São muitas as teorias de desinformação e fake news que diminuem a
eficácia da resposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) para conter a atual
disseminação do coronavírus. Com o número de vítimas fatais superando o da
Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), última grande epidemia global, que
assolou o mundo entre 2002 e 2003, a origem do surto atual está cercada de
especulações e achismos.
Entre as diversas teorias difundidas para a origem do coronavírus,
a maioria delas aponta como culpado um animal silvestre. Morcegos, cobras e
pangolins já foram acusados de transmitirem o vírus aos humanos. A similaridade
entre as três espécies? Todas são comercializadas no mercado de animais vivos
da cidade chinesa de Wuhan, epicentro da pandemia.
Compreender as reais causas para este surto global é crucial para que
ele não se repita. E, independentemente de qual animal selvagem seja a fonte
propagadora do vírus, uma coisa é certa: o comércio de animais silvestres é uma
ameaça para a saúde humana global. A venda de animais silvestres é extremamente
perigosa e, portanto, esta prática deve acabar.
Entre as medidas que a OMS aconselha para minimizar a propagação
do vírus está a higiene ao visitar mercados de animais vivos ou de produtos de
animais, além de evitar o consumo de produtos de origem animal crus ou malcozidos.
Isso ocorre porque mais de 70% das infecções em humanos são provenientes de
animais – principalmente animais silvestres.
A maioria das pessoas não ficaria surpresa ao saber que o comércio
ilegal de animais silvestres envolve higiene precária e inúmeros animais
doentes e mortos, que podem representar um alto risco para a saúde humana,
porém, esses problemas também são muito comuns no comércio legalizado de
animais. Há uma falta de medidas adequadas de biossegurança – assunto
fundamental para prevenir a propagação de doenças.
Casos como o do coronavírus, e tantas outras doenças causadas a
partir do contato de animais com humanos, revela que manter um grande número de
animais silvestres juntos, em péssimas condições de higiene, tudo em nome do
lucro, representa uma grande ameaça para a saúde humana, além dos problemas de
bem-estar animal.
Os riscos que o mercado de animais silvestres representa no atual
cenário é, sem dúvida, o motivo pelo qual a China tomou a louvável decisão de
proibir, ainda que temporariamente, o comércio de animais silvestres em todo o
país. Para minimizar riscos futuros, é fundamental que esta seja uma abordagem
abrangente e permanente, que seja adotada não só pela China, mas em todo o
mundo.
Portanto, ao invés de debatermos e tentarmos descobrir qual foi o
animal responsável pelo início da contaminação do coronavírus, mas correto
seria agir na causa principal do problema e proibir o comércio de animais
silvestres o quanto antes. Sem essa proibição permanente, a ameaça será
constante. Os animais continuarão sofrendo sem necessidade, e mortes humanas
ocorrerão por causas evitáveis.
Sobre a Proteção
Animal Mundial (World Animal Protection)
A Proteção Animal Mundial move o mundo para proteger os animais
por mais de 50 anos. A organização trabalha para melhorar o bem-estar dos
animais e evitar seu sofrimento. As atividades da organização incluem trabalhar
com empresas para garantir altos padrões de bem-estar para os animais sob seus
cuidados; trabalhar com governos e outras partes interessadas para impedir que
animais silvestres sejam cruelmente negociados, presos ou mortos; e salvar as
vidas dos animais e os meios de subsistência das pessoas que dependem deles em
situações de desastre. A organização influencia os tomadores de decisão a colocar
os animais na agenda global e inspira as pessoas a mudarem a vida dos animais
para melhor. Para mais informações acesse: www.protecaoanimalmundial.org.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário