Especialista da Hapvida reforça a importância de enfrentar o tema sem tabus
Falar sobre saúde mental exige delicadeza e responsabilidade. Durante a campanha do Setembro Amarelo, que chama atenção para a valorização da vida, um dos pontos que merecem destaque é como as pressões do cotidiano podem afetar o equilíbrio emocional.
Cobranças
escolares e acadêmicas, bullying, empresas que impõem metas inalcançáveis,
jornadas abusivas, discursos de ódio e comparações em redes sociais são
exemplos de fatores externos que podem impactar diretamente a saúde mental.
Muitas vezes, esses ambientes funcionam como gatilhos invisíveis.
Olhar sem tabu
Para a psicóloga hospitalar da Hapvida, Lua Helena Moon, cada história precisa ser vista em sua singularidade e o tema não deve ser tratado como tabu, estatística ou espetáculo.
“O sofrimento psíquico intenso raramente nasce apenas de dentro, ele também é atravessado pelas pressões do mundo. Uma das formas mais cruéis de violência é justamente responsabilizar quem sofre, em vez de olhar para o contexto em que essa pessoa vive”, explica.
Ela
orienta ainda sobre o cuidado com a linguagem: “Evitar certas palavras não é
fingir que o problema não existe, é reconhecer que a linguagem tem o poder de
machucar ou de cuidar”.
Quem está mais vulnerável?
Segundo
a psicóloga, qualquer pessoa pode passar por crises, mas há quem esteja mais
vulnerável, não por fraqueza, mas por viver sob rejeição, silêncio e violência
simbólica. “Jovens que se sentem diferentes ou deslocados, por exemplo, muitas
vezes vivem em famílias nas quais o afeto é condicionado à obediência e ‘ser
quem se é’ vira motivo de conflito. Quando a escola, que deveria ser espaço de
cuidado, se torna um ambiente de bullying e, em casa, a dor é invalidada com
frases como ‘isso é frescura’ ou ‘na minha época era pior’, o abandono deixa de
ser sensação e se confirma como fato”, destaca.
Sinais de alerta
Os
sinais de sofrimento, muitas vezes, são silenciosos. “O choro ainda é sinal de
contato com a vida. O risco acende quando a pessoa começa a se afastar, a
perder interesse pelo que antes a tocava, a se isolar ou a lançar comentários
sutis sobre desistência. Às vezes aparece disfarçado, em um ‘tá tudo bem’ que
não convence”, ressalta a especialista.
Prevenção na prática
Mais do que oferecer soluções prontas, a prevenção passa pela escuta e pela presença. “O sofrimento não pede respostas imediatas, pede espaço, cuidado e companhia. Não se trata de forçar saídas, mas de garantir que a pessoa não esteja sozinha enquanto busca um caminho”, orienta Lua Helena.
Ela
também alerta para o peso das palavras: “Frases como ‘quem quer mesmo, não
avisa’ ou a romantização em filmes e redes sociais só aumentam o estigma e o
isolamento. Precisamos reaprender a linguagem do cuidado, da escuta ativa e do
vínculo”.
A mensagem do Setembro Amarelo
O
Setembro Amarelo é, acima de tudo, um convite para que ninguém precise se calar
ou se apagar para ser levado a sério. E a mensagem final da especialista é
clara: “Pedir ajuda não é fraqueza, é um gesto de coragem. Buscar
acompanhamento psicológico ou psiquiátrico pode fazer diferença real no
enfrentamento da dor. Ninguém precisa carregar tudo sozinho”.
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