Segundo especialista, aprender em duas línguas é um poderoso aliado no combate à timidez e à insegurança, transformando o ensino em prática de saúde emocional
No mês dedicado à prevenção do suicídio, o Setembro
Amarelo, cresce a atenção para políticas educacionais que unam aprendizado e
saúde mental por meio de ferramentas com apelo humano e impacto efetivo nessa
interface. Neste cenário, o ensino bilíngue é apontado por especialistas como
um método importante nesse processo ao estimular crianças e jovens a ampliar
horizontes culturais ao mesmo tempo em que fortalecem competências
socioemocionais como autoestima, resiliência e confiança.
De acordo com Vanessa Codecco, head pedagógica do Twice
Bilingual, sistema de ensino bilíngue da Rhyzos
Educação, o aprendizado em duas línguas proporciona regulação emocional e
redução de estresse e ansiedade, por demandar maior foco, alternância de
linguagens e concentração, elementos-chave para enfrentar desafios emocionais e
escolares com mais equilíbrio.
“No contexto educativo, o ensino bilíngue também amplia a
capacidade de resolução de problemas e o desenvolvimento do pensamento crítico,
favorecendo a adaptação a contextos diversos e minimizando a sensação de
insegurança, bem como impulsionando habilidades de comunicação e
adaptabilidade”, complementa a especialista.
Outro ponto de destaque levantado por Vanessa é a contribuição do
bilinguismo para o enfrentamento da timidez. Conforme a head, ao praticar a
comunicação do novo idioma, os estudantes são naturalmente expostos a situações
de interação em que precisam se posicionar, errar e tentar novamente. Esse
processo faz com que o jovem fortaleça a tolerância à frustração e a coragem de
se expressar.
Com isso, cria-se maior autoconfiança em situações de interação
social, justamente por desenvolverem flexibilidade cognitiva e facilidade em
lidar com diferentes perspectivas. Para Codecco, são fatores que traduzem em
benefícios concretos para a saúde mental, sobretudo na fase escolar, quando a
construção da identidade e da autoestima está em pleno desenvolvimento.
“O contato com diferentes culturas e formas de pensar permite que
crianças e adolescentes construam uma visão mais ampla e respeitosa sobre o
outro, e isso contribui para ambientes escolares mais acolhedores e
colaborativos. Em um contexto de prevenção ao suicídio e à depressão, tais
habilidades socioemocionais são reconhecidas como fatores de proteção
relevantes”, destaca a porta-voz do Twice.
Ainda, Codecco acrescenta que o aprendizado em duas línguas não se
resume ao conteúdo acadêmico, mas se conecta diretamente à formação integral
dos alunos, uma vez que, quando o estudante percebe que é capaz de se comunicar
em outro idioma, ele amplia seu senso de pertencimento e autossuficiência.
Falar de ensino bilíngue, hoje, não é mais falar de um diferencial
pedagógico. É consolidá-lo como prática estratégia de um desenvolvimento integral
do indivíduo, assim como em questões de saúde mental para formar cidadãos
emocionalmente mais fortes, resilientes e confiantes. É um legado fundamental
não só em meio à campanha Setembro Amarelo, mas além dela também”, conclui
Vanessa.

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