A nova tecnologia promete melhorar a performance física e estética das mulheres, mas existem ressalvas quanto ao seu efeito na saúde cardíaca dessas pacientes.
A tecnologia não para de evoluir e impressionar, e uma das tendências mais
recentes que mostram esse poder são os chamados "chips da beleza".
Para quem não conhece, esses chips são como vemos nos filmes de ficção
científica: implantes hormonais, aplicados sob a pele, compostos,
principalmente, pelo hormônio gestrinona.
Essa substância tem sido usada pelas mulheres em busca de melhor performance
física e estética, por conta dos seus possíveis efeitos androgênicos, como
diminuição de massa gorda, aumento de massa muscular e da libido. No entanto, a
prática é bem diferente da teoria.
CHIP DA BELEZA X SAÚDE DO CORAÇÃO
Segundo o Dr. Caio Henrique, cardiologista e arritmologista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, o uso de hormônios androgênicos como a gestrinona sem a correta prescrição médica pode trazer efeitos adversos.
"O sexo feminino tem um metabolismo diferente, com a proteção do sistema cardiovascular pelos hormônios femininos", explica. "Com o implante, o organismo muda para um perfil mais androgênico (mais masculino)."
O resultado é a diminuição do HDL-c (o famoso "colesterol bom") e o aumento do LDL-c (ou "colesterol ruim"). Fora isso, não existem estudos que comprovem que essa utilização não aumenta os riscos de infarto e de Acidente Vascular Cerebral (AVC).
"Para as mulheres, em especial as de alto risco cardiovascular e as que estão na menopausa, o perigo é ainda maior", continua o especialista.
E se você pensa que acabou… ainda tem mais: a administração de andrógenos também está associada a maior produção de proteínas trombóticas e coagulantes do próprio organismo. Existe, inclusive, uma ligação com casos de morte súbita em jovens atletas, que não tinham doenças cardíacas previamente conhecidas, mas que faziam uso dessas substâncias.
Ou seja, a ideia de um chip que melhora a
performance feminina pode soar como um verdadeiro sonho, mas sem uma indicação
médica direta e, de fato, necessária, talvez a ideia deva continuar assim:
apenas um sonho.
DR. CAIO HENRIQUE TORRES SOUSA - CARDIOLOGISTA E ARRITMOLOGISTA
CRM-SP
171474 / RQE 82939
Nenhum comentário:
Postar um comentário