Pouco diagnosticada, doença pode trazer danos irreversíveis à saúde e levar à morte – mas embolização, se feita preventivamente, salva 98% dos pacientes
Segundo estatísticas, índice de ruptura é de 2% a 4% anualmente e diagnóstico precoce pode salvar 98% dos pacientes. Por que, então, a população ainda não tem acesso a exames diagnósticos para a doença?
Qual é a chance de uma pessoa ser diagnosticada com
aneurisma cerebral sem que haja um sangramento – um AVCh (Acidente Vascular
Cerebral Hemorrágico) – que a deixe com sequelas ou a leve a óbito? Pequena, já
que o aneurisma cerebral é uma doença silenciosa, que se manifesta, na maioria
dos casos, quando a artéria se rompe e acontece o sangramento, deixando o
paciente em estado grave ou podendo levar a morte. O que fazer, então, para que
os pacientes com aneurismas sejam diagnosticados e possam se tratar
preventivamente? Mais do que isso: por que entre 2% e 4% da população
brasileira sofre com o rompimento de aneurismas cerebrais anualmente, já que
existem exames que detectam a doença previamente?
“São muitas as perguntas – e existem respostas para
todas elas”, diz o Dr. Renato Tosello, Neurorradiologista Intervencionista,
especializado no tratamento endovascular de Aneurismas Cerebrais e de outras
doenças cerebrovasculares.
Para começar, o Dr. Renato Tosello explica que o
aneurisma cerebral é uma “dilatação” que se desenvolve em um local de
fragilidade da parede de um vaso sanguíneo (artéria ou veia) que irriga o
cérebro. Frequentemente, se forma na bifurcação das artérias intracranianas.
“Por causa da dilatação, a parede do vaso fica mais enfraquecida e afilada à
medida que aumenta de tamanho, como se fosse a borracha de uma bexiga que vai
ficando mais fina e frágil enquanto se enche, até romper. Ao se romper e
sangrar, o aneurisma causa um AVC hemorrágico”.
O aneurisma normalmente não causa sintomas enquanto
está pequeno, não comprime tecido cerebral ou nervos adjacentes e mantém sua
parede íntegra (ou seja, quando não há ruptura).
A localização e o tamanho do aneurisma pode
aumentar o risco de ruptura, como também pressionar o tecido cerebral e os
nervos ao seu redor, podendo gerar alguns sintomas, como dor de cabeça; dor
acima e atrás de um olho; dilatação da pupila de um olho; mudança na visão ou
visão dupla e dormência de um lado do rosto.
“Quando o paciente desconfia desses sintomas e
procura ajuda principalmente de um Neurorradiologista Intervencionista, pode-se
detectar a tempo a presença do aneurisma (que não sangrou) e tratá-lo de forma
segura. A angiografia cerebral é o exame padrão-ouro, ou seja, o mais confiável
para realizar o diagnóstico de um aneurisma”, explica o médico.
Se a pessoa não procura assistência médica, mas o
aneurisma cresce e um dia se rompe e sangra, os sintomas podem variar conforme
a seriedade do quadro. Quando o sangramento ocorre, o primeiro sintoma pode ser
uma dor de cabeça súbita e intensa. Pode haver, ainda, perda de consciência ou
outros sinais de alteração neurológica. Esses são sinais de alerta para
procurar um hospital imediatamente. Das pessoas que sofrem de aneurisma roto,
cerca de 30% a 50% morrem e ao redor de 20% a 25% ficam com algum déficit
neurológico moderado ou grave. Por isso, os aneurismas não-rotos devem ser
acompanhados de perto e tratados de maneira eletiva. A única maneira efetiva de
se prevenir um aneurisma romper é tratá-lo cirurgicamente. “Hoje, a cirurgia
endovascular é um tratamento minimamente invasivo e muito seguro, com alto
índice de sucesso e baixo risco de complicação, proporcionando ao paciente uma
rápida recuperação”, comenta.
