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segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Bacon traz risco a saúde? Produtora explica diferença entre carnes artesanais e processadas

Relatório da OMS alerta para ligação entre consumo de carnes processadas e câncer de intestino; Flávia Brunneli, especialista em carne suína, defende transparência e produção com carne de verdade

 

O alerta feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre os riscos do consumo de carnes processadas acendeu um debate necessário sobre o que, de fato, está nos alimentos industrializados. De acordo com o relatório da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), bacon, linguiça, salsicha e presunto industrializados foram classificados no grupo 1 de substâncias carcinogênicas, com evidência suficiente de associação com o câncer colorretal. Nessa mesma categoria estão o tabaco, o amianto e a fumaça de óleo diesel.

A recomendação da entidade reforça a necessidade de avaliar a composição dos produtos embutidos e entender as diferenças entre alimentos ultraprocessados e os fabricados de forma artesanal, a partir da carne de verdade. A empresária e especialista em carne de porco, Flávia Brunelli, criou uma empresa há oito anos que segue critérios que afastam o risco apontado pela OMS.

“O que define um alimento como ultraprocessado é a quantidade de aditivos químicos, estabilizantes, corantes artificiais e ingredientes que não existem na cozinha de casa. Quando você olha o rótulo e encontra nomes que não reconhece, provavelmente está diante de um ultraprocessado”, afirma Flávia Brunelli, responsável pela produção artesanal da Del Veneto.

Grande parte dos embutidos industrializados utiliza carne mecanicamente separada (CMS), obtida a partir da raspagem de ossos com alta pressão para extrair resíduos cárneos, processo compromete a qualidade da proteína e demanda o uso de aditivos para recompor textura e sabor.

No caso dos produtos da empresa, como bacon, presunto, linguiça e salsicha, o preparo é feito com carne suína Duroc – considerada o Angus do suíno -, sem uso de proteínas reconstituídas, amidos modificados ou conservantes sintéticos.

Adição de soja ou outros substitutos proteicos é uma prática comum na indústria de alimentos ultraprocessados, usada para baratear o custo de produção e aumentar o volume dos embutidos. “A salsicha tradicional, por exemplo, costuma ser feita com sobras de cortes misturados a aditivos para dar liga, cor e sabor. Na Del Veneto, usamos carne suína Duroc, moída e temperada com especiarias, sem corantes ou emulsificantes. É outra categoria de alimento, apesar de ter o mesmo nome”, explica a produtora.

De acordo com o relatório da OMS, a ingestão diária de 50 gramas de carne processada — o equivalente a duas fatias de bacon ou uma salsicha — pode aumentar em 18% o risco de desenvolver câncer colorretal. O risco é associado ao consumo recorrente e prolongado de produtos com alto teor de sódio, nitritos e conservantes sintéticos, ingredientes ausentes nos embutidos artesanais produzidos pela Del Veneto.

Além da escolha dos ingredientes, o tempo e o modo de preparo também influenciam no impacto do alimento sobre a saúde. Processos industriais costumam acelerar etapas com uso de aditivos químicos, enquanto a produção artesanal respeita o tempo natural de cura. Outro diferencial é o processo de defumação dos embutidos, que utiliza madeiras de árvores frutíferas em substituição à fumaça líquida ou derivados químicos. A defumação ocorre de forma lenta e controlada, em câmaras artesanais, garantindo aroma, conservação e identidade ao produto sem recorrer a métodos artificiais.

“Trabalhamos com carnes de origem controlada, priorizamos o uso de temperos naturais e oferecemos total transparência sobre a composição de cada produto. Essa é a diferença que defendemos: o consumidor tem o direito de saber o que está comendo”, afirma Flávia Brunelli.

Os produtos da Del Veneto são certificados com o selo do Serviço de Inspeção de São Paulo (SISP), chancela oficial que atesta a conformidade com normas sanitárias e de qualidade estabelecidas pela legislação estadual. A presença do selo garante rastreabilidade, higiene e controle rigoroso em todas as etapas da produção.

“A recomendação da OMS não condena o consumo de carnes suínas ou vermelhas, mas alerta para a forma como esses produtos chegam à mesa. A escolha por alimentos minimamente processados, com ingredientes reconhecíveis e produção responsável, é um dos caminhos para preservar a saúde”, conclui Flávia.

 

Quando o silêncio chega primeiro: o desafio da perda auditiva no envelhecimento

Especialistas explicam como o cuidado com os ouvidos pode preservar a autonomia, a comunicação e até a memória na terceira idade 

 

Com o aumento da expectativa de vida no Brasil, o cuidado com a saúde auditiva dos idosos se tornou mais do que uma questão de bem-estar — é uma necessidade de saúde pública. A perda auditiva, comum com o envelhecimento, pode afetar diretamente a comunicação, a cognição e até mesmo o equilíbrio emocional de quem está na terceira idade. A boa notícia é que há muito o que fazer para prevenir, detectar precocemente e tratar essas alterações. 

Segundo a médica otorrinolaringologista Dra. Ana Beatriz Spina, do Hospital Paulista, a perda auditiva mais comum na velhice é a presbiacusia — uma degeneração natural do sistema auditivo. “Ela afeta principalmente as frequências agudas e, muitas vezes, vem acompanhada da queixa de que a pessoa ‘ouve, mas não entende’”, explica. Outros fatores, como exposição a ruídos ao longo da vida, doenças crônicas, uso de medicamentos ototóxicos e infecções prévias, também contribuem para o agravamento do quadro. 

Além disso, hábitos aparentemente inofensivos podem ter impacto negativo. “O uso de cotonetes, por exemplo, pode empurrar a cera para o fundo do canal auditivo, acumulando o cerume ao invés de remover, e também pode causar infecções ou até perfuração do tímpano. O ideal é limpar apenas a parte externa da orelha com uma toalha úmida”, orienta a médica. 

Já a fonoaudióloga Christiane Nicodemo, mestre em distúrbios da comunicação e linguagem, ressalta o papel da fonoaudiologia tanto na prevenção quanto na reabilitação. “Realizamos exames audiológicos periódicos para detectar precocemente qualquer alteração, orientamos sobre prevenção e estimulamos a audição no cotidiano com exercícios auditivos e cognitivos”, afirma.

