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quarta-feira, 25 de março de 2026

Seis hábitos comuns que parecem inofensivos, mas podem prejudicar a saúde ginecológica


Ginecologista alerta para práticas do dia a dia que impactam o equilíbrio íntimo feminino e reforça a importância da prevenção
 


Muitas mulheres mantêm hábitos aparentemente inofensivos no dia a dia sem imaginar que eles podem comprometer a saúde ginecológica. Pequenas escolhas rotineiras, desde o tipo de roupa até a forma de higiene íntima, podem influenciar diretamente o equilíbrio da microbiota vaginal, aumentando o risco de infecções, irritações e outros problemas. 

De acordo com a Profª Dra. Marise Samama, ginecologista, fundadora e presidente da Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil (AMCR), a falta de informação ainda é um dos principais fatores que contribuem para esses comportamentos. “Muitas práticas são culturalmente aceitas ou até incentivadas, mas nem sempre são seguras para a saúde íntima feminina”, explica. 

Entre os hábitos mais comuns está o uso frequente de roupas muito apertadas, especialmente peças sintéticas. Esse tipo de vestimenta dificulta a ventilação da região íntima, favorecendo a umidade e a proliferação de fungos e bactérias. Estudos indicam que ambientes quentes e úmidos aumentam significativamente o risco de candidíase vulvovaginal, uma das infecções ginecológicas mais recorrentes, que atinge cerca de 75% das mulheres pelo menos uma vez na vida. 

Outro comportamento recorrente é o uso diário de protetores íntimos. Apesar de parecerem aliados da higiene, eles podem alterar o pH vaginal e reduzir a ventilação natural da região, além de poder causar quadros alérgicos. “O uso contínuo desses produtos cria um ambiente abafado, o que pode desequilibrar a flora vaginal e facilitar infecções”, alerta Marise. 

A higiene excessiva também entra na lista de práticas prejudiciais. Lavar a região íntima várias vezes ao dia ou utilizar sabões inadequados pode remover as bactérias protetoras naturais. A higiene íntima deve ser realizada preferencialmente com sabão líquido com PH ácido. Diretrizes médicas apontam que o excesso de limpeza pode alterar o pH vaginal e favorecer quadros de irritação e infecção. 

Outro hábito comum é dormir com roupas íntimas. Embora pareça inofensivo, esse costume impede a ventilação adequada durante a noite. “Dormir sem calcinha, sempre que possível, ajuda a manter a região seca e equilibrada, reduzindo o risco de infecções”, orienta a especialista. 

O uso prolongado de absorventes, especialmente durante o período menstrual, também merece atenção. A recomendação é trocá-los a cada quatro horas. Dados de organizações de saúde indicam que a permanência prolongada pode favorecer irritações, odores e proliferação bacteriana. 

A automedicação, especialmente com antifúngicos e antibióticos, é outro problema recorrente. Muitas mulheres tratam sintomas sem diagnóstico adequado, o que pode mascarar doenças mais sérias. “Nem toda coceira ou corrimento é candidíase. O uso indiscriminado de medicamentos pode agravar o quadro”, destaca Marise. 

O uso de duchas vaginais ainda persiste, apesar das recomendações médicas contrárias. Esse tipo de prática altera o pH e remove a proteção natural da vagina. Estudos mostram que mulheres que utilizam duchas vaginais apresentam maior incidência de infecções e desequilíbrios da microbiota. 

A depilação da região íntima também deve ter atenção. O pelo tem um papel importante de equilibrar a temperatura e o PH da região genital. A prática de remoção total dos pelos eleva a temperatura local, causa mais transpiração, pode alterar a flora vaginal composta por lactobacilos de defesa e levar ressecamento da pele. Com a diminuição da defesa local e aumento da umidade, pode haver proliferação de bactérias que causam odor e infecções, assim como fungos que trazem coceira e corrimentos. Existem estudos científicos que mostram um aumento do risco de infecções urinárias e candidíases recorrentes. O uso de desodorantes íntimos podem mascarar a percepção destas infecções além de poder promover alergias. Hidratantes também vem sendo usados devido ao ressecamento vulvar. 

Além disso, fatores como estresse e alimentação inadequada também impactam diretamente a saúde ginecológica. Pesquisas indicam que o estresse crônico pode comprometer o sistema imunológico, tornando o organismo mais suscetível a infecções ginecológicas recorrentes. 

A especialista reforça que a saúde íntima deve ser vista de forma integral. “Não se trata apenas de higiene, mas de um conjunto de hábitos que envolvem alimentação, vestuário, comportamento e acompanhamento médico regular”, afirma. 

Outro ponto importante é a realização de consultas periódicas com o ginecologista, mesmo na ausência de sintomas. O acompanhamento regular é essencial para prevenção e diagnóstico precoce de diversas condições ginecológicas. 

Por fim, Marise destaca que informação de qualidade é a principal aliada da mulher. “Conhecer o próprio corpo e entender o que realmente faz bem é fundamental para evitar problemas e garantir mais qualidade de vida”, conclui.

 


AMCR – Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil


Novas tecnologias facilitam no diagnóstico e tratamento do câncer de próstata


Sistema de micro-ultrassom, cirurgia robótica e testes genéticos, que ainda são novidade para o grande público, ajudam desde ao diagnóstico ao pós cirúrgico

 

O diagnóstico de câncer de próstata já foi recebido como uma sentença de perda de qualidade de vida. O medo da incontinência urinária, da impotência e do desconforto do exame de toque afastava os homens dos consultórios, alimentando uma estatística cruel: mais de 70 mil novos casos por ano no Brasil. No entanto, uma revolução silenciosa nos corredores dos grandes centros médicos está mudando esse jogo.

