Pesquisar no Blog

terça-feira, 5 de agosto de 2025

A amamentação é desafiadora, mas pode ser tranquila com apoio e orientação profissional


Fissura, dor no seio, desconforto, noites mal dormidas; mães em
amamentação precisam de orientação profissional e apoio emocional da família. 
Shutterstock

Fissuras, dor no seio, noites mal dormidas, falta de apoio emocional estão entre os obstáculos que as mães passam na amamentação

 

 

O Agosto Dourado é o mês dedicado à conscientização sobre a importância da amamentação. Todos os anos, fala-se muito dos benefícios do leite materno, da nutrição ideal que oferece ao bebê e da conexão emocional com a mãe. Mas o que pouco se comenta, e precisa ser dito, são os desafios reais e, muitas vezes, dolorosos enfrentados por quem amamenta. 

Fissuras, dor, ingurgitamento, pega incorreta, noites mal dormidas e falta de apoio emocional estão entre os obstáculos que muitas mães enfrentam silenciosamente, enquanto tentam manter a amamentação. 

“A dor ao amamentar, principalmente no início, não é rara. Fissuras nos mamilos podem surgir quando a pega não está correta, e isso compromete não só a saúde física, mas também o emocional da mulher”, alerta a mastologista Alessandra Amatuzzi, do CDM - Centro de Doenças da Mama, no Eco Medical Center. 

Ela explica que a prevenção e o conhecimento são as melhores maneiras de evitar os desconfortos. As dicas são: hidratar as mamas, evitando cremes na aréola e mamilo, usar um sutiã adequado para amamentação, que não aperte ou machuque as mamas e tenha boa sustentação, aplicar o próprio leite nos mamilos antes e após a mamada, permitir que as mamas sequem ao ar livre e, principalmente, garantir que o bebê abocanhe não só o mamilo, mas a aréola toda. “Corrigir a pega é mais eficaz do que apenas usar pomadas. Isso trata a causa e evita que a dor volte”, reforça. 

O leite materno é uma das melhores formas de tratar as fissuras, pois conforme a dermatologista Gisele Keiko Machado Shimizu, ele tem efeito cicatrizante, hidrata e combate bactérias. Pomadas com lanolina pura são úteis nas fissuras mais profundas. Não há necessidade de remover a pomada para amamentar. 

Em casos de muita dor, inchaço ou vermelhidão, diz Gisele, podem ser necessárias medicações via oral, tópicas e a terapia com luz local. Não devem ser usadas pomadas com corticoides, perfumes ou álcool.

 

Conchas e bicos de silicone

O uso de conchas e bicos de silicone, embora populares, requer orientação. “As conchas ajudam o mamilo a não encostar na roupa durante o processo de cicatrização. E os bicos podem ajudar na pega, principalmente nas mulheres com mamilos planos ou invertidos. Mas se mal utilizados, podem criar um ambiente úmido que favorece fungos (cândida mamária) e infecções (mastite). Ambos devem ser lavados com sabão e higienizados a cada amamentação”, destaca a mastologista. 

Nunca se aconselha o desmame total por dor ou fissura. O aconselhado é adaptar e manter a amamentação com uma das mamas enquanto a outra cicatriza. 

Não há nada que possa ser feito na gravidez para “fortalecer” a pele e o mamilo, muito menos para “treinar” ou estimular os bicos, como as duchas que antigamente eram indicadas, ou os banhos quentes, demorados e com sabonetes agressivos, orienta a dermatologista. As próprias mudanças hormonais da gestação já preparam o mamilo, aumentando a elasticidade e lubrificação naturalmente.

 

Leite materno: melhor alimento

A nutricionista materno-infantil Sarina Giongo também enfatiza os mitos que atrapalham esse processo. 

“É comum ouvirmos que leite fraco existe, que o seio pequeno produz pouco leite, que bebê que mama muito chora por fome ou que mulher com mamilo invertido não consegue amamentar. Nada disso é verdade. Tudo isso desinforma e desmotiva. Cada mãe deve ser acolhida e orientada corretamente”, defende. 

Mesmo diante da dor e das dúvidas, os benefícios da amamentação continuam sendo vastos, tanto para o bebê quanto para a mãe. “O leite materno é riquíssimo em fatores imunológicos. Ele protege contra infecções e diarreias, reduz o risco de obesidade, diabetes e alergias. É um alimento completo para os bebês e ainda contribui para o desenvolvimento emocional do bebê, graças ao contato visual e afetivo com a mãe”, explica Sarina. 

A pediatra Alessandra Vieira, do Eco Medical Center, complementa que os impactos positivos se estendem por toda a infância, até para a vida adulta. 

“Crianças amamentadas têm menos infecções respiratórias e diarreias, menor risco de alergias e um desenvolvimento cognitivo mais robusto. O contato pele a pele na primeira hora de vida (golden hour), por exemplo, melhora o desenvolvimento da fala, da respiração e até a regulação emocional do bebê”, afirma.

 

45% dos bebês são amamentados nos 6 primeiros meses

Os dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI), divulgados em 2023, mostram que 45,8% dos bebês brasileiros com menos de seis meses são amamentados exclusivamente. A meta da OMS é atingir 50% até 2025 e 70% até 2030. A amamentação, segundo o Ministério da Saúde, deve ser exclusiva até os 6 meses, e continuar até 2 anos ou mais, com alimentação complementar. 

Além dos benefícios ao bebê, a mãe também colhe frutos importantes. Segundo a nutricionista Sarina Giongo, amamentar contribui para a recuperação pós-parto, favorece a perda de peso, atua como método contraceptivo natural nos primeiros meses e reduz o risco de câncer de mama, útero e ovário, além de ser uma forma econômica de alimentar o bebê. 

A apojadura é o momento em que o leite “desce” e os seios ficam mais cheios, geralmente 2 a 5 dias após o parto. Isso pode causar ingurgitamento e desconforto. A forma correta de lidar: amamentar em livre demanda (a cada 2 a 3 horas ou quando o bebê sinaliza), usar compressas mornas antes da mamada, ordenhar um pouco antes se estiver muito cheio e manter técnicas de pega para esvaziar bem. 

Quando a mama não é esvaziada por algum motivo, há o acúmulo de leite e consequente ingurgitamento (empedramento) das mamas, que podem levar à infecção (mastite). Nestes casos, por mais dolorido que seja, é essencial esvaziar as mamas e usar um antibiótico se houver mastite, sob orientação médica. 

“Mas é essencial reforçar: não existe maternidade perfeita. O caminho da amamentação pode ser difícil, e está tudo bem pedir ajuda. Apoio familiar e orientação profissional fazem toda a diferença”, conclui a pediatra Alessandra Vieira. 