Por que o diagnóstico ainda é pequeno
Pertencem ao grupo de risco para aneurisma cerebral
as pessoas que têm diabetes, hipertensão arterial, sobrepeso ou obesidade, um
familiar com histórico de AVC (derrame) ou de aneurisma, se é fumante ou faz
uso de drogas ou álcool.
Portanto, todos esses pacientes deveriam realizar,
a cada cinco anos, uma angiorressonância magnética cerebral (ou uma
angiotomografia), um exame parecido com uma ressonância/tomografia, que mapeia
o cérebro em busca de aneurismas. Esse check-up neurológico é imprescindível
para o diagnóstico de aneurismas.
Caso seja detectado o problema, uma consulta com
Neurorradiologista Intervencionista deve ser agendada, para que ele avalie se o
aneurisma pode passar por embolização (a cirurgia endovascular) ou deve ser
apenas acompanhado ambulatorialmente todos os anos. Esse paciente deve
controlar a pressão arterial, o diabetes e o peso, mantendo um estilo de vida
saudável.
Os diagnósticos precoces do aneurisma cerebral são
poucos porque, justamente, não existe uma recomendação médica para esse checkup
neurológico preventivo – um erro que pode custar uma vida. “A cada dia,
percebemos que é necessário fazer uma correlação entre as doenças e as
cardiológicas estão diretamente ligadas às cerebrais. Por isso, é importante
realizar um checkup cardiológico e um neurológico anualmente”, aconselha o Dr.
Tosello.
Diferença entre a cirurgia endovascular e a cirurgia aberta (clipagem)
Segundo a Sociedade Brasileira de Neurorradiologia
Diagnóstica e Terapêutica, a porcentagem de complicações neurológicas
relacionadas ao tratamento endovascular de aneurismas cerebrais (embolização) é
de 1,9% para complicações neurológicas transitórias ou leves; 2,6% no
pós-operatório imediato e 1,4% em 30 dias de complicações neurológicas
permanentes. De 0,5 a 1,1% dos pacientes vão a óbito no pós-operatório imediato
e 1,7% em 30 dias após uma embolização.
Os baixos índices de complicações colocam a
cirurgia endovascular (embolização) como a opção mais segura para o tratamento
definitivo e duradouro dos aneurismas cerebrais.
A cirurgia endovascular (embolização) dispensa a
abertura do crânio. A técnica é feita a partir de um minúsculo corte na artéria
femoral (cerca de 0,5 cm), que fica na virilha, ou, em alguns casos, até pelas
artérias do braço. O procedimento é parecido com um cateterismo, já conhecido
por muitos pacientes.
A partir desse pequeno corte, uma finíssima cânula
é colocada pela artéria e espirais metálicas, balões, stents ou outros dispositivos
endovasculares são utilizados para que o aneurisma deixe de ser alimentado e,
em pouco tempo, se feche.
O tempo de internação de um paciente embolizado é
menor e a recuperação se faz rapidamente. Vale lembrar que a cirurgia
endovascular é um procedimento que faz parte do rol da ANS, sendo coberta pelos
planos de saúde. Inclusive, também faz parte dos procedimentos oferecidos pelo
SUS – Sistema Único de Saúde.
Para realizar a cirurgia tradicional, também
conhecida como cirurgia aberta, é preciso fazer uma incisão no crânio, para que
cirurgião tenha acesso ao cérebro do paciente e ao aneurisma, que será clipado.
Trata-se de um procedimento bastante invasivo e que demanda mais tempo de
internação e recuperação.
Estima-se que 98% dos pacientes com aneurisma
cerebral detectado antes do rompimento (AVCh), quando passam pela cirurgia
endovascular (embolização) têm suas vidas preservadas. A embolização também é
realizada em muitos pacientes que sofreram rompimento de aneurisma, de forma a
recuperar as artérias após o AVCh.
Fonte; Clínica Tosello
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