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Dia Internacional da Mulher nasceu pela busca de melhorias nas condições de trabalho; Data no século XXI levanta mais dilemas vividos por elas
O Dia Internacional da Mulher surgiu no século XIX
em decorrência da busca por melhorias nas condições de trabalho para elas. De
lá para cá, muitas mudanças aconteceram, mas a data nos dias atuais ganha
outras pautas de conscientização sobre os dilemas que o gênero vive.
Uma pesquisa recente da Think Olga, uma organização não-governamental de inovação social, revelou que 7 em
cada 10 diagnósticos de ansiedade e depressão eram de mulheres. O número acende
um alerta para o que sempre foi a realidade delas: a sobrecarga de demandas em
casa e no trabalho, além de outras questões.
Mariana Holanda, psicóloga e professora de
pós-graduação da PUC-PR, explica que atualmente as inúmeras jornadas e papéis
desempenhados são um dos pontos mais desafiadores da realidade da mulher hoje,
mas reforça que não é só isso. “Não podemos negar que a maioria das mulheres
trabalham fora e ainda administram as tarefas de casa. Ainda lutamos contra o
estigma de que “cuidar” é uma atribuição apenas feminina, muitas pesquisas
mostram como estamos adoecendo, e não é de hoje.”
Estresse, fadiga, insônia, baixa autoestima e até
segurança são alguns dos fatores que estão impactando a saúde emocional e
física. Como por exemplo, de acordo com Fórum Brasileiro de Segurança Pública o
número de feminicídios em 2023 aumentou em 1,6% em relação ao ano anterior, com
quase 1.500 casos.
Tanto a ansiedade quanto a depressão também estão
conectadas a problemas como situação financeira apertada, dívidas, remuneração
desigual e a sobrecarga de trabalho, segundo o estudo. Mariana exemplifica com a
disparidade salarial. “A mulher que faz a mesma coisa que o homem ganha 30% a
menos. Isso é estimulante?”, questiona ela.
O estudo ainda traz dados da chamada feminização da
pobreza, que é um fenômeno global. A pesquisa mostra que mais de 70% das
pessoas que vivem em situação de pobreza no mundo são mulheres. “Os dados
reforçam a necessidade de debatermos ainda mais sobre essas questões que permeiam
a realidade da mulher, é sobre o que podemos melhorar no presente para termos
um futuro diferente”, comenta a especialista.
Além do universo do trabalho, a sobrecarga da
mulher está presente em outras atividades da própria vida. "A mulher ainda
é responsável pela organização da casa, pela limpeza, pela dinâmica familiar”.
Mariana finaliza reforçando que a data surgiu exatamente pela busca por
melhores condições de trabalho para o gênero, mas hoje a discussão é ainda
maior, é sobre como a nossa cultura social sobrecarrega as mulheres. “O Dia da
Mulher é essencialmente uma data de conscientização e reflexão. Não podemos
perder isso de vista e devemos agregar pautas ainda mais complexas que afetam o
universo feminino”.
Quem quiser ler a pesquisa completa pode clicar
aqui.

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