 

Sinais de alerta e quando procurar ajuda 

É comum que o idoso demore a reconhecer os primeiros sinais de perda auditiva. A Dra. Ana Beatriz lista alguns dos principais indícios de que é hora de procurar um especialista: “Dificuldade para entender conversas, aumento do volume da TV, zumbido constante e até quedas frequentes podem estar associados à perda auditiva. O ideal é fazer uma avaliação a cada um ou dois anos, mesmo sem sintomas”. 

O acompanhamento também é essencial para quem já utiliza aparelhos auditivos. “Eles devem ser ajustados conforme o feedback do paciente, e o uso precisa ser gradual, começando em ambientes mais tranquilos. O apoio do fonoaudiólogo nessa fase é fundamental”, explica Christiane. Segundo ela, parte do trabalho é ajudar o idoso a encarar o dispositivo como um aliado. “É importante desmistificar o aparelho auditivo como um sinal de incapacidade. Ele representa, na verdade, autonomia e reconexão com o mundo”.

 

Estratégias simples para ouvir melhor 

A prevenção e o estímulo auditivo podem estar no dia a dia. Ouvir música identificando os instrumentos, tentar localizar sons de olhos fechados, praticar jogos de memória sonora e comentar o conteúdo de podcasts são alguns dos exercícios sugeridos por Christiane. “Conversar em ambientes tranquilos e bem iluminados, para aproveitar a leitura labial, também é uma estratégia valiosa”, diz. 

Do ponto de vista médico, a Dra. Ana Beatriz recomenda uma vida saudável como grande aliada da audição. “Controlar doenças crônicas como diabetes e hipertensão, evitar medicamentos ototóxicos, adotar uma alimentação equilibrada e praticar exercícios físicos são cuidados que protegem a saúde auditiva”, afirma. Ela destaca ainda a importância da vacinação contra doenças como gripe, pneumonia e meningite, que podem afetar diretamente o sistema auditivo.

 

Um cuidado que vai além dos ouvidos 

A perda auditiva não tratada está associada a isolamento social, depressão e até ao declínio cognitivo. Por isso, cuidar da audição é, também, cuidar da mente e das relações. “Quando o idoso começa a se afastar das conversas por não conseguir acompanhar, isso impacta diretamente sua qualidade de vida”, alerta a fonoaudióloga. 

Ambas as especialistas concordam que a chave está na informação e na ação precoce. “A audição deve ser acompanhada com o mesmo zelo que temos com a visão, a pressão arterial ou a glicemia. Ouvir bem é essencial para viver bem”, conclui a Dra. Ana Beatriz. 


Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

 

Agosto azul e vermelho - As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em todo o mundo

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), elas causam cerca de 17,9 milhões de mortes por ano, o que corresponde a aproximadamente 32% do total de óbitos globais. A Campanha Agosto Azul Vermelho é uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) para informar a população sobre os cuidados com a saúde vascular e incentivar a prevenção e tratamento

 

A escolha das cores Azul Vermelho para representar o mês de cuidado com a saúde vascular, inspirou-se em como são geralmente representadas as veias (azul) e as artérias (vermelho). O médico Dr. Caio Focássio, cirurgião vascular e Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, ressalta que três das doenças cardiovasculares estão no topo das mais graves.
 

Trombose venosa

Ainda com dados do Ministério da Saúde a cada mil brasileiros, um ou dois já sofreu com trombose - doença causada por uma formação de coágulos de sangue nas veias das pernas. “Um dos agravantes é que ela pode levar a uma embolia pulmonar, que é quando uma artéria do pulmão é obstruída, e daí a falta de ar é um dos primeiros sintomas”, alerta o médico.
 

Aneurisma da aorta

Sem sintomas, ao primeiro sinal do problema, se for a ruptura, cerca de 80% das pessoas morrem, sendo que 50% chegam vivas aos hospitais e apenas 50% sobrevivem a cirurgia que reverte o caso. O aneurisma de aorta pode matar em até 90% dos casos. “Essa taxa de mortalidade é tão alta porque a aorta - que é a principal artéria do corpo – pode dilatar e se romper, e isso pode ser fatal”, afirma Dr Caio que lembra alguns fatores de risco: idade, o uso de tabaco, a hipertensão e o histórico familiar.

A boa notícia é que até por exame físico clínico já é possível identificar o problema e o grande risco não está em ter aneurisma de aorta, mas sim em deixa-la chegar até as últimas consequências que é quando essa artéria se rompe. O primeiro sintoma de um aneurisma da aorta pode surgir apenas na hora da sua ruptura e daí já levar à morte em muitos casos. Em outros, antes de romper, a pessoa pode ter dor abdominal ou lombar, ou sentir um incômodo pulsátil na barriga, compressão dos órgãos ou isquemia dos pés e nas pernas, ou não sentir absolutamente nada. Mas, quando se rompe, a dor abdominal e/ou lombar é forte, seguida de um mal estar intenso, queda da pressão arterial, taquicardia, palidez e sudorese.
 

Doença arterial periférica

Um dos primeiros sinais da doença é a dor nas pernas ou surgimento de feridas dolorosas de difícil cicatrização, além de dor ao caminhar. A doença arterial periférica acontece devido à má circulação sanguínea nas artérias dos membros inferiores. “Nesse caso, um dos principais riscos é a amputação dos membros”, explica o médico.

Para todas as doenças, Dr. Caio alerta que existe prevenção que pode ser feita com o check up anual. “As doenças vasculares mais graves geralmente são silenciosas, o ideal é agir antes que elas ocorram e isso é possível apenas com um exame clínico feito em consultório e com a ajuda de um ultrassom podem medir o grau de insuficiência venosa, verificar o grau de calcificação das artérias e ainda permite uma análise dos vasos sanguíneos por imagem. Assim, fica mais fácil indicar qualquer problema que o paciente possa vir a desenvolver e já iniciar o tratamento antes que surjam maiores complicações”, finaliza o médico.
 



FONTE: Dr. Caio Focássio - cirurgião vascular e Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, formado pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Pós graduado em Cirurgia Endovascular pelo Hospiten – Tenrife (Espanha). Médico assistente da Cirurgia Vascular da Santa Casa de São Paulo.
Instagram: @drcaiofocassiovascular


Segurança do paciente começa com prevenção e protocolos bem definidos

Especialistas defendem prevenção jurídica e cultura de segurança para evitar falhas


O Brasil registrou 37.170 novos casos de falhas assistenciais em saúde entre janeiro e maio de 2025, segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O número revela um cenário alarmante na segurança do paciente, envolvendo danos materiais e morais decorrentes de erros e omissões na prestação de serviços de saúde, tanto na rede pública quanto na privada. 