Eco Medical Center



Cirurgia para TOC é uma opção para casos graves e que não respondem mais aos tratamentos convencionais

Neurocirurgião destaca que muitos pacientes poderiam se beneficiar com o procedimento, mas há poucos profissionais habilitados a executá-lo e existe preconceito em relação às cirurgias psiquiátricas

 

O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é um distúrbio de saúde mental caracterizado por obsessões – pensamentos, impulsos indesejados ou imagens intrusivas e recorrentes – e compulsões, que são comportamentos repetitivos ou atos mentais que a pessoa se sente compelida a realizar. Essas obsessões e compulsões causam sofrimento significativo e interferem na vida diária. 

 

O neurocirurgião Ledismar Silva destaca que o procedimento cirúrgico é recomendado apenas nos casos graves, quando os medicamentos deixam de fazer efeito no tratamento do TOC. “Quando um neurocirurgião e um psiquiatra de fora da equipe relatam que o paciente não responde mais ao tratamento conservador e depois de cinco anos de aumento, nós entramos com o tratamento cirúrgico”, pontua.


O especialista está atualmente com um paciente aguardando a avaliação do Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) para validar a indicação cirúrgica, que será a primeira realizada no Hospital Unique. Ele destaca que no Brasil há poucos profissionais habilitados para executar o procedimento. 


Outro obstáculo, segundo o neurocirurgião Ledismar Silva, é que além da escassez de profissionais qualificados, existe o preconceito. “Existe o estigma, o preconceito em relação às cirurgias psiquiátricas. Por isso muitos pacientes que poderiam se beneficiar padecem com a doença”.

 

O tratamento cirúrgico pode ser feito de duas formas – por meio da estimulação cerebral profunda (DBS) ou através de técnicas ablativas. De acordo com Ledismar Silva, a segunda opção tem como vantagem o fato de ser mais baratas em relação ao DBS e permitir atuar em diferentes áreas (circuitos) doentes responsáveis pelo TOC. 

 

“Essa cirurgia dura cerca de quatro horas, é realizada por meio de técnica segura e eficaz, tem baixa mortalidade, necessita de internação de um dia e apresenta risco de complicações menor que 1%. Ou seja, é rápida e apresenta baixo risco aos pacientes”. 

 

Obsessões e compulsões

 

O TOC é um distúrbio de saúde mental caracterizado por obsessões e compulsões que causam sofrimento significativo e interferem na vida diária. As obsessões – pensamentos, imagens ou impulsos indesejados e recorrentes que invadem a mente da pessoa, causam desconforto e ansiedade. Preocupação excessiva com contaminação, medo de causar danos a si mesmo ou a outros, necessidade de simetria ou ordem perfeitas, pensamentos ou imagens perturbadoras ou obscenas são exemplos de obsessões. 

Já as compulsões são comportamentos ou rituais repetitivos que a pessoa se sente compelida a realizar para aliviar a ansiedade causada pelas obsessões. São exemplos de compulsão a lavagem excessiva das mãos, verificação repetida de coisas como fechaduras ou aparelhos, organização ou ordenação excessiva de objetos e repetição de palavras ou frases.  

O neurocirugião afirma que é importante ressaltar que o TOC não é apenas uma mania ou hábito. É uma condição de saúde mental que requer tratamento – que pode incluir terapia cognitivo-comportamental (TCC), medicamentos ou uma combinação de ambos. O tratamento pode ajudar a reduzir os sintomas do TOC e melhorar a qualidade de vida.  

O TOC pode afetar significativamente a vida diária da pessoa, causando dificuldade em realizar tarefas cotidianas; problemas no trabalho ou escola; dificuldades em relacionamentos interpessoais; isolamento social e impacto na saúde mental, como ansiedade e depressão.  

 

Cirurgia para agressividade

 

O neurocirurgião Ledismar Silva orienta que existe também cirurgia para pacientes com agressividade, que desenvolvem quadro de autoagressão – que batem com a cabeça na parede ou si dão socos – ou que agridem outras pessoas, como familiares, cuidadores, pessoas que visitam a casa. 

 

“Tudo isso pode levar a uma condição social insustentável. São famílias reclusas, sofredoras. Muitas vezes constroem quartos com grades, camas com grades. Já vimos pacientes ficarem algemados devido à gravidade dessa agressividade e do risco que representa aos familiares e a si próprio paciente. Há muitos relatos de pacientes que quebram tudo em casa, pegarem faca e partiram para cima dos familiares e de visitantes dessa família”, relata.

 

O procedimento cirúrgico é recomendado quando o tratamento conservador não apresenta mais resultados. “Indicamos a cirurgia para aqueles pacientes que têm cinco anos de tratamento conservador, que já tentou de tudo, e que mais uma vez o psiquiatra atesta junto com outro neurocirurgião que não tem jeito com medicamento, daí entra assim o tratamento cirúrgico que é realizado por especialistas da neurocirurgia funcional”, explica o médico.

 

Fonte: Ledismar Silva - Neurocirurgião, da equipe do Hospital Unique


Hospital Unique
Av. T-3, Setor Bueno, Goiânia, GO


Cresce a procura por partos humanizados no Brasil e especialista explica os benefícios para o bebê

Parto humanizado alia segurança e afeto
 desde os primeiros minutos de vida
 – Freepik
Médica pediatra do Hospital Mater Dei destaca como o modelo humanizado promove segurança e vínculo desde os primeiros instantes de vida

 

A busca por um nascimento mais respeitoso e centrado na mulher tem levado gestantes a optarem pelo parto humanizado, modelo que ganha força em todo o Brasil. De acordo com dados do Ministério da Saúde, mais de 25% dos partos realizados no SUS em 2023 seguiram diretrizes humanizadas, número que tem aumentado com a adesão de hospitais públicos e privados às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). A abordagem prioriza o protagonismo da mulher, a redução de intervenções desnecessárias e o contato precoce com o bebê — práticas que impactam diretamente o bem-estar do recém-nascido. 

No Hospital Mater Dei Goiânia, protocolos específicos foram implementados para garantir que mães e bebês vivenciem esse momento com segurança e acolhimento. A pediatra Mariana Perillo, integrante do corpo clínico do Hospital Mater Dei Goiânia na área de assistência ao recém-nascido na sala de parto e urgência e emergência pediátrica, explica como a humanização do parto contribui para o desenvolvimento saudável da criança desde os primeiros minutos de vida.

