A Dra.
Camila Marinho explica que o procedimento é indicado quando o tratamento
clínico não traz os resultados esperados e a doença afeta a qualidade de vida
do paciente
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Quem sofre de sinusite
crônica sabe o quanto é difícil lidar com o desconforto, geralmente acompanhado
de dor, e que parece nunca melhorar. A inflamação persistente da mucosa que
reveste a cavidade nasal e os seios paranasais, cavidades ósseas ao redor do
nariz, maçãs do rosto e olhos, causa sintomas que afetam o bem-estar de forma
significativa.
A Dra.
Camila Marinho, otorrinolaringologista do Hospital de Olhos de Pernambuco, o
HOPE, diz que “os principais sintomas incluem nariz sempre entupido; secreção
nasal constante que pode escorrer pela garganta; dor ou sensação de pressão no
rosto; redução ou perda do olfato; tosse, principalmente à noite; e mau hálito.
Quando esses sintomas duram mais de 12 semanas, a sinusite passa a ser
considerada crônica”.
Mas o que
provoca essa doença? De acordo com a médica, “raramente a causa é única e na
maioria das vezes a inflamação ocorre por uma combinação de fatores. É
importante que o paciente que se identifica com esses sintomas reforce a
prevenção com medidas como manter a rinite sob controle; ficar longe de agentes
irritantes; ingerir bastante água para que as secreções fiquem mais fluidas;
intensificar os cuidados em caso de crise alérgica nasal ou resfriado, para
evitar a piora do quadro”.
A
otorrinolaringologista cita os principais gatilhos da sinusite crônica:
- Alergias
respiratórias, como a rinite alérgica não controlada;
- Pólipos
nasais (pequenos crescimentos benignos dentro do nariz que obstruem a drenagem
da secreção);
- Alterações
anatômicas, como o desvio de septo, que bloqueiam a passagem de ar;
- Exposição
a irritantes, como poluição e, principalmente, fumaça de cigarro;
- Infecções
virais repetidas que não foram completamente curadas;
- Infecções
fúngicas (inalação de esporos que se depositam nas cavidades nasais);
- Manipulação nos dentes da arcada superior (infecções dentárias ou procedimentos odontológicos que causem inflamações no seio maxilar).
“A sinusite crônica pode ser tratada com medidas clínicas para aliviar os
sintomas. Entre elas, lavagens nasais com soro fisiológico, uso de sprays
nasais com corticosteroides para reduzir a inflamação e o tratamento de
alergias e outros fatores associados. Os antibióticos são indicados nos casos
de infecção bacteriana e só devem ser tomados quando receitados pelo médico, e
durante o todo o período prescrito ”, explica a otorrinolaringologista.
Quando o
tratamento clínico não apresenta os resultados esperados e o paciente continua
com sintomas que impactam seu bem-estar, a cirurgia oferece um benefício
superior e mais duradouro. A eficácia do procedimento é apontada por um estudo
feito no Reino Unido, publicado recentemente na revista científica médica The
Lancet. Entre os voluntários que passaram pela cirurgia, 87% relataram melhora
expressiva na qualidade de vida.
“O procedimento, chamado de cirurgia endoscópica funcional, é minimamente invasivo e feito por dentro das narinas, sem cortes no rosto. Usando uma pequena câmera, o cirurgião acessa as cavidades nasais e os seios paranasais para remover o que está causando o bloqueio. Os benefícios são a restauração da ventilação e da drenagem de muco, o que leva à redução significativa da inflamação, alívio da dor, melhora da respiração, do olfato, e menor necessidade de medicamentos a longo prazo”, finaliza a Dra. Camila Marinho.
Vale
reforçar que para prevenir a sinusite crônica é fundamental manter os ambientes
bem ventilados, livres de poeira e mofo, ingerir bastante água e evitar o
tabagismo ativo ou passivo. Em caso de sintomas de crise alérgica ou resfriado
por mais de dez dias, é importante procurar um otorrinolaringologista para
evitar que o quadro se torne crônico e seguir corretamente as orientações do
médico.
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