Além dos novos casos, o levantamento aponta que há 153.993 processos pendentes relacionados ao tema e 31.119 já foram julgados no mesmo período. Em 2024, o país já havia registrado um aumento de 506% nas ações judiciais por erro médico, totalizando 74.358 processos. 

Para o advogado Gustavo Clemente, especialista em Direito Médico e da Saúde, pós-graduado em Administração Hospitalar (IPEP), sócio do Lara Martins Advogados e presidente do Sindicato dos Hospitais do Estado de Goiás (SINDHOESG), o cenário exige ações preventivas urgentes por parte das instituições de saúde. Segundo ele, garantir a segurança do paciente e minimizar os riscos de falhas assistenciais passa por investir em protocolos assistenciais detalhados e juridicamente orientados.

“Um padrão operacional com segurança jurídica é essencial. Um protocolo de atendimento bem definido garante padrão e qualidade assistencial, documentando todas as etapas do processo, os resultados esperados são alcançados e os possíveis eventos adversos evitados”.

O especialista explica que “o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) é o documento de maior relevância jurídica na relação médico-paciente, pois transmite ao paciente todas as informações necessárias de forma clara e acessível, permitindo que ele tome decisões conscientes sobre sua assistência. Já o prontuário médico é juridicamente considerado indispensável, sendo o principal registro da jornada do paciente e a melhor “testemunha” do que foi feito assistencialmente”, afirma.

Quanto a elaboração e revisão de protocolos internos que devem ser realizados pelas clínicas e hospitais, Clemente destaca que a atuação preventiva do profissional jurídico, com conhecimento específico da área da saúde, permite identificar brechas nos processos assistenciais e propor melhorias que reforcem a segurança tanto da equipe quanto dos pacientes.

“Essa atuação integrada entre o jurídico e o operacional assistencial resulta em processos mais seguros e eficientes. Para que essa interação seja efetiva, é preciso ir além da especialização jurídica, ou seja, é necessário vivenciar a rotina hospitalar, compreender os fluxos de ponta a ponta e dominar ferramentas de gestão como o PDCA (Plan, Do, Check, Act), amplamente utilizada na avaliação da eficiência dos processos de atenção à saúde”, finaliza o advogado.

A advogada Karla Kiuchi, especialista em Direito Médico, alerta que o dado precisa ser interpretado com cautela. “É preciso ressaltar que este número não está relacionado diretamente a 37 mil falhas reais, pois muitas destas ações são julgadas improcedentes, exatamente por não ter havido nenhuma falha assistencial”, diz a especialista. 

Segundo ela, o crescimento de processos tem duas principais causas: “A facilitação e popularização do acesso à Justiça e a queda na qualidade da assistência”, aponta. A má formação de profissionais, a sobrecarga da rede pública e a falta de estrutura figuram entre os principais fatores de risco. Muitos pacientes ainda atribuem os danos exclusivamente à conduta do médico, mas a especialista explica que, na prática, o cenário é mais complexo.

“A responsabilidade do hospital particular, em relação a uma falha pessoal do médico, vai depender da relação existente entre eles. Se o médico é funcionário, o hospital responde. Mas se ele apenas aluga o centro cirúrgico, por exemplo, o hospital responde apenas pelo serviço de hotelaria”, explica Karla, citando entendimento do STJ.

Para a médica Caroline Daitx, especialista em medicina legal e perícia médica, com pós-graduação em gestão da qualidade e segurança do paciente, os números refletem uma realidade grave e multifatorial. Segundo ela, as falhas assistenciais decorrem de fatores estruturais e culturais profundamente enraizados nos sistemas de saúde.

“Do ponto de vista estrutural, essas falhas frequentemente decorrem de deficiências crônicas como a sobrecarga dos serviços, a escassez de profissionais, a inadequação de protocolos clínicos e a insuficiência de recursos tecnológicos e materiais”, explica. Esses elementos comprometem diretamente à execução segura de procedimentos e favorecem a ocorrência de eventos adversos.

No aspecto cultural, a médica destaca a ausência de uma cultura de segurança consolidada como um dos principais entraves à melhoria contínua. “Em muitos ambientes hospitalares, persiste a culpabilização individual em detrimento da análise sistêmica dos incidentes, o que inibe a notificação voluntária de falhas e compromete o aprendizado organizacional. Esse cenário impacta diretamente a segurança do paciente, contribuindo para a ocorrência de eventos evitáveis como erros de medicação, infecções hospitalares e procedimentos realizados de forma incorreta”, afirma a especialista. 

Entre as medidas mais eficazes para reduzir falhas assistenciais, Daitx destaca a padronização de processos críticos, como a administração de medicamentos e a realização de cirurgias, com uso de duplo cheque independente e checklists de segurança.

Ela também enfatiza a importância da comunicação estruturada entre equipes, especialmente nas transições de turno e em situações de emergência, além do treinamento contínuo com simulações clínicas e revisões periódicas de protocolos. “O fortalecimento da cultura de segurança, que valoriza a notificação de incidentes sem punição e promove o aprendizado organizacional, é essencial para criar um ambiente clínico mais resiliente”, conclui.



Fontes:
Karla Kiuchi - advogada especializada em Direito Médico e da Saúde. Pós-graduada em Direito Médico pelo CERS (Complexo de Ensino Renato Saraiva). Pós-graduanda em Direito da Medicina pela Universidade de Coimbra (Portugal). Delegada da Comissão de Direito Médico e da Saúde da OAB Niterói.

Gustavo Clemente - sócio do Lara Martins Advogados, especialista em em Direito Médico e da Saúde, pós-graduado em Administração Hospitalar (IPEP) e em Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) pelo Instituto Legale. Presidente do Sindicato dos Hospitais do Estado de Goiás (SINDHOESG). Também integra o Conselho Fiscal da Associação dos Hospitais Privados do Estado de Goiás (AHPACEG).

Caroline Daitx - médica especialista em medicina legal e perícia médica. Possui residência em Medicina Legal e Perícia Médica pela Universidade de São Paulo (USP). Atuou como médica concursada na Polícia Científica do Paraná e foi diretora científica da Associação dos Médicos Legistas do Paraná. Pós-graduada em gestão da qualidade e segurança do paciente. Atua como médica perita particular, promove cursos para médicos sobre medicina legal e perícia médica. CEO do Centro Avançado de Estudos Periciais - CAEPE, Perícia Médica Popular e Medprotec. Autora do livro “Alma da Perícia”.

