Com o avanço das fake news
sobre vacinas durante a pandemia da Covid-19, a baixa adesão imunizadora no
país voltou a acender um alerta. Segundo o Anuário Vacina BR 2025, até 2023
mais de 80% da população brasileira ainda vivia em municípios que não atingiram
as metas de cobertura para a maioria das vacinas, um cenário que agrava o risco
justamente para quem já enfrenta o câncer. Pacientes oncológicos e
imunossuprimidos exigem protocolos específicos de vacinação estando mais
expostos a complicações causadas por vírus e bactérias.
Por isso, a Oncoclínicas
reforça a importância da vacinação entre pacientes com câncer e seu impacto
direto na segurança e na eficácia dos tratamentos. A diretriz da American
Society of Clinical Oncology (ASCO) destaca que manter o esquema vacinal
atualizado é fundamental para reduzir o risco de infecções e garantir a
continuidade das terapias. No Brasil, o guia conjunto da Sociedade Brasileira
de Oncologia Clínica (SBOC) e da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)
recomenda que a imunização seja iniciada logo após o diagnóstico e, sempre que
possível, antes do início de tratamentos imunossupressores.
Informações importantes:
1. O cenário de
desinformação e calendário vacinal esquecido
A onda antivacina,
intensificada após a pandemia de Covid-19, provocou queda nas coberturas
vacinais e ressurgimento de doenças como sarampo e poliomielite. Mesmo pessoas
saudáveis, que acreditam na eficácia da vacinação, tendem a negligenciar o calendário vacinal do adulto
sem doenças pré-existentes, que inclui imunizações importantes:
○
Herpes Zoster (a partir dos 50 anos)
○
Pneumococo (a partir dos 60 anos)
○
Influenza e COVID-19 (anualmente)
○
Vírus sincicial respiratório (a partir de 70 anos)
No caso dos pacientes com
câncer, a falta de orientação médica sobre vacinação ainda é uma lacuna crítica
na linha de cuidado.
2. Vacinação em
pacientes oncológicos: o momento certo faz diferença
● Pacientes com câncer são
mais vulneráveis a infecções graves, que podem comprometer o tratamento e
elevar o risco de complicações e óbito. Por isso, manter a vacinação em dia,
tanto dos pacientes quanto de seus familiares, é tão essencial quanto o próprio
tratamento oncológico.
● A vacinação em pacientes
oncológicos não serve apenas para reduzir o risco de doenças já controladas,
mas também para protegê-los de infecções comuns que, em um organismo
debilitado, podem causar consequências graves.
● O momento ideal para a
imunização é antes do
início da terapia oncológica, a chamada “janela de ouro”, quando
o sistema imunológico continua relativamente preservado.
● Vacinas de vírus vivo atenuado
(como sarampo, febre amarela e dengue) são contraindicadas para a maioria dos
imunossuprimidos, salvo em situações excepcionais, como surtos.
3. As vacinas essenciais
para o paciente com câncer
● Pneumococo: previne
pneumonia e meningite, sendo indicada até para pacientes jovens diagnosticados.
● Herpes Zoster: evita
lesões dolorosas e complicações de longo prazo.
● Influenza, COVID-19,
Tétano, Difteria, Hepatite A e B e Meningococo
também fazem parte do esquema recomendado.
● Vírus sincicial
respiratório: evita infecção grave por esse vírus.
4. Vacinação como parte
da estratégia de cuidado e prevenção
● Vacinação de
contactantes: imunizar familiares e pessoas próximas ajuda a
criar uma “barreira de proteção” ao redor do paciente.
● Cuidados adicionais: pacientes
devem evitar contato com fezes de animais domésticos e usar máscara em locais
com risco de infecção.
● Novidades: novas
vacinas em desenvolvimento, como a do vírus sincicial respiratório (RSV) para
idosos e imunodeprimidos e a de dose única contra a dengue (Butantan), ampliam
o arsenal preventivo.
● Vacinas que previnem
o câncer: HPV e Hepatite B já foi comprovado que reduzem
o risco de tumores e pesquisas buscam novas soluções nesse campo.
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