 

Foco no bem-estar do recém-nascido 

Segundo Mariana Perillo, o parto humanizado, do ponto de vista pediátrico, valoriza o ritmo fisiológico do nascimento e prioriza práticas baseadas em evidências. “O objetivo é garantir o bem-estar do recém-nascido desde os primeiros minutos. Isso inclui o contato pele a pele imediato com a mãe, o início precoce da amamentação e a manutenção do vínculo afetivo sem separações desnecessárias”, afirma. 

A médica destaca que estudos da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) apontaram benefícios significativos: menor incidência de intervenções neonatais, melhor estabilidade térmica e glicêmica, além de maior sucesso na amamentação. 

No contexto do parto humanizado, a presença de um pediatra é fundamental. “Mesmo em um cenário com menos intervenções, é essencial ter um profissional preparado para avaliar rapidamente as condições clínicas do bebê e agir em caso de necessidade”, explica Mariana. 

Segundo ela, procedimentos como o exame físico e o Teste de Apgar (avaliação rápida e padronizada da saúde de um recém-nascido logo após o nascimento) podem ser realizados enquanto o bebê permanece no colo da mãe, desde que ele esteja estável. “É uma forma de preservar o vínculo afetivo sem abrir mão da segurança neonatal.”

 

Protocolo humanizado no Hospital Mater Dei 

No Hospital Mater Dei Goiânia, o parto humanizado é respaldado por diretrizes específicas. A instituição oferece estrutura e equipe multiprofissional treinada para respeitar as escolhas da gestante e garantir práticas baseadas em evidências científicas.  

“Aqui, o plano de parto é valorizado, a paciente pode escolher a posição para parir, contar com acompanhante de sua preferência e recusar intervenções sem justificativa clínica”, relata a pediatra. A ideia é equilibrar o protagonismo da mulher com os critérios de segurança para mãe e bebê, promovendo um ambiente acolhedor e tecnicamente preparado.

 

“Hora de ouro” e vínculo afetivo 

Entre os pilares do parto humanizado está o contato pele a pele entre mãe e bebê logo após o nascimento. Esse momento, conhecido como “hora de ouro”, traz impactos positivos comprovados: favorece a colonização da microbiota materna, estabiliza a frequência cardíaca e respiratória do recém-nascido, regula a temperatura corporal e reduz o choro. 

“Sinais como choro vigoroso, boa coloração e respiração espontânea indicam que o bebê pode permanecer com a mãe sem necessidade de separação”, explica Mariana. A separação só ocorre quando há alguma intercorrência clínica. 

Apesar de priorizar o nascimento fisiológico, o parto humanizado não descarta o uso da tecnologia. “Sempre que há sinais de sofrimento fetal, necessidade de reanimação, apneia ou baixa pontuação no Apgar, as intervenções são realizadas com agilidade”, reforça a médica. Para Mariana, a humanização não se opõe à medicina: ela organiza os recursos técnicos com respeito, empatia e ciência.

 

Importância da consulta pré-natal pediátrica 

Um dos pontos ressaltados pela especialista é o papel da consulta pré-natal pediátrica, ainda pouco conhecida por muitas famílias. “Esse momento é fundamental para alinhar expectativas, tirar dúvidas sobre os primeiros cuidados com o bebê e construir uma relação de confiança com a equipe que estará presente no parto”, orienta Mariana. Ela acrescenta que essa conversa permite planejar condutas como o contato pele a pele, aleitamento precoce e evitar intervenções desnecessárias logo após o nascimento. 

Para gestantes que desejam um parto mais respeitoso, a dica da pediatra é buscar informações seguras e dialogar com a equipe assistencial. “A ciência e o acolhimento caminham juntos no parto humanizado. Quando conduzido com preparo e sensibilidade, esse modelo oferece segurança e fortalece os vínculos familiares desde o início”.

 

Neurologista Dr. Matheus Trilico Fala sobre Pais Autistas e Diagnóstico Tardio

Eles casaram, criaram filhos, trabalharam duro e ainda assim sentiam que algo não se encaixava. Muitos pais autistas viveram décadas lidando com dificuldades sociais, rotinas rígidas e sobrecarga sensorial sem nunca terem colocado nome no que sentiam. Até que, já adultos, chegam ao consultório e finalmente se veem: estão no espectro autista.

“Precisamos olhar para a paternidade com mais empatia e menos padrões. Nem todo pai vai expressar afeto da mesma forma, e isso não significa amar menos”, explica o neurologista Dr. Matheus Trilico, referência no diagnóstico de autismo em adultos.

Com o aumento dos diagnósticos tardios de TEA (Transtorno do Espectro Autista), milhares de homens estão ressignificando suas histórias. Muitos descobrem que o jeito peculiar de demonstrar amor mais silencioso, mais analítico, mais reservado não é falha, é apenas diferente. E tudo bem.

No Mês dos Pais, esse olhar mais inclusivo é um convite: que tal reconhecermos esses pais como eles são inteiros, únicos e, sim, profundamente amorosos?



O Despertar Através dos Filhos

Muitos desses homens só desconfiam da possibilidade de estarem no espectro após o diagnóstico de um filho. "É comum que, ao acompanharem a avaliação do filho, comecem a se identificar com os traços apresentados e iniciem uma jornada de autoconhecimento que, muitas vezes, traz alívio", explica Dr. Trilico.

Pesquisas sugerem que uma parcela significativa de pais diagnosticados com TEA na idade adulta relataram uma transformação profunda em sua compreensão sobre paternidade. "Finalmente entendi por que sempre me senti diferente, por que as interações sociais eram tão desafiadoras" – este é um relato comum entre esses pais.

Segundo Dr. Trilico, essa descoberta tardia é especialmente significativa. "Muitos homens recebem o diagnóstico de TEA apenas quando seus filhos são avaliados. É um momento de dupla transformação: compreender o filho e compreender a si mesmo. Imagine a revolução interna que isso representa", explica o médico.



Desafios Únicos da Paternidade Autista

O diagnóstico em adultos não é simples. Envolve escuta atenta, análise da história de vida, observação clínica e, sobretudo, empatia. E quando esse homem é pai, surgem novos desafios: a sobrecarga sensorial da rotina com crianças, as demandas emocionais intensas da paternidade, a culpa por não conseguir se comunicar da forma esperada, o medo de ser julgado ou de "falhar como pai".

"A alexitimia, dificuldade em identificar e expressar emoções, afeta uma parcela considerável dos adultos com TEA. Isso pode criar barreiras na comunicação emocional entre pai e filho, mas longe de ser uma limitação insuperável, representa apenas uma forma diferente de vivenciar a paternidade”, destaca Dr. Trilico.

