Exposição ao sol, falta de refrigeração e higiene inadequada aumentam o risco de intoxicação alimentar no verão; especialista lista o que levar, o que evitar e como proteger as crianças
Sol,
praia, piscina e passeios ao ar livre fazem parte da rotina de férias, mas um
detalhe muitas vezes negligenciado pode transformar o lazer em dor de cabeça ou
em atendimento de emergência. O consumo de alimentos expostos ao calor por
tempo prolongado aumenta significativamente o risco de intoxicação alimentar, especialmente
em crianças.
Segundo
Renata Riciati Nutricionista materno-infantil, especialista em seletividade
alimentar e comportamento alimentar infantil, o perigo não está apenas em
alimentos visivelmente estragados. “Entre 5 °C e 60 °C ocorre a chamada zona de
perigo, em que bactérias se multiplicam rapidamente, mesmo sem alterar cheiro
ou sabor”, explica.
Entre
os microrganismos mais comuns nesse cenário estão Salmonella, E. coli,
Staphylococcus aureus e Bacillus cereus, capazes de causar diarreia, vômitos,
febre e desidratação quadro que pode evoluir de forma grave em bebês e crianças
menores de cinco anos.
O
sistema imunológico infantil ainda está em desenvolvimento, o que torna as
crianças mais vulneráveis às doenças transmitidas por alimentos. “Em adultos,
uma intoxicação pode ser leve, mas em crianças pode levar à desidratação
rápida, queda de pressão e até internação hospitalar”, alerta Renata.
Além
disso, muitos alimentos consumidos por crianças, como papinhas, laticínios e
preparações caseiras, são mais perecíveis e não contêm conservantes, aumentando
o risco quando ficam fora da refrigeração.
O que levar para a praia ou passeios no calor
Alimentos
mais seguros
Opções secas ou
pouco perecíveis são as mais indicadas quando o lanche ficará fora da
geladeira:
- Pães
simples (francês, integral, de forma)
- Torradas
e biscoitos simples, sem recheio
- Bolos
simples, sem cobertura ou recheio cremoso
- Castanhas
e oleaginosas (para crianças maiores, sem risco de engasgo)
- Barrinhas
de cereais simples
Duração
segura: até 4–6 horas, em
local fresco e seco.
Frutas
- Frutas
inteiras como maçã, pera, banana, tangerina e uvas são mais seguras
Inteiras: até 6 horas | Cortadas: no máximo 2 horas
Alimentos
refrigerados (com cuidado)
- Iogurte
- Queijos
- Sanduíches
simples (pão + queijo)
Devem ser mantidos
em bolsa térmica com gelo reutilizável
Até 2–4 horas bem refrigerados | Sem refrigeração: máximo de 1–2 horas
Alimentos que
devem ser evitados no calor
Especialmente fora
da geladeira:
- Maionese
e patês
- Carnes,
frango e peixe
- Ovos
e preparações com ovos crus ou malcozidos
- Leite
e derivados
- Papinhas
caseiras sem conservação térmica
- Molhos
e recheios cremosos
- Arroz,
massas e purês deixados fora da geladeira
- Saladas
cruas, salada de frutas e sucos naturais
- Frutos
do mar
“Para crianças
pequenas, não vale o risco. Se não houver garantia de conservação adequada, o
ideal é evitar”, reforça a nutricionista.
Como
acondicionar corretamente os alimentos
Bolsa térmica
-Boa vedação
-Dois ou mais
gelos reutilizáveis
-Alimentos já
devem ir frios (nunca quentes)
Recipientes
adequados
-Potes limpos, com
tampa firme
-Separar alimentos
secos dos úmidos
-Evitar
papel-alumínio em alimentos ácidos
Cuidados
extras
-Manter a lancheira
fora do sol
-Nunca deixar
dentro do carro
-Consumir o quanto
antes
Comer em
barracas e ambulantes: atenção redobrada
O consumo de
alimentos vendidos em praias e piscinas exige cuidado, principalmente quando há
crianças envolvidas.
Principais
riscos
- Falta
de controle de temperatura
- Higiene
inadequada
- Exposição
a insetos, poeira e areia
- Origem
e conservação desconhecidas
O que
observar antes de comprar
Prefira locais
que:
- Mantenham
alimentos cobertos
- Utilizem
caixas térmicas fechadas
- Usem
luvas ou pegadores
- Apresentem
boa higiene geral
Evite se:
- O
alimento estiver morno
- Houver
moscas sobre os produtos
- O
vendedor manipular dinheiro e comida ao mesmo tempo
Opções mais
seguras
- Água
mineral lacrada
- Bebidas
industrializadas fechadas
- Milho
cozido bem quente
- Tapioca
feita na hora e bem passada
- Picolés
industrializados com embalagem intacta
Alimentos
mais arriscados (especialmente para crianças)
- Sanduíches
com maionese
- Cachorro-quente
exposto
- Queijos,
camarão e peixe
- Salada
de frutas
- Açaí
não industrializado
- Sucos
naturais com gelo de origem desconhecida
“No
verão, o cuidado com a alimentação precisa ser redobrado. Levar lanches simples
de casa, observar a conservação e evitar alimentos de risco são atitudes que
protegem a saúde, principalmente das crianças”, conclui Renata Riciati.
Renata Riciati - nutricionista materno-infantil e especialista em saúde da família, com mais de 20 anos de experiência em comportamento alimentar infantil, seletividade alimentar e terapia nutricional para crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e TDAH. Formada pela Universidade Anhembi Morumbi, possui pós-graduação em Nutrição Clínica pela Universidade São Camilo e ampla atuação em consultório, escolas e projetos voltados à educação alimentar. Ao longo da carreira, acumulou experiências em instituições como o Instituto da Criança – HCFMUSP, GR Serviços de Alimentação e Prefeitura de São Paulo, além de comandar a RR Nutri, onde atende famílias, gestantes, bebês e crianças, oferecendo acompanhamento nutricional, consultoria escolar e consultoria corporativa. Renata também desenvolve projetos como o curso “Só Mais Uma Colherada”, criado em parceria com a jornalista Karina Godoy (TV Globo), e grupos online de orientação alimentar. Sua atuação se destaca pelo olhar integral, acolhedor e individualizado, com foco em transformar a relação das famílias com a comida, promovendo refeições mais leves, nutritivas e prazerosas.
Instagram: renatariciati_nutri
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