O urologista Frederico Xavier, que atende no Órion Complex, em Goiânia, explica que testes genéticos, inteligência de imagem e cirurgia robótica estão entre os recursos que elevam as chances de cura para impressionantes 90% quando a doença é detectada cedo. 

Com a ajuda de testes genéticos, os médicos estão definindo o modo como a doença será classificada e tratada. “Com essa ferramenta é possível analisar as mutações do DNA do tumor e prever o comportamento dialógico do câncer, se irá se desenvolver de forma rápida ou lenta, se é agressivo, etc. E a partir dessas informações definir qual será o melhor tratamento”, explica.

Frederico Xavier também destaca, dentre o ExactVu, uma nova tecnologia de ultrassonografia em alta resolução, e produz imagens 300% mais detalhadas que o ultrassom convencional.

“Em cirurgias prostáticas, como a prostatectomia (remoção da próstata) ou em procedimentos de biópsias direcionadas, ele pode ser utilizado para orientar o cirurgião e ajudar na identificação precisa de áreas afetadas por tumores. A alta resolução das imagens proporciona localização exata de tumores ou lesões na próstata, permitindo que o cirurgião tenha uma visão detalhada antes de iniciar a cirurgia ", explica o especialista.

Outra técnica disponível é a cirurgia robótica, que reúne segurança, precisão, recuperação mais rápida e melhores resultados. Ela oferece visão em três dimensões de alta definição que permite ao cirurgião enxergar a área operada com profundidade e ampliação, diferentemente da visão em duas dimensões da laparoscopia convencional. 

As pinças robóticas, que são manuseadas pelo cirurgião, executam movimentos de 360º (similares ao pulso humano), o que facilita suturas delicadas e dissecções em espaços restritos, superando a rigidez dos instrumentos laparoscópicos, trazendo mais precisão ao procedimento.

O médico urologista ressalta que os benefícios da cirurgia para o paciente são imediatos. “Cerca de 94% dos pacientes recuperam o controle em até um ano, com resultados ainda mais rápidos na técnica robótica devido à preservação do esfíncter - que preserva a ereção com a precisão milimétrica que protege os nervos adjacentes à próstata”, salienta. 


Prevenção

Embora a evolução da tecnologia tenha vindo para aumentar a eficiência do tratamento, o   urologista lembra que a prevenção continua sendo fundamental. Inclusive, destaca, a detecção precoce aumenta significativamente as chances de cura da doença. 

“Essa precocidade é extremamente importante para o prognóstico de cura da doença, que pode chegar a mais de 90% quando o câncer de próstata é descoberto ainda na fase inicial", salienta o urologista Frederico Xavier.

A doença não costuma apresentar sintomas na fase inicial, acrescenta o médico. Por isso, é fundamental realizar o acompanhamento anual com um especialista, fazer os exames de rotina a partir dos 50 anos, ou 45 para grupos de risco.

Manter um estilo de vida saudável - com alimentação balanceada e exercícios, evitar o uso de tabaco e consumo excessivo de álcool — diminuem os riscos.


Cães resgatados e invisibilizados atuam como terapeutas para crianças em tratamento oncológico no Hospital do GRAACC

Divulgação
Iniciativa "Love que Cuida", da Petlove, transforma animais que sofreram abandono em agentes de apoio e alegria para pacientes


Os corredores do Hospital do GRAACC contaram com uma presença diferente nesta segunda-feira, 23 de março. Três cães terapeutas sem raça definida (SRDs), resgatados pelo Instituto Caramelo, visitaram a instituição como parte do projeto “Love que Cuida”, idealizado pela Petlove. A ação visa dar visibilidade a pets historicamente rejeitados: idosos, com deficiência ou SRDs, enquanto oferecem suporte emocional aos pacientes.

Para o movimento acontecer, os animais passaram por um criterioso processo de seleção e sensibilização. Segundo Bruna Garcia, médica-veterinária da Petlove, o temperamento é o fator crucial, e não a linhagem. “O animal precisa ser dócil, saudável e capaz de lidar com o alto nível de estímulos e o toque constante, características que esses cães demonstraram de sobra, provando que qualquer pet pode ser um agente de bem-estar se tiver o perfil adequado”, explica.

 

Transformando dificuldades em acolhimento 

Unindo histórias de resiliência e força, a interação traz mais do que acolhimento e afeto, se transforma em um momento de distração e felicidade. O ambiente hospitalar, muitas vezes marcado por rotinas rígidas e procedimentos delicados, ganhou olhares diferentes. Mais do que uma visita, a ação proporcionou um respiro, importante para o bem-estar emocional de pacientes e familiares.

“Momentos como esse reforçam um pilar essencial do nosso cuidado, que é a humanização. O tratamento oncológico pediátrico vai muito além dos protocolos médicos, ele envolve olhar para a criança em sua totalidade, incluindo suas emoções, medos e necessidades afetivas. A interação com os cães proporciona uma quebra na rotina hospitalar, reduz a ansiedade e resgata sensações de normalidade, fundamentais para o enfrentamento da doença. Quando conseguimos promover experiências que geram bem-estar e acolhimento, também contribuímos para uma jornada de tratamento mais leve e com mais qualidade de vida para nossos pacientes”, afirma o Dr. André Luis Negrão, CEO do Hospital do GRAACC.