Estudos científicos documentam que pais autistas frequentemente enfrentam dificuldades específicas: interpretação de sinais sociais sutis dos filhos, comunicação emocional complexa e situações sociais imprevisíveis. "Mas é fundamental compreender que essas dificuldades não diminuem o amor ou o comprometimento paterno. Pelo contrário, muitas vezes intensificam a busca por formas alternativas de conexão", enfatiza Dr. Trilico.



Forças Ocultas da Paternidade Neurodivergente

O que precisamos entender é que o pai autista não é menos afetivo ou menos presente. Ele sente profundamente, apenas expressa de outra forma. Quando há apoio, acolhimento e, principalmente, informação, esse pai floresce em sua melhor versão.

Pesquisas emergentes revelam características notáveis em pais com TEA. Estudos longitudinais indicam que filhos de pais autistas frequentemente apresentam desenvolvimento positivo em áreas como organização pessoal, cumprimento de rotinas e habilidades acadêmicas específicas.

"Pais autistas tendem a criar rotinas muito organizadas para seus filhos, estabelecem regras claras e são extremamente consistentes em suas abordagens educativas. A mente autista paterna oferece uma estrutura que muitas crianças, especialmente as neurodivergentes, encontram reconfortante e previsível. É como um porto seguro em meio ao caos do mundo”, observa Dr. Trilico.

A capacidade de foco intenso permite que dediquem atenção profunda aos interesses de seus filhos. "Pais autistas frequentemente se tornam especialistas nos temas que fascinam seus filhos, criando conexões profundas através de interesses compartilhados. Quantos pais se tornaram experts em dinossauros, trens ou astronomia só para se conectar com seus pequenos?", complementa Dr. Trilico com um sorriso.



Uma Linguagem Própria do Amor

Dr. Tony Attwood, renomado pesquisador australiano, documentou em seus estudos que pais autistas frequentemente desenvolvem sistemas únicos de comunicação com seus filhos. "Eles podem não expressar afeto da forma tradicional, mas criam linguagens próprias de carinho – seja através de atividades compartilhadas, interesses especiais ou formas não-verbais de demonstrar amor", detalha Dr. Trilico.

A honestidade direta, característica comum no TEA, resulta em comunicação clara e sem ambiguidades. "Crianças de pais autistas frequentemente relatam sentir-se seguras porque sabem exatamente o que esperar – não há mensagens confusas ou duplos sentidos. Existe uma transparência emocional que pode ser muito reconfortante", destaca Dr. Trilico.



O Papel da Família e Sociedade

Para Dr. Trilico, nesse contexto, o papel da família e da sociedade é fundamental: dar espaço para que esses homens sejam pais do seu jeito, respeitando suas necessidades e limites. A literatura científica indica que pais autistas que recebem orientação específica apresentam redução significativa no estresse parental e melhoria na qualidade da relação familiar.

"O suporte não deve focar em 'corrigir' o pai autista, mas em potencializar suas forças naturais e desenvolver estratégias para os desafios específicos. Grupos de apoio para pais neurodivergentes têm se mostrado especialmente eficazes. É emocionante ver como esses homens florescem quando encontram outros que compartilham experiências similares", enfatiza Dr. Trilico.

A clínica também tem um papel vital, oferecendo suporte emocional, orientação e, em muitos casos, terapias que ajudam a lidar com as dificuldades de comunicação e regulação emocional. "Estamos caminhando para uma era onde a neurodiversidade paterna será vista como uma variação natural e valiosa, não como uma deficiência a ser corrigida", projeta o neurologista.



Libertação Através do Autoconhecimento

Receber o diagnóstico pode ser profundamente libertador. "Muitos pais finalmente compreendem por que certas situações sociais ou emocionais da paternidade eram tão desafiadoras. Isso permite desenvolver estratégias mais eficazes e, principalmente, mais autênticas", explica Dr. Matheus.

Estudos qualitativos indicam que a maioria dos pais recém-diagnosticados relatam melhoria significativa na qualidade da relação com os filhos após o diagnóstico. "A autocompreensão permite que sejam pais mais autênticos e eficazes. É como se finalmente pudessem parar de fingir ser alguém que não são", destaca Dr. Trilico.



Celebrando a Diversidade Paterna

No Mês dos Pais, fica o convite à reflexão: nem todo pai vai dizer "eu te amo" do jeito esperado. Mas talvez ele diga construindo rotinas carinhosas, mantendo a ordem familiar, explicando o mundo com profundidade infinita ou fazendo o mesmo café especial todas as manhãs.

"Cada pai autista é único, assim como cada pai neurotípico. O que importa não é como o cérebro funciona, mas como o coração ama. A paternidade autista existe e merece ser compreendida, acolhida e celebrada. Esses pais não são menos pais – são pais de uma forma diferente, e isso é lindo”, conclui Dr. Trilico

Neste mês dos pais, a sociedade é convidada a ampliar sua compreensão sobre as múltiplas formas de ser pai, reconhecendo que o amor paterno se manifesta de maneiras diversas, todas igualmente válidas e preciosas. Porque no final das contas, ser pai é sobre amor, presença, cuidado e isso não tem apenas uma forma de existir.



Dr. Matheus Trilico - Dr. Matheus Luis Castelan Trilico - CRM 35805PR, RQE 24818. •Médico pela Faculdade Estadual de Medicina de Marília (FAMEMA); •Neurologista com residência médica pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR); •Mestre em Medicina Interna e Ciências da Saúde pelo HC-UFPR; •Pós-graduação em Transtorno do Espectro Autista
Mais artigos sobre TEA e TDAH em adultos podem ser vistos no portal do neurologista: https://blog.matheustriliconeurologia.com.br/


Jasmine explica como equilibrar colesterol a partir de uma alimentação consciente

 

Divulgação Jasmine 

Referência em alimentação saudável, marca convida o consumidor a olhar com mais atenção para o que vai ao prato e explica como escolhas do dia a dia podem ajudar na prevenção de doenças cardiovasculares. 

 

O Dia Nacional de Combate ao Colesterol (8) tem como objetivo conscientizar sobre a prevenção e tratamento dos distúrbios metabólicos, caracterizados por níveis anormais de lipídios (gorduras), como colesterol e triglicerídeos, no sangue, fatores que aumentam risco de doenças cardiovasculares.

A fim de orientar o público consumidor sobre o tema, Jasmine, marca referência em alimentação saudável, reforça a importância de uma nutrição equilibrada como parte do cuidado preventivo. “É claro que genética e estilo de vida também contam, mas a alimentação é uma ferramenta poderosa para esse controle”, explica Karla Maciel, nutricionista da marca.

