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terça-feira, 16 de setembro de 2025

Setembro Amarelo: pressões do dia a dia podem ser gatilho para sofrimento mental

 Especialista da Hapvida reforça a importância de enfrentar o tema sem tabus

 

 Falar sobre saúde mental exige delicadeza e responsabilidade. Durante a campanha do Setembro Amarelo, que chama atenção para a valorização da vida, um dos pontos que merecem destaque é como as pressões do cotidiano podem afetar o equilíbrio emocional. 

Cobranças escolares e acadêmicas, bullying, empresas que impõem metas inalcançáveis, jornadas abusivas, discursos de ódio e comparações em redes sociais são exemplos de fatores externos que podem impactar diretamente a saúde mental. Muitas vezes, esses ambientes funcionam como gatilhos invisíveis.

 

Olhar sem tabu

Para a psicóloga hospitalar da Hapvida, Lua Helena Moon, cada história precisa ser vista em sua singularidade e o tema não deve ser tratado como tabu, estatística ou espetáculo. 

“O sofrimento psíquico intenso raramente nasce apenas de dentro, ele também é atravessado pelas pressões do mundo. Uma das formas mais cruéis de violência é justamente responsabilizar quem sofre, em vez de olhar para o contexto em que essa pessoa vive”, explica. 

Ela orienta ainda sobre o cuidado com a linguagem: “Evitar certas palavras não é fingir que o problema não existe, é reconhecer que a linguagem tem o poder de machucar ou de cuidar”.

 

Quem está mais vulnerável?

Segundo a psicóloga, qualquer pessoa pode passar por crises, mas há quem esteja mais vulnerável, não por fraqueza, mas por viver sob rejeição, silêncio e violência simbólica. “Jovens que se sentem diferentes ou deslocados, por exemplo, muitas vezes vivem em famílias nas quais o afeto é condicionado à obediência e ‘ser quem se é’ vira motivo de conflito. Quando a escola, que deveria ser espaço de cuidado, se torna um ambiente de bullying e, em casa, a dor é invalidada com frases como ‘isso é frescura’ ou ‘na minha época era pior’, o abandono deixa de ser sensação e se confirma como fato”, destaca.

 

Sinais de alerta

Os sinais de sofrimento, muitas vezes, são silenciosos. “O choro ainda é sinal de contato com a vida. O risco acende quando a pessoa começa a se afastar, a perder interesse pelo que antes a tocava, a se isolar ou a lançar comentários sutis sobre desistência. Às vezes aparece disfarçado, em um ‘tá tudo bem’ que não convence”, ressalta a especialista.

 

Prevenção na prática

Mais do que oferecer soluções prontas, a prevenção passa pela escuta e pela presença. “O sofrimento não pede respostas imediatas, pede espaço, cuidado e companhia. Não se trata de forçar saídas, mas de garantir que a pessoa não esteja sozinha enquanto busca um caminho”, orienta Lua Helena. 

Ela também alerta para o peso das palavras: “Frases como ‘quem quer mesmo, não avisa’ ou a romantização em filmes e redes sociais só aumentam o estigma e o isolamento. Precisamos reaprender a linguagem do cuidado, da escuta ativa e do vínculo”.

 

A mensagem do Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo é, acima de tudo, um convite para que ninguém precise se calar ou se apagar para ser levado a sério. E a mensagem final da especialista é clara: “Pedir ajuda não é fraqueza, é um gesto de coragem. Buscar acompanhamento psicológico ou psiquiátrico pode fazer diferença real no enfrentamento da dor. Ninguém precisa carregar tudo sozinho”.

 

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