Para as mães que acompanham a jornada diária no Hospital do GRAACC, ver o sorriso no rosto dos filhos diante dos visitantes de quatro patas é a confirmação de que o cuidado pode ir além.

Segunda edição Projeto Love que Cuida
Mariana Lemos, mãe de Isabela, que está em tratamento há um ano, observou a primeira interação da filha com os pets da ação. Embora Isabela tenha uma companheira fiel em casa, o ambiente hospitalar traz novos desafios.

"Em casa temos uma cachorrinha que ela ama. Aqui, ela ficou com um pouquinho de medo no começo por não os conhecer, mas logo passou", conta Mariana. "Esse contato ajuda muito no tratamento; ela brinca, passeia, distrai e ocupa a cabeça. Como a Isa não pode ir à escola ou encontrar muito com os amigos devido ao tratamento, ela é sua grande companhia do dia a dia. Elas têm uma rotina juntas e essa amizade é fundamental", completa.

A experiência de ver o filho superar o receio inicial também marcou a mãe de Heitor, de 2 anos. Ela destaca como a convivência com animais molda o caráter e a felicidade de uma criança.

Segunda edição Projeto Love que Cuida
"Percebemos o medo no começo, mas quando ele viu que eram bonzinhos, se entregou. A criança que cresce com um cachorrinho se torna mais feliz e cuidadosa", afirma. "Minha mãe também foi paciente oncológica e teve um cachorro que foi seu companheiro do diagnóstico até o último dia. Ele faleceu três meses depois dela, sentia falta e procurava por ela todos os dias; era um amor mútuo. Queremos que o Heitor sinta esse mesmo amor. Projetos assim são importantes para trazer essa humanidade ao dia a dia deles."

 

Corrente de Adoção

A ação não termina no hospital. A Petlove e o Instituto Caramelo utilizam os registros da visita para impulsionar campanhas de adoção nas redes sociais. O objetivo é mostrar que os "terapeutas" do dia estão prontos para encontrar suas famílias definitivas.

“Cada um desses cães já enfrentou o abandono e a rejeição, e hoje eles estão aqui levando carinho e esperança para crianças que também passam por momentos difíceis. É uma troca muito bonita, porque enquanto eles ajudam no tratamento emocional dos pacientes, também ganham visibilidade para encontrar uma família e um novo começo”, ressalta Yohanna Perlman, diretora executiva do Instituto Caramelo.

 

 Todas as informações sobre os animais participantes e como adotar podem ser encontradas nos canais oficiais das instituições.

 

Petlove - Fundada em 1999, a Petlove é o primeiro ecossistema pet do Brasil, abrangendo e-commerce, saúde, hospedagem e serviços. A companhia foca em soluções completas para tutores e na valorização dos profissionais do setor, através de marcas como DogHero, Vet Smart e Vetus.

 Instituto Caramelo - Referência nacional no resgate e reabilitação de animais em situação de abandono e maus tratos, o Instituto Caramelo é uma organização não governamental sem fins lucrativos que nasceu em fevereiro de 2015 para dar voz àqueles que não podem falar. Com um hospital veterinário 24 horas, atende mais de 300 animais e realiza castrações gratuitas, intervenções emergenciais e acompanhamento contínuo até que todos estejam prontos para adoção responsável.

GRAACC - Referência no tratamento do câncer infantojuvenil com taxa média de 80% de cura, o GRAACC completa 35 anos em 2026. É acreditado pela Joint Commission International (JCI) e figura entre os melhores hospitais do mundo no ranking da revista Newsweek, realizando milhares de atendimentos e procedimentos de alta complexidade anualmente.


Enfrentamento do câncer de mama requer aplicação efetiva de leis e de políticas públicas

 

macniak

Propostas apresentadas pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) ao Ministério da Saúde, CFM e à Conamp visam agilidade nos diagnósticos e tratamentos, acesso à reconstrução mamária e melhoria da qualidade de vida das pacientes

 

No enfrentamento do câncer de mama, neoplasia maligna mais incidente entre mulheres no mundo, a mamografia de rastreamento permanece como a estratégia de saúde pública mais eficaz para a detecção precoce da doença. No entanto, em contraste ao que é preconizado globalmente pelas principais sociedades médicas, com a perspectiva de tratamentos menos agressivos e melhores desfechos clínicos, a cobertura mamográfica no Sistema Único de Saúde (SUS) atinge atualmente apenas 33% da população-alvo no País. Esta realidade, combinada com a necessidade da aplicação efetiva de legislações que preveem prazos máximos de 30 dias para exames complementares após a detecção da doença e de 60 dias entre diagnóstico e início do tratamento, assim como a realização de cirurgia reparadora imediata da mama em casos de mutilação decorrentes do tratamento do câncer de mama, pauta as propostas apresentadas pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) ao Ministério da Saúde (MS), à Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) e ao Conselho Federal de Medicina (CFM).

A comissão da SBM, representada pelo presidente Guilherme Novita e Carlos Ruiz, coordenador do Departamento de Políticas Públicas da entidade, reuniu-se em Brasília (DF) com dra. Guacyra Bezerra (DECAN) e dr. Fernando Figueira (DAHUD), representantes do Ministério da Saúde, dr. Tarcísio Bonfim, presidente da Conamp, e dr. José Hiran Gallo, presidente do CFM.