O colesterol é uma substância essencial para o funcionamento do organismo, mas seu equilíbrio é o que garante a saúde. No corpo, ele circula por meio de dois tipos principais de lipoproteínas: o LDL e o HDL. Cada um desempenha funções distintas no metabolismo e entender essa diferença é essencial para saber como a alimentação pode atuar na prevenção de doenças cardiovasculares. Confira!

HDL X LDL 

O colesterol é transportado no sangue por lipoproteínas, que são classificadas em duas principais categorias: o LDL, lipoproteína de baixa densidade, e o HDL, lipoproteína de alta densidade.

O LDL, popularmente conhecido como colesterol ruim, transporta colesterol do fígado para as células. Quando está em excesso, pode se acumular nas paredes das artérias, formando placas ateroscleróticas. Esse acúmulo pode resultar em um estreitamento das artérias, aumentando o risco de doenças cardíacas, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

O HDL é conhecido como colesterol bom porque tem a função oposta do LDL, ele coleta o colesterol das artérias e o leva de volta ao fígado, onde é processado e eliminado. Esse processo ajuda a prevenir a formação de placas nas artérias e, assim, reduz o risco de doenças cardiovasculares.

Compreender esse equilíbrio é fundamental, já que manter níveis adequados de HDL e controlar o LDL pode fazer toda a diferença na prevenção de doenças. E, nesse cenário, a alimentação tem papel decisivo.

Além de fatores genéticos e do estilo de vida, a nutrição exerce influência direta nos níveis de colesterol no organismo. Por isso, Jasmine reforça a importância de escolhas conscientes à mesa com o apoio da nutricionista da marca, Karla Maciel, para orientar o consumidor sobre como pequenos ajustes na dieta podem promover grandes benefícios à saúde do coração.

“Manter bons níveis de HDL enquanto se controla o excesso de LDL é fundamental para a saúde cardiovascular. Esse equilíbrio lipídico ajuda a proteger as artérias e evita complicações mais sérias, como infarto e AVC.”, explica Karla Maciel. “Escolhas conscientes no dia a dia, como incluir fibras, reduzir gorduras saturas e evitar alimentos ultraprocessados fazem toda a diferença nesse processo de cuidado com o coração.”


Alimentação: aliada estratégica no controle do colesterol

Entender o papel do colesterol no organismo é o primeiro passo, mas colocar esse conhecimento em prática exige atenção ao que vai ao prato. Nesse contexto, a alimentação equilibrada torna-se uma grande aliada da saúde cardiovascular e pode ajudar, de forma efetiva, a manter o colesterol sob controle.

Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados é um dos caminhos mais eficazes. Produtos ricos em açúcares refinados, farinhas brancas e gorduras trans, como embutidos, salgadinhos, biscoitos e produtos prontos para consumo, favorecem o aumento do colesterol LDL e dos triglicérides, além de contribuírem para processos inflamatórios no corpo.

“Esses ingredientes facilitam o acúmulo de gordura nas artérias, o que pode comprometer o fluxo sanguíneo e aumentar o risco de doenças cardiovasculares”, detalha.

Para prevenir o aumento do colesterol e adquirir saudabilidade ao longo da vida, é importante, além de reduzir o consumo dos produtos ultraprocessados, evitar o excesso de alimentos como carne, leite, gema de ovo, pele de frango, salame e salsicha, por exemplo.

Se, por um lado, é fundamental reduzir o consumo de itens que elevam o colesterol, por outro, incluir alimentos com propriedades funcionais, como carboidratos mais complexos e gorduras mono e poli-insaturadas, como o ômega 3, é uma estratégia poderosa para equilibrar os níveis de HDL e LDL no organismo. Confira as recomendações:

As sementes de chia e linhaça são boas fontes vegetais de gordura saudável, enquanto as granolas integrais podem ser escolhidas como fontes de carboidratos mais complexos. Esses alimentos podem fazer parte da rotina familiar, de forma a agregar sabor e nutrientes;

Alimentos ricos em fibras, como farelo de aveia, flocos de aveia, quinoa, granola e cookies integrais se associam com a melhora do perfil lipídico, tanto por contribuir de forma direta na redução da absorção de colesterol dietético, quanto por favorecer a melhora da composição da microbiota intestinal;

Além das fibras, a aveia contém ácidos graxos poli-insaturados, proteínas, ferro e magnésio. Assim como a quinoa, que é excelente fonte de proteínas, fósforo, zinco, ferro, cobre, magnésio e manganês, bem como ômegas 3 e 6. Os farelos e grãos da Jasmine podem ser harmonizados de forma criativa, junto ao bowl de frutas e nas mais diversas refeições. Já os cookies, são opções práticas para deixar sempre por perto, na mesa do escritório ou na bolsa;

A suplementação complementar à alimentação vem ganhando destaque na modulação do perfil lipídico. São exemplos: extratos de bergamota, berberina, extrato de folha de alcachofra e arroz fermentado vermelho.


Estilo de vida também conta

Embora a alimentação equilibrada seja um passo essencial no controle do colesterol, ela não atua sozinha. A prática regular de atividades físicas complementa esse cuidado e potencializa os resultados. Caminhadas, corridas, pedaladas, natação e até exercícios de força ajudam a aumentar os níveis de HDL (colesterol bom), reduzir o LDL (colesterol ruim) e controlar os triglicerídeos, além de contribuírem para o controle de peso e a saúde do coração como um todo. 

“O estilo de vida, como um todo, impacta positivamente no controle das dislipidemias e no auxílio para a prevenção de doenças cardiovasculares. Por isso, recomenda-se a prática de exercícios físicos regularmente. Junto a isso, o ideal é equilibrar outros pilares como higiene do sono, controle do estresse, redução do consumo de tóxicos e equilíbrio da saúde mental. Em muitos casos, essa combinação lá é suficiente para reverter quadros leves a moderados de colesterol alto.”, finaliza a nutricionista.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda ainda a realização de exames preventivos a partir dos 20 anos, com intervalo de 5 anos para quem não tem fatores de risco. 

Para conhecer todos os produtos da Jasmine, acesse o site www.jasminealimentos.com


Agosto Branco

Mês de Conscientização sobre o câncer de pulmão destaca impacto da poluição no aumento da doença e avanços no tratamento com participação brasileira em estudo internacional

 

O mês de agosto ganha um tom de alerta com a campanha Agosto Branco, dedicada à conscientização, prevenção e combate ao câncer de pulmão. Neste ano, a vigilância é ainda mais urgente diante das descobertas recentes sobre o impacto da poluição atmosférica na saúde respiratória e os avanços promissores no tratamento da doença. 

