O aumento da expectativa de vida e da longevidade da nossa população já é uma realidade. Viver mais e poder envelhecer é uma conquista e um privilégio, mas traz a importância do cuidar para que possamos usufruir destes anos com saúde, independência e autonomia, com a máxima capacidade funcional e intelectual e melhor qualidade de vida possível.
A maneira como o processo de envelhecimento ocorrerá, bem como o risco de
aparecimento de doenças e problemas de saúde ao longo da vida, é determinada
pelas características genéticas de cada pessoa, em conjunto com seus hábitos de
vida.
Os cuidados preventivos com a saúde e o estilo de vida de cada um - prática
de atividade física, boa alimentação, bons hábitos e manejo de estresse - são
muito importantes para um envelhecimento saudável. Com o passar do tempo,
ocorrem alterações fisiológicas naturais no nosso corpo, decorrentes do
processo normal de envelhecimento, o que chamamos de senescência.
Algumas destas mudanças, se não cuidadas da maneira adequada, podem nos
colocar numa situação de maior vulnerabilidade e risco para problemas de saúde.
Um exemplo é a redução da massa muscular que, se não receber a atenção e o
cuidado necessários, pode reduzir a força muscular e prejudicar a mobilidade.
Além da massa muscular, há também outras alterações na composição corporal
(como redução da água e aumento da gordura) e na taxa de funcionamento de
alguns órgãos, que podem interferir na ação e metabolização de medicações e
aumentar a suscetibilidade aos efeitos colaterais, principalmente se houver uso
de várias medicações.
É importante lembrar também que a saúde mental (cognitiva e emocional)
exige tanto cuidado como saúde física. Sintomas depressivos são muito comuns e
podem se manifestar de maneira diferente do jovem e comumente são
negligenciados no cuidado, gerando piora da saúde e bem-estar, além de grande
sofrimento.
Além da depressão, podem ocorrer alterações cognitivas que variam desde
esquecimentos simples e naturais até determinadas doenças, como síndromes
demenciais, por exemplo. Em uma eventual situação de maior dependência de
cuidados, seja por problemas físicos ou cognitivos, com a necessidade de
auxílio de terceiros no dia a dia, o idoso pode se encontrar em uma situação de
maior vulnerabilidade e risco de exposição a algum tipo de violência. Nem
sempre essa violência é física, através de agressões, podendo ser de caráter
verbal, psicológico, emocional, discriminativo, financeiro ou de negligência.
Nesse contexto complexo, individual e heterogêneo do envelhecimento, é
necessária uma atenção global à saúde e um cuidado integral da pessoa como um
todo, nas suas particularidades e condições, não apenas físicas, mas também
emocionais, cognitivas, intelectuais e sociais.
Esse cuidado integral da saúde é único de cada pessoa e tem como objetivo
promover orientações, ações e intervenções, tanto para a promoção da saúde e
prevenção de doenças como para a recuperação ou reabilitação de determinada doença, dependendo de cada situação.
A geriatria, medicina especializada no envelhecimento, cuida e gerencia
essa atenção individual, ampla e integral, contemplando o que chamamos de “5
M’s”, que são as questões referentes a Multicomorbidades físicas, Mente
(cognição, memória e emoções), Mobilidade, Medicações e ao que chamamos de
“Mais importante” para o paciente.
Ou seja, através do conhecimento da história de vida e de saúde do
paciente, sua biografia, personalidade, valores e crenças, construímos e
compartilhamos um plano individual e integral de cuidados preventivos e
terapêuticos, para que, assim, possam viver e envelhecer bem.
Dra. Luciana Louzada Farias - geriatra da Rede de Hospitais São Camilo de
São Paulo
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