Consulta com especialista, acesso a
exames de rotina e ao tratamento à base de imunobiológicos estão disponíveis na
rede pública e privada de saúde1,2
A descoberta de qualquer doença é
preocupante. A asma grave, por exemplo, nos coloca em estado de alerta e
desperta um turbilhão de emoções, mas também exige proatividade em busca do
tratamento. Felizmente, temos acesso ao SUS, um dos maiores e mais completos
sistemas de saúde pública do mundo, e justamente por isso é importante entender
quais os direitos que temos como pacientes1,2.
Estima-se que 20 milhões de
brasileiros convivem com essa enfermidade e o país tem a sexta maior
prevalência de asma do mundo³,4. Um estudo realizado no Departamento
de Pneumologia do Instituto do Coração (INCOR) selecionou 128 pacientes entre
2500 pessoas com asma grave e apontou que o tratamento adequado comprovou a
eficácia na redução dos sintomas e exacerbações, melhora a qualidade de vida e
na função pulmonar, alcançando o controle da asma, controlando a inflamação das
vias aéreas e reduzindo as taxas de mortalidade5,6,7.
No entanto, segundo o estudo, de 5 % a 10%
dos asmáticos não conseguem o controle clínico da doença, embora tenham o
diagnóstico preciso. 90,5% dos pacientes com asma grave foram hospitalizados
pelo menos uma vez devido à exacerbação por asma. 63% reportaram 5 ou mais
hospitalizações. Nos casos mais graves, 50% necessitaram de internação em UTI
devido a uma exacerbação e 38% reportaram intubação8.
Considerada uma das doenças crônicas mais
incidentes no mundo, a asma tem como os principais sintomas a falta de ar,
fôlego curto, chiado, sibilos e sensação de aperto no peito3. A asma
é uma causa importante de absenteísmo nas escolas e no trabalho9.
“A asma grave manifesta-se de forma mais
intensa, os sintomas são mais constantes, debilitantes e nem sempre controlados
com o uso de corticosteroides inalados e broncodilatadores. 10,11
Para esses pacientes, o uso dos imunobiológicos é recomendado com segurança e
eficácia”, esclarece o pneumologista Dr. Rodrigo Athanazio, médico
pneumologista e professor colaborador da Faculdade de Medicina da Universidade
de São Paulo (FMUSP).
Acesso a medicamento inovador
garantido nas redes pública e privada
A Comissão Nacional de Incorporação de
Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) é responsável pela
assessoria ao Ministério da Saúde (MS) nas atribuições relativas à
incorporação, exclusão ou alteração de tecnologias em saúde pelo SUS, bem como
na constituição ou alteração de protocolo clínico ou de diretriz terapêutica12.
Em 2021, após 8 anos, a CONITEC atualizou o
protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de Asma para contemplar a
incorporação de medicamentos imunobiológicos como terapia coadjuvante ao
tratamento de pacientes com asma grave refratária ao tratamento convencional12,13.
Agora os pacientes com asma grave têm direito
a uma terapia alvo de forma gratuita pelo SUS e pela saúde complementar (planos
de saúde), uma vez que também existem imunobiológicos incorporados no roll da
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)14.
Isso se traduz como uma vitória aos pacientes
asmáticos graves que ficavam reféns do uso de altas doses de corticoide oral
para tentar o controle da asma. Medicamentos esses que com uso prolongado podem
trazer muitos eventos adversos ao paciente como: Diabetes, Glaucoma,
osteoporose etc15.
A disponibilidade gratuita de
novos tratamentos é apenas um dos direitos dos pacientes com asma grave. No
SUS, os asmáticos também podem consultar-se regularmente com um médico
especialista, o pneumologista ou o alergista, realizar os exames para
acompanhamento da doença, como sangue, radiografias e testes de função
respiratória, recursos essenciais para manter a doença sob controle 1.
É
possível controlar a asma grave
Na presidência da ASBAG
(Associação Brasileira de Asma Grave) e mãe de uma criança com essa versão
severa da doença, Raissa Cipriano viveu o dilema do impacto inicial do
diagnóstico inesperado e tardio. “Quando descobrimos que era asma grave,
após uma série de hospitalizações e passagem pela UTI, ficamos em choque, mas
tivemos que ser fortes, práticos, para encarar a condição e procurar ajuda
médica. Não é fácil empoderar-se da situação de uma hora para outra. E a
associação de paciente tem papel fundamental nesse processo”, relata.
