farolsantander.com.br
Telefone Farol Santander: (11)
3553-5627
Compra online: https://www.farolsantander.com.br/#/sp (vendas
também na bilheteria local)
Classificação:
livre

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