A Dra. Paula Delegrego reforça que esse
tipo de câncer tem altas chances de cura e de preservação da visão quando
diagnosticado e tratado na fase inicial 
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18 de Setembro é o Dia Nacional de
Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma,
um tipo de câncer que aparece dentro do olho, na retina, e é mais comum em
crianças com menos de quatro anos de idade. A doença representa de 3% a 4% dos
casos de câncer infantil, com uma média de 400 diagnósticos por ano no Brasil,
de acordo com o Ministério da Saúde. Quando descoberto e tratado no início, o
Retinoblastoma tem altas chances de cura e de preservação da visão da criança.
A Dra. Paula Delegrego, oftalmologista do H.Olhos, Hospital de
Olhos da Rede Vision One, alerta que “um dos sinais da doença é o reflexo
branco que fica visível na pupila em fotos tiradas com flash, em vez do reflexo
vermelho normal. A criança também pode apresentar estrabismo, o chamado olho
“torto” que aparece de repente. Outros indícios que podem levantar suspeita são
diferença no tamanho das pupilas, baixa visão, olhos vermelhos frequentes ou
inflamação ao redor dos olhos. Embora esses sintomas nem sempre signifiquem
câncer, é fundamental que os pais levem a criança ao oftalmologista para uma
avaliação”.
De acordo com a médica, “o Retinoblastoma acontece por causa de
uma alteração em um gene chamado RB1, que normalmente funciona como um “freio”
para evitar que surjam tumores no corpo. Essa alteração pode ser herdada de um
dos pais e se manifestar antes do primeiro ano de vida, muitas vezes nos dois
olhos, podendo ser transmitida para os descendentes no futuro. No entanto, na
maioria dos casos, a alteração acontece depois que a criança nasceu e a doença
surge somente após o primeiro ou o segundo ano de vida, atingindo geralmente
apenas um dos olhos”.
A prevenção do Retinoblastoma começa ainda na maternidade, com a
realização do Teste do Olhinho no recém-nascido, exame que também auxilia no
diagnóstico de outras doenças oculares. O teste consiste em direcionar um feixe
de luz para os olhos do bebê a fim de observar se o reflexo é vermelho e
simétrico. Em caso de reflexo esbranquiçado ou ausência de reflexo, ele deverá
ser encaminhado a um oftalmologista para exames mais detalhados.
O Teste do Olhinho deve ser realizado três vezes por ano, até os
três anos de idade e, periodicamente, até os cinco anos. Além disso, é muito
importante que a criança faça seu primeiro exame oftalmológico entre os seis
meses e o primeiro ano de vida, ou o quanto antes, se houver histórico de
Retinoblastoma na família. O principal exame para confirmar a doença é o
mapeamento de retina, em que o médico dilata a pupila da criança e visualiza
toda a parte interna do olho. Podem ser solicitados ainda exames oculares mais
específicos e testes genéticos para confirmar a alteração no gene.
De acordo com a Dra. Paula Delegrego, “o tratamento depende do
tamanho e da localização do tumor, se a doença está em um olho ou nos dois. O
objetivo é sempre salvar a vida da criança, preservar o olho quando possível e
manter a visão. Quando o tumor é muito grande e o olho já não enxerga, pode ser
necessário retirar o globo ocular, em uma cirurgia chamada enucleação. Já
quando o tumor é menor, temos mais opções de tratamentos”.
A especialista cita alguns dos procedimentos adotados para tumores
menores:
-laser, que destrói as células do tumor;
-crioterapia, que congela o tumor até eliminá-lo;
-quimioterapia, para diminuir ou eliminar o tumor e ajudar o laser
e a crioterapia a funcionarem melhor;
-radioterapia localizada (braquiterapia), em que uma pequena placa
com material radioativo é colocada próxima ao olho para destruir as células do
câncer.
Quando
descoberto cedo, as chances de cura do Retinoblastoma são muito altas. Mas é
essencial que a criança faça acompanhamento regular com o oftalmologista e com
o oncologista, para poder tratar possíveis recidivas assim que elas apareçam.
Principalmente nos primeiros anos após o fim do tratamento existe o risco de o
câncer ocular ressurgir no olho tratado. Outra medida importante é fazer testes
genéticos e aconselhamento para a família, porque em alguns casos os irmãos ou
filhos do paciente podem ter risco de desenvolver a doença.
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