“De forma objetiva, é fundamental que o rastreamento mamográfico no SUS seja ampliado e que legislações sejam realmente aplicadas”, afirma o mastologista Guilherme Novita. “Atualmente, diante da detecção de estadios avançados de câncer de mama no País, é desejável é que 70% das mulheres façam o exame todos os anos.”

O Brasil dispõe de três normas legais, que na avaliação do presidente da SBM são instrumentos a serem colocados efetivamente em prática para o enfrentamento do câncer de mama no País. “Temos a Lei dos 30 dias (Lei nº 13.896/2019), que prevê prazo máximo de 30 dias para a realização de exames complementares após o diagnóstico, e a Lei dos 60 dias (Lei nº 12.732/2012), que estabelece o tempo máximo de 60 dias entre o diagnóstico e o início do tratamento da doença”, pontua. O mastologista destaca ainda a realização de cirurgia reparadora imediata da mama em casos de mutilação decorrentes do tratamento do câncer de mama (Lei nº 15.171/2025).

Na proposta ao Ministério da Saúde, a SBM elege como prioridade a reconstrução mamária. Hoje, apenas 20% das mulheres que se submetem à mastectomia realizam a cirurgia no SUS. “Com a perspectiva de auxiliar na elaboração de medidas para ampliar o acesso das pacientes, apresentamos, entre outras sugestões, a remuneração mínima aos especialistas para viabilizar as reconstruções em hospitais da rede pública”, destaca Novita. Em parceria com o MS, a SBM também pretende realizar cursos de aperfeiçoamento com subsídio para estudantes de medicina.

Também relevante é a possibilidade destacada pelo MS de a SBM integrar o Grupo de Trabalho de Câncer de Mama, coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), para aprimoramento de políticas públicas que possam ampliar a sobrevida e a qualidade de vida das pacientes com custos otimizados.

O trabalho em parceria firmado há alguns anos entre SBM e Conamp, entidade que congrega mais de 16 mil promotores de Justiça no Brasil, tem o propósito de melhorar o atendimento às mulheres com câncer de mama do ponto de vista médico e jurídico.

De acordo com o presidente da SBM, em uma nova etapa da cooperação, a Conamp pretende estimular outras entidades do meio jurídico a colaborarem no projeto. A SBM, por sua vez, assume o compromisso de fornecer suporte técnico à entidade com informações que possam embasar eventuais ações judiciais.

O apoio da SBM, expresso na reunião em Brasília, ao projeto do Conselho Federal de Medicina para a realização de exame de proficiência obrigatório aos egressos de faculdades de medicina, nos moldes do exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na avaliação de Novita visa à melhoria do atendimento da população.

“Em todas as propostas apresentadas, os esforços da SBM têm como foco prioritário melhorar a assistência a 75% da população brasileira tratada pelo SUS”, afirma Guilherme Novita. “É fundamental que intenções, cooperações e iniciativas sejam direcionadas a quem mais precisa no Brasil”, conclui.

MARÇO LILÁS - Tabu atrapalha adolescentes receberem vacina contra HPV, alerta ginecologista

 Ainda existem mitos que impedem a adesão à vacina, como o receio de que ela incentive a iniciação sexual precoce

 

O câncer do colo é o terceiro tipo de câncer com maior incidência entre as mulheres. Para cada ano do triênio 2023-2025, estima-se 17.010 novos casos, o que representa uma taxa bruta de incidência de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres, segundo informações do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Causado principalmente pela infecção persistente por tipos oncogênicos do Vírus do Papiloma Humano (HPV), o diagnóstico precoce e a imunização são os pilares para reduzir drasticamente as estatísticas da doença. De acordo com a Organização Pan Americana de Saúde (OPAS), a vacinação de adolescentes contra o papilomavírus humano pode prevenir cerca de 70% dos casos. Por isso mesmo, é meta estabelecida pela  Organização Mundial da Saúde (OMS) que 90% de meninas de até 15 anos estejam vacinadas até 2030. 

Vencer a barreira cultural das famílias a respeito do tema é um dos grandes desafios para se alcançar a meta. Ainda existem mitos que impedem a adesão à vacina, como o receio de que ela incentive a iniciação sexual precoce. 

Contudo, explica a médica ginecologista Vânia Marcella Calixtrato, que atende no Órion Complex, é importante que as famílias entendam que vacina foi desenvolvida para prevenir infecções antes da exposição ao papilomavírus, o que a torna mais eficaz, daí a importância de se promover a imunização ainda na adolescência. “Ela não tem influência sobre o comportamento sexual”, diz

O HPV é um vírus transmitido principalmente por contato sexual. Ele se desenvolve na parte inferior do útero, que se conecta à vagina. Na grande maioria dos casos, ele causa lesões que, se não identificadas e tratadas, evoluem para o tumor maligno. 

Outro ponto levantado pelas famílias é a segurança do imunizante, mas a médica esclarece que efeitos colaterais graves são extremamente raros. “O mais comum são apenas reações leves como dor no local da aplicação ou febre baixa, riscos que são infinitamente menores do que os perigos de um câncer invasivo", observa.

Ela considera a campanha Março Lilás, de combate ao câncer de útero, válida para levar esclarecimento à população sobre este tabu, que acaba colocando muitas mulheres em um risco potencial futuro. “Esses mitos precisam ser combatidos com informações científicas, demonstrando que a vacina é uma ferramenta preventiva, não relacionada ao comportamento sexual", diz.

