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Empresas que apoiam a saúde financeira dos colaboradores veem melhorias no clima, na produtividade e na retenção de talentos
Investir em educação financeira
no ambiente de trabalho pode parecer, à primeira vista, uma ação voltada apenas
ao bem-estar dos funcionários. Mas os benefícios para o negócio são amplos, e
comprováveis.
Funcionário
endividado não dorme, nem rende - "Para
uma pessoa ser produtiva no seu dia a dia, o primeiro passo é dormir bem. E
como dormir bem se o indivíduo tem contas, dívidas e preocupações
financeiras?", questiona Carol Paiffer, diretora do Cebrac.
Ela afirma que o impacto da
má saúde financeira vai além do desempenho operacional.
"Afeta também as relações pessoais e com os colegas de trabalho",
aponta. Para ela, a educação financeira é parte da saúde como um todo — e
deve ser tratada como tal.
A educadora financeira Teresa
Tayra reforça: problemas com dinheiro afetam diretamente a produtividade, a
saúde e a vida social. Segundo ela, uma pesquisa de bem-estar financeiro dos
funcionários, feita pela PwC em 2023, mostrou que o estresse financeiro é um
fator relevante na queda de rendimento dos profissionais, e isso independe da
área ou da faixa salarial.
“É uma espiral: o funcionário
pensa que está ganhando pouco porque não tem a organização financeira
necessária, passa a produzir menos, a culpar a empresa e a disseminar para os demais.
E a cada mês, essa espiral se repete”, reforça Carol.
Mais
produtividade, menos turnover
Na visão de Carol, quando os
funcionários percebem que a empresa se preocupa com seu bem-estar, a tendência
é que haja uma maior fidelização. Mas o maior beneficiado acaba sendo o
próprio negócio. "Os funcionários se tornam mais produtivos, felizes e
contribuem para um bom clima organizacional", diz.
Além disso, empresas que
investem de forma consistente nesse tipo de ação costumam observar redução no turnover e nos afastamentos causados por
doenças relacionadas à saúde mental, como depressão e ansiedade.
Evitar
erros e reforçar o employer branding
Uma das vantagens mais
estratégicas dos programas de educação financeira, segundo Carol, está no reforço
do employer branding. "A principal métrica de que o programa está
funcionando é a diminuição do turnover", afirma. O raciocínio é simples:
colaboradores menos estressados com dinheiro tendem a se engajar mais e
permanecer mais tempo na empresa.
Por outro lado, há erros que
muitas organizações ainda cometem, como a falta de continuidade das
ações. "É necessário criar um cronograma anual, com programas revistos
a cada trimestre", recomenda Carol.
Outro equívoco apontado
por Teresa é a oferta indiscriminada de crédito
consignado como solução para o endividamento. Segundo ela, essa
prática pode agravar a situação financeira dos colaboradores e
aumentar o estresse, se não vier acompanhada de orientação e conscientização.
Ações
práticas que podem fazer a diferença
Há diversas maneiras de incluir
a educação financeira na rotina das empresas. Carol destaca as mentorias
gratuitas do Cebrac e da Atom Educacional, que podem ser feitas online. Ela
sugere que os empregadores incentivem os colaboradores a realizarem esses
cursos durante o expediente, com a reserva de uma ou duas horas
semanais para esse fim. “Muitos não conseguem fazer em casa, porque têm filhos,
entre outras demandas", explica.
Teresa sugere ainda palestras,
cartilhas com dicas práticas e consultorias individuais ou em grupo. Essas
ações podem ser integradas ao calendário da empresa, aproveitando eventos como
a semana SIPAT, Dia da Mulher, integração de novos funcionários, entre
outros.
Educação
financeira é responsabilidade da liderança também
Ambas as especialistas concordam
que a liderança é a peça-chave para o sucesso de qualquer iniciativa de
educação financeira. "Sem a liderança, é impossível esse projeto
avançar", afirma Carol. Para ela, o gestor deve ser o principal engajador
e exemplo dentro da organização.
Outro ponto essencial é criar
um ambiente onde falar de dinheiro não seja tabu. Carol defende que a
empresa promova campanhas frequentes, mantenha a escuta ativa e inclua o tema
no calendário anual. “A empresa precisa desmistificar a ideia de que falar de
dinheiro é um bicho de sete cabeças", diz.
Um
investimento com retorno garantido
Para Carol, os principais
resultados de um programa bem estruturado são: aumento no engajamento
entre as equipes, maior pontualidade e senso de pertencimento. “Esses
funcionários se tornam verdadeiros embaixadores da marca”, afirma.
Teresa completa: ao ajudar os
colaboradores a realizarem seus objetivos pessoais por meio da organização
financeira, a empresa reforça seu papel como parceira no crescimento e na
qualidade de vida dos times.

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