Hepatites Virais: entenda a importância da privacidade e o papel do atendimento à distância na orientação e acolhimento

No período de 2000 a 2022, foram diagnosticados, no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), 750.651 casos confirmados de hepatites virais no Brasil. Destes, 169.094 (22,5%) são referentes aos casos de hepatite A, 276.646 (36,9%) aos de hepatite B, 298.738 (39,8%) aos de hepatite C, 4.393 (0,6%) aos de hepatite D e 1.780 (0,2%) aos de hepatite E. “As hepatites virais podem ter origem viral, como os tipos A, B, C, D e E, mas também podem surgir do uso prolongado de medicamentos, do consumo excessivo de álcool, de doenças autoimunes ou metabólicas”, explica Fernando Tarter, Médico Responsável Técnico da Vital Help. “O grande desafio é que, na maioria das vezes, elas não apresentam sintomas claros. Por isso, o diagnóstico precoce é essencial.” 

Mitos ainda cercam a prevenção, principalmente no que diz respeito à vacinação contra hepatite B em bebês. “Alguns grupos questionam a necessidade da vacina ao alegar que gestantes já são testadas durante o pré-natal. Outros espalham desinformações sobre a composição da vacina. Mas a verdade é que a vacina é segura, eficaz e necessária”, afirma Fernando. “A transmissão pode acontecer no parto, mas também por contato com sangue ou fluidos corporais no ambiente doméstico. Proteger os bebês nas primeiras horas de vida é um passo fundamental para evitar infecções futuras.” 

A atuação da telemedicina tem sido importante nesse processo, sobretudo em regiões de difícil acesso. Através da triagem remota, os profissionais podem identificar, primeiro, os sintomas e, em um segundo momento, identificar um fator de risco e a prescrição de exames. 

Em áreas ribeirinhas da Amazônia, por exemplo, a tecnologia já é utilizada para conectar agentes de saúde locais a especialistas de centros urbanos. “Conseguimos iniciar tratamentos mais rapidamente e evitar a progressão da doença”, pontua. 

Além da triagem, o acompanhamento remoto também se destaca na adesão ao tratamento. Há um suporte técnico e emocional ao paciente diagnosticado, com acompanhamento da carga viral, da adesão ao protocolo e da evolução clínica. “Em alguns casos, conseguimos reduzir o abandono do tratamento em até 30%.” 

Outro aspecto é o atendimento com empatia, considerando o efeito emocional do diagnóstico. “Muitas pessoas ainda enfrentam preconceito ou vergonha após um teste positivo, especialmente no caso da hepatite C. A telemedicina permite acolhimento com privacidade, escuta e orientação clara, o que fortalece o vínculo com o cuidado e evita o afastamento do sistema de saúde.” 

O modelo também permite a integração com outros profissionais. A alimentação, por exemplo, é parte importante do tratamento de quem tem hepatite crônica ou cirrose. Com o suporte de nutricionistas via teleconsulta, conseguimos ajustar dietas, controlar sintomas e garantir mais qualidade de vida. 

A Vital Help ainda reforça a importância da segurança no uso de dados. “A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) exige protocolos rígidos para o manuseio de informações médicas. Nós seguimos essas diretrizes com seriedade para garantir total sigilo nas interações com nossos usuários”, garante Fernando. 

A orientação, a testagem e o tratamento não podem ser ações pontuais. Precisamos transformar essa mobilização em um cuidado contínuo, acessível e estruturado, principalmente por meio de soluções digitais que cheguem onde o sistema presencial ainda não alcança”, conclui. 

O serviço demonstra que é viável cuidar com proximidade, mesmo estando longe. E em um país com tantos desafios logísticos e sociais, essa conexão pode ser a diferença entre a descoberta precoce e as complicações evitáveis.

 

Vital Help


Amamentação: serviço gratuito orienta e apoia mães a qualquer hora do dia ou da noite

Sala especializada no Rio oferece atendimento humanizado, escuta ativa e suporte técnico para garantir o sucesso do aleitamento materno

 

Nem sempre a amamentação acontece de forma natural. Dores, dificuldades na pega, insegurança com a produção de leite ou dúvidas sobre a alimentação do bebê são mais comuns do que se imagina. Por isso, contar com uma rede de apoio preparada pode fazer toda a diferença para seguir amamentando – com segurança e acolhimento.

Pensando nisso, a Zona Norte do Rio de Janeiro conta com um serviço especializado e aberto 24 horas por dia, todos os dias da semana, para mães que precisam de ajuda com a amamentação. Localizada no Hospital Maternidade Paulino Werneck, na Ilha do Governador, a Sala de Apoio à Amamentação é um espaço gratuito, que atende mães da unidade e, também, da comunidade.

O serviço oferece acolhimento e orientação prática: desde a extração manual de leite, até avaliação da pega, posição, traumas na mama e compreensão da livre demanda. Tudo com escuta qualificada, conforto e privacidade, em um ambiente de infraestrutura completa, com nichos individuais de atendimento, geladeira e freezer para armazenar o leite.

“Antes de qualquer conduta técnica, a primeira pergunta que fazemos é: ‘como está a alimentação do seu bebê?’. Essa escuta abre espaço para a mulher se expressar, e nos ajuda a entender como apoiar da melhor forma”, explica Graziela Abdalla, gerente assistencial da unidade. Segundo ela, o cuidado é integral e envolve profissionais de diferentes áreas como enfermagem, fonoaudiologia, nutrição, medicina e outros, conforme a necessidade de cada caso.

Logo no primeiro dia de funcionamento, a sala atendeu uma mãe que não havia dado à luz no hospital: ela buscava ajuda após um engasgo do bebê. “Levamos para a sala, acolhemos com carinho e resolvemos. Esse é o propósito: ser apoio real, quando e onde for preciso”, relembra Graziela.

Além do atendimento presencial e técnico, o espaço também realiza controle de frequência e registro do volume de leite extraído, o que contribui para o acompanhamento contínuo das mães com bebês internados no Complexo Neonatal.


Incentivo à amamentação desde o nascimento

Todo o trabalho realizado na unidade segue diretrizes nacionais e internacionais de humanização do nascimento e incentivo ao aleitamento materno. As mulheres recebem orientação desde o momento da internação: têm direito a acompanhante e doula, livre movimentação durante o trabalho de parto, métodos não farmacológicos de alívio da dor e, após o nascimento, o bebê é colocado no seio materno na primeira meia hora de vida. O contato pele a pele e o alojamento conjunto completam esse cuidado.