A vacina é indicada também para mulheres de até 45 anos, mesmo já tendo tido contato com HPV. “Ela as protege de outras cepas com alto grau de associação com o câncer do colo do útero, além de proteger contra verrugas genitais e outros tipos de câncer", informa a médica.

Além disso, ela também observa que muita gente não acredita que a contaminação pelo papilomavírus humano pode evoluir para um tumor. Para a especialista, o caminho para mudar o cenário da doença no Brasil passa pela educação clara sobre estes riscos, campanhas constantes em redes sociais e centros de saúde e, especialmente nas escolas. 

“A escola é um ambiente crucial para disseminar informações. Parcerias entre escolas e unidades de saúde para promover a vacinação, esclarecer dúvidas e desmistificar mitos, ajudariam a aumentar a adesão”, sugere. Em Goiás, foram contabilizados 981 casos da doença em 2024. Já em 2025, os registros chegaram a 622 notificações, número ainda considerado preliminar. 


Hipertensão: por que seu esforço para cortar o sal pode não estar funcionando?



Com o brasileiro consumindo quase o dobro do sódio recomendado pela OMS, nutricionista alerta para o perigo do consumo excessivo e inconsciente no dia a dia

 

A mudança de hábitos alimentares geralmente começa com uma decisão bem-intencionada na cozinha. Você decide preparar refeições mais leves, esconde o saleiro no fundo do armário e tenta usar apenas uma pitadinha de sal nas panelas. Semanas depois, no entanto, pode bater aquela frustração ao perceber que esse esforço não tem refletido de forma tão clara nos exames de rotina ou no controle da pressão. 

Essa sensação é muito comum e esbarra em duas questões essenciais. A primeira é que o controle da pressão arterial não acontece apenas pela restrição de um ingrediente. A redução de sódio é uma estratégia importante, mas que precisa caminhar junto a outras mudanças no estilo de vida e, quando necessário, com acompanhamento médico e medicação. A segunda questão é que, mesmo quando focamos na nossa alimentação, frequentemente estamos errando a mão sem perceber. 

Alguns números ilustram bem esse cenário: segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o brasileiro consome em média 9,3 gramas de sal por dia. Isso representa quase o dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de apenas 5 gramas diárias, o equivalente a apenas 1 colher de chá. 

Nesse contexto, o hábito de cozinhar em casa continua funcionando como uma ferramenta poderosa para o controle da hipertensão. Segundo Marília Zagato, nutricionista e gerente de Marketing-Nutrição da Ajinomoto do Brasil, a grande vantagem de estar na cozinha é recuperar o poder de escolha. 

"Quando o consumidor prepara sua própria refeição, ele tem a possibilidade de adicionar menos sódio, optando por colocar menos sal e usando ingredientes e temperos práticos, mantendo o controle sobre a quantidade que está ingerindo", explica. "E é importante que as pessoas saibam que 1 colher de chá já é a quantidade de sal que ela deveria consumir por dia. Quando aplicamos isso no preparo dos alimentos, é possível perceber se nosso hábito está ou não além da recomendação", destaca Marília. 

No entanto, um dos maiores obstáculos para manter essa mudança é o paladar, já que a comida com menos sal é frequentemente rejeitada por ser considerada "sem graça". Para balancear o dilema entre saúde e prazer, a ciência dos alimentos tem atuado no desenvolvimento de soluções que entregam sabor, reduzindo o sódio e mantendo a aceitação. 

Estudos demonstram que o uso de ingredientes como o glutamato monossódico, que é o aminoácido glutamato com uma molécula de sódio adicionada, ajuda a realçar o sabor natural dos alimentos. Na prática, substituindo metade do sal que seria adicionado por glutamato monossódico, é possível reduzir em até 37% o sódio de uma preparação. O resultado é um prato com a mesma aceitação sensorial de uma versão preparada apenas com sal, provando que é possível cuidar da saúde sem abrir mão de uma refeição saborosa.

 

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

A Ajinomoto do Brasil desenvolve projetos e ações alinhados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), que visam alcançar um mundo mais igualitário e sustentável até 2030. Clique aqui para conhecer mais sobre esses projetos. 

A divulgação deste material colabora diretamente para os seguintes ODS:

 


Ajinomoto do Brasil

O futuro das "canetas emagrecedoras": como a movimentação nas patentes impacta o acesso e a segurança do paciente

Um setor em pleno aquecimento e expansão. É o que tem acontecido com o segmento das canetas emagrecedoras em todo o mundo. Com a proximidade do fim de exclusividade de algumas patentes e as discussões sobre o licenciamento de novas tecnologias, o cenário brasileiro de saúde se prepara para mais avanços no acesso a tratamentos modernos.  

Nesse novo cenário, o mercado deve observar dois movimentos simultâneos: o estímulo à competitividade e o desafio de manter o investimento em inovação. Por um lado, a entrada de novos fabricantes pode acelerar melhorias em design e usabilidade dos dispositivos. Por outro, o setor precisa garantir que a busca por custos menores não comprometa a eficácia clínica comprovada. O que isso significa na prática? A redução do preço das canetas emagrecedoras. 

“É claro que a redução de valores é essencial e tornará o mercado ainda mais atrativo. Mas o ponto principal que queremos reforçar é a questão da segurança. Com a diversificação, a fiscalização da ANVISA e o acompanhamento médico tornam-se ainda mais fundamentais para coibir ofertas que não possuam evidências científicas sólidas”, afirma Marcos Caringi, Diretor de Growth e Marketing da Voy. Para o executivo, o papel das empresas de saúde neste momento é atuar como uma curadoria técnica para o consumidor final. 

