A cada dia as relações e os negócios
são construídos por meio de ferramentas virtuais. Ainda que o contato físico, o
famoso olho no olho, nunca deva perder sua importância, muitas organizações têm
entendido que, a depender da atividade, condicionar o colaborador a ir até o
escritório diariamente é enquadrá-lo em uma rotina que não contribui em nada
com a criatividade, a inovação e o engajamento.
Pensando em grandes centros urbanos,
onde além de tudo o próprio deslocamento é estressante, a jornada ainda pode
ser menos produtiva, do ponto de vista de capacidade de criação,
desenvolvimento de ideias e inovação, assim como foco e comprometimento com resultados.
Nesse cenário, adotar políticas de
flexibilização da jornada e trabalho a distância - home office - fomenta o
engajamento, aumenta o sentimento de pertencimento e orgulho do colaborador e
promove a inovação.
À medida que as pessoas vão se habituando
ao mundo digital e conhecem tantas novas tecnologias que permitem encontros e
conexões bem-sucedidas, é natural que elas passem a não entender a necessidade
de ir todos os dias ao escritório. Afinal, trânsito, correria, aquele colega
que fala alto e tira o foco, chuva lá fora e alagamentos são motivos mais que
suficientes para que o colaborador prefira trabalhar em casa, ainda que seja
uma vez por semana.
E, quando isso acontece, a
flexibilização da jornada e home office passam a ser fatores de atração e
retenção de talentos, e, portanto, uma estratégia importante para a empresa.
Antes, porém, é importante que a
organização se prepare para essa nova realidade. E tudo começa com a capacidade
da liderança de fazer gestão por resultado - definir claramente papéis e
responsabilidades, estabelecer objetivos e metas e proporcionar aos
colaboradores informações claras a respeito da estratégia.
Muitos gestores ainda se sentem mais
confortáveis em ter os colaboradores por perto, para que possam distribuir tarefas
de última hora (incêndios acontecem!) e fiscalizar a produtividade do trabalho.
Ainda que as vezes isso seja necessário, não deveria ser a função principal da
liderança, e, portanto, é mais fácil definir como fazê-lo de maneira remota.
Para garantir a produtividade longe do
escritório, antes de adotar flexibilizações na jornada, é importante responder
a perguntas básicas:
1. A liderança está preparada para
delegar atividades, comunicar metas e acompanhar resultados de maneira
consistente?
2. A cultura da empresa favorece
agendamentos de reunião com antecedência, planejamento semanal ou mesmo mensal?
3. A empresa conta com recursos
tecnológicos de comunicação remota (celular, aplicativo de mensagem
instantânea, VPN, laptops etc.)?
E, até que a cultura esteja
estabelecida, a empresa pode contar com recursos para fiscalizar a
produtividade, o que pode ser até mesmo a simples exigência de relatórios que
formalizem a atividade de home office com descrição hora a hora.
Mais do que criar um ambiente dinâmico
e prezar pela qualidade de vida e bem-estar dos colaboradores, políticas de
trabalho remoto podem também significar redução das "despesas de
estar", aquelas que incorrem da presença do funcionário no escritório.
A mudança cultural promovida pela flexibilização
da jornada de trabalho pode ser muito positiva. Mas é necessário um projeto
cuidadoso, em que os líderes realmente estejam comprometidos com o sucesso.
Como em todo projeto, uma fase piloto com métodos mais rigorosos de controle da
jornada de trabalho - como o relatório hora a hora aqui mencionado - é
fundamental.
Política transparente, regras claras e
treinamento sobre comportamento e resultados esperados no home office são
condição básica antes de qualquer mudança. Pelo menos no início, também é
recomendado manter o posto de trabalho disponível - se o colaborador não se
adaptar, ele pode simplesmente vir ao escritório, e a empresa poderá medir a
aderência. Também é muito importante, é claro, avaliar todos os impactos legais
trabalhistas que as alterações na jornada de trabalho podem provocar.
Além de ser um indicador importante
para a marca empregadora da empresa, modernizar a jornada de trabalho com home
office e entrada e saída com horários flexíveis, por exemplo, fomenta a
capacidade de criação e aumenta o compromisso com a empresa. Quem não gostaria
de ter pelo menos um dia da semana sem pegar trânsito? Ou mesmo um dia
trabalhando com a vista preferida? O quanto os colaboradores se dedicariam a
mais a uma organização que pensa na conveniência e no bem-estar do indivíduo? O
quanto a organização pode esperar de novas ideias, inovação e criatividade dos
colaboradores que têm a sua disposição a oportunidade de trabalhar em lugares
mais inspiradores? Vale a reflexão.
Fábio Bier -gerente de RH da Husqvarna
para América Latina
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