O diagnóstico de câncer
infantil não afeta apenas o paciente, mas impacta a família toda alterando o
seu funcionamento. De acordo com a psicóloga Claudia Epelman, membro da
diretoria da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), o pai do
paciente pode se sentir perdido em meio à situação porque tem que continuar
trabalhando e não consegue acompanhar de perto o tratamento, o que influencia
de maneira negativa o relacionamento conjugal e familiar como um todo. Com frequência,
o pai é censurado por não conseguir ajudar a esposa e o paciente em sua
totalidade.
Por outro lado, muitas vezes é
o pai quem se desloca da cidade de origem para buscar tratamento para o seu
filho em um centro especializado e, novamente, se vê distanciado da esposa, dos
outros filhos e do trabalho, causando sentimento de frustração e incapacidade.
“De uma forma ou de outra, o pai tem a sua vida emocional, conjugal,
profissional e social comprometida, ele se sente culpado, impotente e sozinho”,
explica Claudia...
Segundo a especialista, é
extremamente importante o acompanhamento psicológico familiar desde o
diagnóstico da doença para evitar problemas futuros e manter a família
estruturada para enfrentar as batalhas que estão por vir. Assim, a partir da
confirmação do diagnóstico, todos os profissionais envolvidos devem estar
sensíveis às necessidades dos pais e propor intervenções preventivas de maneira
que a vivência do câncer não deixe sequelas irreparáveis, sem esquecer também
dos outros irmãos, que se sentem excluídos mediante a situação.
A orientação que Claudia dá
para os pais é para lidarem com os filhos doentes sempre com clareza, por mais
difícil que seja a conversa. “É necessário apoiar sempre a criança ou o
adolescente para que eles se sintam seguros e saibam que terão sempre alguém os
acompanhando. O fato de poder conversar sobre a doença e o tratamento e dividir
o sentimento de preocupação ajuda o paciente a lidar melhor com a doença em
si”.
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