“Temos metas bem claras: amamentar na primeira meia hora, manter o contato pele a pele e começar o alojamento conjunto o quanto antes. Mas não é sobre números. É sobre garantir que cada mulher tenha uma experiência digna e que seu bebê tenha o melhor início de vida possível”, afirma Graziela.

A equipe também atua na conscientização sobre os riscos do uso de bicos artificiais e da introdução de fórmulas sem recomendação clínica. Mães de bebês internados são orientadas diariamente e, mesmo após a alta, podem retornar à Sala de Apoio sempre que precisarem.

Neste momento, a equipe se prepara para conquistar o selo IHAC – Iniciativa Hospital Amigo da Criança, uma certificação do Ministério da Saúde, Unicef e OMS que reconhece instituições que seguem rigorosamente os Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno e promovem o cuidado integral à mulher e ao bebê.


A amamentação como um ato coletivo

A Semana Mundial da Amamentação deste ano convida a sociedade a criar sistemas de apoio sustentáveis para garantir que mais mulheres consigam amamentar seus filhos por mais tempo. A campanha propõe que cada um – profissional, familiar, amigo, acompanhante ou vizinho – se veja como parte ativa dessa rede.

“Quando entendemos que cada gota de leite materno carrega saúde, vínculo e proteção ao planeta, passamos a valorizar ainda mais a amamentação. Não é só sobre mães e bebês. É sobre todos nós”, conclui Graziela.

 

CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial

 

INSS modifica regras para o acesso à licença-maternidade

Nova regra garante benefício mesmo com apenas uma contribuição, ampliando a proteção às mães empreendedoras e informais


O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) implementou uma mudança nas regras de concessão do salário-maternidade para mulheres autônomas e seguradas facultativas. A partir de julho, passa a ser possível receber o benefício com uma única contribuição ao INSS, independentemente do tempo de filiação. A medida cumpre decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e representa um avanço no acesso a direitos para milhares de brasileiras que atuam fora do regime formal de trabalho.

A decisão vem ao encontro das transformações no perfil da mulher trabalhadora no Brasil. Segundo dados do IBGE, mais de 9 milhões de brasileiras atuam como autônomas ou em ocupações informais, muitas delas em áreas como estética, serviços, comércio ambulante, agricultura familiar ou produção de conteúdo digital. Antes da mudança, essas profissionais precisavam de no mínimo 10 contribuições mensais para terem acesso à licença-maternidade, o que, na prática, deixava grande parte sem cobertura.

Para a advogada previdenciária Isabel Brisola, do escritório Brisola Advocacia, a alteração é um marco na luta pela equidade de gênero na seguridade social. “Essa mudança garante proteção às mães que contribuem de forma eventual ou iniciaram recentemente sua contribuição como autônomas”, afirma.

A mudança também tem implicações fiscais. Segundo estimativas da equipe econômica do governo federal, a medida pode gerar um custo adicional de R$ 280 milhões por ano à Previdência Social. Apesar disso, especialistas apontam que o impacto é compensado pela redução da desigualdade de acesso a direitos entre trabalhadoras formais e informais.

Além de mães biológicas, a nova regra também se aplica a adotantes e àquelas que obtêm a guarda judicial para fins de adoção. A expectativa é que a medida incentive mais mulheres a regularizarem sua contribuição, além de ampliar a rede de proteção para gestantes em situação de vulnerabilidade.

“É uma política que olha para a realidade da mulher brasileira, que empreende, cuida e contribui quando pode. Muitas não tinham o benefício simplesmente porque começaram a contribuir pouco tempo antes de engravidar. Agora, essa barreira deixa de existir”, conclui Isabel Brisola.

A solicitação do salário-maternidade pode ser feita diretamente pelo site ou aplicativo Meu INSS, sem necessidade de comparecimento presencial.

 


Brisola Advocacia Associados – Focada em direito previdenciário, a Brisola Advocacia Associados foi fundada em 2009 com o objetivo de garantir os direitos dos beneficiários do INSS. Seus principais clientes decorrem da necessidade da aposentadoria por tempo de contribuição, com ênfase na aposentadoria especial. Atendem também outras solicitações relacionadas ao tema, como, por exemplo, benefícios por incapacidade, auxílio-maternidade, pensão por morte, entre outros. O escritório conta com sete advogados e também atende direito civil, direito da família e direito sucessório, além de causas trabalhistas.


5 destinos para viver experiências únicas no Dia dos Pais

De automobilismo e vinícolas a museus e paisagens naturais, a FlixBus apresenta sugestões de viagens de ônibus para celebrar a data com economia e afeto

 

Neste Dia dos Pais, que tal trocar o presente tradicional por momentos memoráveis de conexão? A FlixBus, empresa de tecnologia voltada ao transporte rodoviário, oferece viagens confortáveis e econômicas para mais de 100 destinos no Brasil. Pensando nisso, selecionamos cinco roteiros ideais para pais e filhos aproveitarem juntos experiências fora do comum — e sem pesar no bolso. 

Tem opções para todos os estilos: de um passeio de jipe em meio à natureza a uma corrida em Interlagos, passando por vinícolas, praias e museus. E o melhor: dá para embarcar nessa com praticidade, segurança e preços acessíveis. 


Paraty (RJ): aventuras e charme colonial em meio à natureza 

Um destino que combina paisagens exuberantes com o encanto da arquitetura histórica. Paraty oferece passeios de jipe até as cachoeiras da Serra da Bocaina, com paradas em alambiques de cachaça — uma experiência diferente, cheia de aventura. No centro histórico, o clima tranquilo convida a caminhar por ruas de pedra, entre cafés e lojinhas charmosas. Para quem prefere o mar, os passeios de escuna pelas ilhas da baía completam o roteiro com vistas inesquecíveis. 


Curitiba e São José dos Pinhais (PR): brindes entre vinhos e cultura 

Para pais e filhos apreciadores de uma boa bebida, esse roteiro pelo Paraná é ideal. Em São José dos Pinhais, a Rota do Vinho reúne vinícolas, alambiques e restaurantes familiares em um clima rural acolhedor. Já Curitiba mistura tradição e modernidade, com destaque para o bairro São Francisco e suas cervejarias artesanais. O passeio pode incluir uma visita ao Museu Oscar Niemeyer e uma caminhada pelo Jardim Botânico ou Bosque Alemão. 


