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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Alopecia areata: o que é, por que aparece e como tratar doença que afeta a influenciadora Virginia Fonseca

Dermatologista e professor de faculdade federal explica mecanismos da condição autoimune, fatores de risco e opções terapêuticas disponíveis


Uma falha no cabelo, sem dor ou coceira. Foi assim que a alopecia areata se apresentou para Virginia Fonseca, que revelou neste mês, pelas redes sociais, o diagnóstico da doença capilar. Ao tornar público o problema de saúde, a influenciadora colocou em pauta uma condição que afeta uma parcela expressiva da população brasileira. O que muitos não sabem é que nunca houve tantos recursos terapêuticos para enfrentar o problema. A doença tem controle e tratamento e, quanto mais cedo identificada, maiores são as chances de uma evolução positiva.

O dermatologista Fernando Luz, especialista em cirurgia dermatológica pela Universidade de São Paulo (USP), explica que a alopecia areata é uma doença autoimune. Segundo ele, o sistema imunológico tem como função proteger o organismo contra vírus, bactérias e fungos. No caso da doença, porém, o corpo perde a capacidade de distinguir o que faz parte do próprio organismo e o que representa um invasor externo.

“O sistema de defesa passa a enxergar células saudáveis como ameaças e as ataca. Na alopecia areata, as células escolhidas como alvo são as que formam o bulbo capilar, a raiz do fio de cabelo. Em consequência a essa reação inflamatória, o fio de cabelo cai, deixando aquela área sem cabelo", esclarece Luz, médico da novofio e fellow em transplante capilar.



Por que a doença se desenvolve
 

A alopecia areata é uma condição de origem multifatorial, com predisposição genética e mecanismo autoimune. Nesse contexto, o estresse emocional encabeça a lista de gatilhos conhecidos que podem deflagrar a doença. Períodos de ansiedade intensa, esgotamento prolongado ou situações psicológicas mal resolvidas podem ser o elemento que dispara a reação autoimune. Integrante das sociedades Brasileira de Dermatologia (SBD) e de Cirurgia Dermatológica (SBCD), o médico, responsável técnico da novofio, em Parnaíba, no Piauí, alerta, entretanto, que outros fatores também podem pesar nessa equação.

Outros elementos, como noites mal dormidas, tabagismo, consumo de álcool e traumas locais, incluindo o uso de acessórios muito apertados ou o hábito de coçar o couro cabeludo, podem colaborar em alguns casos, embora tenham um papel menos definido na literatura científica.

O estresse merece atenção especial porque não apenas desperta a doença, como alimenta um processo crônico. Sem controle, contribui ativamente para que os sintomas se mantenham e até se agravem.

 

Como identificar 

A alopecia areata é traiçoeira justamente porque não produz sintomas físicos perceptíveis. O único sinal é a falha no cabelo ou nos pelos, e ela costuma passar despercebida pelo próprio paciente por semanas ou meses. "O principal sintoma é a percepção da perda de fios ou de pelos em alguma região. Pode ocorrer no couro cabeludo, mas também em outras áreas, como barba e sobrancelhas", enumera.

No consultório, Fernando Luz observa com frequência que o cabeleireiro ou o barbeiro costuma ser o primeiro a perceber, durante o corte, uma falha no cabelo do cliente, exatamente como relatou Virginia Fonseca. O detalhe revela muito sobre a doença: ela avança enquanto o paciente ainda não percebe os sinais. A orientação é objetiva: qualquer falha identificada deve ser investigada por um médico. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de um tratamento bem-sucedido.


O que agrava o quadro

Alguns comportamentos podem fazer o quadro progredir mesmo durante o tratamento. A automedicação é um dos erros mais comuns: produtos usados sem orientação médica podem irritar o couro cabeludo e piorar a inflamação local. A interrupção do tratamento, mesmo quando os resultados começam a aparecer, também compromete o controle da doença. A exposição contínua a fatores como o uso de bonés apertados ou o hábito de coçar a região afetada pode manter o ciclo inflamatório ativo. "O controle do estresse emocional pode estar relacionado com a melhora clínica. É um grande aliado no tratamento da doença", observa Luz.

Como tratar

O tratamento não segue um protocolo único. Ele é construído caso a caso, com base no perfil do paciente, na extensão das falhas e na resposta clínica ao longo do tempo. O que mudou nos últimos anos é a quantidade e a qualidade das ferramentas à disposição do dermatologista. Medicamentos de uso tópico, que atuam diretamente no couro cabeludo, são combinados com tratamentos orais para controle da resposta imunológica de forma sistêmica. Além disso, podem ser associados procedimentos de mesoterapia capilar, conforme orientação do dermatologista.

 

Mesoterapia capilar 

A mesoterapia capilar é um procedimento em que microinjeções de medicamentos são aplicadas diretamente no couro cabeludo. "Utilizamos medicamentos específicos para o controle da resposta autoimune exagerada, mas também que estimulam o crescimento e a nutrição do folículo", detalha Luz. Já a LED-terapia utiliza ondas de luz no tecido capilar para reduzir a inflamação local e estimular o crescimento dos folículos. Não substitui outros tratamentos, mas potencializa seus resultados.


Imunomoduladores e imunobiológicos
 

Para os casos mais extensos e resistentes às abordagens convencionais, a medicina já dispõe de uma nova geração de medicamentos, desenvolvida a partir de pesquisas sobre o funcionamento do sistema imunológico, mudando o prognóstico de pacientes com quadros mais graves. "Estamos vivendo uma nova fase no tratamento das doenças autoimunes. Os imunomoduladores sistêmicos, especialmente os imunobiológicos, têm crescido em relevância", diz o médico. 

No centro dessa mudança estão os inibidores da JAK, classe de medicamentos que bloqueia sinais inflamatórios específicos dentro das células, como tofacitinibe e baricitinibe. ‘São medicamentos que vêm sendo utilizados com bons resultados, principalmente nos casos mais extensos e resistentes aos tratamentos tradicionais’, completa o médico.


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