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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

IA deixa de ser diferencial e passa a ser obrigação no varejo brasileiro

Workshop promovido pela TEC4U após a NRF 2026 mostrou como dados, experiência e execução passaram a definir competitividade no varejo

 

A edição 2026 da NRF Retail’s Big Show marcou uma virada definitiva no varejo global. A inteligência artificial deixou de ser uma promessa e passou a integrar, de forma estrutural, a operação e a jornada de compra. Esse foi o principal diagnóstico apresentado no Workshop Pós NRF 2026, promovido pela TEC4U, que reuniu especialistas em tecnologia, dados e e-commerce para discutir os impactos práticos dessas transformações no varejo brasileiro. 

Ao longo do encontro, ficou claro que a IA, isoladamente, já não representa vantagem competitiva. O diferencial está na capacidade das empresas de integrar canais, estruturar dados e executar com consistência antes de escalar automações mais avançadas. 

“Existe uma expectativa inflada de que a inteligência artificial resolva problemas estruturais sozinha. O que vimos na NRF é o oposto. A IA potencializa o que já está organizado. Sem integração, cultura e execução, ela apenas acelera ineficiências”, afirma Rodrigo Soares, sócio da TEC4U.


Experiência, comunidade e o novo papel da loja física

Um dos temas centrais do workshop foi a transformação da loja física em um espaço de experiência, conexão e pertencimento. Exemplos globais apresentados mostraram como marcas têm investido em ambientes imersivos para fortalecer relacionamento, lealdade e construção de comunidade, indo além da lógica transacional. 

Segundo Rodrigo Soares, o desafio não está em criar experiências inspiradoras, mas em sustentá-las na operação do dia a dia. “Tecnologia, atendimento e cultura precisam funcionar de forma integrada. Caso contrário, a experiência não se mantém no tempo”, destaca.


Agentic commerce e a redução da fricção na jornada de compra

Outro ponto de destaque foi o avanço do agentic commerce, modelo no qual assistentes inteligentes passam a intermediar descobertas, recomendações e compras. Na abertura desse bloco, Konrad Doern, fundador do Compra Rápida, explicou que o lançamento do Universal Commerce Protocol (UCP) pelo Google sinaliza uma tentativa de criar uma linguagem universal para transações mediadas por IA. 

“A lógica dos agentes é reduzir etapas da jornada tradicional. Quanto menos interfaces, menor a fricção e maior a conversão”, afirmou Doern. 

Dados apresentados no evento indicam que o comportamento de busca já está mudando. Hoje, cerca de 58% dos consumidores utilizam ferramentas de IA para pesquisar produtos, ainda que a conclusão da compra, na maioria dos casos, aconteça fora desses ambientes. A expectativa é de aceleração desse movimento nos próximos anos. 

O workshop também trouxe dados sobre a sobrecarga cognitiva do consumidor. Pesquisas indicam que 78% das pessoas se sentem sobrecarregadas diante do excesso de escolhas, o que impacta diretamente a decisão de compra. Nesse cenário, simplificar fluxos, reduzir opções desnecessárias e orientar o consumidor passa a ser estratégico.


Conversação no lugar do desconto

Na sequência, André Nunes, Head of BU – AI Products do Compra Rápida, apresentou aplicações práticas de IA focadas em conversão. Segundo ele, entre 70% e 80% dos carrinhos abertos no Brasil não são finalizados, e o principal motivo não é preço, mas dúvida. 

“O mercado respondeu o abandono de carrinho com cupom por muito tempo. Isso corrói margem e enfraquece a marca. Em muitos casos, o consumidor só precisa de orientação”, explicou.

Testes apresentados no workshop mostram que interações conversacionais inteligentes, capazes de identificar objeções e responder em tempo real, chegam a dobrar a taxa de recuperação de carrinho, além de aumentar o ticket médio, sem recorrer a descontos. 

“O papel da IA aqui é conversar, entender a dúvida e resolver. Quando isso acontece, a venda flui”, afirmou Nunes.


Dados, eficiência e execução no centro da estratégia

O evento reforçou ainda que os usos mais maduros da IA hoje estão na operação, como análise de gargalos, otimização de investimentos, leitura de padrões em criativos e identificação de falhas em pagamento ou estoque. Segundo dados apresentados, menos de 1% das empresas estão realmente preparadas para usar IA de forma consistente, mesmo entre negócios digitais. 

“O varejo entrou em uma nova fase. A tecnologia já está disponível. O que diferencia quem avança de quem fica para trás é a capacidade de estruturar dados e executar bem”, conclui Rodrigo Soares, sócio da TEC4U.


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