Maceió (AL): águas cristalinas e sabores do Nordeste 

A capital alagoana encanta com suas praias de águas claras e mornas. Um passeio de jangada até as piscinas naturais da Pajuçara é uma excelente forma de começar o dia. Depois, vale explorar os mirantes da cidade e terminar com um almoço à beira-mar em Ponta Verde, Jatiúca ou Pajuçara — com pratos típicos como moquecas e camarões, sempre com o tempero nordestino. Para fechar, uma caminhada na orla de Ponta Verde, considerada uma das mais bonitas do país. 

São Paulo (SP): experiências para todos os estilos 

A metrópole oferece programas variados que agradam desde os pais mais tranquilos até os mais aventureiros. Um tour cultural pode incluir o MIS, o Farol Santander e o MASP. Para os amantes da velocidade, o Autódromo de Interlagos recebe corridas durante todo o ano, com eventos que vão além da Fórmula 1. E, claro, um almoço nos tradicionais bairros da Mooca ou Bixiga fecha o roteiro com muito sabor e história. 


Fortaleza (CE): vida praiana com muita história  

A Praia do Futuro em Fortaleza, é o point ideal para pais que gostam de mar, sol e um bom prato de frutos do mar. As barracas da orla são ótimas para relaxar, com estrutura completa para passar o dia inteiro: redes, duchas, espreguiçadeiras, e pratos generosos com peixada, caranguejo e lagosta. Mas mais do que isso, Fortaleza ainda possui o Centro Dragão do Mar, com museus, cinema e cafés, o Theatro José de Alencar e a Catedral Metropolitana - passeios que garantem uma rica experiência pela história local.   


FlixBus
www.flixbus.com.br

 

Produtos de limpeza: migração para marcas mais baratas derruba faturamento do setor

Mesmo com crescimento de 8,2% em 2024, setor encolheu em faturamento em dólar, em cenário de deflação setorial, pressão cambial e margens reduzidas, diz ABIPLA no lançamento de seu Anuário 2025.

 

O mercado brasileiro de produtos de limpeza registrou a aceleração de uma mudança de comportamento que começou com a pandemia e se acentuou nos anos seguintes: a migração para marcas de menor valor agregado. Segundo dados apresentados pela NielsenIQ, no lançamento do Anuário ABIPLA – Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional 2025, no dia 3 de julho, as marcas que oferecem produtos de linhas populares (low tier) cresceram o dobro daquelas que oferecem linhas de alto padrão (high tier), com preço médio 50% menor e maior presença em promoções e gôndolas de atacarejos ao longo de 2024. Dessa forma isso, as marcas high tier perderam 6% de participação no setor, com preços até 1,5 vezes acima da média.

 

“Nos últimos meses, a inflação acelerou no Brasil e isso reconfigurou as demandas do consumidor em relação aos produtos de limpeza, já que, para grande parte da população, é preciso escolher o que pagar e o que consumir, e isso impacta diretamente o nosso setor, que é extremamente sensível ao poder de compra”, explicou Juliana Marra, presidente da ABIPLA, lembrando que, apesar da alta na inflação geral, os produtos de limpeza registraram queda média de 1,2% nos preços ao consumidor em 2024, segundo o INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor.

 

A tendência se intensificou com o avanço dos canais de atacarejo e com o comportamento do consumidor, que tem optado por embalagens maiores, promoções e marcas intermediárias ou econômicas. Segundo levantamento da NielsenIQ, a maior parte do crescimento em categorias como sabão líquido e amaciante concentrado veio de marcas low tier — 60% e 40%, respectivamente.

 

O cenário de migração de marcas e produtos, por sinal, é facilmente identificado nos dados divulgados no Anuário da entidade. Apesar de o setor ter registrado alta de 8,2% no volume produzido em 2024, o faturamento em dólares recuou, passando de US$ 7,485 bilhões em 2023 para US$ 7,170 bilhões em 2024.

 

A retração é atribuída não apenas à troca por marcas mais baratas, mas também a fatores conjunturais, como a desvalorização do Real — a maior entre as moedas do G20 em 2024 – e à própria deflação setorial citada anteriormente.

 

No entanto, vale lembrar que, apesar da queda dos preços de produtos de limpeza nas gôndolas, a indústria do setor teve de lidar com o crescente custo de produção em 2024. De acordo com dados do Índice de Preços ao Produtor, a alta média do setor no ano passado foi de 3,75%. “Os números claramente não batem. O setor reduziu os preços de seus produtos ao consumidor final e registrou aumento de produção, mesmo com um custo de operação mais alto. Isso impacta diretamente nas margens, o que é um sinal de alerta para o setor, porque mostra um consumo orientado em demasia ao preço, e isso limita nossa capacidade de inovar, investir e sustentar empregos”, afirma Juliana.

 

Diante desse cenário, o setor se mostra cauteloso para 2025. O desempenho acumulado de janeiro a maio deste ano já mostra queda de 4,1% na produção, e a expectativa das empresas é de um ano mais desafiador, com manutenção das pressões de custo, volatilidade cambial e concorrência acirrada nos segmentos de menor valor agregado.

 

“Hoje, estamos sendo pressionados por todos os lados: câmbio, impostos, informalidade e margens em queda. O setor é robusto e inovador, mas a realidade é que precisamos de um ambiente econômico e regulatório estável para nos mantermos competitivos”, conclui Juliana Marra. 

O Anuário Abipla 2025 está disponível no site da entidade: https://abipla.org.br

  


Juliana Marra - graduada em Química Industrial, pela Faculdade Oswaldo Cruz, com especialização em Relações Governamentais, no Insper, e Executive MBA, na Fundação Dom Cabral. Ela comanda a área de Assuntos Corporativos da Unilever e é a primeira mulher a ocupar a presidência da ABIPLA, estando em seu segundo mandato. Também participa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social do atual Governo e já foi presidente do IdQ- Instituto Nacional do Desenvolvimento da Química.


Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e de Uso Profissional – ABIPLA


O Brasil perdeu o rumo depois da Constituição de 1988

 

Em outubro de 1988, o Brasil comemorou a promulgação da nova Constituição, considerada uma das mais modernas do mundo, notadamente pela defesa dos direitos sociais. Agora, passadas menos de quatro décadas, é patente que os avanços mais necessários à nação não se concretizaram e o Brasil perdeu o rumo. 