Um estudo publicado no início de julho de 2025 pelo periódico Nature revelou que a poluição do ar pode causar mutações no DNA que levam ao desenvolvimento do câncer de pulmão, mesmo em pessoas que nunca fumaram. A pesquisa demonstrou que partículas finas (PM2,5), presentes na poluição urbana, não apenas agravam doenças respiratórias, mas também ativam mutações adormecidas no gene EGFR, especialmente perigosas para não fumantes. 

“Essa descoberta reforça a importância de políticas públicas de controle da qualidade do ar e amplia o foco da prevenção para além do cigarro”, afirma o Dr. Carlos Teixeira, oncologista e chefe do Núcleo de Tumores Torácicos do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. “A poluição se torna agora um fator de risco comprovado e alarmante”. 

O cenário de alerta vem acompanhado de esperança. O Hospital Alemão Oswaldo Cruz foi destaque na edição de 2025 do maior congresso de oncologia do mundo, a ASCO (American Society of Clinical Oncology), ao liderar a participação brasileira em um estudo clínico internacional que pode mudar paradigmas no tratamento do câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) com mutações no gene EGFR. 

O estudo, apresentado em sessão oral na ASCO e publicado no Journal of Clinical Oncology, avaliou três abordagens terapêuticas neoadjuvantes: Osimertinibe isoladamente, sua combinação com quimioterapia e o uso exclusivo da quimioterapia. Os resultados indicaram que, entre os pacientes que receberam a terapia-alvo antes da cirurgia, houve um aumento de 23% na taxa de resposta patológica maior em relação aos que foram submetidos apenas ao tratamento quimioterápico “Trata-se de um estudo robusto, com potencial de mudar condutas clínicas e beneficiar diretamente pacientes oncológicos com perfis genéticos específicos”, explica o Dr. Carlos Teixeira, que é também coautor da pesquisa. “É um avanço significativo, especialmente para países como o Brasil, onde já conseguimos testar esses pacientes antes da cirurgia””. 

O Brasil participou do estudo com 11 pacientes, sendo quatro deles tratados integralmente no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, que foi a instituição nacional com maior número de pacientes recrutados. 

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pulmão é o terceiro mais frequente no Brasil e o líder em mortalidade entre os tipos de câncer, com mais de 30 mil mortes por ano. Estima-se que 15% dos casos estejam relacionados a fatores ambientais, como a poluição atmosférica, um dado que ganha novo peso com a confirmação dos mecanismos moleculares envolvidos. 

Durante o Agosto Branco, especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce, especialmente com o uso de exames de imagem de baixa dose para pessoas em grupos de risco como fumantes e ex-fumantes, indivíduos com doenças pulmonares crônicas, pessoas com histórico familiar de câncer de pulmão, trabalhadores expostos a agentes químicos e aqueles que vivem em áreas com alta poluição atmosférica. Eles também reforçam a necessidade de ações intersetoriais para redução da poluição nas grandes cidades. “A luta contra o câncer de pulmão exige vigilância ambiental, acesso à inovação terapêutica e educação da população. Esse mês é uma oportunidade de unir ciência, sociedade e política pública em torno dessa causa”, conclui o Dr. Carlos Teixeira. 

É essencial olhar para o câncer de pulmão com a seriedade e urgência que ele exige. Os avanços científicos e as novas evidências sobre os riscos ambientais reforçam que o combate à doença não depende apenas de escolhas individuais, mas também de políticas eficazes, acesso equitativo à saúde e investimentos contínuos em pesquisa. Somente com informação, prevenção e tratamento personalizado poderemos transformar a realidade dos pacientes e reduzir o impacto dessa doença que, embora silenciosa, ainda é uma das mais devastadoras no Brasil e no mundo.
 

TOP 10 PULMÃO

Nesse contexto, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforça seu compromisso com a educação médica e a atualização científica ao promover o TOP 10 Pulmão, que acontece em 23 de agosto, em São Paulo. O evento reunirá especialistas para analisar os dez artigos científicos mais relevantes publicados no último ano sobre oncologia torácica, trazendo reflexões sobre novas estratégias terapêuticas e prevenção do câncer de pulmão. Voltado a oncologistas, residentes e demais profissionais de saúde, o encontro representa uma oportunidade única de atualização frente aos avanços da ciência e aos desafios impostos pela poluição atmosférica e pelas mudanças no perfil da doença. LINK


Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Dra. Carlos Teixeira CRM 108-859 – RQE 30484
Acesse o nosso site para saber mais: Link


Uso de anestesia para tatuagem é proibido no Brasil

Professor de anestesiologia e especialista em clínica da dor da Afya Educação Médica alerta para os riscos à saúde envolvidos no procedimento 

 

O uso de anestésicos durante tatuagens, prática que vinha se popularizando, passa a ser oficialmente proibido em todo o território nacional. A medida segue orientações do Conselho Federal de Medicina (CFM) visa evitar complicações decorrentes do uso inadequado dessas substâncias, que podem provocar reações adversas e até situações de risco de vida.


A resolução do CFM, publicada no Diário Oficial da União na última semana, veda expressamente o uso de sedação, anestesia geral ou bloqueios anestésicos periféricos para fins não médicos, como a realização de tatuagens. Além disso, o conselho reforça que anestésicos locais, como lidocaína, benzocaína e similares, são de uso exclusivo de profissionais habilitados da área da saúde, como médicos anestesiologistas. A aplicação por tatuadores ou qualquer pessoa não autorizada é proibida. O alerta vem após o aumento de casos de complicações em estúdios de tatuagem, onde clientes buscavam procedimentos indolores com o uso de cremes anestésicos ou injeções aplicadas por pessoas sem preparo técnico ou capacidade de lidar com emergências médicas.


Segundo o Dr. Moisés Neves, professor de anestesiologia e clínica da dor da Afya Educação Médica de Ribeirão Preto, o uso de anestésicos,  especialmente os injetáveis, requer profundo conhecimento técnico sobre dosagem, vias de administração e possíveis efeitos colaterais. Ele destaca que esses medicamentos, inclusive os tópicos, não são cosméticos e devem ser utilizados exclusivamente em ambiente médico. “Quando administrados por pessoas não habilitadas, os riscos ultrapassam uma simples alergia. Podem ocorrer complicações graves, como convulsões, arritmias, parada cardiorrespiratória e até morte súbita”, alerta o especialista.