A ASBAG não só promove programas
educacionais para esclarecer as dúvidas dos pacientes com asma grave e seus
familiares, como tem como missão dar apoio para que as pessoas façam valer os
seus direitos, incluído assessoria médica e jurídica em casos especiais16.
Assim como muitas doenças, a asma
grave não tem cura, mas o seu controle é possível17. Segundo Athanazio, o paciente precisa entender que é necessário
ir a consultas regulares, submeter-se a exames de controle e aderir à terapia
prescrita pelo médico. “É fundamental que o paciente aprenda a gerir essa
doença para que mantenha a qualidade de vida bem como faça valer os seus
direitos como paciente”, conclui o especialista.
Referências:
1.
Resolução Normativa – RN 465, de 24 de fevereiro de 2021.
Disponível em: http://www.ans.gov.br/component/legislacao/?view=legislacao&task=TextoLei&format=raw&id=NDAzMw Acesso em junho de 2022.
2.
97ª Reunião da CONITEC, 05 de maio de 2021. Disponível em: http://conitec.gov.br/images/Reuniao_Conitec/2021/20210506_Pauta_97_PosReuniao.pdf Acesso em junho 2022.
3.
ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia).
Disponível em: https://asbai.org.br/asma-atinge-20-milhoes-de-brasileiros/ Acesso em junho de 2022
4.
Drauzio Varella. Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/pneumologia/pacientes-de-asma-grave-sofrem-com-internacoesrecorrentes/#:~:text=A%20rotina%20e%20a%20qualidade,Segundo%20o%20dr Acesso em junho de 2022.
5.
Bateman E, Boushey H, Bousquet J, Busse
W, Clark T, Pauwels R, et al. Can guideline-defined asthma control
be achieved? The gaining optimal asthma control STUDY. Am J Respir Crit Care Med
2004;170(8):836e44. Acesso em junho de 2022.
6.
Jeffery P, Godfrey R, Adelroth E,
Nelson F, Rogers A, Johansson S. Effects of treatment on airway inflammation
and thickening of basement membrane reticular collagen in asthma. A
quantitative light and electron microscopic study. Am Rev Respir Dis 1992;145(4
Pt 1):890e9. Acesso
em junho de 2022.
7.
Suissa S, Ernst P, Benayoun S,
Baltzan M, Cai B. Low-dose inhaled corticosteroids and the prevention of death
from asthma. N Engl J Med 2000;343(5):332e6 . Acesso em junho de 2022.
8.
CARVALHO-PINTO, RM.et al. Clinical
characteristics and possible phenotypes of an adult severe asthma population. Respiratory Medicine, 2012
Jan,106(1):47-56. Disponível: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21890336/ Acesso em junhoo de 2022.
9.
Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Disponível
em: https://sbpt.org.br/portal/espaco-saude-respiratoria-asma Acesso em junho de 2022.
10. CHUNG, KF.
at International ERS/ATS guidelines on definition, evaluation and treatment of
severe asthma. Eur Respir J; 43(2):343-73, 2014 . Acesso em junho de 2022.
11
KHURANA, S. et al. Long term safety
and clinical benefit of mepolizumab in patients with the most severe
eosinophilic asthma: the COSMEX study. Clini Ther, 41: 2041-56, 2019. Acesso em junho de 2022.
11.
Entenda a Conitec. Disponível em: http://conitec.gov.br/entenda-a-conitec-2 Acesso em junho de 2022.
12
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Asma.
Disponível em: 20210830_PCDT_Asma_PT14.pdf (conitec.gov.br) Acesso em junho de 2022.
13
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas. Disponível em: PROTOCOLO CLÍNICO E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS (conitec.gov.br) Acesso em junho de 2022.
14.
Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/asma Acesso em junho de 2022
15. Price D,
Castro M, Bourdin A, Fucile S, Altman P. Short-course systemic corticosteroids
in asthma: striking the balance between efficacy and safety. Eur Respir Rev.
2020 Apr 3;29(155):190151. Acesso em junho de 2022.
16.
Associação Brasileira de Asma Grave. Disponível em: https://www.asbagasmagrave.org/sobre-nos. Acesso em junho de 2022.
Nenhum comentário:
Postar um comentário