Obviamente, não se pode atribuir a situação atual à Carta Magna de 1988, mas é possível tomá-la como marco temporal, pois a consolidação democrática baseada na Constituição Cidadã contrasta com a eficiência dos governantes desses quase 37 anos, período no qual convivemos com corrupção, acentuado desperdício de recursos públicos, impunidade, custos altíssimos e escolhas de nossos governantes que se revelaram desqualificados e/ou inexperientes. 

A falta de recursos é uma falácia cristalizada nos discursos, desculpa recorrente para a incapacidade de gestão. Não se sustenta diante de análise mais aprofundada. Os recursos financeiros arrecadados pela União, Estados e Municípios – aproximadamente de 34% a 35% do Produto Interno Bruto (PIB), somados aos montantes concedidos a título de incentivos, renúncias e/ou desonerações fiscais e/ou gastos tributários (que representam 5% do PIB), bem assim consideradas as estimativas de sonegação e sobrepreços praticados nas compras e contratações de serviços públicos (estimados em mais de 2% do PIB) são tão expressivos que derrubam qualquer tese contrária. Não há justificativa para o país ter um crescimento do PIB tão baixo, péssima infraestrutura e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) absolutamente incompatível com as riquezas da Nação - (84ª posição no ranking das Organizações das Nações Unidas (ONU) em 2024, ante a 73ª colocação em 2022 -, o que se reflete em péssima qualidade de vida para a população, com indicadores sofríveis em saúde, educação, saneamento básico e segurança pública. 

No período pós-CF/88, o crescimento do PIB per capita nacional foi inexpressivo, ficando abaixo da média mundial, ainda que a carga tributária tenha aumentado em mais de 41% no mesmo período. 

Somam-se a isso a volta de inflação anual rebelde, já superior a 5% ao ano, acima da meta estabelecida de 3,50%; o crescente déficit público já consumindo de 9% a 10% do PIB; e a dívida pública superando75% do PIB. O país amarga déficit em transações correntes e ainda vê a participação dos salários no PIB cair de 49,2%, em 1995, para menos de 40%, em 2024. O Brasil segue andando de lado, enquanto outras nações aceleram para frente. 

Por que chegamos a esse estágio e qual o caminho? A resposta está na falta de planejamento. Sem um diagnóstico correto dos grandes problemas nacionais e da definição de um plano de metas para execução a médio e longo prazos, é impossível alcançar o progresso estampado na bandeira nacional. 

Estamos no caminho errado, agravado pela adoção do instituto da reeleição para cargos executivos, em 1997, e que precisa ser revisto com urgência. Não é só. O Poder Executivo é composto por 38 ministérios (incluindo seis secretarias vinculadas à Presidência da República) e é inaceitável que nenhum deles se dedique, de fato, a traçar o Brasil do futuro. O modelo atual molda um país “concordatário”, gerido pelo caixa. 

A falta de planejamento tem levado o Ministério da Fazenda a atuar como se o Brasil fosse um doente na UTI, sob o uso de cuidados paliativos. Inventivos e desonerações fiscais sã concedidos à vontade, em completa inobservância da Constituição Federal, assim como é feita espasmodicamente a distribuição de toda sorte de incentivos setoriais, em detrimento de incentivos regionais. 

É premente mudar essa realidade, combatendo os grandes males do país – entre os quais o gigantismo da máquina pública e enormes desperdícios – e focar no planejamento de soluções definitivas para o equacionamento dos gargalos sobejamente conhecidos na produção e distribuição de energia, uma das mais caras do mundo; em logística e infraestrutura – que reclamam a construção e modernização de portos e aeroportos, ferrovias e rodovias, além de buscar maior utilização de nossa enorme bacia hidrográfica para fins de navegação. 

Além disso, um país cuja economia depende enormemente do solo (agrobusiness) e do subsolo (mineração e petróleo) não pode se dar ao luxo de não possuir uma política clara, transparente e uniforme, capaz de destravar o licenciamento ambiental e garantir investimentos ecologicamente sustentáveis. 

Há, ainda, outra questão fundamental para a retomada necessária do desenvolvimento. O Brasil precisa olhar para além do PIB e incluir na linguagem governamental, de forma coordenada, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o Coeficiente de Gini – medida do grau de concentração de renda em determinado grupo -, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) e outros indicadores capazes de mensurar a qualidade de vida da população, esta sim o grande objetivo de uma verdadeira nação. 

O país tem o bom exemplo deixado pelo presidente Juscelino Kubitschek, que governou o Brasil de 1956 a 1960. Pode bem ser a inspiração para, urgentemente, elaborar um Plano Vintenário de Desenvolvimento Socioeconômico Ambiental, independentemente de quem ou qual partido saia vitorioso nas eleições presidenciais de 2026. Essa deveria ser a bandeira levantada por todos os candidatos verdadeiramente comprometidos com o futuro da nação.

 

Samuel Hanan - engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia, administração de empresas e finanças, empresário, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros “Brasil, um país à deriva” e “Caminhos para um país sem rumo”. Site: https://samuelhanan.com.br


Incluir para inovar: os caminhos da diversidade no setor que ergue o Brasil


O mercado da construção civil, um dos pilares econômicos do Brasil, enfrenta o desafio de se reinventar diante de uma sociedade cada vez mais diversa, conectada e exigente. A inovação nesse setor passa, inevitavelmente, pela capacidade de incluir e desenvolver talentos diversos, rompendo com padrões históricos de exclusão e criando ecossistemas mais humanos, inteligentes e competitivos. 

Nesse contexto, programas de mentoria ganham protagonismo. Quando bem estruturados, eles se tornam ferramentas poderosas de transformação, conectando gerações, promovendo trocas reais de conhecimento e impulsionando trajetórias de profissionais que, muitas vezes, enfrentam barreiras invisíveis. A mentoria deixa de ser apenas um gesto de boa vontade para se consolidar como uma estratégia de desenvolvimento e inovação. 

A Juntos Somos Mais, por exemplo, vive essa realidade por meio do programa "Construir Juntos Mentoring" – uma iniciativa que vai além da capacitação técnica, promovendo um espaço intencional de desenvolvimento de soft skills, fortalecimento de redes e ampliação da confiança e da visão estratégica dos participantes. É um case que revela, na prática, como a construção de uma cultura inclusiva pode ser o ponto de partida para soluções mais criativas e para a formação de lideranças mais conscientes e preparadas. 