Dr. Moisés também pontua que a dor faz parte da experiência de se tatuar e, para muitas pessoas, possui até um valor simbólico. No entanto, reconhece que a sensibilidade à dor varia de pessoa para pessoa. Em casos em que a dor se apresenta como um obstáculo real, a recomendação é buscar orientação médica, especialmente de um anestesiologista ou dermatologista, que possa avaliar o quadro clínico e, se necessário, indicar alternativas seguras, como anestésicos tópicos leves ou métodos não farmacológicos.


Ele reforça que mesmo anestésicos tópicos oferecem riscos sérios quando utilizados por pessoas sem formação adequada. “É extremamente perigoso recorrer a soluções caseiras, pomadas manipuladas sem controle ou produtos de procedência duvidosa. Anestesia exige preparo técnico e condições para intervir rapidamente em emergências”, enfatiza.


O especialista da Afya faz ainda um alerta para os riscos escondidos em tendências estéticas promovidas nas redes sociais. Procedimentos divulgados como indolores, rápidos e simples podem, na realidade, colocar a saúde em perigo. “O corpo humano reage. Ele sente dor, sangra, responde a estímulos químicos. Substâncias aplicadas na pele, especialmente anestésicos, podem desencadear efeitos sistêmicos graves. E o fato de algo ter dado certo com uma figura pública não significa que seja seguro para todos. A segurança é individual”, destaca. Diante da nova diretriz, a recomendação é que os consumidores verifiquem os métodos adotados pelos estúdios de tatuagem e desconfiem de qualquer procedimento que envolva o uso de anestésicos sem supervisão profissional. A norma busca fortalecer a ética profissional e proteger a integridade física dos clientes, além de garantir o uso seguro das substâncias. 


Nesse sentido, estúdios que desrespeitarem a proibição poderão responder judicialmente por exercício ilegal da medicina, além de comprometerem a segurança dos clientes e a credibilidade do setor. “O cuidado com a dor nunca pode se sobrepor à segurança. Anestesia não é recurso estético, é um procedimento médico sério, que exige formação específica, monitoramento contínuo e preparo técnico. Quando mal aplicada, pode custar vidas”, conclui o Dr. Moisés. 



Afya,
http://www.afya.com.br e ir.afya.com.br


Desempenho escolar pode ser prejudicado por problemas auditivos não diagnosticados

Com a volta às aulas, especialistas fazem alerta aos pais e educadores para que fiquem atentos aos sinais de perda auditiva na infância
 

Uma criança pode tirar notas baixas, ter dificuldade para ler e escrever ou ser considerada “desatenta” simplesmente porque não escuta bem. A perda auditiva, mesmo que leve, pode comprometer o rendimento escolar e muitos pais e professores podem não relacionar esses sinais com a saúde auditiva. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 34 milhões de crianças no mundo vivem com perda auditiva incapacitante, ou seja, com limitação auditiva superior a 30 decibéis. No Brasil, estimativas do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia apontam que, de cada mil crianças nascidas no Brasil, de três a cinco já nascem com deficiência auditiva. 

As principais causas da perda auditiva incluem fatores genéticos, algumas doenças infecciosas, uso de medicamentos ototóxicos, exposição a ruídos intensos e o envelhecimento. No entanto, de acordo com a OMS, 60% dos casos de perda auditiva infantil são evitáveis e 1,1 bilhão de jovens entre 12 e 35 anos estão em risco, devido à exposição prolongada a sons altos em fones de ouvido, shows e outros ambientes recreativos. 

A fonoaudióloga e especialista em reabilitação auditiva, Dra. Vanessa Gardini, explica que a perda auditiva não diagnosticada é uma causa muito comum para o atraso do desenvolvimento cognitivo infantil. “Muitas crianças são encaminhadas para acompanhamento pedagógico, psicológico ou neurológico, quando, na verdade, o problema está na audição. Uma avaliação auditiva simples pode mudar completamente a trajetória escolar de um aluno”, afirma a especialista, da clínica Pró-Ouvir Aparelhos Auditivos, de Sorocaba (SP).
 

Fones de ouvido: um risco à audição infantil 

O uso precoce e prolongado de fones de ouvido é um fator de risco crescente para perdas auditivas na infância, segundo a própria OMS. “As crianças passam horas conectadas a tablets e celulares com fones no ouvido, muitas vezes em volume inadequado. O som direto e constante próximo ao tímpano pode causar lesões cumulativas e irreversíveis”, alerta a especialista. 

Segundo Dra. Vanessa Gardini, o ideal é que os pais limitem o tempo de uso e sempre supervisionem o volume. “Existem fones com limitador de som, mas a supervisão é indispensável. O que parece inofensivo pode trazer consequências graves para o aprendizado e o desenvolvimento da linguagem”, adverte.
 

Quando desconfiar de um problema auditivo? 

Alguns sinais de alerta que merecem atenção, segundo a especialista: 

  • A criança demora a responder quando é chamada;
  • Fala alto ou aumenta muito o volume da TV;
  • Pede para repetir informações com frequência;
  • Tem dificuldades na alfabetização ou para seguir instruções simples;
  • Apresenta atrasos na fala ou na leitura.
     

Volta às aulas: atenção com a audição 

Com o retorno às aulas, é fundamental que pais e professores fiquem atentos a eventuais sinais de dificuldade auditiva. “Este é o momento ideal para observar o desempenho da criança em sala, sua interação com os colegas e a capacidade de compreender instruções. Se houver qualquer suspeita, a avaliação auditiva deve ser realizada, o quanto antes”, orienta a fonoaudióloga Vanessa Gardini. 

O tratamento, entretanto, não termina com o uso do aparelho auditivo, se essa for a opção indicada, acrescenta a especialista. Após a realização de uma série de exames específicos para diagnóstico – como a audiometria tonal e vocal, a imitanciometria e testes de triagem auditiva –, a reabilitação auditiva avança para esta etapa fundamental, que é quando a criança é ensinada a decodificar os sons de forma eficiente. 

“Se a criança for diagnosticada com perda auditiva, ela vai precisar usar um aparelho, ou implante coclear, dependendo do caso. Às vezes, a terapia fonoaudiológica também é indicada, com o trabalho de treinar o cérebro para entender o que os ouvidos voltaram a captar. Só assim, garantimos que o paciente compreenda os sons ao seu redor, melhore a comunicação e volte a se comunicar plenamente”, completa. 

Para ter mais informações sobre o tratamento da perda auditiva e receber instruções de profissionais da área, acesse o site da Pró-Ouvir Aparelhos Auditivos (proouvir.com.br), siga as redes sociais (@proouvir) ou entre em contato pelo WhatsApp: (15) 3231-6776.


