Componente
curricular é oportunidade para ensinar às crianças sobre respeito e ética
Falar sobre fé e espiritualidade não é tarefa
apenas para padres, pastores e guias espirituais. Existe um espaço em que esses
assuntos também podem ser trabalhados com respeito e cuidado: a escola. Ao
contrário do que o nome pode dar a entender, as aulas de Ensino Religioso não
servem para ensinar uma religião específica, são momentos que as crianças são
convidadas a pensar sobre temas fundamentais da convivência humana, como
diversidade, pluralidade, ética e respeito ao outro.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento
que orienta o currículo escolar de todas as escolas brasileiras, públicas e
privadas, define o Ensino Religioso como uma área do conhecimento que deve ser
desenvolvido para promover nas crianças o respeito ao diálogo e às diferentes
filosofias de vida e perspectivas religiosas. Uma das competências descritas na
BNCC, inclusive, é “reconhecer e cuidar de si, do outro, da coletividade e da
natureza, enquanto expressão de valor de vida”. O objetivo é que os estudantes
conheçam diferentes crenças, modos de pensar e viver presentes na sociedade
contemporânea e combatam representações sociais preconceituosas sobre o outro e
outras discriminações.
De acordo com a editora de conteúdo da Aprende
Brasil Educação, Juliana Ulbrich, os conteúdos trabalhados durante as aulas se
caracterizam pela interculturalidade e pela não confessionalidade. “Isso quer
dizer que nas aulas de Ensino Religioso os alunos vão aprender sobre diferentes
tradições religiosas e não religiosas, pois não se trata de aulas sobre religião,
mas sobre as diferentes formas de entender o mundo onde uma diversidade de
pessoas vive”, explica. A editora pontua três conteúdos que são trabalhados
durante as aulas.
Diversidade religiosa
Em um país como o Brasil, em que há uma profusão de
religiões de matrizes indígenas e africanas, além das tradicionais religiões
monoteístas, como o cristianismo, o islamismo e o judaísmo, é fundamental que
as crianças respeitem o que cada pessoa considera sagrado para si. “Durante as
aulas de Ensino Religioso, as crianças podem conhecer as perspectivas culturais
e religiosas umas das outras e aprender, com isso, que o respeito é
fundamental”.
Princípios éticos
Também é nessas aulas que os pequenos começam a ter
contato com alguns conceitos filosóficos que os façam refletir sobre questões
relacionadas à vida e as ajudem a construir sua própria identidade, baseada em
princípios éticos. “Por meio da convivência com crianças que vêm de outros
contextos culturais e por meio do diálogo e da pluralidade de ideias, as
crianças e adolescentes vão formando entendimento para atuar de forma ética e
cidadã na sociedade”, diz Juliana.
Solidariedade, justiça,
empatia e responsabilidade
Promover valores éticos passa não apenas por
discutir a ética em si, mas também por falar sobre temas que tragam essa
questão intrinsecamente. É o caso de quando se fala de solidariedade, justiça,
empatia e responsabilidade, por exemplo. Afinal, todos esses são valores
fundamentais para a convivência em sociedade. “A partir do estudo de diferentes
tradições religiosas e visões de mundo, os alunos são incentivados a refletir
sobre suas atitudes, reconhecer o valor do outro e compreender a importância do
respeito mútuo. As discussões em sala buscam desenvolver a consciência crítica
e o senso de responsabilidade individual e coletiva, estimulando ações pautadas
na empatia, na equidade e no diálogo, independentemente da crença pessoal de
cada estudante”, finaliza a especialista.
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