 Mais do que uma mudança jurídica no registro de patentes, o que se desenha é uma redefinição do ecossistema de perda de peso no Brasil e no mundo. A quebra de patentes das canetas emagrecedoras representa mais do que uma mudança legal: é um movimento que pode redefinir os contornos do mercado de tecnologias de emagrecimento, com efeitos sobre preços, inovação, competição e proteção ao consumidor.


Tosse persistente: quando é hora de procurar um otorrino?


Sintoma comum pode indicar desde irritações simples até doenças respiratórias; especialistas alertam para sinais que não devem ser ignorados

 

A tosse é um dos sintomas mais comuns no dia a dia — geralmente associada a gripes, resfriados ou mudanças de clima. Na maioria dos casos, desaparece em poucos dias. Mas quando se prolonga, pode deixar de ser um incômodo passageiro e passar a exigir investigação médica.

De acordo com a otorrinolaringologista Dra. Cristiane Passos Dias Levy, especialista em alergias respiratórias do Hospital Paulista, o tempo de duração é um dos principais sinais de alerta. “Tosses que persistem por mais de duas a três semanas já merecem atenção. Quando o sintoma se prolonga ou se torna recorrente, é importante investigar a causa, especialmente se houver outros sinais associados”, explica.


Nem sempre é só gripe

Embora infecções virais sejam causas frequentes, a tosse persistente pode estar relacionada a diferentes condições da região do nariz e garganta. Entre as causas mais comuns estão:

  • rinite alérgica
  • sinusite
  • gotejamento pós-nasal (secreção que escorre da cavidade nasal para a garganta)
  • irritações provocadas por poluição ou ar seco
  • refluxo laringofaríngeo

Segundo a especialista, o chamado gotejamento pós-nasal é um dos principais responsáveis pela tosse crônica. “A secreção acumulada no nariz pode escorrer para a garganta, causando irritação constante e desencadeando tosse, principalmente à noite ou ao deitar”, afirma.


Sinais que merecem atenção

Além da duração prolongada, alguns sintomas associados ajudam a indicar que é hora de procurar avaliação especializada. Entre os principais sinais de alerta estão:

  • rouquidão persistente
  • pigarro frequente
  • sensação de algo preso na garganta
  • dor ao engolir
  • tosse que piora à noite
  • presença de secreção espessa ou recorrente

Em alguns casos, a tosse também pode interferir na qualidade do sono, no desempenho profissional e até na convivência social.


Clima seco e frio agravam o problema

Períodos de temperaturas mais baixas e baixa umidade do ar tendem a piorar quadros de tosse, especialmente em pessoas com alergias respiratórias. Isso acontece porque o ressecamento das mucosas reduz a capacidade de defesa do organismo e facilita a irritação das vias aéreas.

Além disso, a maior permanência em ambientes fechados favorece a circulação de vírus e a exposição a poeira e ácaros.


Prevenção: hábitos simples fazem diferença

Embora nem todos os casos possam ser evitados, algumas medidas ajudam a reduzir o risco de tosse persistente ou recorrente:

  • manter boa hidratação ao longo do dia
  • realizar lavagem nasal com soro fisiológico
  • evitar ambientes muito secos ou com poeira
  • manter os espaços ventilados
  • evitar cigarro e exposição à fumaça
  • moderar o uso da voz em situações de esforço

“A hidratação e a higiene nasal são fundamentais para manter a mucosa saudável e funcionando como barreira de proteção. Pequenos cuidados no dia a dia fazem diferença na prevenção de sintomas respiratórios”, orienta a médica.


Quando procurar ajuda

Se a tosse persistir por semanas, vier acompanhada de outros sintomas ou não apresentar melhora com medidas simples, a avaliação médica é essencial para identificar a causa e indicar o tratamento adequado.

“A tosse é um mecanismo de defesa do organismo, mas quando se torna frequente ou prolongada, pode indicar que algo não está bem. O diagnóstico correto é o primeiro passo para evitar complicações e melhorar a qualidade de vida”, conclui a especialista.

 

Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

 

Mês da Mulher: especialista do Hospital HSANP fala sobre os cuidados que mães atípicas precisam ter com a própria saúde

Freepik
Psiquiatra infantil destaca que, para atender melhor às necessidades dos filhos, essas mães também precisam olhar para o próprio bem-estar

 

Felizmente, o conhecimento sobre o autismo e outras condições do neurodesenvolvimento está cada vez mais disseminado na sociedade. Hoje, especialmente quando se trata de crianças neurodivergentes, ambientes como as escolas se preparam melhor para atender suas necessidades e promover inclusão.

Apesar desses avanços, a realidade das chamadas mães atípicas, termo utilizado para definir mulheres que cuidam de filhos com condições como autismo ou outras neurodivergências, ainda é pouco discutida, especialmente no que diz respeito à sobrecarga física e emocional enfrentada no dia a dia.

Grande parte das discussões públicas costuma se concentrar nas estratégias de cuidado e inclusão das pessoas neurodivergentes. No entanto, quando o tema envolve quem acompanha esse processo desde a infância, muitas vezes falta espaço para refletir sobre os desafios enfrentados por essas mães.

De acordo com Luana Gomez, psiquiatra infantil do Hospital HSANP, muitas mães atípicas vivem em um estado constante de vigilância para atender às necessidades dos filhos, o que pode desencadear problemas como ansiedade, depressão e exaustão física e mental, especialmente quando não há uma rede de apoio estruturada.

