Sindicato prevê redução da oferta de arroz no mercado nacional durante a Safra 2026/27, impactando no bolso do consumidor
Devido aos bloqueios e a tensão geopolítica
instalada em uma das principais rota marítimas do mundo, o estreito de Ormuz,
insumos como o óleo diesel e fertilizantes agrícolas ficaram mais caros em
relação ao ano passado. O aumento de preços impacta diretamente a cadeia
produtiva do arroz em Santa Catarina, que em maio colhe os últimos grãos da
Safra 2025/26 e deve se preparar para o próximo plantio, em agosto.
O cenário preocupa o Sindicato das Indústrias
de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), uma vez que o setor enfrenta, há um
ano, uma crise econômica ocasionada pela superoferta do grão no mercado
nacional e a queda no consumo. Segundo o presidente do SindArroz-SC, os itens
que compõem a tabela de custos fixos para produção e beneficiamento do arroz
tiveram aumento médio de 20%, demonstrando que todos os elos da cadeia produtiva
estão sofrendo as consequências do conflito em Ormuz.
“Todos os elos da cadeia produtiva estão
sendo afetados. O setor de embalagens aplicou reajuste acima de 40%, a tabela
da Agência Nacional de Trânsito e Transportes (ANTT) reajustou o valor dos fretes,
excluindo a livre negociação e causando aumento nos custos fixos tanto dos
produtores, quanto das indústrias beneficiadoras de arroz. Isso é um agravante
e tanto para a situação econômica que estamos enfrentando desde 2025”, detalha
Rampinelli.
Crise pode
impactar bolso do consumidor
O produtor de arroz de Forquilhinha (SC),
Israel Alexandre, afirma que na colheita da Safra 2025/26 o litro do Diesel
s500 usado por ele custava em torno de R$5,50, mas hoje já passa dos R$7,00.
Além disso, conta que os compostos do adubo mineral NPK (Nitrogênio, Potássio e
Fósforo) também foram um dos principais insumos que tiveram alteração no valor,
junto à ureia, elementos essenciais para a manutenção da sua lavoura.
“A cadeia produtiva sofre com ciclos de alta
oferta e pouca demanda, e alta demanda e pouca oferta, mas esses ciclos nunca
são lineares à escassez de insumos e isso descapitaliza o produtor. Se
acrescentarmos a baixa no consumo do grão e o impacto dos conflitos
geopolíticos mundiais no valor dos produtos que utilizamos, não resta uma
alternativa senão a de reduzir a área plantada e diminuir o uso de
fertilizantes e maquinários”, explica Israel.
Santa Catarina é o segundo estado que mais
produz arroz no país, sendo responsável por mais de 10% do abastecimento nacional.
A diminuição de áreas plantadas e a escassez de insumos necessários para manter
a performance da lavoura em níveis elevados pode ocasionar a pouca oferta do
grão após a Safra 2026/27, elevando os preços do arroz no mercado nacional.
Medidas de contenção
O SindArroz-SC, juntamente com a Câmara
Setorial do Arroz, está buscando alternativas para conter a crise econômica do
setor junto ao Governo Federal. Uma das ações envolve um pedido de reunião com
o vice-presidente, Geraldo Alckmin, para debater possíveis caminhos para a
redução dos custos de produção no território brasileiro e a redução de
impostos.
“Entendo que com a prolongação desta crise os
produtores devem reduzir significativamente a área plantada devido ao alto
custo de produção. Entretanto, essa redução ocasionará no aumento dos preços do
arroz e na redução de oferta do nosso produto nos supermercados, e isso vai
atingir o bolso das famílias brasileira”, pontua o presidente do sindicato.
Texto: Shaiane Corrêa/Foto: Monique Amboni

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