Nova regra garante benefício mesmo com apenas uma contribuição, ampliando a proteção às mães empreendedoras e informais
O Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS) implementou uma mudança nas regras de concessão do salário-maternidade
para mulheres autônomas e seguradas facultativas. A partir de julho, passa a
ser possível receber o benefício com uma única contribuição ao INSS,
independentemente do tempo de filiação. A medida cumpre decisão do Supremo
Tribunal Federal (STF) e representa um avanço no acesso a direitos para
milhares de brasileiras que atuam fora do regime formal de trabalho.
A decisão vem ao encontro das transformações
no perfil da mulher trabalhadora no Brasil. Segundo dados do IBGE, mais de 9
milhões de brasileiras atuam como autônomas ou em ocupações informais, muitas
delas em áreas como estética, serviços, comércio ambulante, agricultura
familiar ou produção de conteúdo digital. Antes da mudança, essas profissionais
precisavam de no mínimo 10 contribuições mensais para terem acesso à
licença-maternidade, o que, na prática, deixava grande parte sem cobertura.
Para a advogada previdenciária Isabel
Brisola, do escritório Brisola Advocacia, a alteração é um marco na luta pela
equidade de gênero na seguridade social. “Essa mudança garante proteção às mães
que contribuem de forma eventual ou iniciaram recentemente sua contribuição
como autônomas”, afirma.
A mudança também tem implicações fiscais.
Segundo estimativas da equipe econômica do governo federal, a medida pode gerar
um custo adicional de R$ 280 milhões por ano à Previdência Social. Apesar
disso, especialistas apontam que o impacto é compensado pela redução da
desigualdade de acesso a direitos entre trabalhadoras formais e informais.
Além de mães biológicas, a nova regra
também se aplica a adotantes e àquelas que obtêm a guarda judicial para fins de
adoção. A expectativa é que a medida incentive mais mulheres a regularizarem
sua contribuição, além de ampliar a rede de proteção para gestantes em situação
de vulnerabilidade.
“É uma política que olha para a realidade
da mulher brasileira, que empreende, cuida e contribui quando pode. Muitas não
tinham o benefício simplesmente porque começaram a contribuir pouco tempo antes
de engravidar. Agora, essa barreira deixa de existir”, conclui Isabel Brisola.
A solicitação do salário-maternidade pode
ser feita diretamente pelo site ou aplicativo Meu INSS, sem necessidade de
comparecimento presencial.
Brisola Advocacia Associados – Focada em direito previdenciário, a Brisola Advocacia Associados foi fundada em 2009 com o objetivo de garantir os direitos dos beneficiários do INSS. Seus principais clientes decorrem da necessidade da aposentadoria por tempo de contribuição, com ênfase na aposentadoria especial. Atendem também outras solicitações relacionadas ao tema, como, por exemplo, benefícios por incapacidade, auxílio-maternidade, pensão por morte, entre outros. O escritório conta com sete advogados e também atende direito civil, direito da família e direito sucessório, além de causas trabalhistas.

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