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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Coronavírus: o comércio de animais silvestres é uma ameaça à saúde humana


São muitas as teorias de desinformação e fake news que diminuem a eficácia da resposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) para conter a atual disseminação do coronavírus. Com o número de vítimas fatais superando o da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), última grande epidemia global, que assolou o mundo entre 2002 e 2003, a origem do surto atual está cercada de especulações e achismos.

Entre as diversas teorias difundidas para a origem do coronavírus, a maioria delas aponta como culpado um animal silvestre. Morcegos, cobras e pangolins já foram acusados de transmitirem o vírus aos humanos. A similaridade entre as três espécies? Todas são comercializadas no mercado de animais vivos da cidade chinesa de Wuhan, epicentro da pandemia.

Compreender as reais causas para este surto global é crucial para que ele não se repita. E, independentemente de qual animal selvagem seja a fonte propagadora do vírus, uma coisa é certa: o comércio de animais silvestres é uma ameaça para a saúde humana global. A venda de animais silvestres é extremamente perigosa e, portanto, esta prática deve acabar.

Entre as medidas que a OMS aconselha para minimizar a propagação do vírus está a higiene ao visitar mercados de animais vivos ou de produtos de animais, além de evitar o consumo de produtos de origem animal crus ou malcozidos. Isso ocorre porque mais de 70% das infecções em humanos são provenientes de animais – principalmente animais silvestres.

A maioria das pessoas não ficaria surpresa ao saber que o comércio ilegal de animais silvestres envolve higiene precária e inúmeros animais doentes e mortos, que podem representar um alto risco para a saúde humana, porém, esses problemas também são muito comuns no comércio legalizado de animais. Há uma falta de medidas adequadas de biossegurança – assunto fundamental para prevenir a propagação de doenças.

Casos como o do coronavírus, e tantas outras doenças causadas a partir do contato de animais com humanos, revela que manter um grande número de animais silvestres juntos, em péssimas condições de higiene, tudo em nome do lucro, representa uma grande ameaça para a saúde humana, além dos problemas de bem-estar animal.

Os riscos que o mercado de animais silvestres representa no atual cenário é, sem dúvida, o motivo pelo qual a China tomou a louvável decisão de proibir, ainda que temporariamente, o comércio de animais silvestres em todo o país. Para minimizar riscos futuros, é fundamental que esta seja uma abordagem abrangente e permanente, que seja adotada não só pela China, mas em todo o mundo.

Portanto, ao invés de debatermos e tentarmos descobrir qual foi o animal responsável pelo início da contaminação do coronavírus, mas correto seria agir na causa principal do problema e proibir o comércio de animais silvestres o quanto antes.  Sem essa proibição permanente, a ameaça será constante. Os animais continuarão sofrendo sem necessidade, e mortes humanas ocorrerão por causas evitáveis.




 Dr. Neil D’Cruze – chefe global de Vida Silvestre na Proteção Animal Mundial



Sobre a Proteção Animal Mundial (World Animal Protection)
A Proteção Animal Mundial move o mundo para proteger os animais por mais de 50 anos. A organização trabalha para melhorar o bem-estar dos animais e evitar seu sofrimento. As atividades da organização incluem trabalhar com empresas para garantir altos padrões de bem-estar para os animais sob seus cuidados; trabalhar com governos e outras partes interessadas para impedir que animais silvestres sejam cruelmente negociados, presos ou mortos; e salvar as vidas dos animais e os meios de subsistência das pessoas que dependem deles em situações de desastre. A organização influencia os tomadores de decisão a colocar os animais na agenda global e inspira as pessoas a mudarem a vida dos animais para melhor. Para mais informações acesse: www.protecaoanimalmundial.org.br

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