Especialista em liderança aponta causas e dá dicas de como solucionar divergências num mercado de trabalho de quatro gerações ativas
Segundo
estudo recente divulgado pela consultoria ASTD Workforce Development, o
conflito entre gerações no mundo empresarial rende uma perda de produtividade
de 5 horas ou mais na semana, representando 12% do dia a dia de uma companhia.
Num mundo cada vez mais evoluído, com a expectativa de vida crescendo
vertiginosamente, o choque entre diferentes visões de pessoas de diferentes
épocas nunca esteve tão presente no trabalho.
“Esse
é o grande desafio do momento. É a primeira vez na história do mundo
corporativo que temos quatro gerações trabalhando juntas. É o momento de as
empresas criarem mecanismos que acabem essa guerra geracional, fazendo entender
que nenhuma das vivências é melhor ou mais adequada do que a outra, são só
diferentes. E, em um universo de tantas incertezas, a grande sacada é
reconhecer o quanto são complementares”, explica Richard Uchoa, CEO da LEO
Learning, empresa de soluções digitais para treinamento e desenvolvimento
corporativo.
Ainda
segundo o especialista, cada uma dessas gerações apresenta características
bastante próprias e distintas, o que acaba ocasionando nesses conflitos. Os
Baby Boomers, como são trabalhadores nascidos após a Segunda Guerra Mundial,
entre 1946 e 1964, representam profissionais focados em resultados e
estabilidade profissional e financeira. A chamada geração X compreende os
trabalhadores nascidos entre os anos 60 e 70, simbolizando um grupo
reconhecidamente mais pragmático e disciplinado. Já os filhos desse grupo,
integrantes da geração Y, viveram num mundo de transformações mais rápidas e
intensas, acarretando funcionários criativos, multitarefas e movidos por
desafios. Nascidos no novo milênio, num mundo já totalmente digitalizado e
interligado, a geração Z atua geralmente com tendências imediatistas e
individualistas.
Por
conta de todas essas diferenciações bastante intrínsecas a esses grupos, as
divergências acabam sendo quase que inevitáveis. Sai na frente quem consegue
atuar bem nesse sentido e altera essa lógica. “Em cada parte do processo uma
geração vai ter mais facilidade que a outra. Então, a questão não é evitar
conflito, mas sim criar um ambiente colaborativo para que o conflito produtivo
gere melhores respostas”, explica Richard.
Identificando a raiz
A
convivência de diferentes gerações será uma pauta cada vez mais presente e
inevitável dentro do mundo corporativo. Nesse contexto, vai se sair melhor as
empresas que conseguirem lidar com esse processo. Para isso, o primeiro passo
necessário é identificar os motivos desses conflitos.
Segundo
Richard Uchoa, praticamente todas as divergências partem das diferentes formas
de ver o mundo atrelada a cada geração. Apesar de três temas acabarem gerando
os principais debates, o real motivo acaba sendo a postura muitas vezes
irredutível desses grupos.
“As
gerações aprendem, trabalham e se comunicam de formas completamente diferentes
entre si. Apesar dessas temáticas se apresentarem como um contexto para esses
conflitos, o real motivo acaba sendo a falta de entendimento e de capacidade de
colaboração entre as gerações, que geralmente assumem que só há uma resposta
certa e não criam espaço para que as pessoas de outras gerações tenham voz e
performem”, avalia o CEO da LEO Learning.
Como lidar
Após
ter reconhecido as causas desses conflitos, está na hora de trabalhar na
resolução deles. De acordo com Richard Uchoa, o trabalho desenvolvido pelo
setor de Recursos Humanos será essencial para o tratamento e definirá quais
serão os rumos a serem tomados pela companhia para dar um valor positivo à
diversidade geracional em sua equipe.
“Por
se tratar da área que pensa em formas de estimular a cultura a favor da
estratégia, é papel do RH ser um grande radar nesse conflito e pensar como
estimular formas mais inclusivas tanto naquilo que é declarado (statements,
rituais, treinamentos, modelos de governança) como também no que não é
declarado, mas influencia a diversidade geracional (símbolos, normas e
exemplos). O RH é um embaixador desse processo que precisará envolver a empresa
inteira”, analisa o CEO da LEO Learning.
Encontrar
esse equilíbrio para fazer com que os trabalhadores de diferentes vivências
atuem de maneira coordenada e alinhada dentro da empresa garante uma importante
diversidade de ideias para a companhia, e, consequentemente, um trabalho mais
diversificado e produtivo em todas as áreas.
“Estar
aberto e se manter curioso para aprender torna qualquer profissional melhor ao
longo do tempo. Buscar momentos para se comunicar, participar de iniciativas e
ter momentos de convívio com outras gerações cria proximidade, eleva os níveis
de empatia e minimiza esse estranhamento comum de vivências e repertórios tão
diferentes. Muitas vezes, porém, é papel da empresa, sobretudo do RH, deixar
estes pontos claros aos seus colaboradores, através de campanhas e iniciativas
que criem conexões e abram canais de diálogos entre essas gerações”, conclui o
especialista.
LEO Learning - Revolucionar a
aprendizagem através de novas linguagens, como webséries, realidade virtual e
games pensados para desenvolver habilidades específicas, são ingredientes com
os quais a LEO Learning Brasil vem aperfeiçoando, de modo customizado, os times
de diversas organizações no país.

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