Sala especializada no Rio oferece atendimento humanizado, escuta ativa e suporte técnico para garantir o sucesso do aleitamento materno
Nem
sempre a amamentação acontece de forma natural. Dores, dificuldades na pega,
insegurança com a produção de leite ou dúvidas sobre a alimentação do bebê são
mais comuns do que se imagina. Por isso, contar com uma rede de apoio preparada
pode fazer toda a diferença para seguir amamentando – com segurança e
acolhimento.
Pensando
nisso, a Zona Norte do Rio de Janeiro conta com um serviço especializado e
aberto 24 horas por dia, todos os dias da semana, para mães que precisam de
ajuda com a amamentação. Localizada no Hospital Maternidade Paulino Werneck, na
Ilha do Governador, a Sala de Apoio à Amamentação é um espaço gratuito, que
atende mães da unidade e, também, da comunidade.
O
serviço oferece acolhimento e orientação prática: desde a extração manual de
leite, até avaliação da pega, posição, traumas na mama e compreensão da livre
demanda. Tudo com escuta qualificada, conforto e privacidade, em um ambiente de
infraestrutura completa, com nichos individuais de atendimento, geladeira e freezer
para armazenar o leite.
“Antes
de qualquer conduta técnica, a primeira pergunta que fazemos é: ‘como está a
alimentação do seu bebê?’. Essa escuta abre espaço para a mulher se expressar,
e nos ajuda a entender como apoiar da melhor forma”, explica Graziela Abdalla,
gerente assistencial da unidade. Segundo ela, o cuidado é integral e envolve
profissionais de diferentes áreas como enfermagem, fonoaudiologia, nutrição,
medicina e outros, conforme a necessidade de cada caso.
Logo
no primeiro dia de funcionamento, a sala atendeu uma mãe que não havia dado à
luz no hospital: ela buscava ajuda após um engasgo do bebê. “Levamos para a
sala, acolhemos com carinho e resolvemos. Esse é o propósito: ser apoio real,
quando e onde for preciso”, relembra Graziela.
Além
do atendimento presencial e técnico, o espaço também realiza controle de
frequência e registro do volume de leite extraído, o que contribui para o
acompanhamento contínuo das mães com bebês internados no Complexo Neonatal.
Incentivo à amamentação desde o nascimento
Todo
o trabalho realizado na unidade segue diretrizes nacionais e internacionais de
humanização do nascimento e incentivo ao aleitamento materno. As mulheres
recebem orientação desde o momento da internação: têm direito a acompanhante e
doula, livre movimentação durante o trabalho de parto, métodos não
farmacológicos de alívio da dor e, após o nascimento, o bebê é colocado no seio
materno na primeira meia hora de vida. O contato pele a pele e o alojamento
conjunto completam esse cuidado.
“Temos
metas bem claras: amamentar na primeira meia hora, manter o contato pele a pele
e começar o alojamento conjunto o quanto antes. Mas não é sobre números. É
sobre garantir que cada mulher tenha uma experiência digna e que seu bebê tenha
o melhor início de vida possível”, afirma Graziela.
A
equipe também atua na conscientização sobre os riscos do uso de bicos
artificiais e da introdução de fórmulas sem recomendação clínica. Mães de bebês
internados são orientadas diariamente e, mesmo após a alta, podem retornar à
Sala de Apoio sempre que precisarem.
Neste
momento, a equipe se prepara para conquistar o selo IHAC – Iniciativa Hospital
Amigo da Criança, uma certificação do Ministério da Saúde, Unicef e OMS que
reconhece instituições que seguem rigorosamente os Dez Passos para o Sucesso do
Aleitamento Materno e promovem o cuidado integral à mulher e ao bebê.
A amamentação como um ato coletivo
A
Semana Mundial da Amamentação deste ano convida a sociedade a criar sistemas de
apoio sustentáveis para garantir que mais mulheres consigam amamentar seus
filhos por mais tempo. A campanha propõe que cada um – profissional, familiar,
amigo, acompanhante ou vizinho – se veja como parte ativa dessa rede.
“Quando
entendemos que cada gota de leite materno carrega saúde, vínculo e proteção ao
planeta, passamos a valorizar ainda mais a amamentação. Não é só sobre mães e
bebês. É sobre todos nós”, conclui Graziela.
CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial
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