“Uma mãe atípica precisa estar constantemente atenta às necessidades do filho, o que pode gerar um nível elevado de estresse. Em alguns casos, simples notificações no celular ou ligações acabam se tornando gatilhos para episódios de ansiedade, mesmo em momentos que deveriam ser de descanso, algo que já é escasso na rotina dessas mães”, explica.

A participação ativa da mãe é fundamental para o desenvolvimento da criança, especialmente no manejo de comportamentos desafiadores e no estímulo à autonomia, independência e funcionalidade. Esses aspectos são importantes para que, no futuro, a pessoa tenha mais facilidade de se integrar em diferentes ambientes, como o escolar e o profissional.

Ao mesmo tempo, é essencial que essas mulheres também busquem cuidado para si mesmas. Quando a rotina se torna totalmente centrada nas demandas do filho, o desgaste emocional pode afetar não apenas a saúde da mãe, mas também a qualidade do cuidado oferecido à criança.

“Ninguém prepara uma mulher para ter um filho neurodivergente. Por isso, quando uma mãe se sente cansada ou estressada, isso não significa que ela ama menos o filho, mas sim que muitas vezes não há espaço para o autocuidado e, em muitos casos, existe uma ausência completa de rede de apoio”, acrescenta a especialista.

Essa rede de apoio pode ser formada por familiares, amigos, outras mães atípicas e, principalmente, por profissionais de saúde que acompanhem tanto o desenvolvimento da criança quanto o bem-estar emocional da mãe.

“Para que a criança neurodivergente tenha a melhor qualidade de vida possível, especialmente nas fases mais importantes do desenvolvimento, é fundamental que a saúde emocional de quem cuida dela também esteja preservada. Esse cuidado não é sobre mudar quem essas mães são ou exigir que sejam ainda mais fortes, mas sobre ajudá-las a recuperar aspectos da própria vida que muitas vezes precisaram deixar de lado diante de uma rotina tão exigente”, finaliza Luana Gomez.

  

Hospital HSANP


Cinco sinais de que o sedentarismo já está afetando sua saúde

Com mais de 60% dos brasileiros acima do peso, especialistas explicam como o sedentarismo afeta o organismo e quais exames ajudam na prevenção

 

Passar muitas horas sentado, negligenciar a atividade física e manter uma rotina com pouco movimento pode parecer inofensivo no dia a dia. No entanto, o sedentarismo está entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares. 

O cenário preocupa especialistas. Dados do sistema de vigilância Vigitel, do Ministério da Saúde, mostram que, em 20241, 62,6% dos adultos brasileiros estavam acima do peso, reflexo de mudanças no estilo de vida da população, como alimentação inadequada e baixos níveis de atividade física. O excesso de peso associado ao sedentarismo aumenta significativamente o risco de desenvolver doenças metabólicas e cardiovasculares. 

De acordo com a dra. Flávia Pieroni, endocrinologista do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, da Dasa, o corpo costuma dar sinais de que algo não está funcionando bem antes mesmo do surgimento de doenças mais graves. 

“O sedentarismo afeta diretamente o metabolismo. Quando o organismo permanece por muito tempo sem atividade física regular, podem surgir alterações na glicemia, no colesterol, na pressão arterial e até na composição corporal. Muitas dessas mudanças começam de forma discreta, mas podem ser identificadas em exames laboratoriais e clínicos”, explica. 

A seguir, confira cinco sinais que podem indicar que o sedentarismo já está impactando a saúde.


  1. Cansaço frequente e perda de condicionamento

Sentir cansaço ao subir escadas ou caminhar pequenas distâncias pode ter várias causas, mas uma das mais comuns é o descondicionamento físico. A falta de atividade física reduz a capacidade cardiorrespiratória e faz com que tarefas do dia a dia se tornem mais cansativas.

Para o dr. Breno Giestal, cardiologista do Alta Diagnósticos, da Dasa, no Rio de Janeiro, esse cansaço pode ser um importante sinal de alerta. “Quando a pessoa perde condicionamento, atividades simples tornam-se muito mais difíceis, o que impacta a qualidade de vida e aumenta o risco de desenvolver doenças cardiovasculares.” 

Segundo o especialista, o condicionamento físico está diretamente ligado ao VO máximo, indicador da capacidade do organismo de utilizar oxigênio durante o exercício. “Hoje sabemos que o VO máximo é um dos marcadores mais importantes de saúde e longevidade na medicina”, afirma. 

Ele explica que exames como teste ergométrico e ergoespirometria ajudam a avaliar essa capacidade de forma objetiva. “A ergoespirometria é considerada padrão ouro, pois mede diretamente o consumo de oxigênio durante o esforço.” 

“O condicionamento cardiorrespiratório é um marcador biológico fundamental. Diferente de fatores como colesterol ou glicose, não existe medicamento capaz de aumentar o VO máximo, assim, a verdadeira ‘pílula’ é o exercício físico”, comenta o dr. Breno.
 

2. Ganho de peso e aumento da gordura abdominal
A redução do gasto energético favorece o aumento do tecido adiposo na região abdominal. Parte desse acúmulo ocorre na forma de gordura visceral, que se deposita ao redor de órgãos como fígado, pâncreas e intestino, e está associada ao maior risco de doenças cardiovasculares, resistência à insulina e diabetes tipo 2.