Acredito que a verdadeira inovação emerge da consolidação de uma Cultura Inclusiva. Não basta compor times diversos; é preciso construir ambientes que valorizem as pluralidades como fonte legítima de inteligência coletiva. A pluralidade de repertórios, experiências e visões de mundo é o que permite desenhar soluções mais aderentes às realidades do mercado e mais disruptivas frente aos desafios do setor. Essa lógica, para mim, é um diferencial competitivo de negócio – especialmente em um mercado tradicional como o da construção civil. 

Estudos como o da McKinsey & Company demonstram que empresas com maior diversidade étnica e racial têm 35% mais chances de superar a média de rendimento do setor. No caso da construção civil, um segmento tradicionalmente homogêneo, essa estatística revela uma oportunidade clara de vantagem competitiva para quem escolhe fazer diferente. 

A inovação não nasce apenas da tecnologia, mas do encontro de perspectivas distintas. É na pluralidade de vivências, olhares e repertórios que surgem as soluções mais criativas e aderentes à realidade. E isso exige um novo olhar da liderança: mais atento, mais responsável e mais comprometido com a construção de ambientes onde todos possam contribuir, agregar valor e prosperar. 

Ainda é comum que a DE&I seja associada exclusivamente à responsabilidade social. No entanto, empresas mais estratégicas já entenderam que diversidade, equidade e inclusão são impulsionadores concretos de inovação, decisões mais qualificadas, atração de talentos e reputação institucional. Tratar esses temas com intencionalidade e visão de negócio é um diferencial competitivo para quem quer se manter relevante em mercados em constante transformação. 

O setor que constrói casas, pontes e cidades também precisa aprender a construir oportunidades. É assim que faremos a construção civil ser, de fato, mais civil.

 


Paulo Henrique Amorim - Especialista em Gestão de Pessoas e Cultura Organizacional, atuando como Coordenador de Cultura & Engajamento na Juntos Somos Mais.


Vale Tudo e relacionamentos no trabalho: estabelecer limites preserva a reputação profissional

 

Mentora de carreiras discute como personagens da novela das 9 inspiraram reflexão sobre o julgamento social vivido por mulheres nesse contexto
 

No trabalho, um ambiente onde passamos a maior parte do tempo, é natural que se construam relacionamentos. Os mais comuns são de amizade, colegas que viram sócios em outros empreendimentos, mas há, ainda, o surgimento de relacionamentos amorosos. Neste último caso, é necessário cautela, principalmente para as mulheres, porque o impacto desse envolvimento ainda vem acompanhado de julgamentos e desafios únicos. Quem afirma é Thaís Roque, mentora de carreiras femininas, que traz conselhos práticos para mulheres que vivem, ou cogitam relações afetivas no ambiente corporativo. 

“Relacionamento no trabalho é uma realidade. A convivência diária, projetos em comum e as trocas intensas podem gerar afeto ou paixão. O problema é que, para as mulheres, ainda existe uma lente de julgamento que tenta invalidar a competência profissional por conta de um envolvimento amoroso, ou que atribui o crescimento profissional a comportamentos pessoais”, aponta Thaís, especializada em Gestão de Negócios, Liderança e Capital Humano na Universidade de Nova Iorque, Excelência em Serviço no Disney Institute e em Ciência da Felicidade pela Berkeley. 

A mentora ressalta que o primeiro passo para lidar com essa situação é a consciência do ônus social. “Isso não significa abrir mão de viver algo verdadeiro, mas sim fazer escolhas com clareza. Estabelecer limites entre vida pessoal e profissional e manter a entrega de resultados consistentes são formas de proteger a imagem e garantir o crescimento na carreira”, afirma. 

Thaís relembra que essa dinâmica vem sendo retratada na televisão, na novela “Vale Tudo”, com a relação entre Solange e Renato, personagens que precisaram equilibrar afeto, ambição e julgamento social. “Na ficção ou na vida real, a mulher precisa constantemente reafirmar que pode viver relações pessoais sem comprometer seu valor profissional”.

 

Os cuidados essenciais 

Ao abordar quais cuidados devem ser tomados ao se envolver com alguém do trabalho, Thaís destaca os limites éticos e estratégicos: 

“A primeira coisa a se observar é a relação de hierarquia. Envolvimentos entre líderes e liderados tendem a gerar ruídos na equipe e conflitos de interesse. Muitas vezes, são relações de poder disfarçadas de romance, um verdadeiro campo minado. É essencial que o casal converse sobre exposição e tenha um plano. Afinal, o relacionamento pode acabar, mas a reputação não”, explica. 

Para Thaís, outro risco é misturar fofoca com performance, por isso ela recomenda o trabalho na inteligência emocional: “Planejar como contornar a situação em caso de término mostra maturidade e responsabilidade profissional, considerando que o relacionamento pode acabar, e sua carreira não precisa estar em jogo por isso”.
 

Quando o relacionamento impacta a equipe 

E quando o vínculo afetivo começa a gerar incômodo no time? Segundo Thaís, a chave está na transparência e responsabilidade. 

“Se o relacionamento começa a afetar a produtividade, gerar favoritismo ou insegurança entre os colegas, é preciso intervir com diálogo. Em alguns casos, pode ser necessário o apoio do RH ou da liderança direta. A pergunta que deve ser feita é: esse vínculo está atravessando os acordos de convivência profissional? Se a resposta for sim, alguma coisa precisa mudar”, exemplifica Thaís. 

“Relacionamentos amorosos fazem parte da vida, inclusive da vida corporativa. Mas, se estão impactando negativamente o clima organizacional, é hora de colocar a razão em primeiro lugar”, finaliza. 



Thaís Roque - Com passagem por empresas como Nestlé, Pão de Açúcar e Accenture, Thaís Roque é formada em Administração e viveu, na prática, os dilemas de quem tem um bom currículo, mas não encontra realização no trabalho. A inquietação a levou a aprofundar-se nos estudos e cursou uma especialização na NYU (New York University) em Liderança e Capital Humano, além de sua formação em Gestão de Negócios na mesma universidade. A partir dessa virada, passou a apoiar mulheres em busca de sentido na vida profissional. Hoje, é autora de dois livros sobre jornadas profissionais, lidera as comunidades de empreendedoras TR Circle e Founders Confraria e comanda o podcast De Carona na Carreira.


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