Pesquisa revela que pacientes com hemofilia e seus cuidadores dedicam, em média, cinco horas entre deslocamentos e permanência em hemocentros


Pacientes com hemofilia e seus cuidadores dedicam, em média, cinco horas de deslocamento e permanência em centros especializados de tratamento. O dado faz parte da pesquisa inédita “Mapeamento da Jornada de Pacientes e Cuidadores com Hemofilia A e B”, realizada pela ABRAPHEM (Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia), com coordenação científica da Supera Consultoria em Projetos Estratégicos e o apoio da Roche Farma Brasil. O estudo contou com 312 participantes de 15 estados brasileiros e buscou compreender os principais gargalos da jornada de quem convive com a condição.

 

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 14 mil pessoas vivem com hemofilia no Brasil — uma condição rara, hereditária e caracterizada por um distúrbio de coagulação que provoca sangramentos prolongados e recorrentes. A pesquisa ouviu pacientes com hemofilia A ou B e seus cuidadores, que, em sua maioria, são mães. A pesquisa também contou com um recorte para pacientes pediátricos de até 06 anos, com Hemofilia A grave e sem inibidor, evidenciando como a condição compromete a primeira infância. “O objetivo dessa iniciativa é dar visibilidade aos desafios enfrentados diariamente por essas famílias, desde as barreiras logísticas até os impactos físicos e emocionais. Esperamos que os dados contribuam para o aprimoramento do diagnóstico, do tratamento e, sobretudo, da qualidade de vida das pessoas com hemofilia”, afirma Mariana Battazza, presidente da ABRAPHEM.

 

Entre os destaques da pesquisa está a carga logística imposta pelo tratamento: em média, cuidadores relatam gastar até cinco horas entre deslocamentos e permanência em centros de tratamento, especialmente em regiões com acesso limitado a serviços especializados. “Entendemos que essa realidade impacta diretamente a organização familiar, a vida profissional dos cuidadores e o bem-estar dos pacientes. Por isso, é importante recalcular a rota e pensar em estratégias para a descentralização do cuidado, que promovam mais equidade, conforto e eficiência no cuidado”, acrescenta Verônica Stasiak, Diretora Estratégica da Supera Consultoria em Projetos Estratégicos, ATS e Pesquisas em Saúde.

 

O levantamento também identificou que 59% dos participantes afirmam que as infusões de fator VIII são realizadas fora do domicílio, revelando uma alta dependência de serviços de saúde especializados. Mesmo entre os que realizam o tratamento em casa, 47,1% relatam dificuldade de acesso venoso e, desses, 60,9% precisam de múltiplas tentativas para completar a infusão. Além disso, mais de 60% dos cuidadores revelaram que não conseguem administrar a infusão na primeira tentativa.

 

“Desafios como esses ainda contribuem para a dependência de hospitais e hemocentros, gerando grande impacto na rotina familiar e menor autonomia no cuidado. Dar luz a esses dados é essencial para estimular reflexões e buscar soluções que tornem a jornada do paciente mais prática, acessível e humanizada”, completa Michele França, Diretora Médica da Roche Farma Brasil.

 

Pesquisa: Mapeamento da Jornada de Pacientes e Cuidadores com Hemofilia A e B

Disponível: Aqui

Público: Pacientes com hemofilia A ou B e todas as idades e cuidadores de pessoas com diagnóstico de hemofilia A e B

Realização: ABRAPHEM

Coordenação Científica: Supera Consultoria

Financiamento: Roche Farma Brasil

 

 

O amor de pai, segundo a neurociência

 

O neurocirurgião e neurocientista Dr. Fernando Gomes professor livre-docente do Hospital das Clínicas de SP, revela que quem acha que o amor de mãe é incondicional e diferente do de pai não está enganado – isso segundo a neurociência. 

O médico explica que a mãe, como genitora, é bombardeada de hormônios como a ocitocina e a prolactina – responsáveis pelo amor e pelo instinto protetor. Isso acontece principalmente porque os neurotransmissores da gestação e da fase da amamentação são responsáveis também por estimular a produção de leite e a contração uterina. Com isso, fica claro perceber que a ligação entre mãe e filho não é só carnal, mas, também, hormonal. Mas, onde então surge o amor de pai já que ele não é inundado com esses hormônios, tipicamente maternais? 

Para o neurocientista no homem, o vínculo com a sua cria é basicamente mental. “O pai se identifica com o filho quando percebe que ele, realmente, conseguiu transmitir a sua carga genética adiante.” Mas, engana-se quem pensa que não existe amor – no quesito hormonal – do pai para o filho. Quando o homem se apaixona, é comum liberar doses homeopáticas de ocitocina, porém não se compara com o nível da mulher. O que ocorre, então, é uma aproximação tanto de valores, quanto de estética. “Reconhecer-se no filho é o que todo pai almeja. Perceber que os seus jeitos podem ser perpetuados para a eternidade faz com que ele sinta uma aproximação muito grande com a cria, além de fazer com que se sinta capaz de realizá-lo”, esclarece o médico. 

E isso é explicado tanto pela medicina, quanto pela psicologia. “O amor do pai é menos físico. Porém, não menos intenso. A sua função, para o cérebro e sentidos racionais, é ficar na guarda da família, mantendo-a protegida.” Assim, enquanto o instinto maternal está, sobretudo, em alimentar, proteger e agasalhar, o paternal está em resguardar e perpetuar sua carga genética. “Os valores também são importantes para o pai. Vê-los no filho causa uma sensação de dever cumprido”, completa Dr. Fernando.  



Dr Fernando Gomes - Professor Livre Docente de Neurocirurgia da FMUSP com mais de 2 milhões de seguidores. Há 12 anos atua como comunicador, já tendo passado pela TV Globo por seis anos como consultor fixo do programa Encontro com Fátima Bernardes (2013 a 2019), por um ano (2020) na TV Band no programa Aqui na Band como apresentador do quadro de saúde “E Agora Doutor?” e dois anos (2020 a 2022) como Corresponde Médico da TV CNN Brasil. Atualmente comanda seu programa Olho Clínico com Dr. Fernando Gomes semanalmente no Youtube desde 2020. É também autor de 9 livros de neurocirurgia e comportamento humano. Chefe da Unidade de Hidrodinâmica Cerebral do Grupo de Neurocirurgia Funcional do HC – FMUSP e coordenador do Núcleo de Cranioestenose e Assimetrias Cranianas do Hospital Infantil Sabará.
drfernandoneuro


Posts mais acessados