“O acúmulo de gordura na região abdominal também pode afetar o fígado e levar à esteatose hepática, conhecida como gordura no fígado. Exames de sangue como TGO, TGP e Gama GT ajudam a avaliar possíveis alterações hepáticas, e o ultrassom abdominal pode identificar o acúmulo de gordura no órgão”, explica a dra. Flávia.
 

3. Alterações no colesterol e nos triglicerídeos

Mesmo sem sintomas aparentes, o sedentarismo pode contribuir para o aumento do colesterol LDL (considerado o “colesterol ruim”) e dos triglicerídeos, além da redução do HDL, que tem papel protetor para o coração.
 

4. Aumento da glicemia e risco de diabetes

A falta de atividades físicas reduz a sensibilidade do organismo à insulina, hormônio responsável por controlar os níveis de açúcar no sangue. Com o tempo, isso pode favorecer o desenvolvimento de resistência à insulina e diabetes tipo 2.
 

5. Dores musculares e rigidez corporal

A ausência de movimento regular pode levar à perda de massa muscular, redução da flexibilidade e maior incidência de dores articulares ou musculares. 

Após a identificação desses sinais, a avaliação médica e a realização de exames ajudam a entender como o organismo está respondendo ao estilo de vida. “Entre os exames que costumam ser solicitados estão a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada, que avaliam o metabolismo da glicose, e o perfil lipídico, que mede o colesterol e os triglicerídeos, além de exames clínicos e cardiológicos, quando necessário”, destaca a dra. Flávia Pieroni.

 

Referência:

1https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/vigitel-brasil-2006-2024.pdf/view1. Cansaço frequente e perda de condicionamento


Temperaturas elevadas aumentam ocorrência de micoses na pele, unhas e pés



Sociedade Brasileira de Dermatologia - Secção do Rio Grande do Sul alerta para riscos da automedicação e orienta sobre prevenção e tratamento das infecções fúngicas da pele

 

As infecções fúngicas da pele, conhecidas popularmente como micoses, tornam-se mais frequentes em períodos de calor devido à combinação de temperatura elevada e umidade, condições ideais para a proliferação de fungos. A Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul (SBD-RS) alerta que essas infecções podem atingir pele, unhas, pés e couro cabeludo e que o diagnóstico correto é fundamental para evitar complicações e recorrências. As orientações são da dermatologista e delegada da SBD-RS, Dra. Vanessa Santos Cunha, que chama atenção para a importância de evitar a automedicação e buscar avaliação médica quando surgirem sinais suspeitos.

As manifestações mais comuns incluem manchas avermelhadas e descamativas na pele, muitas vezes em formato circular e acompanhadas de coceira intensa, quadro conhecido como tinea corporis ou tinea cruris. Nas unhas, a onicomicose provoca espessamento, alteração de cor e fragilidade. Já nos pés, a chamada frieira ou “pé de atleta” causa descamação, fissuras e coceira entre os dedos. No couro cabeludo, as infecções podem provocar áreas ressecadas, descamação e até falhas no cabelo.

De acordo com a dermatologista e delegada da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul, Dra. Vanessa Santos Cunha, o calor favorece diretamente o desenvolvimento dos fungos. “As micoses são muito comuns no verão porque os fungos se desenvolvem melhor em ambientes quentes e úmidos. O suor, o uso prolongado de sapatos fechados e a umidade da pele criam condições ideais para que essas infecções apareçam. Na maioria das vezes são superficiais e podem ser tratadas com antifúngicos tópicos, como cremes ou pomadas, mas em alguns casos mais extensos ou em pessoas com imunidade comprometida pode ser necessário tratamento por via oral”, explica.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as micoses superficiais podem afetar até 25% da população mundial. O uso inadequado de medicamentos, além de atrasar a recuperação, pode favorecer o retorno da infecção. Outro ponto de atenção é que as fissuras provocadas por micoses, especialmente nos pés, podem facilitar a entrada de bactérias na pele.

“A principal complicação ocorre quando surgem fissuras ou pequenas lesões na pele. Por esses cortes podem entrar bactérias, levando a infecções como a erisipela ou a celulite infecciosa, que já são quadros mais graves e podem exigir tratamento médico imediato. Isso é ainda mais preocupante em pessoas com diabetes, obesidade ou imunidade comprometida”, alerta.

A recorrência também é comum quando o ambiente continua favorável ao fungo. Por isso, medidas simples de prevenção fazem diferença no controle das infecções. Entre as recomendações estão secar bem a pele após o banho, especialmente entre os dedos dos pés, evitar permanecer com roupas ou calçados úmidos por longos períodos, utilizar meias limpas e alternar os sapatos para permitir ventilação adequada. Talcos antissépticos também podem ajudar a reduzir a umidade em regiões como pés, virilhas e dobras da pele.

“Secar bem os pés depois do banho é uma das orientações mais importantes. Muitas vezes recomendamos usar papel para retirar a umidade entre os dedos ou até utilizar o secador de cabelo no modo frio. Outra medida importante é fazer rodízio de sapatos, permitindo que eles fiquem pelo menos 24 horas sem uso, já que os fungos não sobrevivem muito tempo fora da temperatura do corpo humano”, orienta.

Em caso de suspeita de micose ou qualquer alteração na pele, unhas ou couro cabeludo, a orientação é evitar receitas caseiras ou automedicação e procurar avaliação especializada. Em casos de suspeita, procure um médico dermatologista. Os profissionais habilitados podem ser conferidos no site http://www.sbdrs.org.br/

 

 

Marcelo Matusiak

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