O mercado da construção civil, um dos pilares econômicos do Brasil, enfrenta o desafio de se reinventar diante de uma sociedade cada vez mais diversa, conectada e exigente. A inovação nesse setor passa, inevitavelmente, pela capacidade de incluir e desenvolver talentos diversos, rompendo com padrões históricos de exclusão e criando ecossistemas mais humanos, inteligentes e competitivos.
Nesse contexto, programas de mentoria ganham protagonismo. Quando bem estruturados, eles se tornam ferramentas poderosas de transformação, conectando gerações, promovendo trocas reais de conhecimento e impulsionando trajetórias de profissionais que, muitas vezes, enfrentam barreiras invisíveis. A mentoria deixa de ser apenas um gesto de boa vontade para se consolidar como uma estratégia de desenvolvimento e inovação.
A Juntos Somos Mais, por exemplo, vive essa realidade por meio do programa "Construir Juntos Mentoring" – uma iniciativa que vai além da capacitação técnica, promovendo um espaço intencional de desenvolvimento de soft skills, fortalecimento de redes e ampliação da confiança e da visão estratégica dos participantes. É um case que revela, na prática, como a construção de uma cultura inclusiva pode ser o ponto de partida para soluções mais criativas e para a formação de lideranças mais conscientes e preparadas.
Acredito que a verdadeira inovação emerge da consolidação de uma Cultura Inclusiva. Não basta compor times diversos; é preciso construir ambientes que valorizem as pluralidades como fonte legítima de inteligência coletiva. A pluralidade de repertórios, experiências e visões de mundo é o que permite desenhar soluções mais aderentes às realidades do mercado e mais disruptivas frente aos desafios do setor. Essa lógica, para mim, é um diferencial competitivo de negócio – especialmente em um mercado tradicional como o da construção civil.
Estudos como o da McKinsey & Company demonstram que empresas com maior diversidade étnica e racial têm 35% mais chances de superar a média de rendimento do setor. No caso da construção civil, um segmento tradicionalmente homogêneo, essa estatística revela uma oportunidade clara de vantagem competitiva para quem escolhe fazer diferente.
A inovação não nasce apenas da tecnologia, mas do encontro de perspectivas distintas. É na pluralidade de vivências, olhares e repertórios que surgem as soluções mais criativas e aderentes à realidade. E isso exige um novo olhar da liderança: mais atento, mais responsável e mais comprometido com a construção de ambientes onde todos possam contribuir, agregar valor e prosperar.
Ainda é comum que a DE&I seja associada exclusivamente à responsabilidade social. No entanto, empresas mais estratégicas já entenderam que diversidade, equidade e inclusão são impulsionadores concretos de inovação, decisões mais qualificadas, atração de talentos e reputação institucional. Tratar esses temas com intencionalidade e visão de negócio é um diferencial competitivo para quem quer se manter relevante em mercados em constante transformação.
O setor que
constrói casas, pontes e cidades também precisa aprender a construir
oportunidades. É assim que faremos a construção civil ser, de fato, mais civil.
Paulo Henrique Amorim - Especialista em Gestão de Pessoas e Cultura Organizacional, atuando como Coordenador de Cultura & Engajamento na Juntos Somos Mais.
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